Lost Blue
18 Capítulo 18 - Verdade vs Decepção
Notas iniciais
— Como está o sistema da nave? Já estabilizou? — Indagou Austin enquanto terminava de assar alguns espetinhos para o jantar improvisado deles.
— Sim, acabei de entrar em contato com Gavrel. Bem, não da forma como eu gostaria. Tive que lhe enviar um email. — Zack suspirou e cruzou os braços sobre o peito enquanto observava a fogueira aquecer a carne.
Sully os observava do outro lado da fogueira, um pouco mais afastado para sua própria segurança. Ele queria conversar com Zack e convencê-lo sobre sua inocência. Essa conversa ainda não tinha acontecido depois que descobriram os problemas de Dominic, mas esperava que aquele fosse o momento certo de discutir.
— Zack, posso conversar com você por um momento? — Sully chamou de onde estava, nervoso, já que suas pernas engessadas impossibilitavam o seu caminhar por enquanto.
Era assustador não poder andar.
Zachary deu um olhar a Austin antes de se levantar e caminhar até ele, puxando um caixote para perto e sentando.
— Então?
— Não fui eu quem roubou você. — Sully foi direto.
Zack permaneceu em silêncio por algum tempo, olhando-o fixamente, mas Sully segurou o seu olhar para mostrar a ele a verdade. Iria negar quantas vezes fosse necessário para provar sua inocência.
— Você tinha dito daquela vez que foi Dominic, não é? — Ele perguntou suavemente. Não parecia nervoso ou mesmo feliz com isso, mas pensativo.
Sully assentiu, engolindo em seco.
— Eu não tenho como provar isso, mas… eu realmente não roubei o seu dinheiro. Eu juro! Eu jamais faria algo assim… este nunca foi o meu propósito. — Suspirou. — Eu culpei Dominic por todo esse tempo, achando que ele estava traindo a todos, mas… agora que sei pelo que ele está passando, lhe devo desculpas.
Zack não disse nada por algum tempo. Até que Austin se aproximou.
— O que estão conversando? — Ele estava claramente curioso.
Sully evitou seu olhar.
— Foi Dominic que transferiu o dinheiro da minha conta. — Zack admitiu, suspirando em derrota. — Os caras o controlaram para isso. Eu já imaginava.
Austin tinha os olhos arregalados. Ele olhou em Sully que fez uma careta infeliz. Engula isso, idiota.
Sully tinha sido injustamente acusado e sentenciado a ser o maldito pet de estimação de Austin. Embora ele não tivesse sido tratado de modo violento, ficou preso no quarto do homem por semanas!
O uraniano se virou e saiu para falar com Dominic. Sully apenas o observou ir. Eles estavam realmente acreditando nele?
Quase não podia acreditar.
Zack se inclinou e pegou sua mão, o surpreendendo um pouco.
— Sei que nada agora vai fazê-lo nos perdoar pelo que fizemos a você, Sully… mas por favor, reconsidere.
Por mais doloroso que foram os últimos dias, Sully assentiu para Zack. Ele não tinha como ter raiva do cara que cuidava de todos naquela nave, que se esforçou para tratar de suas feridas, engessou suas pernas para que ele tivesse uma chance de voltar a caminhar novamente.
Mas Austin… ele não sabia se poderia perdoá-lo ou a Trey pelo que fizeram com ele.
—*-*-
Trey pegou a mão direita de Aquantis e a trouxe até os lábios, beijando os nós de seus dedos. O rubor suave polvilhado sobre as bochechas do Blue era lindo e convidativo. Trey se inclinou para frente para capturar seus lábios em um beijo suave, quente e doce. Aquantis envolveu sua cintura enquanto o beijo se aprofundava, a língua de Trey insistentemente provocando a dele.
Quando se afastaram, ofegantes, o Blue levou suas mãos para o peito de seu amante, massageando seus músculos, beliscando seus mamilos. Eventualmente, Trey acabou o levando até uma árvore, recostando-o lá enquanto voltava a beijá-lo, mais freneticamente desta vez. O desejo ia subindo e se construindo dentro dele.
