Lost Blue
16 Capítulo 16 - Infectado
Notas iniciais
— Socorro! — Aquantis gritou antes das mãos de Dominic, surpreendentemente fortes, o afundarem para dentro da banheira. Até aquele momento, Aquantis sentiu-se sofrendo mais por desespero do que por afogamento. Em algum instante, um flash de reconhecimento cintilou por sua mente e ele lembrou-se que não tinha problemas com oxigênio, mas o estrangulamento doía.
Tinha certeza que passaram-se apenas segundos durante o ataque de Dominic, mesmo que pareceu durar uma eternidade. Logo terminou quando o saturniano perdeu as forças caindo para trás e escorregando para fora da banheira. Aquantis poderia sentir alívio se não fossem pelos gritos de agonia. Ele se levantou da banheira, pegando a toalha mais próxima e apressadamente a envolvendo em seus quadris. Dominic estava se debatendo freneticamente no chão, seu nariz ainda sangrava em uma bagunça manchada em seu rosto. Ele se contorcia e segurava o próprio pescoço como se quisesse estrangular a si mesmo.
A porta do banheiro foi aberta em um estrondo, já que não era automática como a maioria das portas da nave. Austin foi o primeiro que entrou com uma urgência assustadora, ele caiu ajoelhado próximo de Dominic e forçou suas mãos para longe de seu pescoço.
— O que está acontecendo? — Perguntou a Aquantis que parecia chocado o bastante para tomar uma atitude.
— E-Ele… — Tentou responder roucamente, sua garganta estava um pouco áspera. — Ele tentou me matar… na banheira.
— Merda. — Austin engoliu em seco, seus olhos arregalados.
Trey e Zachary chegaram em seguida, os gritos de Dominic provavelmente alcançaram todos os cômodos da nave. Zachary empurrou Trey do caminho para espremer-se no pequeno espaço do banheiro entre Austin e o corpo inerte de Dominic, que até então desmaiou.
— Dominic, acorde! — Zack gritou pelo menino saturniano, batendo levemente em sua face, mas tudo o que recebeu foi um resmungo de dor. — Raios, Dominic!
Depois daquele momento desesperador, Zack, por incrível que pareça, não usou sua bombinha para se acalmar, mas agiu como um profissional e verificou os sinais de Dominic. Para a segurança de Aquantis e de todos, ele o levou em seu colo para a enfermaria, com Austin em seu encalço e os demais. Porém, Aquantis ficou para trás ainda no banheiro com Trey em cima dele.
— Você está bem? Está ferido? — Perguntou preocupado, suas mãos tocando o corpo de Aquantis sem malícia, mas puramente verificando. Ele ingeriu quando percebeu os hematomas surgindo no pescoço do Blue.
— Eu estou bem. — Aquantis engoliu um pouco difícil, sua garganta não estava tão ruim assim, afinal. — Dominic agiu muito estranho! Ele tentou me afogar na banheira, mas ele não estava pensando direito. Todos sabem que eu não tenho problemas com oxigênio.
Trey passou as mãos pelo rosto e seu semblante era tão preocupado que Aquantis sentiu-se culpado de alguma forma.
— Céus… e se… — Trey estava pálido, ele olhou para todos os lugares até novamente encarar Aquantis. — E se ele estivesse armado? Nesta nave há armas, estão secretamente escondidas, mas… talvez se ele pegasse algo da cozinha ou…
— Pare. — Aquantis segurou o rosto de Trey e se inclinou para frente, beijando-o suavemente. — Agora está tudo bem. Pelo menos comigo. Dominic não está em seu juízo perfeito, e se eu posso ter algum palpite, diria que está sendo controlado por alguma coisa.
— Você acha isso? — Os olhos de Trey estavam arregalados, não sabia se era pelo susto ou pelo beijo que recebeu.
Aquantis assentiu. Eles saíram do banheiro cheio com vapor e o Blue se vestiu em tempo recorde para então irem a enfermaria onde Dominic estava sendo mantido. Austin não parecia mais assustado, porém em seu semblante era óbvio a preocupação.
