Lost Blue
17 Capítulo 17 - A queda da Imperatriz
Notas iniciais
Um chiado e sua consciência se fez presente.
Os alarmes tinham parado de tocar, o que era para ser algo bom, certo?
Trey gemeu quando agarrou sua cabeça ainda girando. Ele piscou e enfrentou o cenário diante dele. Parece que a situação não era das melhores.
Não, era das piores.
Com certeza a nave Imperatriz nunca sofreu um acidente tão ruim.
Sua mente se esforçou para se lembrar de tudo. Primeiro Dominic passando mal, Zack descobrindo que ele tinha um chip maldito de identificação que provavelmente servia como rastreador para naves pirata. Em seguida um enxame de inimigos os encontraram e os atacaram sem pena, praticamente empurrando-os para uma tempestade de eletromagnetismo que se formou de repente, simplesmente sugando-os para um buraco de minhoca selvagem que os trouxe para…
Trey olhou ao redor quando sua mente se recuperou.
Não fazia ideia de onde estavam, mas a destruição da nave era palpável. Destravou os cintos de segurança de sua poltrona na ponte de comando. Os gemidos de Zack e Austin lhe deram a certeza de que seus amigos estavam vivos. Levantou-se tentando controlar seus pés. A visão ainda girava.
— Zack, Austin, vocês estão bem?
— Eu estou bem. — Austin respondeu tossindo, ele estava coberto com poeira, parte do teto pendia sobre ele, que por sorte não o atingiu.
— Eu… preciso da minha… — Zack respondeu sem fôlego.
— Droga. — Trey resmungou, procurando por toda parte a bombinha de ar de Zack, mas os destroços não o ajudaram a encontrá-la.
— Aqui Trey, estava no bolso dele. — Austin falou passando as mãos pelo rosto para afastar o pó.
— Graças a Deus! — Trey se aproximou olhando para Zack que respirava nervosamente pelo aparelho. Então aproveitou para tirar os cintos de segurança dele e o libertar do aperto. — Você está bem? — Zack balançou a cabeça e então afastou a bombinha.
— Precisamos ver os outros. — Disse com uma nota de desespero em sua voz.
Trey correu com dificuldade pelo corredor retorcido, desviando das vigas de metal da nave que atrapalhavam o caminho. O primeiro cômodo que viu foi o quarto de Kayllon.
Seu pai estava cuidando de um Kayllon extremamente doente.
— Você está bem, pai? — Trey chegou próximo e Jack saiu do lado de Kayllon para abraçá-lo. Ele estava tremendo tanto. Trey estava tentando ser forte, mas ver seu pai assim só trouxe mais desespero.
— Eu estou bem, mas Kayllon está passando muito mal.
Kayllon estava curvado em um canto usando uma lata de lixo para expelir tudo o que tinha em seu estômago.
— A nave girou muito. O que raios aconteceu? — Perguntou Jack.
— Fomos atacados e uma tempestade apareceu de repente. Estávamos no piloto automático.
— Vá ver os outros, eu vou cuidar de Kayllon. — Jack o empurrou gentilmente e Trey assentiu, correndo para ver Aquantis.
Quando saiu do quarto, quase topou com Austin que parecia desesperado para ver seu pai. Zack estava abraçando muito apertado sua mãe.
O Blue estava na enfermaria como suspeitou. Assim como o resto da nave, a sala estava um completo estrago, vigas caíram do teto sobre o chão, placas de metal se soltaram das paredes revelando outro cômodo, as luzes piscavam e a as janelas de vidro foram quebradas revelando uma mata selvagem lá fora. Aquantis estava debaixo da cama vazia, seus olhos verde-água se arregalaram em desespero e alívio ao vê-lo.
— Trey!
— Aquantis! — Trey se agachou, ajudando o rapaz a sair de onde estava. — Você está bem? — Ele assentiu veemente. — Onde está Dominic?
O Blue tinha as mãos fechadas em um punho sobre o peito, só então revelou um Dominic trêmulo entre os dedos.
— Mi-Minha nossa! — Dominic brandou quando olhou ao redor. — Está todo mundo bem?
Trey ia assentir quando o grito de Austin chamando o seu nome o pegou de surpresa.
—*-*-
— Ele vai ficar bem, Austin. Só lhe dê tempo. O acidente o deixou muito abalado. — Jack esfregou o ombro tenso de Austin.
