Lost Blue

27 Capítulo 27 - Inimigo em comum


Notas iniciais
Olá meus amores! Aqui está o capítulo da semana. Espero que gostem ♥ boa leitura!

Depois do que houve naquela noite, após o jantar, Sully ficou quieto e não disse mais nada. E como o rapaz não estava propenso a responder perguntas, Austin resolveu respeitar seu silêncio.

Exceto que estava se corroendo para conversar.

Queria que Sully lhe dissesse exatamente o que sentia, todas as coisas, pois assim não haveria dúvidas entre eles. Mas quem estava querendo enganar achando que Sully tinha qualquer dever para com ele, não depois de ter terminado tudo no dia anterior.

Era como se fossem estranhos novamente.

Sully tinha se trancado no banheiro outra vez e por causa das portas pesadas de metal, não podia ouvir se estava tomando banho ou chorando — talvez fazendo os dois ao mesmo tempo. E demorou tanto que Austin se trocou, ficando apenas de cueca, e se deitou, cobrindo-se com o lençol. As únicas luzes no quarto eram provenientes da grande parede de vidro, onde milhões de estrelas brilhavam ao longe nas mais diversas cores.

Ouviu a porta do banheiro se abrir, a luz desligar automaticamente e os pés descalços de Sully sobre o chão, então seu colchão afundou atrás dele, o corpo do outro pressionando ao seu lado.

Austin se virou de frente para ele, olhando-o com preocupação, mas esperou que ele falasse.

— É… meio difícil ignorar o Aqua, sabe? — Sua voz estava embargada, no entanto ele não estava chorando.

— Você gosta dele? — Perguntou Austin com uma estranha sensação de dor no peito. Ele sabia que estava com ciúmes, mas também não havia nada que pudesse fazer para mudar os sentimentos de Sully. Era o que achava.

— É mais do que gostar.

Argh. Isso doía.

— Mas você sabe que o temperamento de Trey não é dos melhores, se ele te pegar encarando o Aqua novamente, sabe que isso pode resultar pior do que hoje.

— Sim, eu sei… — Sully suspirou e afundou mais na cama. — Eu tenho medo dele. — Suas mãos foram para o pescoço, onde Trey tinha lhe agarrado o colarinho, quase o sufocando.

Austin tocou o rosto dele com as costas dos dedos, sentindo o contorno e a maciez de sua pele.

Ele afastou o carinho antes que fosse tarde e seus olhos se enchessem de lágrimas. Virou-se na cama para olhar para o teto.

— Tenho algo para te contar. — Disse Sully.

— Eu também. — Respondeu. Então sua curiosidade falou mais algo. — O que é? — Virou-se novamente para ele no escuro.

— Aquantis e eu… nós somos…

Esperou, mas o silêncio continuou. Austin só conseguia pensar o pior.

— Fale.

— Eu estou tentando.

— O que é tão difícil de dizer?

— É que… tenho medo do que vá pensar de mim. — Respondeu Sully com pesar. — Já sei que não pensa o melhor, ninguém pensa… Trey ainda me vê como um criminoso e aposto que o seu pai também pensa isso. Ninguém gosta de mim. Não entendo como estou assim com você agora depois de você mesmo ter afirmado que acabou tudo entre nós.

— Espere, não…

— A impressão que todos vocês tiveram de mim desde que apareci foi a pior possível. Como Aquantis vai ser capaz de gostar de mim? E se ele me odiar depois que descobrir a verdade e…

— Sully! — Austin se ergueu sobre ele e segurou seu rosto, roubando-lhe um beijo molhado que estalou pelo quarto. — Acalme-se, está bem? — Ele assentiu com olhos arregalados.

— Pensei que não tocaria mais em mim depois que terminamos.

— Não é como se “aquilo” fosse algum tipo de relacionamento. Bem… era, mas não o melhor.

— Hum. — Sully amuou de novo.

— Diga para mim, que verdade é essa que você tem medo que Aquantis descubra?

