Lost Blue

15 Capítulo 15 - Punição


Notas iniciais
Olá meus amores *-* Depois de um século, voltei! Nem vou dar as minhas desculpas, porque são sempre as mesmas kkkk provas, trabalho, esse tipo de coisa. E agora que entrei de férias, estou muito inspirada para escrever ♥ Tomara que gostem! Apreciem a leitura ♥

Trey tinha os punhos apertados enquanto olhava para Sully. Ele sabia reconhecer um mentiroso de longe, e estava certo de que Sully não ia sair bem dessa.

— Mas eu juro, Morgana, não fui eu! Eu não tenho nada além das minhas economias no banco, mal posso pagar o conserto da minha nave. Vocês tem que acreditar em mim.

Trey não se absteve com lágrimas de lamento ou a voz se quebrando enquanto tentava explicar inutilmente uma mentira. Ele avançou para frente, agarrando a camisa de Sully pelo colarinho, empurrando-o bruscamente contra a parede e o erguendo até que estivesse vários centímetros longe do chão.

— Para quem você trabalha?

Sully tremia tanto que não iria admirar se ele urinasse.

— E-Eu… nã-não trabalho para ninguém, comandante.

— Então para quem foi o dinheiro de Zack? — Perguntou entre os dentes. Tinha noção que sua feição agora era assassina. Ele pegou de soslaio Aquantis deixar o quarto, mas não se concentrou nele. Ele bateu Sully mais apertado contra a parede. — Diga!

— E-Eu não enviei para ninguém! Eu não fiz isso! — Sully gemeu com seu corpo sendo pressionado contra a parede, principalmente seu pescoço.

— E como explica as provas? — Perguntou Zack, sua voz trêmula, e Trey sabia que ele estava a ponto de precisar usar sua bombinha para se acalmar.

— Eu não sei! — Sully gritou e começou a rosnar como um cão. — Me solte, maldições!

Trey não apenas o soltou, mas como o jogou para o lado. Sully aterrissou no chão com um baque duro.

— Você vai ser punido. Não há forma de que saia desta nave sem pagar cada centavo do que deve a Zachary. — Trey bufou, esfregando seu rosto bruscamente com a mão. — O que você sugere fazer? — Indagou ao hacker que ainda respirava dificultosamente através de sua bombinha, sentado na cama e com Dominic o abraçando de lado, tentando acalmá-lo.

— E-Eu… — Ele engoliu em seco, afastando o aparelho da boca. — Austin? — Perguntou ao seu amigo que olhava duramente na direção de Sully. — Você tem alguma ideia de como punir um ladrão que não seja matá-lo? Porque eu juro, gostaria de esganá-lo com minhas próprias mãos!

— Acalme-se. — Dominic sussurrou para Zack que o puxou para um abraço.

— Nic… o que farei sem o meu dinheiro? — Ele choramingou no ombro dele.

— Eu tenho uma sugestão. — Disse Austin. — Desde que ele chegou nesta nave eu já sabia que seria um problema.

— E? — Trey cruzou os braços sobre o peito.

— Quero que ele seja o meu pet.

O silêncio pairou por algum tempo. Trey olhou para onde Sully estava sentado contra a parede e com olhos arregalados para eles.

— Você só pode estar brincando! — Ele rugiu. — Não vou ser o seu pet! Vocês não podem fazer isso comigo, não sabem quem eu sou!

— Exatamente. — Trey respondeu mais calmamente. — Não sabemos quem diabos você é, e pouco importa. Você com certeza jamais poderá pagar a Austin este valor, então pague com a sua vida. — Disse com sua voz envenenada. Trey não ficou para ver mais, deixou a responsabilidade para Austin.

De qualquer forma, não sentia como se as coisas tivessem se resolvido. Não estava satisfeito.

—*-*-

Mesmo que a nave Imperatriz estivesse passando próxima de um astro muito brilhante que reluzia por todas as janelas, era hora de dormir, e Trey se sentia exausto depois de um longo dia estressante.

Assim que entrou em seu quarto, conteve o sorriso que repuxou as comissuras de seus lábios.

Aquantis estava lá, sentado em seu colchão recostado contra os travesseiros. Ele estava lendo alguma coisa em seu tablet. Estava vestido com seu pijama — que Trey descobriu ser o seu favorito — azul bebê com listras brancas.

— Ei. — O cumprimentou quando entrou.