— Como ele está? — Trey perguntou a Zack que tocava nas telas de touch de seus maquinários da ala de enfermaria, verificando todos os sinais vitais de Dominic. As mãos do saturniano estavam amarradas nos lados da cama hospitalar, assim como os pés. Podia ver seus dedos se contorcerem com força, ele provavelmente estava contendo a dor que parecia ser muita.
— Eu não sei, Trey. — Zack soltou um suspiro, mas continuou a trabalhar. Ele conectou pequenos fios com adesivos na pele de Dominic. — Eu tenho notado que ele está estranho há alguns dias, mas não esperava que ele fosse surtar desse jeito.
— Algo o está controlando. — Disse Aquantis. Zack olhou para ele com questionamento.
— Será um chip? — O hacker coçou o próprio queixo espinhando. — É isso. Alguns planetas exigem a implantação de chips de identificação em todos os seus residentes.
— Mas não há como um chip desses provocar tudo isso. — Retrucou Austin.
Aquantis entendia muito pouco sobre tecnologia, ele já não sabia porque tinha a certeza de que Dominic estava sendo controlado, talvez fosse intuição, então apenas ouviu as especulações dos demais.
— Eu sei. Ter um chip de identificação funciona apenas como um documento, é uma tecnologia perfeita e incapaz de fazer mal ao corpo de um ser mortal. No entanto, o Pentágono de Saturno não possui esse tipo de exigência com seus residentes.
— Aonde está querendo chegar, Zack? — Perguntou Trey, cruzando os braços sobre o peito.
— Dominic foi capturado e vendido para nós como um animal, certo? — Todos assentiram. — Receio que ele foi marcado com chips de identificação pirata. Que servem também como rastreadores, e pela qualidade do serviço, provavelmente veio com alguma espécie de vírus maldito.
Desta vez a compreensão fez Aquantis surpreso, assim como os demais naquela sala. Às vezes Zack era tão inteligente que o deixava de queixo caído. Ele nunca iria pensar de forma tão aprofundada no assunto. Ah, ele era praticamente leigo em todos os assuntos possíveis.
— O que faremos? — Perguntou o comandante.
— Vou examiná-lo com o laser e procurar pelo chip, espero encontrá-lo em um local de fácil remoção. Mas pelos sintomas que ele apresentou, temo que possa estar em seu cérebro. — Zack fez uma careta e empalideceu. Bem, todos ali presentes se tornaram tão pálidos como papel.
Ou seja, Dominic poderia morrer se algo não fosse feito logo.
Malditos sejam os que implantaram tal bestialidade para prejudicar seu amigo. Aquantis deixou Zack trabalhar e saiu da ala de enfermagem chateado. Ele não fazia ideia do que fazer, se poderia ajudar em algo. Mesmo com o que o saturniano fez com ele, não poderia culpá-lo, apenas estava com medo de perder seu amigo.
—*-*-
Keesa estava cansado de ficar preso naquele quarto. Não que esperasse ver algo surpreendente dentro da nave mãe Margosha. Porém, ficar confinado no quarto do comandante era entediante e não havia muito o que poderia fazer. Gavrel não mantinha muitos livros, e os que encontrou estavam escritos em uma linguagem estranha.
Perguntava-se até quando aquilo iria durar. Talvez ele ficasse naquele quarto para sempre. Bem, duvidava. Uma vez que ele se tornasse mais velho não seria mais aceito como um pet sexual, provavelmente se tornaria um escravo rastejante que limparia os cantos da nave ou que trabalhasse no maquinário.
Naquela noite não foi diferente, Kimm lhe trouxe o jantar, ele comeu tudo com gosto, sem mais se preocupar se o alimento estava envenenado, então sentou-se em frente da lareira, no tapete de peles bastante macio e observou o fogo.
Lembrava-se da colônia onde conviveu com outros seres humanos de sangue puro como o dele. A invasão de alienígenas brutais de três metros de altura, vestidos com armaduras e grandes armas laser garantiu que cada ser humano fosse aprisionado e levado para uma nave pirata surpreendentemente enorme, comandada por Líderes corruptos da Federação dos Planetas. Keesa lembrava-se muito bem do que viu. Queria muito poder esquecer, mas as imagens eram vívidas em sua mente.