— Eu espero. — Ele suspirou assistindo seu pai passar mal. Ele estava pálido como um lençol. — Eu vou verificar os outros e já venho, cuide dele.
— Okay.
Austin deixou o quarto. Havia mais do que simplesmente desespero em seu ser depois do acidente inevitável, havia uma tristeza incalculável. Mas sabia que o principal era saber que todos estavam vivos, demais detalhes viriam depois quando sentassem e calculassem os estragos da catástrofe.
— Você está bem, Morgana? — Indagou para a mulher impressionantemente alta e musculosa que lhe deu um sorriso tranquilizador, assentindo.
— Eu e Zack vamos ver como estão os outros meninos.
— Como está o seu pai? — Zack perguntou.
— Enjoado, mas vai ficar bem. — Esperava. Pretendia ir a enfermaria, quando lembrou-se: — Preciso ver como Sully está.
— Vamos ver seu pai primeiro. — Morgana puxou um Zack relutante com ela.
Austin seguiu pelo corredor empurrando placas de metal que caíram do teto para os cantos, ferragem pesada e vigas. O estrago havia sido maior do que esperava. Ele chegou ao seu quarto com a porta ainda trancada. Por incrível que pareça, a porta abriu com sua digital.
— Sully? — Gritou. A parte mais pesada do teto estava completamente caída, o que o preocupou mais do que gostaria. Era possível sentir a luz do sol adentrando a nave. Vidro e metal retorcido estava por toda parte, o que evitou para não se cortar. Quando avistou um corpo sob os escombros coberto por poeira branca e sangue, Austin gritou Trey no topo de seus pulmões.
Seu coração subiu para a boca naquele momento e Austin jurava que nunca em sua vida sentiu um desespero tão grande.
— Zachary! Jack! Preciso de ajuda! — Gritou. — Oh meus Deus, Sully. Aguente firme! Eu vou tirá-lo daí! — Ele moveu-se sobre os escombros, usando sua força bruta para simplesmente jogar tudo o que avistava para fora do caminho, colocando-se entre Sully e as pesadas placas de aço sobre ele. — Sully, por favor, não morra! — Ele gritou enquanto tentava afastar a placa de aço muito mais pesada do que sua força incrível poderia sustentar. Ele a conseguiu remover quando Trey e Zack se juntaram a ele para erguer e maldita coisa e jogá-la para o lado oposto.
Sully estava inconsciente. Austin teve a certeza de tirar tudo sobre ele, e quando foi para virá-lo, Zack o parou.
— Não. Veja, ele quebrou as duas pernas. — Zack apontou para onde as pernas de Sully estavam visivelmente sangrando em uma confusão. Sua mandíbula tremeu quando lágrimas encheram seus olhos. Céus… como ele tinha se esquecido dele e simplesmente o deixado trancado em seu quarto?
— Austin. — Trey apertou seu ombro quando não pode conter a si mesmo e caiu em uma crise de choro. A culpa o percorreu duro. Aquele não era um sentimento tão horrível.
— Eu… eu o deixei trancado… — Soluçou, tentando apartar as grossas lágrimas de seu rosto. Trey tinha o rosto torcido e seus olhos também brilharam. Ele o puxou para um abraço apertado. — Trey… é culpa minha.
— Shh. — Trey bateu levemente em suas costas. — Zack, ele vai ficar bem?
Zachary assentiu.
— Sim, preciso imobilizar suas pernas primeiro antes de levá-lo para a enfermaria. — Ele olhou para Jack lhe dando instruções para ajudar o ferido enquanto correu para fora do quarto.
—*-*-
— Uau! — Aquantis pulou o último dos destroços da nave, até seus pés estarem sobre solo firme e grama.
Aquele era o planeta mais incrível que já tinha conhecido. Nenhum deles fazia ideia de qual era e onde ficava situado, mas por enquanto estava tudo bem. Trey lhe disse que não era muito fácil encontrar planetas com oxigênio e mata selvagem como aquele.
— É incrível. — Disse Morgana. — Me lembra um pouco o meu planeta. Sabe, na área florestal.
Eles caíram sobre uma floresta, em um campo aberto. As árvores amorteceram a queda e provavelmente salvou a vida deles. Trey havia dito também que a nave Imperatriz era muito segura, muito fortificada e tinha passado por uma reforma pouco antes de conhecê-lo, que a capacitou para receber explosões e quedas bruscas.