— Oi Trey. — Aqua deixou o tablet de lado. Trey olhou curioso para o que ele esteve lendo.

— O que estava fazendo?

— Eu li um de seus ebooks, se não se importa. — Ele lhe deu aquele olhar inocente e pidão que fez Trey sorrir.

— Pode ler o que quiser. — Disse quando retirou sua jaqueta pesada de couro negro. Então lembrou-se de um detalhe. — Ah, mas procure não ler o que estiver na pasta “ero”.

— Por quê? — Aquantis perguntou com notável curiosidade. — Há algo lá que não posso ver? Alguma foto ou vídeo?

Trey olhou abismado para ele sem respostas..

— O quê? Quer guardar segredos de mim, é?

Tal pergunta o fez erguer uma sobrancelha. Aquantis estava falando com ele como se fossem uma espécie de casal.

— Não é que eu queira guardar segredos. Só… há livros um tanto… eróticos nessa pasta. Então acho melhor que não leia essas coisas. — Ele pegou o tablet e guardou na gaveta da cômoda.

— Oh… entendi. — As bochechas de Aquantis de avermelharam. Então depois de alguns segundos enquanto Trey lutava para tirar suas botas, Aquantis voltou a falar: — Sabe Trey… eu não acho que Sully foi o culpado pelo roubo de Zachary.

Trey suspirou. O que raios ele estava dizendo?

— Então quem foi? — Terminou de retirar as botas para tirar sua camisa.

— Eu não sei… mas sabe quando você sente que algo está muito errado? Não consigo olhar para Sully e dizer que ele faria algo assim. Para mim ele é sincero.

Trey suspirou outra vez.

— Já eu acho que é culpado. Ele é apenas um estranho que se infiltrou em nossa nave. Não sabemos absolutamente nada sobre ele, e mesmo o que sabemos pode estar errado. Tudo o que encontramos o incrimina. Por que acha que ele é sincero?

Aquantis fez um som com a garganta como se estivesse irritado, e Trey olhou para ele franzindo o cenho.

— Eu só acho. Não tenho certeza. — Aqua admitiu. — Também não sei nada sobre ele. Mas eu tenho essa coisa que eu não sei como se chama… talvez um sexto sentido ou algo assim.

— Viu isso em um dos meus ebooks?

Aquantis lhe deu um olhar cheio de raiva.

— E daí se eu vi?

Trey sorriu.

— Tudo bem, vou acreditar em você.

Isso pareceu aliviar o estresse dele, pois Aquantis assentiu e voltou a se acalmar.

Trey trocou a calça por uma de algodão suave e azul escuro para dormir. Claro que por todo o momento sentiu os olhos de Aquantis nele, e isso meio que acariciava o seu ego.

Quando chegou a cama, o Blue abriu espaço para ele e puxou as cobertas.

Trey se deitou e virou-se para estar de frente com Aqua, que já estava enrolado nas cobertas, apenas com a cabeça de fora. Seu cabelo azul claro espalhava-se por todo o travesseiro. Era bonito e brilhante. Foi aí que Trey não se conteve em acariciar as madeixas azuis, tirando algumas mechas fora dos olhos de Aqua.

Normalmente o Blue iria aproveitar o momento para lhe fazer perguntas sobre suas curiosidades, mas não aconteceu. Ele segurou o seu olhar, e em seus olhos verde-água havia um brilho diferente. Aquela expressão no rosto dele enquanto acariciava o seu cabelo dizia muito mais do que o “apenas melhores amigos” que ele lhe mencionou no passado.

Trey queria saber de seus verdadeiros sentimentos, se o seu amor era correspondido ou não, pois a cada dia que passava o sentimento só parecia aumentar, e Aqua não fazia nada para fazê-lo diminuir, só crescer.

Trey piscou, então sua mão deixou os cabelos azuis para tocar o rosto dele.

As bochechas rosadas do Blue de repente se tornaram mais rubras. Então aconteceu algo que Trey não esperava: Aquantis se ergueu para apoiar-se em um cotovelo e se inclinou para beijar Trey. Sua mão livre e macia tocou o cabelo escuro e o acariciou, enquanto o beijo inexperiente acontecia.

Os lábios do Blue eram aveludados, quentes e um pouco úmidos. Quando ele se afastou, seu olhar dizia muito mais do que antes, agora transbordava de sentimento.