O suspiro de Sully foi a única coisa que ouviu naquele quarto além das batidas de seu próprio coração. As mãos dele estavam sobre as suas que ainda embalavam o rosto dele. E mesmo no escuro, seus olhos estavam brilhantes.

— Ele é meu irmão.

— Seu o quê?

— Meu irmão. — Sully repetiu.

— Espere… — Austin se afastou e sentou sobre as pernas. — Quer dizer que você não gosta dele daquela maneira… mas sim como um irmão?

— É. Por quê? — Sully sentou-se olhando-o curioso. Então uma luz pareceu surgir e seus olhos mostraram compreensão. — Pensou que eu o amava daquela forma… romântica?

Austin estava envergonhado, muito. Queria esconder seu rosto, onde suas bochechas queimavam.

— Bem… por mais que eu e Aquantis não crescemos juntos, eu nunca senti nada mais do que amor fraternal por ele.

— Estou tão aliviado. — Austin colocou a mão na testa. Então, percebendo que Sully não disse mais nada, olhou para ele, encontrando-o pasmo. — O que foi?

— Você disse que está aliviado… por quê?

Ops.

É… confessar seus sentimentos não era tão fácil quanto pensava.

Mas Sully o ajudou nisso:

— Sente algo por mim?

Só... assentiu. Seu coração estava disparado e uma sensação de frio permeava seu estômago. Sully arregalou os olhos.

— Gosta de mim? Mesmo?

— Sim. — Engoliu em seco.

Não esperava que Sully o puxaria para baixo para abraçá-lo com força, ele só estava vestido com uma camiseta e cueca, o que significava suas pernas nuas se enrolando nas dele. Ele soltou um som feliz, quase como um gritinho na sua orelha.

— Você está feliz? — Austin não estava entendendo.

— Claro que estou! Nunca imaginei que seria recíproco.

— Quer dizer que você… — Austin olhou para o rosto dele pasmo. — Você também!

— Sim, eu também! — Sully riu, um som gostoso que fez cócegas em seu interior.

— Então nós…

— Sim!

— Sim mesmo?

— Mesmo.

Não se lembrava da última vez em que a felicidade tinha sido tão grande a ponto de sufocá-lo, e Austin se deixou levar, se deixou perder todo o ar por ele. Abraçou Sully com força, fazendo-o rir de seu jeito possessivo e beijando-o por toda parte.

Então um reconhecimento passou lá no fundo de sua mente “ele é um blue também”, no entanto, resolveu deixar esse assunto para um outro momento.

—*-*-

Trey estava prestes a chamar Austin no comunicador quando olhou para onde Aquantis ainda permanecia sentado no chão olhando para a imagem refletida pelo cubo na parede de vidro. Aquilo tinha fisgado a atenção do blue de certa maneira que ver sua expressão confusa fazia doer o coração de Trey.

Seu comunicador apitou primeiro revelando a voz de Gavrel no viva-voz.

— Trey. — Sua voz era grave e perigosa. — Detectamos intrusos na nave. Podemos ser atacados a qualquer momento, quero que traga Aquantis até aqui. A ponte de comando é o lugar mais seguro para ele agora.

— Okay, já estou indo. — Trey desligou, não tendo tempo para pensar, apenas agir, como era o protocolo de segurança desde que Aquantis entrou na Margosha. Foi um assunto que discutiram também durante aquela reunião chata.

Aquantis olhou para ele apavorado e Trey pegou o pulso dele e recolheu o cubo flutuando, colocando-o no bolso. Puxou Aquantis para fora do quarto, após ter recolhido sua arma, e logo no corredor, disparos de laser acertaram a parede. Trey empurrou Aquantis para abaixar a cabeça e acertou os dois intrusos ao fim do corredor, derrubando ambos. Logo a frente surgiram mais, porém os homens da Margosha derrubaram eles e abriram caminho para Trey e Aquantis.

A nave era como um gigantesco navio velho, seus corredores pareciam um labirinto, o som das tubulações expostas e as luzes alaranjadas eram assustadores, um lugar ideal para um filme de terror.

