Lost Blue
14 Capítulo 14 - Culpado
Notas iniciais
— Venha para a cama. — Disse o comandante Gavrel da nave pirata Margosha. Sua voz era rouca e denunciava que estava sonolento.
Keesa não sabia o que raios esperar dessa ordem. Talvez seu dono queria fazer “coisas” com ele que provavelmente fossem machucar. Ele lembrou-se da última vez em que Gavrel o mordeu em seu pescoço e sugou freneticamente seu sangue. Era para ter doído e ele gritado aos quatro ventos por sentir-se ser devorado por uma criatura horrenda, mas não, a sensação tinha sido a melhor de sua vida e por mais medo que sentisse, não iria negar sentir aquilo de novo.
Kimm, a mulher loira e com o semblante perigoso que trabalhava para Gavrel, tinha lhe dito que o comandante era seu melhor amigo, e para Keesa não confiar no que as outras pessoas diziam a respeito dele.
Askell, por outro lado, disse logo quando o pegou em Exórdio, que o líder pirata era violento e que Keesa poderia não durar nas mãos dele.
Pensou em conversar com os gêmeos, que agora eram pets de Askell, mas ele ainda não tinha recebido permissão para sair do quarto.
Levantou-se um pouco trêmulo, a roupa que vestia — uma camisola que mais parecia um vestido meio transparente até as coxas — não o protegia do frio. E mesmo que a lareira estava acesa, ele ainda podia sentir os pés e as mãos geladas.
Quando chegou à cama, Gavrel puxou os cobertores e deu espaço para Keesa se deitar. O colchão era tão maravilhoso, era o melhor que já tinha sentido contra o seu corpo em muito tempo. Ele afundou na maciez. Queria se cobrir para se manter mais quente e confortável, porém Gavrel empurrou as cobertas para trás. Ele estava deitado de lado, olhando-o sem reservas. Não havia o tapa olho para atrapalhá-lo, por isso Keesa identificou a diferença de tons de cores em ambos os olhos.
Ele era tão lindo.
Quando notou que estava olhando demais para o seu dono, e sabia que não era permitido fazer isso no mundo pet, abaixou seu olhar e se remexeu nervoso.
— Há algo em você, pet, que o torna muito diferente dos demais.
A mão de Gavrel tocou sobre o peito de Keesa e descansou lá por um momento. Sua respiração se tornou um pouco mais errática.
— O-O quê? O que há de diferente em mim? — Perguntou em um fio de voz.
— Por que está com medo? — Gavrel indagou ignorando a pergunta de Keesa.
— Porque… — Tornando-se ainda mais nervoso, ele olhou nos olhos de seu amo e não viu nada lá que fosse ameaçador, na verdade, parecia haver uma máscara que não lhe permitia ver quaisquer emoções no rosto do comandante. — E-Eu não sei.
Se ele dissesse que estava com medo de Gavrel bater nele, bem… não fazia ideia do que poderia acontecer. Talvez o pirata riria dele e o xingaria de nomes horríveis, ou talvez ele realmente provasse a Keesa que pode bater bem forte.
Não imaginava um dia ver o homem revirar os olhos.
— Foi Askell não é? — Gavrel sentou-se na cama, passando as mãos por seus cabelos revoltos. Eles pareciam ser macios, de cor castanho e um pouco abaixo dos ombros. Eram volumosos e meio ondulados, Keesa queria um dia tocar neles, se fosse possível.
— O quê? — Saiu de seus devaneios.
— Foi ele que te disse coisas sobre mim, não é?
Bem… não é como se Keesa pudesse negar isso. Askell dizia ser o melhor amigo do líder.
Ele assentiu.
Gavrel fez um som como o grunhido de um animal, era quase fofo.
— Disse que eu sou violento?
— Sim. — Respondeu baixinho.
Gavrel grunhiu outra vez, indignado.
— Ele não estava totalmente errado. — Keesa gelou os ossos. — Eu tive uma vida dura… não que você precise saber dela. Eu trato cada um da forma que merece. Askell é meu bom amigo, confiável, mas tem os seus defeitos, o que me faz ter que colocá-lo na linha.
Keesa estava bastante surpreso por ouvir Gavrel falar. Eles nunca realmente tiveram uma conversa antes e… de certa forma sua voz rouca e grave era como melodia para os seus ouvidos. Ele se pegou ouvindo com atenção cada palavra.
— Você o machuca? — A pergunta saiu antes mesmo dele se policiar se era seguro dizer algo.