Queria muito que tivesse uma cama nas proximidades onde eles poderiam aproveitar muito mais o momento à sós. Mas de qualquer forma, pensar em que poderiam ter sexo em meio a floresta, em plena luz do dia, ainda por cima em um planeta desconhecido, apenas o instigava e o deixava cada vez mais excitado.
Trey se separou de Aquantis, tocando o rosto dele com uma mão, o outro braço apoiado contra a árvore.
Aquantis reagiu primorosamente, fechando os olhos para a carícia suave em sua bochecha.
— Aqua…
— Hum? — Ele abriu seus olhos verde-água brilhantes.
Trey não disse nada, apenas desceu sua mão até o zíper da jaqueta de Aquantis e a abriu, revelando uma regata branca por baixo.
— Tire.
Aquantis piscou um pouco atordoado, mas fez conforme pediu, tirando sua jaqueta e a jogando ao lado dele no chão. Ele encolheu os ombros, parecendo envergonhado pela sua magreza.
Levando as mãos a barra da regata branca do Blue, Trey a puxou para cima, incentivando-o a erguer os braços, quando finalmente se livrou do tecido.
Deixou uma mão vagar pelo peito de Aqua, tão suavemente como se fosse uma pena deslizando. Ver a forma como a pele cor de creme se eriçou ao seu toque pareceu mágico em sua visão enevoada com luxúria.
Eles mal tinham se beijado, sem toques maliciosos ainda, e Trey já estava assim, tão duro em suas calças que chegava a ser doloroso suportar.
— Sua pele é tão macia. — Disse com admiração, acariciando o abdômen liso de de seu amante e subindo momentaneamente para a clavícula.
Aquantis apenas lhe deu um olhar tímido e mordeu o lábio inferior.
— Antes de te conhecer, a Rainha me deu uma pasta onde continha algumas fotos suas. — Contou Trey, deslizando as costas de seus dedos pelas protuberâncias vermelhas que eram os seus mamilos. Aquantis se contorceu, buscando seu toque e fechando os olhos com prazer. — Mesmo nas fotos eu já tinha começado a me apaixonar por você.
— Pelas fotos? — Aquantis abriu os olhos, surpreso. — Como isso é possível?
Trey sorriu com ternura.
— Eu mesmo me pergunto. — Ele se aproximou e tomou os lábios de Aquantis em mais um beijo apaixonado. Quando se afastou, continuou abraçando o corpo do Blue. — Seus olhos me hipnotizaram. Eu demorei para compreender o que sentia, mas quando fiz, foi um baque. — Riu. — Tudo o que podia fazer era pensar em você e me pegar imaginando como seria tê-lo ao meu lado, conversando comigo. Como seria poder estar tão perto, te tocar… — Ele tocou o rosto de Aqua que fez uma expressão quase de dor, uma mão subiu sobre a mão de Trey em seu rosto. Ele fechou os olhos e suspirou.
— Trey.
— Hum?
— Eu me sinto tão feliz.
Trey sorriu e o beijou levemente.
— Eu também. Mesmo que a minha nave tenha sido repartida em pedaços, estar aqui com você significa o universo para mim.
Aquantis fez um ‘o’ com os lábios, nenhuma palavra saindo, seus olhos arregalados, que logo brilharam umedecidos.
— Vai dar tudo certo, não vai?
— É claro. — Trey o assegurou. Ele jamais desistiria. Se estivesse sozinho nessa imensidão, com a nave quebrada e seus amigos feridos, talvez ele desabaria chorando até que uma solução divina aparecesse. Mas ter Aquantis com ele e toda a sua família era mais do que motivação suficiente para ele ter certeza que iria tirá-los dali e levá-los para um lugar seguro, onde poderiam viver uma vida normal.
