Lost Blue

26 Capítulo 26 - Ciúmes


Notas iniciais
Olá meus amores! Segue o capítulo da semana, tomara que gostem. Boa leitura ♥

Austin não soube o que o acordou, mas olhou para o relógio universal e constatou que ainda era cedo. Estava nu sob os lençóis e as lembranças de transar com Sully antes de adormecer estavam frescas em sua mente. Sully, no entanto, estava dormindo profundamente ao seu lado, seu calor irradiando para sua pele. Tinha que admitir, ele era bonito dormindo, mas olhar para ele o deixava triste. Isso porque sua relação com o outro era estranha, não muito amigável.

Como pagamento por um erro grave que cometeu antes, Austin estava trabalhando como o pet sexual de Sully. Algo que ele nunca tinha sequer sonhado em fazer para alguém antes.

Sully era um fundo, porém muito dominante na cama. Ele amava mandar, sentar em seu colo, beijar seu corpo, mordê-lo por toda parte. Era como se ele sempre estivesse com fome de sexo. Mas às vezes era confuso estar com ele. Tinha momentos que jurava ver lágrimas em seus olhos no meio de um ato, ou ele perdido em pensamentos, ou olhando para ele com tristeza e saudade.

Austin não sabia dar certeza em seus sentimentos, mas achava que já estava na hora de decretar suas dívidas pagas. Não é como se fosse ficar meses sendo submetido àquilo. E embora ter sexo não era ruim — ao contrário, muito bom na verdade — no momento em que começava a se sentir confuso sobre o que seu coração estava dizendo, era melhor se afastar, antes que se arrependesse.

Dono de um coração muito frágil e sendo muito sentimental por herdar tais características de seu pai Kayllon, Austin tinha medo de se machucar.

Entretanto, olhar assim para Sully adormecido, com suas características suaves, sua boca entreaberta, os cabelos cor de salmão espalhados por todo o travesseiro e sua pele coberta por marcas de chupões e arranhões que ele tinha provocado, fazia um nó apertar em seu peito.

Anteriormente, quando fizeram sexo antes de dormir naquela noite, Sully tinha se transformado mais uma vez naquela forma estranha alienígena. Com a pele azulada, soltando um estranho pó brilhante como purpurina, olhos negros com apenas as íris intactas, os cabelos criando uma mescla entre o rosa salmão e mechas brancas. Era como um ser de alguma história contada para assustar crianças. Podia até parecer medonho, mas aos olhos de Austin, era interessante e muito quente.

Ainda podia sentir queimar os locais onde ele tinha tocado, onde aquele pó brilhante tinha caído em sua pele. Sentia formigar e era uma sensação gostosa. Talvez aquilo servisse como um afrodisíaco, algo do tipo.

Sully se mexeu um pouco antes de abrir os olhos, bocejando em seguida. Ele sorriu quando o percebeu olhando para ele.

— Já é hora de levantar?

— Não. Eu só perdi o sono. — Austin respondeu e sorriu de volta.

— Tem uma marca bem aqui. — Sully tocou um ponto entre o pescoço e o ombro de Austin, e parecia satisfeito com isso. — Gosto de ter minhas marcas em você.

Não sabia como responder aquilo. No fundo também gostava de ser marcado.

— S-Sabe… — Disse Sully, hesitando e evitando seu olhar. — Tenho algo para te dizer. — Sentou-se e olhou para ele.

— Eu também tenho. — Austin também se sentou. Seu tamanho era um belo contraste, por isso mesmo ambos sentados, Sully tinha que olhar para cima para falar com ele.

— Diga você primeiro.

— Está bem. — Austin se preparou. Ele tinha pensado muito no que dizer e em como resolver essa situação, então a única solução para isso foi: — Nós precisamos parar. Acho que minha dívida já está paga. Não posso continuar sendo seu escravo sexual por muito tempo, logo retornaremos para a nave Imperatriz para continuar nossa viagem e não terei tempo para os seus caprichos, então acho melhor terminarmos por aqui.

Talvez tinha sido seco demais?