Aquela foi a queda mais brusca de todas, pensou.
Pelo menos a paisagem era incrível. O sol, único, estava no meio do céu, entre nuvens brancas que pareciam algodão. Um emaranhado de árvores de todos os tipos e tamanhos estavam ao redor, assim como era possível ver imensas e grandiosas montanhas ao longe.
— Será que há habitantes como nós neste lugar?
— Talvez. — Morgana suspirou. — Sinta o ar fresco, não é maravilhoso?
Aquantis inspirou e soprou o ar fora de suas narinas. O cheiro de natureza era fresco e muito reconfortante.
Trey apareceu atrás deles.
— Está tudo bem aqui? — Indagou.
— Sim. E como está a situação de Sully?
Trey suspirou pesaroso.
— Ele não corre risco de morte, mas…
— Mas? — Aquantis olhou preocupado.
— Ele teve as duas pernas fraturadas. Zack poderia resolver isso com o laser restaurador, mas está quebrado. Até que Zack o conserte, pode demorar algum tempo.
— Droga. — Morgana passou as mãos pelo rosto. — Pobre do garoto, não acredito que ele teve a tão má sorte. Enquanto todos nós estamos bem, ele… — Ela engoliu em seco.
Aquantis assentiu, sentindo-se de alguma forma culpado.
Minutos depois, quando retornou à enfermaria, que parecia um pouco menos bagunçada agora que tinha Zack trabalhando em Sully, Aquantis se prontificou a ajudar.
— Você poderia começar salvando tudo o que encontrar que não se quebrou na queda. — Zack ofereceu enquanto perfurava o braço de Sully com uma agulha, injetando alguma espécie de líquido roxo.
— Tudo bem. O que está fazendo?
— É uma solução anestésica. Se ele acordar não sentirá tanta dor.
Aquantis assentiu, olhando para a face pálida de Sully, os cortes e arranhões muito visíveis. Um sentimento estranho que não sabia definir se era culpa, arrependimento, tristeza, ou outra coisa, queimava em seu peito abaixo da superfície. Não conseguia entender. Aquilo significava alguma coisa, tinha certeza que sim.
Determinado a ajudar, Aquantis moveu-se pela enfermaria salvando o que podia dos destroços e limpando onde era possível.
—*-*-
Era noite quando Sully acordou.
Sentia-se mal, desconfortável e em um torpor que quase parecia sob o efeito de drogas.
Olhou para onde estava, descobrindo-se ao ar livre sobre um colchão e diversos travesseiros. Ouvia o som alto de gente trabalhando e só então percebeu que estava fora da nave Imperatriz. Bem, o que restou dela, pois a nave parecia uma completa bagunça distorcida e destruída, como em um acidente entre um veículo pequeno e duas grandes carretas.
Perto dele estava uma fogueira que o aquecia, a temperatura tinha caído um pouco, por isso um grosso cobertor estava sobre seu corpo.
Sully queria se levantar, mas além de estar dolorido e drogado, suas pernas não se moviam, nem mesmo as sentia.
O que tinha acontecido?
Lembrava-se de estar no quarto de Austin quando atacaram a nave, tudo girou e em seguida algo muito pesado caiu sobre ele.
E agora estava aqui…
Austin estava do outro lado da fogueira conversando com Aquantis, eles pareciam ter uma conversa importante, e Austin sorriu de um jeito… um jeito que só podia significar uma coisa.
Não queria acreditar.
Sully engoliu duramente e sentiu-se um completo fracasso.
Kayllon e Morgana também estavam ao redor da fogueira, e o sorriso de Austin era gentil para os outros, mas seu olhar para Aquantis era diferente. Era… apaixonado.
Sully engoliu outra vez quando sentiu seu coração doer de uma forma anormal. E era uma dor aguda horrível, não passava.
Morgana olhou para ele arregalando os olhos.
— Sully? Está acordado, querido? — Ela se inclinou sobre ele, mas já era tarde. A consciência de Sully novamente se esvaiu.
—*-*-
Dominic estava sob o supervisionamento de Morgana. Embora ele esteja aparentemente bem e conversando normalmente, sem lembrança alguma do que fez para Aquantis no dia anterior, ninguém confiava até quando ele permaneceria assim.