Cada detalhe. Cada grito. Cada morte.
Abraçou suas pernas contra o peito, seus olhos secos e focados apenas nas chamas da lareira.
Alienígenas eram seres horríveis. Não que humanos fossem melhores, é claro. As variações humanas também eram consideradas alienígenas por ele. Eram apenas imitações dos verdadeiros seres humanos, era o que pensava.
Gavrel foi o mais diferente alienígena que ele conheceu. Bem, Askell era estranho, mas não da mesma forma. Ele tinha suas próprias peculiaridades que não se comparavam com as do comandante pirata.
Pelo que Keesa compreendeu, a espécie de Gavrel era chamada de Valius. De algum planeta de nome parecido. Ele tinha o estranho hábito de beber do sangue dele e diretamente de suas veias. Era quase como um vampiro, citado nos contos mais antigos de seu povo, que por milênios foi considerado apenas meras ficções.
Mas Gavrel era real, Keesa sentiu por si mesmo a picada em seu pescoço, e o extremo prazer percorrer suas veias cada vez que o comandante se alimentava dele. Era uma sensação ainda superior ao próprio sexo, ele não sabia como explicar, como descrever isso.
A porta do quarto se abriu, e só então Keesa percebeu que provavelmente divagou pelo que foram horas. Gavrel entrou, seu semblante frio de sempre, o tapa olho, os cabelos cheios, gordurosos e despenteados. Ele retirou a capa grossa e pesada e a colocou no suporte, assim como o sobretudo. Estava vestido com calças de couro desgastadas e botas escuras que subiam até os joelhos repletas de fivelas. Suas roupas cheiravam a couro velho e enxofre, era uma combinação estranha que Keesa inicialmente detestava, mas que aprendeu a não se importar.
Gavrel, por outro lado, tinha um cheiro único após o banho. Ele olhou para Keesa quando sentou-se na cama removendo as botas pesadas. Pensou que ele diria algo em sua direção, mas tudo o que fez foi murmurar algo incompreensível, e depois que se livrou dos calçados, entrou no banheiro para um longo banho.
Keesa percebeu que a matéria escura da nave formava uma camada de fuligem em suas roupas e que naquele quarto parecia ser um bom lugar onde não tinha contato direto com aquele tipo de poluição. Tudo estava limpo e em perfeito estado.
Uma hora depois o comandante deixou o banheiro, vestindo apenas as boxers.
Céus, como um alienígena poderia ser tão bem esculpido? O homem parecia um deus.
Não estava usando o tapa olho, por isso as cicatrizes em um lado de seu rosto eram mais visíveis. E a notável diferença de tons em ambas as íris sempre o hipnotizava.
— Keesa, venha. — Ele chamou assim que sentou-se na beira da cama enquanto secava seus cabelos com uma toalha.
Como não era tolo de negar, ele foi e sentou-se aos pés de Gavrel. Era vergonhoso fazer aquilo, mas Keesa tinha que admitir para si mesmo, até que era bom.
A mão do comandante afundou em seu cabelo castanho, acariciando seu couro cabelo. Ele poderia ronronar se fosse alguma espécie de felino.
Gavrel não tinha sido violento com ele, exceto pela mordida que recebia todos os dias que apenas lhe trazia prazer. Não tinha gritado com ele ou o tratado com desrespeito. Embora Keesa ainda tinha medo de que o comandante fosse ter um surto e de repente estrangulá-lo no meio da noite.
Ele tinha dito que não era para acreditar no que as outras pessoas diziam sobre ele, principalmente Askell.
— Venha para a cama. — Gavrel pediu quando se deitou.
Keesa deitou ao lado dele em silêncio. Havia tanto para perguntar, mas tinha medo de sair dos limites. Não queria irritar seu dono que estava sendo bom para ele.
— Senhor? — Deixou escapar, estapeando-se mentalmente. — Nã-Não é nada. — Apressou-se a dizer.