— Não exatamente. — Gavrel olhou para ele. Seus olhos fixos, que mal piscavam. — Eu já tive muitos pets antes de você. Um deles tentou me envenenar, o outro escondia uma faca debaixo do tapete e tentou me esfaquear mais de uma vez. E teve mais um que realmente achou que poderia me seduzir e me roubar. Eu nunca encontrei um pet que fosse honesto e bem comportado. Todos eles eram ruins e eu dei a eles o que mereciam.
Keesa engoliu em seco, mas não por estar com medo. Ele não se via no lugar de nenhum desses pets assassinos. Por mais que fosse apenas considerado um animal de estimação que tinha sido comprado por um valor bem alto, tudo o que ele esperava agora era ter paz. Ele também não queria ser forçado a nada, mas não sabia se algum dia poderia querer matar alguém.
— Eu não sou como eles. Não vou tentar te fazer mal.
Gavrel não respondeu, mas algo em seus olhos lhe disse que ele sabia disso.
— Pet…
— Me chame de Keesa. — Ele disse cautelosamente. — Se quiser.
Gavrel assentiu. Sua mão voltou ao peito de Keesa e ele o fez recostar-se na cama outra vez e se inclinou em uma mão, olhando-o. Aquela mão continuou lá, mas fez uma leve pressão com os dedos, como se quisesse acariciá-lo, mas sem se permitir a isso.
— Estou faminto.
Keesa engoliu duramente.
— Que-Quer que eu traga algo…?
— Não isso. Quero me alimentar de você.
Ouvir aquilo fez cada pelo no corpo de Keesa se levantar. Gavrel não o tinha repreendido por olhá-lo nos olhos antes, então olhou para ele tentando ler alguma emoção. Não disse nada, mas estendeu o seu pescoço como se lhe desse permissão e deitou-se de lado e mais perto.
Gavrel envolveu os braços ao redor da cintura de Keesa e o trouxe mais próximo até que seus corpos estavam unidos.
Keesa o sentiu quente contra ele, de forma que o fez endurecer rapidamente. Gavrel afundou seu rosto na curva de seu pescoço e o cheirou longamente.
— Amo o seu cheiro. — Murmurou entre grunhidos. Keesa não tinha certeza se ouviu certo, em seguida dentes perfuraram o seu pescoço e todo o ar deixou seus pulmões quando ele ofegou. A doce sensação transpassou todos os nervos de seu corpo e se projetaram principalmente na virilha. Seus dedos dos pés se contorceram quando o orgasmo eclodiu dentro dele. Sêmen quente e pegajoso manchou sua roupa, mas ele não se importou com isso. Seus sentidos adormeceram enquanto ele estava preso na névoa de prazer.
Gavrel afastou seu dentes e lambeu a ferida. Ele fez um som de contentamento, como se tivesse tido a refeição mais deliciosa de sua vida.
— Eu tenho mesmo muita sorte, Keesa. Pensei que jamais encontraria alguém como você neste universo inteiro. — Ele tocou a bochecha de Keesa e se aproximou para beijá-lo. Foi suave e singelo. — Por favor não vá embora. Fique comigo.
Não sabia o que era esse sentimento que de repente aflorou em seu peito. Mas ele já não estava com medo. Ele estava confiando em Gavrel dessa vez.
Um sorriso brotou em seus lábios e ele foi beijado outra vez. Gostaria muito de ser beijado de novo e de novo, mas ele estava de repente tão sonolento. Fechou os olhos e desta vez sentiu os lábios de seu comandante sobre eles, então adormeceu.
—*-*-
Parecia que ele tinha dormido por décadas.
Kayllon abriu os olhos lentamente. O tormento havia passado, ele teve tantos pesadelos que não podia contar. De qualquer forma, ele estava tão fraco que seria incapaz de levantar da cama.
No entanto, quando abriu os olhos, não esperava estar em um quarto completamente diferente do seu. Ele olhou para o lado e a pessoa que ele menos esperava ver estava lá.
Jack estava lindo como sempre tinha sido, talvez até um pouco mais.
Seus cabelos negros estavam penteados para trás, ainda tinha a barba bem aparada e parecia bom o bastante para comer com as calças pretas, a camisa de manga longa escura e coturnos. Ele retirou o pano que estava na testa de Kayllon. Nem mesmo havia notado que havia algo em sua testa antes.
— Até que enfim resolveu acordar. — Ele disse com humor. — Estive preocupado.
Kayllon queria estar com raiva e mandá-lo à merda, mas ele simplesmente não podia fazer isso. Ele amava Jack, sempre amou, e seu coração estava gritando apenas por ele estar ali cuidando dele.