A decepção e a dor nos olhos de Sully responderam isso. Ele abaixou a cabeça, seus cabelos rosados caíram lhe cobrindo a face.

— Sim… — Ele tossiu, recompondo a voz. — Você está certo. Nós terminamos.

— Certo… — Austin coçou a nuca, sem jeito. — Você não está chorando, está?

Sully balançou a cabeça. — Não.

— Hum… você disse que tinha algo para me dizer… o que é? — Não tinha acreditado muito.

— Nada importante. — Sully se levantou, em nenhum momento olhando para ele, e vestiu o roupão sobre seu corpo nu.

— Tem certeza? — Austin estava preocupado. De alguma forma sentia que tinha feito uma burrada. Sully estava zangado com ele?

— Sim. Só ia dizer… deixa para lá. — Ele balançou a cabeça e foi para o banheiro, se trancando lá.

Algum tempo depois, Austin desistiu de esperar Sully sair do banheiro e foi dar uma volta. A nave-mãe Margosha era tão grande que poderia demorar dias para conhecer todos os cantos e recantos dela. Sentou-se em um banco de aço enferrujado em uma área de descanso em frente de uma enorme parede de vidro, dando a ele a visão magnífica do espaço.

Parece que o treinamento de Aquantis estava acabando e logo a nave Margosha zarparia daquele lugar, o que também poderia ser uma indicação para o fim da hospedagem. Eles poderiam, finalmente, voltar a viagem.

Exceto que Trey estava em reunião com Gavrel desde o dia anterior discutindo detalhes sobre a nave Imperatriz e suspeitava que estivessem bolando algum plano contra a Federação também. Deveria estar participando… mas não estava muito a fim disso. Não depois de ver aquele olhar em Sully.

Será que tinha feito a escolha certa?

Talvez deveria ter esperado mais tempo.

Suspirou derrotado.

Estava tão perdido em pensamentos que se assustou quando alguém se sentou ao seu lado.

— Pai!

Kayllon lhe deu aquele sorriso gentil e único que tanto amava.

— Você parecia tão pensativo, viajando. Aconteceu alguma coisa? — Ele envolveu um braço sobre os ombros de Austin e o trouxe para perto. Quer dizer, ele tentou envolver, Austin era pelo menos duas vezes maior do que ele.

— Acho que magoei Sully.

O silêncio de Kayllon o deixou desconcertado, então olhou para ele, surpreso por encontrar suas feições duras.

— O que te faz pensar isso? Depois do que aquele garoto te fez…

— Pai… você sabe que eu mereci. Sabe que foi culpa minha.

— Ainda assim, acho que foi errado. Ele fez uma péssima escolha. Você, Austin, o meu garoto sendo submetido a ser… um mero escravo de alguém. Isso é tão…

— Pare. — Austin beijou a testa de seu pai e o puxou para seus braços. — Não foi difícil, ele não me forçou a nada, por isso não se preocupe. — Seu pai não sabia do detalhe “sexual” envolvido nisso, mas literalmente, Austin não tinha odiado o tempo que ficou com Sully, mas achava que também não estava certo.

— Não importa. Eu quero o melhor para você, Austin, porque você merece. Você é um rapaz maravilhoso… gentil e doce. — Kayllon tocou seu rosto com carinho, sorrindo. O coração de Austin virou geléia. — E eu tenho tanto orgulho do meu filho. Você é diferente de todos os outros, você é único e merece alguém que verá isso em você, que dará valor ao que você é.

— Obrigado, pai. — Austin fez beicinho, segurando suas lágrimas. Às vezes seu pai era tão doce que o fazia derreter. — E como vai o meu irmãozinho?

Kayllon se endireitou, tocando a curva em seu ventre. — Está menos agitado agora, parece que se acostumou com o clima da nave. Eu não tive mais enjoo, porém não sei como será uma vez que voltarmos para a Imperatriz.

— Vai dar tudo certo, verá.