— Diga. — Gavrel o encarou, seu semblante sério, mas sem qualquer ameaça clara. — Responderei apenas o que eu desejar responder, mas pode fazer seu questionamento.
Keesa olhou encorajado. Estava prestes a perguntar, quando decidiu que era melhor não.
— É sobre o meu olho, não é? Essas cicatrizes? — Gavrel apontou para o lado de seu rosto que estava repleto de vergões intrincados em um padrão desigual como uma erosão.
Keesa assentiu.
— Desculpe, apenas estou curioso. Não precisa me dizer, se não quiser.
— Aconteceu durante uma batalha. Eu era apenas uma criança. Depois disso tive uma maldição em meu olho.
— Uma maldição? — Keesa perguntou surpreso.
Gavrel quase sorriu, ele assentiu e tocou as cicatrizes.
— Digamos que este olho pode ver o coração de uma pessoa. Sempre foi torturante para mim, uma agonia oculta.
Keesa quase podia compreender, mas ainda assim sabia que jamais entenderia por completo.
— Quer dizer que você pode sentir as intenções das outras pessoas?
— Algo assim. — Ele tocou os cabelos de Keesa e voltou a acariciá-lo. — Agora esqueça isso. Estou com fome.
Keesa se aproximou quando Gavrel beijou seu pescoço, acariciando sua pele, farejando sua presa. Ele tinha certeza que mais tarde estaria cheio de perguntas, mas naquele momento não conseguia pensar, não com o cheiro maravilhoso nublando sua mente.
Gavrel afundou seus dentes na marca em seu pescoço e sugou profundamente o líquido carmesim de suas veias. Keesa mordeu forte o lábio inferior até sangrar para que seu grito não ecoasse pelo quarto e o envergonhasse. Prazer preencheu todo o seu sistema e o fez confuso, pegajoso e a um passo de desmaiar.
Um único pensamento passou por sua mente antes de desfalecer: Se ele pudesse ficar naquele quarto trancado apenas para sentir aquilo todos os dias, não podia reclamar.
—*-*-
— Trey?
Uma voz o acordou no meio de seu descanso abençoado.
— Trey, acorde! Preciso muito falar com você. — A voz de Zack continha uma nota de terror que não poderia ser ignorada.
Ele se levantou resmungando e apertou o botão do comunicador sobre o criado mudo.
— Estou indo. — Murmurou.
Desta vez Aquantis não tinha aparecido em seu quarto, o que era frustrante, mas decidiu não pensar nisso quando a urgência de Zachary parecia mais importante.
Quando chegou a enfermaria, seu amigo andava de lado a outro verificando algo em seu tablet. Aquantis estava ali sentado ao lado da cama de Dominic. O hacker provavelmente avisou os demais, porque logo atrás de Trey, chegaram Austin, Jack e Morgana.
— Bem a tempo! — Exclamou Zack daquele jeito trêmulo quando estava prestes a ter um ataque de pânico.
— Descobriu alguma coisa? — Trey indagou.
— Sim, mas é pior do que eu suspeitava. — Zack sentou-se à beira da cama de Dominic e aspirou em sua bombinha de ar duas longas vezes, antes de continuar. — Aquantis tinha razão. Dominic está sob o controle de um chip de identificação. — O suspiro surpreso de Morgana foi mais alto que os demais.
— Mas como? — Austin perguntou. — A coisa é mesmo pirata?
— Sim. O meu palpite é que implantaram um chip infectado nele de propósito logo quando ele foi capturado. O vírus domina os nervos centrais do cérebro de forma que terceiros possam usar a vítima. — Zack se levantou e novamente começou a andar para todos os lados. — Resumindo, esse maldito vírus pode matar Dominic ou deixar nele sequelas graves se não for retirado o quanto antes, sem falar que pode oferecer nossas coordenadas e informações à respeito de Aquantis.
Trey abaixou a cabeça, ele não sabia como reagir a isso, como revidar. Estava ferrado, era tudo o que podia pensar.
— Então retire o maldito chip!