Trey tocou em seu rosto e o persuadiu a beijá-lo novamente, ensinando-o como aprofundá-lo, e então o sentiu se perder e derreter contra ele. Foi a sensação mais gostosa. E quando se afastaram, Aquantis soltou uma risadinha. Ele estava tão lindo.

Ele era lindo, realmente.

Trey envolveu seus braços contra Aquantis e o puxou para cima de seu corpo, aproveitando quando afastaram-se do beijo, para beijar o pescoço dele. Aqua ficou tenso e então começou a rir quando Trey tentou mordê-lo.

— Você gostou?

O comandante ficou surpreso com a pergunta.

— Se eu gostei? — Ele se fingiu de pensativo e Aqua pareceu triste, o que fez Trey sentir uma pontada de culpa. — Foi maravilhoso.

Um sorriso se acendeu no rosto do Blue.

— Mesmo?

— Sim. — Beijou sua mandíbula e Aqua caiu flácido contra seu corpo. Seu rosto pendeu em seu ombro e ele fungou feliz. Estava o abraçando?

— Eu sempre quis fazer isso. Mas achei que você não gostaria.

Trey engoliu em seco.

Ele estava duro e Aqua também.

— Está brincando comigo? Quando você disse que éramos apenas melhores amigos, eu quis chorar. — Trey afagou suas costas.

— É sério? — Aquantis olhou para ele. Havia um brilho tão feliz em seu rosto. — Quer dizer que… agora somos mais do que isso?

Trey piscou atordoado. Aquela conversa estava mesmo acontecendo?

Ele diria que eles estavam namorando?

Nunca teve um relacionamento que durasse mais do que algumas semanas. Mas de alguma forma, conseguia olhar para Aqua e ver um futuro com ele.

Claro que ele não podia apressar a si mesmo.

— Sim. Podemos ser… uh, namorados, não é?

As bochechas de Aquantis pareciam que estavam pegando fogo. Aliás, todo o seu rosto estava vermelho.

Aqua caiu deitado sobre ele de novo, e parece que não iria fazer nada em relação a sua ereção óbvia contra o abdômen de Trey.

Por causa disso, Trey decidiu alisar as costas do Blue até o ponto de erguer a blusa do pijama para tocar suas costas nuas, mas quando não o sentiu reagir, percebeu que o garoto já tinha dormido.

Calma Trey… você precisa ir com calma.

Ele fechou os olhos com força e mordeu seu lábio inferior, voltando a colocar a blusa de Aqua no lugar.

—*-*-

A estrutura do palácio real de Vettore era gigantesca, e estava situada acima de montanhas flutuantes, onde belíssimas cachoeiras pendiam desde o mais alto do castelo, sobre os picos das montanhas, até abaixo sobre os extensos oceanos do planeta.

A Rainha de Vettore e também a Alta autoridade da Federação dos planetas caminhou enquanto uma de suas assistentes citava rapidamente todos os seus compromissos para o dia.

Chegaram a um elevador de vidro que subiu do saguão do palácio e por fora da mais alta torre. Os dois sóis que aqueciam o planeta durante 48 horas estavam se escondendo no horizonte para trazer a noite, que em Vettore, durava 72 horas.

Ela deixou o elevador com sua assistente e uma porção de cientistas da Federação, e entraram na principal sala de reuniões.

— Está uma ótima tarde. — Ela comentou alegremente ao se sentar.

A sala era completamente branca, exceto pelos castiçais de prata e as taças de vidro. Todos os cientistas estavam impecavelmente vestidos de branco, e mantinham a aparência uniforme e sem defeitos.

— Digam-me as boas notícias sobre Aquantis. — Ela tinha um sorriso enorme e seus olhos piscaram animadamente. — Estou morta de saudades do meu belíssimo Blue. Pobrezinho, deve estar sofrendo nas garras malditas do comandante Scarlet. — Ela sibilou dramaticamente. — Estou injuriada que meu mais fiel general Jack Scarlet tenha me traído.

A sala permaneceu em silêncio por algum tempo enquanto ela esperava uma resposta positiva. Todos se remexeram nervosamente em suas cadeiras.

Quando nada foi dito, o semblante feliz de seu rosto decaiu.

— Nada? Absolutamente nada sobre o meu Aquantis?

Um dos cientistas se remexeu novamente e então, sem olhá-la nas olhos, disse:

— Infelizmente, vossa majestade, nós não…

Ela ergueu a mão.