— Você disse algo sobre se preocupar em ter magoado Sully, por quê? O que você fez? — Ele perguntou isso com uma sobrancelha arqueada. Era fato de que ele passou a detestar Sully depois que Austin se tornou o pet dele, mas graças a ele ter implorado mais de uma vez, Kayllon não fez nada à respeito e ficou longe do rapaz de cabelos cor de salmão.

— Eu disse a ele que era melhor parar o que estávamos fazendo, mas acho que fui um pouco grosseiro. — Austin limpou a garganta, se ajeitando no banco. — Ele aceitou normalmente, mas eu percebi que machuquei seus sentimentos.

— Ele vai ficar bem. Ele não pensou nos seus sentimentos quando te transformou em um escravo.

— Pai!

— O quê?! Eu só falei a verdade.

— Eu sei, mas… — Austin suspirou. — Pode ter sido extremo? Sim, mas ele teve motivos para isso. Lembra que eu fui o primeiro a transformá-lo em um pet, por causa disso ele quebrou as duas pernas. Foi horrível, pai. Eu tinha que me redimir de alguma forma.

Estava cansado de dar voltas no mesmo assunto com Kayllon. Mas parece que seu argumento foi válido desta vez.

— Eu sei, só… como seu pai, eu me preocupo. Quero protegê-lo, mesmo que eu não tenha força nenhuma para isso.

Austin puxou seu pai para os seus braços novamente, beijando a cabeça dele. Eles eram tão melosos juntos, mas Austin não podia evitar já que ele amava demonstrações de carinho e Kayllon também gostava disso.

— Quem deve protegê-lo sou eu, não é a toa que tenho todos esses músculos. — Gabou-se mostrando um de seus bíceps assustadores. Kayllon riu e tocou seu rosto.

Eles trocaram um olhar cheio de carinho, até Kayllon resolver deixá-lo, reclamando que sua bexiga estava estourando.

Austin o assistiu desaparecer pelo corredor, imaginando como seria ter um irmãozinho…

Não, ele não ficaria ciumento, não é?

—*-*-

Trey bebericou sua xícara fumegante com algum líquido roxo com um sabor divino. Tinha receio de perguntar o que raios era aquilo e ter uma resposta indesejável, então preferiu ficar só na curiosidade.

O gigantesco holograma da galáxia de Órus estava posicionado acima de suas cabeças. Todos estavam em torno de uma mesa redonda com uma abertura no centro onde Kimm, recentemente intitulada general da Margosha, estava explicando cada detalhe do plano.

— A ideia é usar os buracos de minhoca artificiais usados pelas naves de combate para atacar todos esses pontos. — Ela apontou com o laser vermelho sobre cada base da Federação no espaço. — Nós sabemos que há mais fora da galáxia, mas até que reforços cheguem, seremos capazes de criar essa distração, enquanto o restante se infiltrará na nave-mãe da Federação.

Trey olhou para o lado, onde Aquantis estava inclinado para frente, o queixo sobre a mão, quase dormindo. Queria sorrir para isso, já tinha percebido que seu amante não gostava nem um pouco de reuniões.

— Ei… — Sussurrou perto dele e o Blue balançou a cabeça para espantar o sono. — Pode ir dormir, eu cuidarei das coisas aqui.

— Tem certeza? — A voz dele estava embargada de sono. — Estamos aqui há horas.

— Sim, pode ir. Eu te informo de tudo amanhã.

Aquantis assentiu e deixou a sala.

Trey pegou o olhar de Gavrel e o indício de um sorriso, mas logo ambos voltaram a prestar atenção nas explicações de Kimm. Ela era muito admirável, alta, bonita, mas com um semblante perigoso que intimidava qualquer um. Não era a toa que ela era considerada general e Trey tinha escutado em algum lugar de que algumas pessoas tinham mais medo dela do que de Gavrel.

Quanto a Askell, ele parecia o tipo relaxado. Estava sentado no lado oposto da sala com os tornozelos cruzados sobre a mesa, girando uma caneta entre o indicador e o polegar enquanto mascava chiclete e fazia balões de ar.

Zachary era quem mais parecia focado em toda a reunião, anotando cada detalhe em seu tablet e fazendo cálculos a todo vapor.