— Eu não posso! — Zack se apressou em dizer. — Não tenho habilidades como um cirurgião. Já foi um milagre eu conseguir cuidar de Aquantis quando ele esteve naquela situação. Eu posso atuar como enfermeiro, mas não posso fazer operações! — Ele se aproximou de Dominic inconsciente e levemente virou a cabeça dele, mostrando o ponto atrás da orelha. — Está bem aqui, mas ainda sim é muito arriscado para mim, pode matá-lo!
Trey olhou para o chão. Ele gostava de Dominic, o saturniano era gentil com todos e Zack o amava, mesmo que ele não dizia isso em voz alta. Eles não poderiam perdê-lo.
— Deve haver alguma solução. — Murmurou, até que olhou para Zack, que parecia determinado. — O que você pensou em fazer?
— Não consigo ver uma solução fácil, mas… como é muito arriscado pousarmos em algum planeta ou porto espacial por causa da Federação, acho que é considerável pedirmos ajuda ao comandante da nave Margosha. Ele tem um médico especialista nesse tipo de coisa na tripulação deles.
— E ele está em dívida com você, não é? — Austin perguntou na direção de Trey.
— Não mais, acredito. Ele salvou a nossa pele quando fomos resgatar Aquantis na Federação. Não sei porque mais ele iria nos ajudar sem algo em troca.
— Ele quer Aquantis. — Jack acrescentou, o que enfureceu Trey.
— Eu não vou entregar Aquantis a ele! De jeito nenhum!
— Calma, ele não disse por mal. — Austin bateu em seu ombro. — O que seu pai disse é verdade. Gavrel deseja ter Aquantis para vendê-lo no mercado negro, creio. Mas talvez possamos convencê-lo a não fazer isso. Você o conhece, e mesmo que Zachary esteja falido, ainda temos muito dinheiro guardado, podemos oferecer uma boa quantia por ajuda.
— E Aquantis? — Trey não estava seguro.
— Eu vou ficar bem. — O Blue respondeu. — Nós vamos dar um jeito. Nossa preocupação agora é salvar Dominic. — Seus olhos brilharam, apreensivos.
Isso fez um solavanco duro no coração de Trey, que o fez se acalmar.
— Aqua… — Dominic gemeu, abrindo os olhos em fendas. Todos olharam para ele, preocupados. Ele já não estava com as amarras nos pulsos e tornozelos como antes. Aquantis apertava sua mão direita.
— Estou aqui. Está tudo bem. — Murmurou baixinho. Dominic olhou para ele com os olhos nublados.
— Algo está errado.
— Nós sabemos. Estamos muito preocupados com você.
— Mas não sou eu… algo está errado… lá fora. — Dominic disse baixinho, antes de novamente se apagar.
— Droga! — Zack bravejou de preocupação e foi abraçado por sua mãe.
—*-*-
Sully estava muito infeliz. Preso naquele quarto, quem é que não ficaria?
Ser o pet de Austin não tinha provado nada a ele. Apenas o confinamento no quarto do homem, sem mesmo ter acesso a cama dele. Bem, durante as noites. Quando era dia pelo relógio universal, ele fazia tudo o que queria ali dentro. Dormia praticamente o dia todo na extensa cama. Já tinha lido quase todas as revistas disponíveis, o dispositivo de leitura eletrônico de Austin, seus poucos livros, histórias em quadrinhos. Já tinha vasculhado praticamente todo o guarda-roupa dele e encontrado poucas coisas comprometedoras, mas não tinha nada mais para fazer. Nada para passar o tempo.
Ele não tinha um computador, tablet ou qualquer dispositivo que utilizasse a internet. Não era de se admirar já que ninguém mais confiava nele.
A única coisa que não tinha feito naquele lugar foi se aliviar. Bem, não sabia se havia câmeras às escondidas. Porém, muito insatisfeito com tudo e pouco se lixando com a vida, caiu na cama de Austin e virou-se de lado, sentindo-se excitado sem mesmo ter tocado a si mesmo.
Passaram-se dias naquele lugar. Tudo o que ele precisava era se tocar sob as roupas de forma que gozasse. Mesmo que fizesse uma bagunça, poderia se limpar no banheiro.