— Basta. Não quero ouvir. — Ela olhou magoada para seus longos dedos de unhas brancas e pontiagudas. — Seus inúteis… — Ela arranhou a camada de pintura alabastro da mesa. — Tragam-me Aquantis ou todos vocês perderão suas cabeças! — Seu grito ecoou por todo o recinto e além das janelas, perfurando dolorosamente os tímpanos dos cientistas. — Tragam-me ele vivo! — Ela disse ofegante. — E mate todos os outros, entenderam? Todos! — Então ela pensou bem. — Melhor do que isso. Tragam o comandante Scarlet, eu serei muito feliz de dar a sentença dele pessoalmente.

Ela se levantou, e se não fosse por sua assistente, a cadeira teria caído para trás.

Além de irritada e frustrada, Wenda — era o seu nome — desceu pelo elevador, todos os que a acompanhavam estavam encolhidos para trás dela, e então caminhou em direção a seu quarto, fechando a porta atrás de si e na cara de seus acompanhantes.

Ela respirou fundo, recostando-se contra a madeira das grandiosas portas e olhou para os seus pets de estimação com carinho.

— Eu voltei, crianças. Apenas os meus mais doces companheiros para aliviarem a minha dor. — Ela caminhou dramaticamente como se estivesse dançando balé, até sentar-se em uma poltrona branca e acolchoada.

Havia três pequenos rapazes submissos sobre a cama, com seus olhos vendados, assim como dois grandes dominantes musculosos ajoelhados sobre o tapete. Todos os cinco estavam nus.

Ela chamou o menor dos submissos que engatinhou até seus pés como um gatinho e ela passou a acariciar seus cabelos.

— Podem brincar meus amores, hoje vou apenas assistir.

—*-*-

Sully caiu contra o tapete quando Austin o empurrou para dentro do quarto dele. Seu quadril protestou, mas ele ignorou, rosnando em troca.

— Você não pode fazer isso comigo!

Austin o menosprezou, o que lhe irritou ainda mais. A porta se fechou e ele caminhou para procurar algo em seu closet.

— Onde está… — Dizia baixinho para si mesmo. — Tenho certeza que guardei por aqui… em algum lugar. — Ele começou a jogar roupas para fora, caixas com objetos e artigos de higiene, e fez uma bagunça. Sully não estava entendendo o que diabos o outro estava fazendo. Levantou-se e cruzou os braços sobre o peito.

— Encontrei! — Austin ergueu uma coleira eletrônica de dentro de uma caixa preta.

— Uma coleira?!

— Exatamente. Você é um pet agora, vai ter que usá-la. — Ele se aproximou de Sully, mas Sully pulou para cima da cama e engatinhou para o outro lado. Austin o pegou pelo tornozelo e o puxou, apenas dando chance a Sully para chutar o seu rosto. — Argh!

Sully pulou para o outro lado da cama e se recostou contra a parede, olhando desafiador para o outro.

— Você não vai colocar essa merda no meu pescoço!

Austin acariciava sua mandíbula machucada.

— Ah, vou sim. Você está me tirando do sério. — Ele contornou a cama para pegar Sully, mas Sully pulou a cama novamente, indo direto para a porta do quarto. Estava trancada. — Isso apenas abre com a minha digital. Agora venha aqui.

— Eu não vou! — Sully balançou a cabeça freneticamente.

— Por que quer fazer mais difícil as coisas para você?

— Eu não sou o culpado! Não tenho que ser castigado por nada! — Gritou e rosnou como um cão. — Eu te odeio, seu infeliz! Aposto que foi você que fez toda essa porcaria para me incriminar!

Austin lhe deu um olhar de desprezo.

— E por que eu me importaria tanto em ter todo o trabalho de incriminar você, senhor inocente?

— Por que você me odeia?

Austin riu de deboche. Ele estava tão calmo que estava deixando Sully ainda mais irritado.

— Você tem razão sobre eu odiá-lo. Mas não venha me dizer um absurdo como eu incriminá-lo. Por que não facilita as coisas e assume os seus erros? Acaso não é homem?

Sully soltou um bufo e passou as mãos pelo rosto, tentando segurar uma nova onda de ódio que o atravessou.

— Claro que eu sou um homem, seu… seu… gigante horroroso!

Claro que não havia nada de horroroso em Austin, mas parece que o xingamento funcionou, pois uma veia saltou na testa dele.