Zack tinha passado praticamente a noite inteira tentando consertar o sistema da nave, assim como Austin, Trey e Jack ajudaram. Embora eles ainda tinham a fonte de energia intacta do veículo, o sistema estava apresentando muitas falhas, e quando Zack finalmente o consertou, descobriu que aquele planeta se chamava Orcus, do sistema galáctico de Arhea. O que diabos isso significava, ninguém sabia. Apenas que aquele era um planeta desabitado. Tudo o que encontrariam naquele lugar seria vegetação.
Isso os deixou muito preocupados, primeiro porque se a Federação descobrisse onde eles estavam, não teriam a capacidade de fugir. E se aquele enxame de naves-cápsula piratas os encontrassem, jamais poderiam sair vivos de um ataque tão direto deles.
Trey caminhou pela ponte de comando — limpa do entulho — e passou as mãos sobre o rosto e cabelos.
— O que faremos?
Zack tomou a frente, ele era o melhor estrategista que conhecia.
— Como já sugeri antes, nossa única opção agora é chamar Gavrel.
Os lábios de Trey se apertaram em uma linha fina. Ele grunhiu para o alto.
— Se não há opção melhor, chame-o, Zack. Veja quanto tempo vai levar para ele chegar aqui. Espero que ele venha em paz.
— Você parece muito inseguro, Trey. — Disse seu pai. Ele estava com os braços cruzados, encostado contra uma poltrona de couro vazia. — Gavrel é o comandante de uma das naves piratas mais temidas de Órus, mas ele é conhecido por ser um homem honrado. — Apesar de violento.
— Sim, é verdade, eu só…
— Ele tem medo de que Gavrel tome Aquantis dele. — Disse Austin.
Jack olhou para ele e Trey teve que virar o rosto, envergonhado.
— Eu não posso abrir mão de Aquantis. Não quando prometemos levá-lo a Lost Blue. Provavelmente seu planeta escondido também será o nosso refúgio. Tenho certeza de que nenhum de nós conseguirá voltar para o que deixamos para trás.
Nem Jack ou seus amigos disseram qualquer coisa. Eles sabiam que Trey estava certo.
Quando deixou a nave, o pensamento de que jamais poderia voltar a ter sua antiga vida o fez pensar duro. Talvez para ele não fosse um grande problema, mas provavelmente para os outros seria um grande desafio.
Morgana deixou o seu lar para ir com eles, deixou seu cachorro de duas cabeças com a vizinha e provavelmente nunca mais o veria. Kayllon teve uma vida pacata, pulando de emprego em emprego para conseguir se manter em seu apartamento, ele também tinha abandonado isso para vir com eles, ainda por cima esperando um bebê, o que apenas sofria riscos.
Seu pai tinha se aposentado, desistido da vida como piloto da nave Imperatriz para se tornar um assalariado comum. Sully só queria consertar sua nave e se meteu naquilo tudo. Assim como Trey, Austin e Zack, que viviam apenas caçando recompensas desde as mais perigosas, até trabalhando em missões comuns para ganhar o sustento deles, nada que realmente saísse fora dos padrões que a Federação permitia. Eles tentaram ganhar a vida quase legalmente — embora admitia que tinham saído dos limites várias vezes, mas ninguém precisava saber disso.
Quando percebeu, a caminhada o levou para longe do acampamento. Sua amada nave Imperatriz que tinha sido o seu lar por toda a vida. Trey olhou ao redor para as árvores frondosas, a luz do sol se sentia estranha em sua pele. Fazia muito tempo que ele tinha encontrado um clima tão perfeito em um planeta.
Olhou para trás quando ouviu sons de galhos se quebrando. Aquantis estava lá, olhando para ele envergonhado.
Trey se virou e Aquantis se aproximou, pegando em suas mãos.
— Trey…
— Não venha dizer que isso é sua culpa, porque não é! — Adiantou-se. — Se alguém é culpado por tudo o que aconteceu, esse alguém sou eu! — Sentia-se miserável e não queria que Aquantis o visse daquela forma. Soltou suas mãos e se afastou, virando-se.
— Sinto muito.
Trey se virou novamente. Aquantis estava olhando para suas mãos nervosas.
— Pelo que? — Indagou desentendido. Ele tinha assumido a culpa, então porque Aquantis estava se desculpando?
— Por não poder ajudar. Você e seus amigos fizeram tanto por mim, o que ninguém mais nesse universo inteiro poderia fazer. — Ele ergueu seu rosto fitando Trey nos olhos. — Gostaria de saber usar meus poderes para ter nos protegido durante o ataque… pois sei do que sou capaz. Mas não sei usá-los por conta própria, nem mesmo o básico disso.