Olhou ao redor uma última vez, inseguro que fosse ser visto por alguém. De alguma forma, pensar em fazer aquilo quando poderia ser pego no flagra, era uma sensação gostosa, não sabia explicar.
Ele deslizou os dedos sobre a camiseta que vestia, encontrando seus mamilos, então deslizou para baixo até chegar em sua virilha. Ambas as mãos trabalharam em massagear seu membro vestido, e quando o prazer foi se tornando quase insuportável, ele enfiou uma mão para dentro de suas calças de algodão, tocando diretamente seu pau nu. Já estava úmido e quente, tão duro contra seus dedos. Sully acariciou a si mesmo, forçando imagens aleatórias em sua mente para excitá-lo. No entanto, a única imagem que veio a ele naquele momento foi no corpo forte de Austin e em como ele o prendeu contra o chão no dia em que colocou a maldita coleira nele.
Austin era enorme, tinha quase dois metros de altura, além de ser musculoso como uma montanha. Seus olhos azuis gelo eram sempre gentis com os outros, mas não importava se sempre o encaravam de modo frio, ainda assim continuavam sexy, ainda mais naquele rosto de menino. Seus cabelos loiros com sutis mechas platinadas estavam sempre em uma bagunça, e Sully se imaginou acariciando-os em seus dedos enquanto se fodia no pau do homem…
Céus, apenas imaginar tal cena o fez ofegar. Sully afundou o rosto nos travesseiros, amando o cheiro do uraniano. Era um aroma fresco de shampoo de menta e uma pitada de aroma amadeirado.
Imaginou Austin agarrando seus cabelos cor de salmão com força e ao invés de jogá-lo na cama, apenas o forçaria no chão, muito irritado e selvagem. Ambos sem roupas, com Sully completamente à mercê de seu carrasco. Austin iria beijá-lo e morder seus lábios. Logo iria mordê-lo todinho e usar sua língua para provocá-lo. Então com apenas pré-sêmen e saliva, iria foder Sully muito duro em seu próprio ritmo indomável.
Tal fantasia fez Sully chegar ao ápice, fazendo uma bagunça pegajosa em si mesmo.
— Não acredito! — Irritou-se, olhando a abundância de sêmen em sua mão. — Não posso pensar nele! Não posso desejá-lo! — Balançou a cabeça freneticamente, então levantou-se para se limpar no banheiro. Olhou para o seu reflexo no espelho depois que se lavou e franziu o cenho. — Ele me odeia… acha que sou um ladrãozinho. — Sorriu tristemente. — E mesmo que não me odiasse… jamais olharia para alguém como eu. Se ao menos eu fosse bonito como Aqua. — Tossiu, tentando recompor-se. Não poderia nunca invejar seu próprio irmão, pois o amava muito e sua missão era levá-lo para casa! — Meus sentimentos não importam… as coisas não podem continuar como estão. Preciso fazer isso pelo papai. Eu vou levá-lo de volta, mesmo que me custe muito caro. — Prometeu a si mesmo.
Quando deixou o banheiro, um tremor muito incomum o fez se desequilibrar, e ele precisou se segurar em um dos armários.
— O que está acontecendo? — As luzes de emergência se acenderam, e ele nem mesmo podia ouvir qualquer barulho fora do quarto. Moveu-se para a porta e bateu contra ela. Estava trancada.
Livros começaram a cair das prateleiras e tudo passou a balançar de maneira violenta. Sully afastou as cortinas da janela para ver ao longe um conjunto imenso de naves cápsula atacando a Imperatriz. Mais a frente estava uma tempestade gigantesca de eletromagnetismo que poderia triturá-los.
— Aquantis… — Ele lembrou de seu irmão. Não poderia deixá-lo morrer. — Aquantis! — Gritou no topo de seus pulmões, correndo em direção a porta. Iria chutá-la até abrir, fazer algo que pudesse desbloquear a maldita coisa. Mas o balanço violento o fez cair e bater as costas contra a estrutura da cama. Objetos caíram sobre ele, até que a nave girou loucamente quando entraram na tempestade. As luzes de emergência se apagaram e também a consciência de Sully quando algo indetectável o atingiu em cheio.
Continua...
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