— Obrigado por fazer tanto por mim. — Aqua murmurou e trouxe a mão de Trey aos lábios. — Prometo um dia te recompensar por tudo o que está fazendo.
Trey o empurrou contra a árvore novamente e reivindicou seus lábios em um beijo quente e molhado.
— Nós vamos para Lost Blue. Eu prometo.
Aquantis sorriu com todos os dentes.
— De verdade?
— É claro! — Trey se moveu para beijar o pescoço dele, mordendo suavemente a pele, mas evitando deixar marcas muito óbvias por lá, afinal não queria Aquantis com vergonha caso os outros percebessem. — Agora deixe-me mostrar quão apaixonado estou.
Aquantis riu conforme Trey o beijava onde tinha cócegas, então gemeu quando seus corpos moldaram juntos, suas virilhas se encontrando sob o material de suas calças e esfregando juntas. Trey se afastou apenas o suficiente para que pudesse se inclinar e beijar o peito do Blue, lambendo, mordiscando, e permitindo-se pelo menos lá deixar algumas marcas.
Aquantis suspirava baixinho e seus gemidos que aconteciam sempre que atingia um ponto sensível, eram lindos aos ouvidos de Trey. Era quase tenebroso estar com ele, seu coração sentia tal alegria tão imensa que poderia facilmente achar que estava doente. Doente de amor.
Trey envolveu a cintura de Aqua outra vez puxando-o para estarem muito juntos e apertados. Ele se concentrou especialmente na orelha esquerda do Blue, lambendo o lóbulo, enquanto suas mãos passearam pelas costas delgadas, a pele macia e quente era deliciosa sob as almofadas de seus dedos. E quando finalmente chegou ao cós da calça, Trey enfiou as mãos, recheando-as com as nádegas perfeitas de seu amante.
Um gemido agudo fez cócegas em seu ouvido.
— Tr-Trey… — Aquantis gaguejou. Sua voz saiu em um guincho engraçado enquanto Trey se permitia aproveitar a reação de seu amante, apertando sua bunda e saboreando a sensação única de fazer isso pela primeira vez.
Contudo, se conteve para não ir mais longe do que aquilo. Ainda não era o seu objetivo ir mais profundo e encontrar a pequena entrada que tanto sonhava reivindicar.
Trey tirou as mãos e as trouxe para frente, embalando o bojo das calças de Aquantis, sentindo-o tremer, ao mesmo tempo que engoliu um gemido conforme mordia o lábio inferior.
— Você está tão necessitado. — Trey não conteve seu próprio gemido conforme acariciava a ereção vestida de Aquantis. Ele trouxe a mão de Blue para tocar a sua própria. — Sinta. É assim que me sinto sobre você agora.
Aquantis apertou, o que lhe trouxe um prazer intenso. Então ele o acariciou deliciosamente.
Trey poderia gozar em suas calças tão fácil, mas ele não tinha planejado isso.
Então agarrou a braguilha da calça de Aqua e liberou seu pênis vazando. Era lindo, de bom tamanho e com uma ponta avermelhada que apontava para ele com um brilho na ponta.
Trey liberou seu próprio membro, feliz com a forma como Aquantis olhou com fome para ele. Literalmente ansioso.
Gostaria muito de ter aqueles lábios vermelhos inchados de tanto beijá-lo em seu pau. Eram tantas fantasias, que agora ele via todas como oportunidades deliciosas que eles poderiam vir a desfrutar em um futuro muito próximo.
— Trey? — Aqua perguntou trêmulo quando o olhar de Trey demorou demais em seu corpo.
— Shh. Eu cuidarei de você. — Ele puxou Aquantis, que envolveu seus braços em torno de seus ombros. Então o beijou. Não um beijo suave e amoroso, algo mais quente que o próprio sexo. Sua língua transando com a língua do Blue insistentemente.