Dominic estava em sua forma miniatura no ombro dele, já adormecido há tempos agarrado ao cabelo de Zack.

Jack estava prestando atenção, bebendo aquele chá esquisito de uma forma tão parecida com Trey que às vezes era assustador a semelhança. Enquanto Morgana estava… admirando Kimm?

Trey piscou, sem acreditar. Conhecia muito bem aquele tipo de olhar.

É, parece que Morgana tinha encontrado o seu alvo.

No dia anterior, Trey tinha ido ver a situação da Imperatriz, após Zack aparecer completamente em pânico sobre o design da nave ser igual ao da Margosha. É, ele não estava errado e Trey não gostou nem um pouco disso. E quando foi tirar satisfações com Gavrel, o comandante tinha lhe dado um estranho sorriso medonho e pedido para ele esperar, que explicaria em detalhes para ele após aquela reunião, que pelo jeito, demoraria a noite inteira até acabar.

Queria poder dar uma desculpa e sair também atrás de Aquantis, para poder dormir abraçadinho com ele em seu quarto. Mas não podia ignorar um assunto tão importante. Gavrel estava querendo incorporar eles no plano de destruição da Federação dos Planetas e parecia fazer sentido juntar forças. Descobriu que a Margosha continha muito mais aliados do que imaginava e que pelo menos 80% deles estavam dispostos a ajudá-lo com o plano.

— Entendo… — Disse Jack para Kimm. — Mas qual a ideia para igualar o real poder de armas com a Federação? Nós sabemos que eles têm poder suficiente para destruir pequenos planetas, não é a toa que nenhuma outra nação conseguiu tomar seu lugar até hoje.

— É por isso que precisamos fazer melhor do que eles. — Respondeu Kimm. Nós temos cientistas importantes trabalhando nisso e temos uma cópia atualizada de todas as informações de armas do 5º Setor da Federação.

Todos começaram a sussurrar, o 5º Setor era conhecido como uma base secreta onde as armas eram fabricadas e continham todo o arquivamento do que era desenvolvido na nave-mãe da Federação, em Vettore.

Trey não queria parecer surpreso, mas realmente estava. Ele olhou para Zack que também olhou para ele assim.

— Como conseguiram um arquivo tão sigiloso? — Perguntou Zack.

— Nós temos um sistema único de hackers na nossa nave. Mais importante, tem um espião infiltrado no 5º Setor. — Respondeu Kimm.

— Essa é a nossa chance! — Zack exclamou na direção de Trey. — Se criarmos armas melhores do que as deles, seremos capazes de destruí-los! Mas para isso… — Ele ficou quieto.

Sim. Para isso precisavam de Aquantis.

Trey não suportaria ver Aquantis ser usado como uma cobaia de laboratório de novo. Ele não permitiria isso.

— Sei o que está pensando. — Disse Gavrel do lado oposto da sala, no local mais escuro. — Nós não vamos submeter Aquantis ao mesmo tratamento que a Rainha Wenda o obrigou. Nós temos uma técnica muito mais eficaz e indolor para ele. Por isso o treinamento está servindo. Se aquantis souber controlar a si mesmo, nada pode dar errado. Lá, eles extraíam poder dele. Aqui, Aquantis é quem nos dará o poder, se ele quiser fazer isso.

Trey olhou bem para Gavrel e engoliu em seco. Não aceitaria aquilo tão fácil e tão rápido. Eles tinham um plano, mas não é como se confiasse completamente em Gavrel e em todos na nave Margosha. Ele precisava de um tempo.

— Kimm, encerre a reunião por hoje. — Gavrel se levantou. — Há algo que eu preciso fazer. Enquanto isso, envie os relatórios a todos os presentes.

Ela concordou e finalmente todos se dispersaram.

Trey respirou fundo do lado de fora e Gavrel apareceu ao seu lado. Ele pegou sua mão e colocou algo sobre ela. Era um pedaço de aço polido e estranho, com a aparência de uma pedra.

— O que é isso?