— Pare de enrolar, coloque logo a maldita coleira. — Austin se levantou, e foi tão rápido que mesmo quando Sully tentou fugir dele, teve seu braço segurado, e antes que pudesse reagir, Austin o derrubou sobre o tapete e o imobilizou, prendendo a coleira em seu pescoço.

— Prontinho. Esta coleira foi Zack quem produziu, então o único capaz de retirá-la é eu ou ele. Tem um rastreador e é resistente a água, então você vai até se banhar usando ela. — Austin se levantou, e Sully estava derrotado no chão, seus braços cobriram o rosto enquanto ele tentava esconder suas lágrimas de humilhação.

— Você vai ficar aqui por enquanto e vai aprender a se comportar. A noite te trago o que comer. — Ele se levantou e deixou o quarto.

Sully soluçou e olhou para o teto com seus olhos nublados.

Se seus pais descobrissem… não queria ser uma decepção para eles, mas era tão doloroso pelo que estava passando. Por que? Se perguntou. Por quê?

O que eu fiz para merecer isso?

Tudo o que ele queria era encontrar Aquantis e depois ir para casa, mas parece que não havia nada que facilitaria para ele.

—*-*-

Trey acordou exatamente às seis horas da manhã pelo relógio universal. Aquantis estava dormindo tranquilamente em sua cama, e vê-lo tão sereno lhe fez sorrir. Deu-lhe um beijo em sua testa e deixou o quarto, sentindo a necessidade de trabalhar.

— Zack? — Admirou encontrar o hacker tão cedo na ponte de comando. Ele tinha notáveis olheiras debaixo de seus olhos. — Ugh, você parece um lixo.

— Obrigado, Trey, muito obrigado. — Disse ironicamente.

— O que andou pesquisando? — Trey se aproximou de onde seu amigo trabalhava. Austin não estava a vista, imaginava que a noite tinha sido proveitosa, se ele fosse usar Sully como um pet sexual. De certa forma, duvidava que o grandalhão o forçasse a qualquer coisa.

— Sobre o nosso suposto “ladrãozinho”.

— Sully?

— Exatamente. — Zack mostrou a tela de seu tablet para ele, e como sempre, Trey não fazia ideia do que todas aquelas informações significavam. Ele ergueu uma sobrancelha.

— O que é isto?

— Não vê? Meu sistema não encontrou absolutamente nenhuma informação sobre Sully. Isso é tão impossível de acontecer… não sei o que há de errado. — Zack parecia exausto. — Passei a noite verificando todo o sistema por erros ou vírus e tudo está absolutamente normal. Não entendo.

Hum. Isso era estranho. Zack era imbatível quando seu trabalho era encontrar informações. Como hacker, ele mesmo produzia sistemas capazes de rastrear dados de alto sigilo, e através deles, trabalhar sobre as missões da nave Imperatriz.

— Deixe isso por enquanto, Zack. Agora vá dormir um pouco para recarregar as baterias.

Zack assentiu e se levantou.

— Sabe…

— Hum? — Trey indagou.

O hacker abriu a boca para dizer algo, mas fechou e balançou a cabeça como se descartasse algum pensamento tolo.

— Deixe para lá.

Trey assentiu e o assistiu deixar a ponte de comando, se perguntando o que Zack queria lhe dizer, mas logo que voltou ao trabalho, esqueceu-se disso.

—*-*-

Morgana deixou o quarto depois que Kayllon caiu para mais um período longo de sono. Ela não compreendia totalmente a gravidez dos uranianos, pois quando estava grávida de Zachary, tudo o que queria fazer era se exercitar. Ela ergueu um braço e olhou emocionada para os seus músculos salientes.

Um pouco entediada, foi até o escritório de seu bom amigo Jack Scarlet, ela só não esperava encontrá-lo com um olhar triste e perdido. Quando ele a notou em sua sala, fez um som de surpresa.

— Morgana?

— Vamos lá, Jack. Sem rodeios, meu amigo. — Ela sentou-se na poltrona de frente para a mesa dele, que rangeu com o seu peso. — Diga de uma vez por todas o que está te acontecendo. Quem sabe eu possa ajudar.

Jack estava tenso e envolveu as mãos em seus cabelos, repuxando suas madeixas.

— Eu… não sei o que fazer, Morgana. Estou tão perdido.

— Eu vejo. — Ela se inclinou para frente e colocou os braços sobre a mesa pesada feita com o mesmo material do interior da nave. — Desde que Trey o recrutou da Federação dos planetas, você não tem sido o mesmo. Algo grave aconteceu, não é? E se estou certa, Trey também não sabe.