Trey viu um homem morto e seus sangue esguichado contra a parede, o que fez Aquantis gritar. Ele segurou-o contra o peito e desviaram do sangue, continuando pelo caminho.

O que diabos está acontecendo? Perguntou a si mesmo, olhando para todos os lados enquanto corriam, sua arma apontando para frente.

Chegaram à ponte de comando, onde Gavrel e os outros estavam. Austin e Sully chegaram em seguida e a porta foi trancada.

— Quem são os intrusos? — Trey indagou ao comandante.

— São piratas também. Temo que trabalhem para quem implantou o chip no saturniano da sua equipe. Eles querem Aquantis também e estão dispostos a nos enfrentar para isso. — Respondeu Gavrel.

Aquantis estava como um animalzinho prestes a ser morto pelo predador, com seus olhos enormes e rosto empalidecido. Trey o puxou para seus braços, alisando as costas dele para acalmá-lo.

— Nós temos uma transmissão, senhor! — Um dos caras que trabalhavam para a Margosha falou da área de comando.

— Libere.

O rosto de um homem se apresentou no telão, onde antes era a janela frontal para o espaço — assim como funcionava na Imperatriz, exceto que era três vezes maior. Era um homem ruivo com olhos puxados, pele incrivelmente pálida e esverdeada, além de orelhas pontudas que se mexiam.

— Gavrel Margosha, quanto tempo!

— Skultz. — Gavrel rosnou profundamente, seus olhos se fechando em fendas perigosas. — Afaste-se da minha nave ou irei pulverizar você e os seus homens.

— Calma, calma. Estamos aqui para negociar, amigo. — Skultz tinha um jeito que lembrava um pouco um punk rebelde, assim como era Askell.

— É muita ousadia sua enviar homens para morrer em minha nave.

— Eles fariam qualquer coisa por mim, acredite. — O alienígena horroroso falou. — Quem diria que um dos meus fantoches me levaria ao tesouro da rainha. É muita sorte vê-lo de novo depois de tanto tempo, não é Aquantis?

Aqua tremeu e não ousou se afastar dos braços de Trey, suas mãos agarrando firmemente suas roupas.

— Você o conhece? — Trey perguntou baixinho e Aqua assentiu.

— E-Ele… ele é quem me levou da Federação… me-me levou para Exórdio para fazer experimentos… — Os dentes dele batiam por causa da tremedeira.

Os experimentos com drogas. O semblante de Trey se fechou em ódio puro e o único jeito de ele ainda estar quieto é porque tinha Aquantis abraçado a ele com força. Precisava protegê-lo e não piorar as coisas.

Ele olhou para Zachary que carregava Dominic em seu bolso. O saturniano também apavorado com a situação.

— Nós não vamos negociá-lo com você. — Gavrel foi seco e direto. — Aproveite enquanto estou sendo generoso e saia.

O sorriso de Skultz foi substituído por fúria. Ele bateu os punhos contra o painel a frente dele, fazendo criar uma interferência no vídeo.

— Se não vai ser por bem, vai ser por mal! — E ele gritou como um louco, desligando a comunicação. Em seguida o som de uma explosão no casco da Margosha fez tremer o chão abaixo deles.

— Prepare os canhões! — Kimm gritou para os soldados que comandavam os painéis digitais.

Trey queria estar ajudando a comandar, como fazia na Imperatriz, mas Aquantis era sua prioridade e ali estavam seguros — achava. Zack tinha Dominic em seu bolso, por isso podia fazer as coisas. Sully e Austin estavam abraçados perto deles, o que deixou Trey um pouco desconcertado. Eles estavam juntos daquela maneira…romântica?

Os momentos seguintes foram cheios com a gritaria de quem trabalhava na ponte de comando, com o tremor no chão, o frio permeando o ar, os xingamentos e o balanço sutil da nave.

Trey sentou com Aquantis em uma área com sofás, esperando que eles pudessem sair daquilo. Ele tinha se oferecido para ajudar várias vezes, mas Gavrel o cortou, mandando ficar com Aquantis e Keesa, que estava perto deles envolto de um cobertor, tremendo sutilmente.