— Onde estamos?
— Na nave Imperatriz.
— O quê? — Kayllon tentou se levantar, mas Jack não permitiu. — Quanto tempo estive dormindo?
— Não sei dizer quanto tempo esteve dormindo em sua casa, mas desde que trouxeram para cá já fazem dois dias mais ou menos.
Kayllon não estava acreditando.
— Você precisa descansar. O médico nos disse que está na fase inicial ainda e que vai precisar de cuidados extras por causa da mudança em seu corpo. Eu não entendia muito bem sobre uranianos, mas pesquisei, de forma que você vai me ver muito de agora em diante, porque quero cuidar de você… e do bebê.
Kayllon sorriu para as palavras de Jack. Ele não sabia se eram realmente sinceras ou não, mas decidiu confiar por hora. Não queria carregar preocupações enquanto estava doente. Saber que não estava sozinho de repente foi o maior alívio de sua vida.
— Austin me trouxe aqui?
Jack mordeu o lábio inferior.
— Trey e Zack o trouxeram aqui.
— Austin está bem?
Jack assentiu.
— Onde ele está? — Mais uma vez Kayllon estava ficando preocupado.
— Aqui, pai. — A porta tinha deslizado automaticamente e Austin entrou com a ajuda de Zack.
— O que houve, filho?! — Kayllon indagou com aflição.
— Eu estou bem, pai. Apenas me machuquei um pouco quando resolvi ajudar Trey e Zack em um trabalho. Mas estou curando. Agora vamos falar de você. Sente-se melhor?
Kayllon assentiu com um sorriso e olhou para as costas de Jack quando ele saiu da sala. Embora quisesse muito falar com seu filho, sentiu uma pontada de decepção por ver o outro sair.
— Estou bem, querido. Por que me trouxeram para a nave de Trey?
— É uma longa história. Prometo que vou lhe contar os detalhes se me dizer o que raios está havendo com você? — Austin sentou-se à beira da cama.
— Eu vou sair. Se precisarem de mim é só me chamar no comunicador. — Disse Zack.
Kayllon esperou Zachary sair do quarto para perguntar:
— Eles não disseram a você?
— Não. Apenas me disseram que não tinham esse direito. Agora me conte o que é. Não faz ideia de quão preocupado fiquei.
Kayllon lhe deu um triste sorriso. Ele não sabia como dizer isso, como contar a verdade de uma maneira que não fizesse seu filho surtar.
— Ah, bem… como eu posso dizer? — Ele sentou-se na cama com um pouco de dificuldade. Austin o ajudou a colocar os travesseiros atrás de suas costas. — Você terá um irmãozinho.
Seu filho piscou diversas vezes e parecia chocado o bastante para responder.
— Eu estou grávido, por isso passei mal.
Temia que seu filho não aceitasse. Ele baixou os olhos olhando para suas mãos. Realmente temia que fosse ser rejeitado por quem mais amava no mundo todo.
— Oh pai… — Austin não parecia triste, porém ainda chocado. — Como isso aconteceu? Digo… quem é o outro pai? Eu não sabia que estava namorando alguém. Por que não me contou?
Lágrimas se agruparam nos olhos de Kayllon e ele até tentou respondê-lo, mas tudo o que saiu foram sons de lamúria. Austin o abraçou com ternura e o balançou suavemente.
— Calma, pai, está tudo bem. Eu estou aqui com você.
— Pensei que… pensei que iria perdê-lo. — Choramingou.
— Me perder? — Austin soltou uma risada. — Jamais me perderia. Sabe que eu te amo, não é? Te amo mais que qualquer coisa no universo inteiro. — Austin se afastou apenas para pegar as mãos de seu pai e beijá-las. — Você é o homem mais importante da minha vida.
Agora Kayllon não podia acalmar o choro. Por que ele tinha que dizer tal coisa quando estava tão sentimental?
Ele realmente tinha o melhor filho do mundo.
— Vamos, se acalme, sim? — Austin beijou sua bochecha e abriu a gaveta para resgatar um lenço e enxugar suas lágrimas. Ele também tinha chorado, mas parecia não se importar com as lágrimas.
— Estou mais calmo. — Kayllon respirou fundo depois que a onda de lágrimas passou.
— Agora vai me dizer o que houve? Quero saber.
— Eu sei que quer saber. — Suspirou. — Olhe, eu não estou pronto ainda para lhe contar quem é o outro pai da criança, só… dê-me algum tempo, okay?