Jack assentiu.

— Eu… bem, não sei como explicar. — Ele passou a mão pelo queixo barbado e parecia mais velho do que realmente era. Talvez fosse a preocupação aparente em seu rosto. — Eu sou o outro pai do bebê de Kayllon.

Morgana assobiou pela surpresa.

— Whoa! Essa eu não esperava!

— Então. — Jack riu com embaraço. — Não vou dizer que foi um acidente, apenas… eu não esperava por isso. Não outra vez. Eu e Kayllon não tivemos nada mais do que uma noite de bebedeira, não era para ter acabado assim.

Morgana pegou a sua mão e a apertou na dela.

— Você acredita em destino? — Perguntou suavemente, sentindo-se inspirada em aconselhar.

Jack lhe deu um sorriso torto e um pouco triste.

— Muito pouco.

— Talvez seja a hora de acreditar em algo mais superior do que o seu mundinho, Jack. Talvez o que houve entre você e Kayllon tenha um significado muito maior do que o que você imagina. Acredite que tudo tenha um propósito, nada acontece por acaso.

Jack piscou atordoado e engoliu em seco.

— Acha mesmo isso? — Ele engoliu novamente.

— É claro. Quando tive Zack e percebi que seriam apenas eu e ele no mundo, achei que seria apenas dor e sofrimento. Mas eu aprendi tanto e Zack se tornou meu maior prestígio. Da mesma forma, você não se arrepende por Trey ter vindo ao mundo, não é?

Jack assentiu com um sorriso.

— Eu o amo mais do que a mim mesmo.

— É claro. Tudo aconteceu com um propósito especial. E talvez o que houve entre você e Kayllon tenha um significado maior. Pense nisso. Pode ser uma nova chance de mudar de vida.

Jack assentiu, e seus ombros caíram pelo alívio.

— O que será de Trey e Austin quando descobrirem? — Novamente perguntou preocupado. — Digo… sei que eles são adultos, mas tudo o que consigo imaginar é Trey ficando decepcionado comigo.

Morgana pensou um pouco, ela não sabia exatamente o que poderia acontecer. Trey era um pouco teimoso e provavelmente não imaginava seu pai se estabelecendo em um relacionamento e ainda tendo outro filho.

— Para ser sincera, Jack, não sei o que vai acontecer se ele souber. Mas você não tem muita escolha senão contar a ele, não é?

Jack assentiu.

— Espero ter ajudado. — Morgana apertou sua mão outra vez antes de soltá-la. — Sabe que pode contar comigo sempre.

— Obrigada, Morgana. — Jack lhe deu um sorriso agradecido e Morgana saiu de lá satisfeita por ter feito o seu trabalho como conselheira.

—*-*-

A banheira estava maravilhosa, quentinha, confortável e Aquantis apenas relaxava depois de ter lavado os cabelos. Seus pensamentos viajaram pelas lembranças do dia anterior e de como beijou Trey. Suas bochechas queimaram vermelhas ao pensar em sua coragem para beijá-lo.

— Céus… eu consegui! — Ele soltou um gritinho feliz e mergulhou, para sair e rir de si mesmo.

Ouviu o baixo ranger da porta do banheiro deslizando aberta.

— É você, Trey? — Perguntou envergonhado. A relação deles já estava no nível de se banhar juntos? Não que Trey já não o tivesse visto nu antes, ele até o ajudou a tomar banho algumas vezes quando estava doente. — Tem alguém aí?

A cortina de repente foi aberta por… Dominic.

— Dominic? — Aquantis suspirou aliviado. Mas ao olhá-lo novamente percebeu que algo estava errado. O nariz de Dominic estava sangrando. — O que te aconteceu? Você está bem? — Perguntou em pânico. Foi para se levantar da banheira e verificá-lo, quando Dominic o atacou. As mãos dele indo diretamente para o seu pescoço.

— Socorro! — Gritou. — Socor… — E Dominic o empurrou para dentro da água.

— Você vai morrer, Blue. — Sua voz era fria e sem emoções.

— Socorro! — Aquantis gritou mais uma vez desesperado. Os olhos de Dominic estavam apagados, sem brilho algum, e seu nariz não parava de sangrar. Ele se debatia, mas não conseguia se forçar a sair do aperto.

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler Lost Blue ♥