Pegou o olhar de Sully no outro sofá na direção de Aquantis, mas não falou nada, virando o rosto e prestando atenção. Ficou curioso quando Gavrel disse a Kimm “vamos entrar em dobra, isso não vale a pena os esforços”.

Como uma nave-mãe daquele tamanho e tão enferrujada poderia entrar em dobra? Apenas as naves mais caras tinham essa habilidade e Trey nunca teve o necessário para instalar isso na Imperatriz.

Entrar em dobra significava atravessar o espaço tempo, assim como quando se atravessava buracos de minhoca — portais no espaço que levavam a outros lugares. No entanto, essa habilidade que uma nave poderia ter podia ser controlada diferente da outra.

Quando Kimm anunciou o que eles fariam, todos foram para suas poltronas e mesmo Trey e Aquantis foram obrigados a colocar os cintos de segurança. As luzes de emergência piscaram e toda a energia desligou ficando um breu até que retornou como uma luz tão cegante que todos foram obrigados a fechar os olhos. Tudo girou e balançou bruscamente durante segundos até que parou e o suspiro de alívio foi grande. Exceto que Keesa começou a passar mal do lado deles.

Era aceitável já que ele era um humano de sangue puro, de estômago frágil se comparado com as variações humanas que eram mais resistentes.

Aquantis tinha se acalmado e foi acudir o amigo enquanto Trey foi verificar com Gavrel o que tinha acontecido.

Eles se livraram do enxame de naves piratas que estavam atacando a Margosha. Nem mesmo o escudo tinha sido eficaz para evitar intrusos, o que precisava de uma revisão. Gavrel estava nervoso, a julgar por como uma veia saltava em sua testa e seu olho descoberto desviava com facilidade. Trey o deixou, pensando que era melhor cuidar de sua tripulação.

—*-*-

Dominic estava em sua forma humana dentro da nave Imperatriz — ainda dentro da Margosha. Zack estava trabalhando na ponte de comando, verificando os sistemas e fazendo aquela coisa que caras como ele faziam.

Ultimamente notou que ele estava nervoso, insatisfeito e desconfortável o tempo todo. E como Dominic era tímido — muito tímido — não teve a coragem de conversar com ele sobre isso.

Estava comendo um pacote de salgadinhos de astroboros, que tinha um gosto bem peculiar, mas viciante, e sentado em uma das poltronas.

Depois do ataque das naves piratas contra a Margosha, Dominic ficou bastante receoso. Mesmo que Gavrel tinha dito que estavam seguros agora, intrusos tinham entrado antes, mesmo com a barreira ao redor da nave-mãe.

Era mais seguro estar dentro de uma nave e dentro de outra nave.

Ele sorriu com o pensamento.

Olhou para Zack que parecia tão concentrado nos painéis, digitando loucamente pelos teclados touch. Seu tablet ao lado exibia um holograma da nave que vez ou outra Zack apontava e clicava algo sobre ele.

Lembrou-se de quando confessou seus sentimentos há algum tempo. Tinha sido tão impulsivo, era porque gostava de Zack demais. E naquele momento, mesmo que o amasse tanto, não tinha a coragem de chegar nele e abraçá-lo, por exemplo. Eles namoravam, mas não tinham feito quase nada. Zack estava sempre ocupado e Dominic estava sempre se escondendo em algum lugar.

O melhor lugar era no bolso da camisa dele ou da jaqueta, onde era mais perto do coração. Podia ouvi-lo bater… sentir seu calor… e se sentir tão seguro que nada podia abalá-lo. Nem mesmo quando a nave chacoalhou tanto no momento em que entrou em dobra.

Às vezes detestava o fato de ser um saturniano. Sua espécie era naturalmente tão tímida que vivia se escondendo, era por isso que eles podiam ficar tão pequenos. Poderiam ficar enormes se quisessem também, embora precisavam de muita coragem para isso. Coisa que Dominic não tinha.