— Um controle. Você vai usá-lo para a sua nave de agora em diante. — Foi tudo o que Gavrel disse antes de sair em direção a ala dos quartos.

Trey olhou para o estranho objeto nas mãos e pegou o olhar curioso de Zachary também.

— O que será isso?

— Vamos testá-lo amanhã. — Visto que tudo o que queria naquele momento era se embalar com Aquantis na cama. — Boa noite, Zack.

— Noite, Trey.

—*-*-

Compartilhar o jantar com Gavrel todas as noites se tornou um evento comum ao passar dos dias naquela nave.

Aquantis estava bastante satisfeito com a refeição. Estava morto de fome depois de um dia bastante trabalhoso no planeta estranho. E conforme comia e ouvia a conversa animada na mesa, sentiu aquela sensação distinta de ser observado. Olhou para frente, encontrando o olhar de Sully. Foi estranho, porque parecia familiar. Sully corou as bochechas e voltou a prestar atenção ao seu prato.

Já tinha encontrado Sully o observando muitas vezes desde que ele resolveu viajar com eles na Imperatriz. Estava curioso para saber por que fazia isso. Será que tinha algum sentimento por ele? Talvez o achava bonito? Ou talvez muito esquisito por causa de seu cabelo azul e da sobrancelha falhada?

Desistiu de se perguntar e olhou para Trey, assustando-se com a carranca do comandante da nave Imperatriz e ele olhava na direção de Sully, que ficou tão desconfortável que pediu licença e saiu da mesa.

Aquantis ia suspirar aliviado, mas entrou em pânico quando Trey se levantou. Tentou segurá-lo, mas ele se esquivou e saiu a passos pesados da mesa de jantar.

— Está tudo bem? — Zachary perguntou, confuso. Aquantis assentiu com um sorriso forçado.

— Ele está com dor de estômago. Eu já volto. — Levantou-se e foi atrás dele.

Como esperava, logo no corredor, Trey já tinha pego Sully pelo pescoço e o erguido contra a parede, sufocando-o.

— Você é muito corajoso! Sabe que ele é meu namorado e mesmo assim fica descaradamente olhando para ele! Qual o seu problema? O que eu tenho que fazer para que entenda que ele é meu?

— Trey! Pare com isso! — Aquantis gritou, tentando puxar Trey. Sully estava ficando roxo e não conseguia responder, só gemer. — Por favor… você está machucando-o. Ele não fez mal algum para mim!

— Ele é um pervertido, é isso o que ele é! Trata Austin como se fosse um mero escravo sexual e agora que enjoou dele quer Aquantis?

— Trey, por favor… — Aquantis estava desesperado, francamente com medo de que Sully morresse.

— A-Aqua é… — Sully tentou dizer, a voz quase não saindo. — É…

Trey o soltou, arfando com raiva, seu rosto vermelho e seus dentes cerrados. Sully escorregou para o chão quando Austin chegou logo em seguida caindo ajoelhado ao lado dele.

— O que você fez com ele?

— Ele estava olhando para mim. — Aquantis explicou sentindo seu coração disparado. — Trey ficou louco quando percebeu e…

— Você está bem? — Austin tentou acalmar Sully que estava em choque. Ele massageava as costas de Sully. — Fale comigo, Sully!

— A-Aquantis… você… — Sua voz saiu rouca e então ele começou a chorar, cortando o coração do Blue e de Austin que estava tentando consolá-lo. Ele tirou um dispositivo do bolso, era um pequeno cubo azul flutuante e entregou a Aquantis. Austin ergueu Sully e o levou de lá, sem antes dar um olhar ruim ao seu comandante.

O Blue guardou o objeto no bolso e se virou para a sua verdadeira fonte de irritação naquele momento.

— Pode me dizer o que foi isso?

Trey ainda parecia com raiva, mas não teve coragem de olhar em seus olhos.

— Acha que eu já não tinha notado antes? — Ele cruzou os braços sobre o peito. — Em todos os jantares ele faz a mesma coisa. Desde que subiu na nossa nave fica dando em cima de você. Minhas malditas visões naquele lugar só mostram ele tirando você de mim! Eu tinha que dar um basta nisso!