O comandante piscou atordoado. O olhar de Aquantis era hipnotizante, suas íris verde-água eram incríveis.
— Nós já falamos sobre isso, não é culpa sua. — Trey estava mais calmo, seu coração sentia-se estranho, arrependido da forma como falou com Aquantis segundos antes. Só não queria vê-lo se culpar. Ele não merecia isso, depois de tudo o que passou com a Federação, Trey foi sua única chance de ser livre, também era sua única chance de encontrar seu planeta natal.
— Mas…
— Olhe, não vamos atribuir a culpa a ninguém. Primeiro porque estamos todos envolvidos nisso, pois foi a nossa escolha. Antes de ir te salvar, conversei com os demais e eles decidiram me seguir, eu dei-lhes a chance de viverem suas vidas. E nem foi por dinheiro ou qualquer razão hedionda. Não apenas eu, mas todos nós adotamos você como parte da família, parte da nossa tripulação. E quando um de nós corre perigo, todos nós vamos nos esforçar ao máximo para ajudar.
— Sério?
Trey assentiu com um sorriso suave. Aquantis olhou mais feliz, e ele mesmo esqueceu-se do sentimento de fracasso e miséria que minutos antes estava o acometendo.
— Sobre os seus poderes, o que você poderia fazer? Você não sabe usá-los, não é como se houvesse um curso ou algo do tipo que pudesse ajudá-lo a conseguir se controlar rapidamente. Sem falar que se você tentasse alguma coisa por conta própria, correria um sério risco e poderia explodir todos nós.
— Sim… — Aqua respondeu com um sorriso envergonhado. — Tem razão.
Trey sorriu, pegando as mãos de Aquantis e as puxando para sua face, beijando as juntas de seus dedos e então colocando suas palmas em seu rosto. Os olhos do blue brilharam com emoção e ele puxou Trey para baixo para beijá-lo.
Apenas um simples beijo e os olhos de Trey quase reverteram em seus orbes. Ele queria comandar a coisa, mas deixou que Aqua fizesse o que sentisse vontade. O deixou explorar o quanto quisesse e aproveitou a aproximação para envolver seus braços ao redor de sua cintura, puxá-lo, até que seus corpos estivessem colados. Podia sentir a ereção de Aquantis, assim como sua própria cutucava contra a dele.
— Trey? — Aqua afastou ofegante do beijo olhando para baixo entre eles. — Você está…?
— Duro? — Sorriu um pouco desavergonhado. — Você também está.
O rosto de Aquantis se tornou vermelho berrante.
— Hum… sim. — Ele olhou ao redor, e durante todo o momento, Trey não ousou deixá-lo sair de seus braços.
— Isso é bom, Aqua. — Murmurou no ouvido dele.
Aquantis respondeu com um ofegar que quase saiu como um gemido. Ainda tímido, suas mãos brincaram com a gola da jaqueta de Trey. Tudo o que fez foi observá-lo. Vê-lo todo envergonhado era lindo. Gostaria de ver todos os lados de Aquantis, todos os limites que sua personalidade poderia mostrar. Era uma sensação estranha, como se quisesse saber como Aquantis se irritava, como ele era na cama, como ficava quando estava louco de paixão. Já tinha visto seu lado feliz, tímido e também o triste.
O Blue olhou para ele por debaixo de seus cílios, piscando de forma adorável. Foi um pouco afeminado, mas Trey adorou.
— Posso tocar você? — Trey finalmente teve a coragem de perguntar.
— Você já está tocando. — Aquantis estremeceu em seus braços quando as mãos do comandante passearam em suas costas.
— Digo, algo mais íntimo, mais ousado. — Sussurrou em seu ouvido novamente. Era tão bom vê-lo estremecer daquele jeito.
— Sim, só… seja gentil.
Trey não sabia que gentileza Aquantis esperava, mas ele assumiu que o Blue estivesse nervoso. Aquela era a chance que ele tanto esperava. Aquantis estava ali na frente dele tão excitado quanto ele e disposto a deixar que Trey fizesse algo mais “profundo” do que apenas beijar.
Com ninguém por perto, todos muito ocupados para sequer sentirem falta deles, um sorriso um tanto malicioso preencheu seu rosto.
— Serei muito gentil, eu prometo.
Continua...
Fale com o autor