Olhou para o seu pacote de salgadinhos vazio e fez beicinho. Acabou tão rápido, estava gostoso.

Procurou Zack, mas ele tinha desaparecido. Seu tablet não estava lá também. Como ele podia sumir tão rápido do seu campo de visão?

Encontrou-o trabalhando na enfermaria. Ao menos ela ainda permanecia moderna, com tudo organizado e em perfeitas condições. Zack estava trabalhando em seu tablet, verificando todas as máquinas e equipamentos, e alí ele parecia mais tranquilo, cantarolando.

Zack se virou e finalmente o vio.

— Ah, você está aí! — Ele sorriu daquela forma que Dominic amava. Teve que sorrir de volta. — Venha cá ver uma coisa.

Aproximou-se timidamente, olhando para o tablet dele. Eram fotos, muitas delas.

Zack foi passando foto por foto, até mesmo vídeos curtos de Trey, Austin, ele… havia até fotos de Aquantis, Sully, de Jack e Kayllon juntos… e uma pasta inteira de fotos de Morgana exibindo seus músculos no rinque, ou mesmo dela comemorando seu cinturão de ouro após ganhar uma luta, ou abraçando seu adversário todo ensanguentado. Aquela foto lhe deu calafrios.

— Zack, você está aí? — A voz de Trey vinha do corredor.

— Estou aqui! — Zack entregou o tablet para ele. — Eu já volto. — E saiu para o corredor.

As vozes se distanciaram enquanto Dominic se sentou em uma maca, vendo todas as imagens do tablet. Havia até mesmo fotos de infância, que deixou Dominic apaixonado por ver seu amado ainda quando criança.

Não havia uma única foto em que ele aparecia.

Sabia que era por ser tímido e tudo mais…

Mas… por que isso doía?

Não é como se Zack não o amasse. Ele amava… podia sentir isso, seu coração nunca se enganava.

Quando Dominic ficou doente por causa do chip e quase morreu, Zack não saiu do seu lado. Cuidou muito bem dele e até chorou quando Dominic não podia se mexer ou responder. Então ele realmente o amava.

Zack estava muito ocupado, cheio de trabalho, por isso não podia lhe dar atenção. Tinha que parar de ser tão mimado. O mundo não girava em torno de seu umbigo.

Dominic deixou o tablet ali mesmo e voltou para a Margosha, indo em direção ao quarto que dividia com Zachary. Cada vez que algum ser aparecia, ele se escondia. Era cansativo, mas era instintivo.

— Dominic! — Virou-se no mesmo instante em que se transformou em sua forma miniatura. Era Aquantis, o que o fez respirar com alívio.

— Para onde está indo? — Aqua se ajoelhou na frente dele.

— Para o meu quarto.

— Não quer vir comigo ver Keesa?

— Keesa? — Dominic se encolheu, tímido. Ele não conhecia Keesa muito bem… tinha vergonha. — Por quê?

— Ora, porque ele é nosso amigo.

Ah é?

— Vamos lá! — Aquantis pegou Dominic sem nem mesmo ele ter dito ‘sim’ e o colocou em seu ombro. Equilibrou-se segurando os cabelos azuis do Blue.

Quando chegaram a um quarto estranho, que Dominic reconheceu como não sendo o quarto de Gavrel, Keesa os recebeu com um sorriso. Lá dentro estava uma bagunça completa, roupas para todos os lados, cheiro de cigarros, cartazes por todas as paredes, sapatos jogados e outras coisas, além da música mais esquisita que tocava muito alto e que parecia o ruído do inferno.

Askell estava sem camiseta dançando como um louco, balançando a cabeça para todos os lados, e por incrível que pareça, com seu moicano verde intacto. Ele tinha uma garrafa de bebida nas mãos e estava gargalhando como um idiota.

Os gêmeos que eram seus pets estavam sentados na cama, usando roupas parecidas com as de Keesa e abraçadinhos. Ambos tinham cabelos negros e peles brancas. Não como a cor de Dominic, era branco puro, sobre-humano. Eles eram lindos apesar disso e não se desgrudavam.