Seus quadris juntos, onde seus membros estavam tão duros e úmidos com pré-sêmen, agora juntos e esfregando-se um no outro. Aquela doce fricção foi a melhor definição de prazer que poderia imaginar sentir.
Trey não tinha estado com alguém em meses. Não desde que conheceu Aquantis.
Seus sentimentos simplesmente não permitiram lugar para mais ninguém. Sentiu-se errado sequer pensar nisso.
Aquantis trabalhou seu quadril contra ele, ofegante em sua orelha e gemendo baixo e contido. Trey puxou uma perna dele para cima ao lado de seu quadril, segurando-se quando ele se encaixou, de volta trazendo o corpo do Blue contra a árvore e trabalhando habilmente sua pélvis contra a dele.
O atrito foi cada vez mais intenso, um pouco desmedido, errático, mas todos os níveis de maravilhoso e divino. Trey não conseguiu segurar seus próprios gemidos de prazer. Aquantis beijou seu pescoço e o mordeu, mesmo ofegante. Suas mãos macias deslizaram por dentro da jaqueta de Trey, que a tirou as pressas para lhe dar mais acesso. Ele puxou a camisa dele, não se dando o trabalho de arrancá-la, mas deslizando seus dedos onde fosse possível encontrar pele.
Trey estava tão próximo... tão…
Ele sentiu Aquantis ficar tenso, seu pênis como uma barra de ferro apertado contra o de Trey. Eles gozaram juntos no segundo seguinte. Aquantis quase gritou, abafando-o com o próprio punho enquanto Trey grunhiu entre os dentes, sua mandíbula apertada.
O meio deles ficou pegajoso, muito sêmen para lidar. Mas tudo o que Trey conseguiu pensar com sua mente entorpecida, era em como iria guardar aquele momento para sempre em seu coração, assim como iria se tornar um homem melhor para Aquantis, pois o amava completamente.
Tal sentimento jamais poderia ser ignorado.
Ofegantes, Trey abraçou Aquantis com sua vida, sussurrando em seu ouvido como ele era lindo e maravilhoso, e como desejava amá-lo todas as noites daquele momento em diante.
—*-*-
Austin estava se sentindo estranho. Não sabia dizer o que era.
Depois de uma noite de mais trabalho e pouco descanso, acordaram naquela manhã prontos para mais trabalho. Ele tinha conseguido salvar uma parte da nave, verificou tudo o que foi possível verificar, ajudou Zack com a sala de máquinas, carregou as peças pesadas que caíram longe do acampamento, limpou onde era possível e ajudou seu pai a preparar um bom café da manhã.
Não era nem meio do dia e ele já estava exausto. Bem, aparentemente não, ele ainda tinha muita força sobrando, em decorrência a ele ter esse desejo incessante de recuperar o lugar que conhecia como sua casa, seu lar.
A nave Imperatriz era onde ele trabalhou nos últimos anos, onde fez praticamente tudo, onde estava com sua família, sua esperança para saírem daquela selva extensa e inabitada.
Enquanto esperavam por uma resposta do comandante da nave Margosha, eles trabalharam arduamente na recuperação em tudo o que fosse possível fazer.
Seu olhar mais uma vez caiu sobre Sully que sorria de um jeito todo especial para Aquantis.
Descobrir que o estranho que Morgana resgatou na verdade não era um ladrão, como teve a certeza que fosse, não foi um baque, mas sim uma queda para o precipício.
Se antes Austin estava se sentindo demasiadamente culpado por Sully ter se ferido no acidente, estava sentindo-se como um verdadeiro mentecapto, digno de ser penalizado a um nível muito maior do que Sully foi sentenciado.
Iria falar com ele mais tarde e sugerir que ele o castigasse da forma que achasse melhor.
Austin aceitaria de cabeça baixa, ele não aguentaria viver com esse peso de chumbo no coração.
Sully não merecia passar por tudo aquilo e ainda terminar com ambas as pernas quebradas…
Por sua culpa.