Aquantis se acalmou, estudando-o.

— As alucinações no Lado Proibido foram sobre Sully e eu? — Aproximou-se, tocando os braços cruzados de Trey e ele assentiu. — O que acontecia?

— Vocês se beijavam e faziam outras coisas…

— Oh. — Aquantis entendia agora porque Trey estava tão nervoso. — Então você esteve com ciúmes de mim durante todo esse tempo?

Ele não respondeu.

— Você sabe que aquilo não é a previsão do futuro, não é? E entre Sully e eu não há nada. Nós nem mesmo somos amigos, só colegas de viagem. E… ele deve me olhar porque me acha esquisito e não por…

Trey o puxou para os seus braços, abraçando-o tão apertado que doía.

— Você não é esquisito. Você é lindo… muito lindo. Eu sei que exagerei, está bem? Não consegui me segurar.

— Você tem que se desculpar com ele.

— Não.

— Não?

— Não torne isso mais difícil, Aqua.

Aquantis resmungou, mas não disse mais nada. Ele sabia que Trey tinha feito errado, mas ele tinha que ver isso por conta própria. O olhar assustado de Sully lhe fez sentir estranhamente protetor. Havia algo de muito esquisito nele.

Quando chegaram ao quarto, Trey foi tomar um banho e Aquantis sentou em sua cama, olhando para o espaço, uma visão que durante muito tempo ele desejou ver. Então lembrou-se do objeto estranho que ganhou de Sully e o tirou do bolso. Imediatamente o cubo azul flutuou em sua palma.

— O que essa coisa faz? — Perguntou-se estudando-o. — Será só… um cubo qualquer?

Aqua voltou sua atenção para o espaço. Em sua mente imagens de Trey irritado, Sully chorando, seus pais sendo mortos pela rainha… tudo isso se misturava e seus olhos marejaram. Esfregou os olhos, impedindo-se de chorar, mas a tristeza não tinha se afastado.

A cama afundou ao seu lado e Trey, vestindo somente o roupão, olhou para ele, preocupado.

— Ei… — Tocou seu rosto levemente, puxando seu queixo para olhá-lo. — Por que está assim? Está triste pelo que eu fiz?

Aquantis não sabia dizer se era isso ou não. Então balançou a cabeça.

Trey o beijou lentamente nos lábios, na bochecha esquerda e sobre um olho fechado.

— Você é bom demais para mim. Às vezes acho que não o mereço. — Falou com pesar, tocando seu rosto com ternura, encostando suas testas uma na outra. — Mas ainda assim não posso me ver longe de você, pois significa tudo para mim e nada mais faria sentido se você se fosse.

Aquantis sorriu.

— Trey?

— Hum?

— Amo você.

Segurando seu olhar, Trey sorriu, finalmente parecendo feliz e menos tenso. Ele era muito mais lindo quando estava sorrindo daquele jeito. E mesmo assim, Aquantis continuou:

— Amo a sua voz, seu rosto, seus olhos… seu corpo, seus cabelos… saber que você se importa comigo. Você é muito lindo, Trey.

As maçãs do rosto dele estavam ficando vermelhas, mas seu olhar não se afastou e ele o puxou para beijá-lo apaixonadamente. Após isso,Trey o empurrou para a cama, já prestes a tirar suas roupas, quando o cubo azul caiu da mão de Aquantis, e uma vez no chão, voltou a flutuar, desta vez refletindo no vidro da janela uma foto em movimento.

Trey estava se deliciando com o pescoço de Aquantis, quando o Blue percebeu algo.

—T-Trey?

— Hum? — Seu companheiro mordiscava sua orelha.

— Trey!

— O quê? — Ele se afastou relutante. Confuso, ele olhou na mesma direção de Aquantis e viu a imagem familiar. — O que é isso?

Aquantis se levantou e então se ajoelhou perante a imagem refletida no vidro.

— São os meus pais… e Sully.

Continua...



Notas finais
Obrigada por ler ♥ Espero que tenha gostado! Até a próxima ;D