Keesa sentou na cama com seu jeitinho comportado e Aquantis sentou ao lado dele.

Dominic estava tão sem jeito, queria se esconder e ele fez isso nos cabelos do Blue, mas Aqua sentiu cócegas e o tirou de lá, colocando-o em seu colo e o escondendo com as mãos. Menos mal.

— Eu ainda não tinha te visto. — Um dos gêmeos falou para Aqua. — Sou Bel e este é meu irmão Syn, nós somos do planeta Tiberyus.

— Oh, nunca ouvi falar. — Aqua respondeu.

— Fica muito longe daqui. — Syn murmurou, agarrando-se melhor ao irmão e beijando seu pescoço.

— Espero que não se importe com a gente, Syn não pode ficar longe de mim.

— Eu percebi. — Aqua riu sem jeito assim como Keesa.

— Eu soube que você pode explodir coisas, é verdade? — Bel perguntou entre os beijos que dava no rosto de Syn. Dominic estava tão vermelho e não era diferente de Aquantis e Keesa que se mexiam desconfortáveis.

— Sim, eu posso.

Keesa estava prestes a perguntar alguma coisa quando Askell caiu contra a cama, balançando tudo. Ele tinha um riso feliz e puxou os gêmeos para um abraço. Os meninos se agarraram a ele com sorrisinhos felizes.

— Meus meninos nunca foram tão felizes, não é mesmo Bel e Syn?

— Sim, amo. — Eles responderam em uníssono, suas vozes eram doces.

— Acho melhor nós os deixarmos. — Keesa se levantou e Aqua fez o mesmo, colocando Dominic de volta em seu ombro.

— Aaaaaah, por quê? — Askell soluçou, sorrindo como um idiota. — Por que não ficam mais? Não querem ver um showzinho? — No mesmo momento Bel e Syn começaram a se desnudar.

— Ah não! Não! — Keesa balançou as mãos na frente dele e Aqua cobriu os olhos. Dominic até que ficou curioso para ver aquilo.

— Aaah qual ééé! — Askell gargalhou, bêbado. — Vai ser gostoso, você pode aprender alguma coisa e repetir com o Gav depois, não é meninos? — Eles assentiram com sorrisos de adoração ao amo deles.

Que coisa.

Dominic respirou aliviado quando saíram para o corredor, a porta se fechou abafando os sons de risos e gemidos.

— Desculpa te fazer ver aquilo, Dominic. — Disse Aquantis.

— Eu que devo me desculpar. — Falou Keesa andando devagar ao lado deles, parecendo muito tímido também. — Askell é meu amigo, ele cuidou de mim quando cheguei a esta nave. Ele é um pouco estranho, mas é uma boa pessoa. Os gêmeos também são legais, mas nunca posso ficar muito tempo, porque eles começam a fazer coisas… na minha frente.

— Oh. — Dominic se remexeu. — Tudo bem, não tem porque se desculpar. Foi até… divertido.

Eles trocaram sorrisos e chegaram ao quarto de Gavrel.

— Daqui a pouco Gav vai chegar. Preciso me preparar. — Disse Keesa.

— Gav? — Aquantis perguntou com um sorrisinho. — Antes você o chamava de “meu dono”.

As bochechas de Keesa se avermelharam.

— Ele me permitiu chamá-lo assim. Eu gosto dele, Aqua.

— Eu sei. Seus olhos dizem isso.

O riso fofo de Keesa fez Dominic gostar mais dele. Ele e Aqua poderiam facilmente se tornar melhores amigos.

Já isso… não pareceu tão legal.

— Eu vou entrar, até amanhã, Aqua, Dominic.

— Até amanhã, Keesa.

Eles se despediram e Aquantis o levou até seu quarto. Quando Dominic estava sozinho, ele simplesmente sentou em sua cama e ficou encarando as estrelas através da parede de vidro. Estava um pouco triste… mas nem mesmo sabia dizer por quê.

Ele era carente demais e isso era algo que precisava mudar, mas não sabia como.

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler ♥