Vê-lo sorrir para Aquantis em parte era um alívio, pois indicava que ele estava se sentindo melhor, mas… de certa forma, doeu algo lá dentro de seu peito. Uma sensação bem desagradável.
Talvez Sully nutrisse sentimentos pelo Blue?
Esperava que Trey não notasse isso. Seu comandante não reagiria bem se soubesse.
Austin suspirou, e resignado, voltou a trabalhar.
—*-*-
— Dominic! Tenho boas notícias!
Zack desceu as escadas da nave para a área de acampamento, encontrando Morgana, Kayllon, Aquantis e Sully lá.
— Onde está Dominic?
Aquantis apontou para o seu lado, onde Dominic estava em sua forma bem pequenina, deitado sobre o banco, enrolado em uma das blusas de frio de Zack.
— Ele está bem? — Zack agachou-se ao lado do pequeno saturniano dormindo.
— Eu não sei. Ele estava um pouco estranho antes, não quis comer o jantar, mesmo que eu insisti. Ele apenas deitou aí e apagou. — Aquantis explicou com preocupação.
— Acho melhor examiná-lo, Zack. — Morgana falou.
— Sim, mamãe. — Ele tocou a testa de Dominic com um dedo. — Ele está um pouco febril. Vou medicá-lo.
Zack envolveu sua blusa ao redor de Dominic e o trouxe para seus braços.
— Jantarei mais tarde, quando ele estiver melhor.
— Querido. — Sua mãe lhe chamou. Zack olhou para ela, vendo o olhar curioso dos outros também.
— Sim?
— Qual era a boa notícia? Será que é possível haver uma agora? — Ela perguntou com um sorriso triste.
Zack sorriu para ela da mesma forma.
— O comandante Gavrel nos respondeu. Ele virá em poucos dias. Até lá temos suplementos suficientes, para a nossa sorte.
Então sim, Morgana e os outros sorriram aliviados.
— Nós vamos sair daqui! — Morgana comemorou com alegria, esmagando Kayllon em seus braços musculosos.
Zack olhou a cena com simpatia, vendo não apenas sua mãe, mas todos os outros como parte de sua família. Uma família bem especial.
Ele só tinha que cuidar e proteger Dominic, pois sua família só seria completa se ele continuasse nela.
—*-*-
Trey e Jack resolveram sair para buscar lenha.
O clima naquele lugar era ameno durante o dia, mas as noites eram mais frias. E já que não queriam gastar o que restou da energia da nave com os aquecedores portáteis, já que eles precisavam economizar essa energia para o conserto da nave, manter a fogueira acesa era ideal.
Ele até gostava de ter um churrasco decente ao ar livre.
— Este lugar parece bom. — Seu pai apontou para um lado, caminhando até lá, então Trey o seguiu.
— Não há nada de bom aqui. — Trey comentou com desdém. — Só mata e esse silêncio absurdo. Isso é medonho.
Jack riu alto.
— O pior é não haver animais. Sem animais, sem carne.
Trey gargalhou.
— Belo ponto.
Jack desceu o machado nos galhos de árvore baixos, separando a madeira para levar. Trey fez o mesmo, mas com um facão.
Durou cerca de meia hora de trabalho duro, suor e finalmente fizeram uma pausa, enrolando a madeira com cordas para facilitar retornar com elas.
— Pai?
— Sim? — Jack respondeu, deixando as madeiras de lado.
— Você está estranho ultimamente. — Trey comentou sem olhar para ele. — Está acontecendo algo que não pode me contar?
Seu pai piscou atordoado e seu rosto empalideceu. Tal reação fez Trey ainda mais preocupado e também intrigado.
— Não é nada realmente. Eu vou resolver.
Trey deixou a madeira contra a árvore e se aproximou, braços cruzados contra o peito.
— Você vai me dizer. Eu sou o seu filho, tenho todo o direito de saber tudo o que se passa com meu pai. Único com o mesmo sangue que corre em minhas veias.
Jack não ousou olhar para ele e soltou um suspiro nervoso. Trey ficou preocupado quando notou as mãos dele tremer. Raramente o tinha visto assim, em pânico.
— O que é? Diga antes que eu enlouqueça!
— Olhe Trey… não acho que está preparado ainda para saber. — Jack engoliu em seco, ainda sem olhar em seus olhos.
O coração de Trey fraquejou no peito. Teve medo de ser algo grave. Seu pai estava doente, era isso? Estava trabalhando para a Federação? Queria levar Aquantis dele?
Trey sacudiu a cabeça, apenas pensando besteira.
Seu pai jamais o trairia daquela forma. Ele era um homem honrado. O pai que ele tanto amava e que o criou sozinho, com problemas e tudo.
— Eu estou preparado. Sempre estou. Sabe que pode me contar qualquer coisa, sem exceções. Eu vou entender. — Assegurou-lhe.
Jack olhou para ele, emoção flutuando em seus olhos. Algo como insegurança e medo.
— Vai entender?
Trey assentiu veemente.
— Está bem, só… me dê um minuto.
Jack se afastou dele e se apoiou contra uma árvore, olhando para o céu estrelado.
Trey fez como ele, também resolveu olhar para cima e contemplar a beleza da noite. O céu noturno era incrível. Não havia quaisquer planetas a vista do olho nu, ou luas iluminando o ambiente. Mas a massa extensa de estrelas brilhando muito forte iluminava parcialmente a floresta.
— Eu tive um caso. — Começou Jack. Então Trey olhou para ele. — Um caso com Kayllon.
Trey assentiu.
— E?
— E? — Jack perguntou de volta, erguendo uma sobrancelha para ele. — O que você acha?
Trey sorriu, prestes a fazer alguma piadinha sem graça quando um flash de reconhecimento atravessou sua mente.
Seu sorriso morreu. Aliás, seu coração parou.
Poderia se julgar morto, exceto que em seguida seu coração voltou a bater.
Trey piscou atordoado, mas não soube esconder a decepção tremenda que perfurou seus sentidos.
Doeu. Doeu muito.
— Então… a criança é sua? — Trey piscou, seus olhos embaçados. Só então percebeu que estava chorando.
— Trey? — Jack se aproximou e tentou tocá-lo, mas Trey se afastou. Seu rosto se contorceu com raiva.
— Por que não me disse antes? Por que escondeu isso de mim?!
Jack suspirou, derrotado.
— Tive medo que reagisse assim.
— Reagir assim?! — Trey ergueu a voz. — Você esconde algo tão importante como isso de mim, isso sim é muito pior. Por que com… com o pai de Austin? — Trey enxugou os olhos com as costas das mãos, enraivecido. — Justo com o pai de um dos meus melhores amigos! Você…
— Filho… foi só uma coisa de uma noite. Não imaginava que terminaria assim, eu juro. Me senti tão culpado…
— Eu preciso pensar, eu… — Trey soluçou. — Eu sempre confiei em você, então… você fez como ela… fez o mesmo que aquela mulher.
— Não me compare com a sua mãe!
— Ela não é minha mãe! — Trey gritou de volta. — Nunca foi. Ela só me geriu por nove meses, depois simplesmente me largou. — Trey riu com amargura. — Kayllon passou pelo mesmo, e de repente você o engravida… estou tão decepcionado com você.
— Nós vamos resolver isso… eu vou cuidar dele, eu… eu quero a criança, Trey. — Jack já tinha lágrimas nos olhos.
Trey assentiu com um sorriso de escárnio, fungando e esfregando os olhos.
— Eu preciso pensar. — Ele se virou para sair. — Volto amanhã pela manhã. Peça a alguém para vir lhe ajudar com a lenha. — E então se foi. Para onde, não sabia. Só precisava estar longe em um lugar onde poderia pensar e chegar a um consenso. Naquele momento seus sentimentos estavam uma bagunça.
Continua...
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