Austin provavelmente não gostou disso, ele semicerrou os olhos para ele.
— Eu sabia que um dia você iria esquecer de uma vez por todas o voto de castidade, pai. Não o julgo por isso. Na verdade, estava até preocupado em ter que te ver sozinho pelo resto da vida. Você merece alguém, alguém que seja bom e que te ame de volta, que possa cuidar de você melhor do que eu faço.
Kayllon sorriu. Se ele soubesse… se apenas soubesse que o mesmo tinha se repetido de quando ele nasceu.
Simplesmente engravidou e de repente estava sozinho no mundo para cuidar de um bebê, sem o outro pai para apoiá-lo em todo o caminho.
Austin deve ter notado que algo não estava bem.
— Você não tem um namorado, não é?
Olhando-o, Kayllon assentiu com pesar.
— Foi o caso de uma noite.
O silêncio pairou no quarto, até Austin agarrar suas mãos com mais força e se inclinar até estar bem perto. Ele beijou seu rosto e olhou-o com carinho.
— Não importa. Agora você tem a mim. Sou seu filho mais velho e você me ensinou melhor do que ninguém como ser um homem de verdade. Vou apoiá-lo sempre.
Kayllon assentiu, mais aliviado dessa vez. Ele realmente tinha criado bem seu filho.
Quando Austin o puxou para abraçá-lo mais uma vez, Kayllon chorou de novo.
—*-*-
Quatro dias se passaram desde que Austin tinha ameaçado fazer de Sully o seu pet pessoal. Não que ele fosse permitir tal coisa. Ele não seria escravo de ninguém.
Embora a ideia fosse um pouco tentadora, já que ele tinha uma certa fraqueza por livros de romance que retratavam amo e pet, ele não pensava em um dia ser um. Ele simplesmente não servia para isso, muito menos para o romance ou para o sexo.
Ele era apenas um Blue comum que foi para o espaço em busca do irmão, e não em busca de realizar suas fantasias mais obscuras.
Não fazia a mínima ideia de onde estavam, mas só sabia que bem longe de Vettore e da nave-mãe da Federação dos Planetas. Enquanto Trey e os demais estavam reunidos na ponte de comando, Sully, que não estava interessado em ouvir baboseiras sobre a fuga deles, foi a cozinha procurar o que comer.
Ele não podia esperar até o jantar, estava faminto.
Quando chegou lá, Dominic estava preparando panquecas. Oh bom Dominic, que bom tê-lo nesta nave.
— Cheira maravilhoso!
Dominic pulou e olhou-o surpreso.
— Nossa, você me assustou, Sully!
— Desculpe. Não sabia que cozinhava. — Aproximou-se olhando a panqueca na frigideira. — Estou faminto.
— Está quase pronto. — Dominic virou habilidosamente a panqueca no ar. — Posso lhe pedir um favor?
— Claro. — Sully esperou. Dominic demorou a pensar o que iria pedir, até que disse:
— Preciso da receita de um molho para panquecas que está na gaveta de Zack. Eu guardei dentro de uma pasta azul, pode me trazer a pasta? Acho que tem mais receitas lá para eu escolher.
Sully assentiu. Não viu problemas nisso e quase foi saltitando, mas se recompôs.
O corredor estava vazio já que todos estavam reunidos discutindo assuntos chatos. Por outro lado queria muito comer primeiro que todos as panquecas deliciosas de Dominic.
Ele entrou no quarto e olhou ao redor para a organização do local. Rapidamente abriu a gaveta do criado mudo e retirou a pastinha.
Ele se atreveu a olhar dentro. Havia uma série de documentos cheios de números, informações que ele não entendia para que serviam, mas não encontrou nada sobre receitas. Apesar de não procurar direito.
Poupando-se da procura, ele simplesmente pegou a pasta e saiu para o corredor. Morgana estava do outro lado prestes a entrar no quarto dela. Ela acenou para ele de forma um pouco estranha.
Sully caminhou de volta para a cozinha, mas não encontrou Dominic. As panquecas já estavam prontas e o molho feito. Ele deve ter demorado muito para Dominic não usar sua receita.
Seu quarto era mais próximo da cozinha, por isso deixou a pasta por lá, em cima da mesinha de cabeceira para devolver depois de comer. Não iria demorar muito.
—*-*-
Aquantis estava observando a capacidade de Trey em comandar uma nave.
— Como não podemos voltar para o Pentágono Saturniano, preciso que Austin encontre qual a melhor alternativa para fazermos as compras dos suplementos da nave.
Ele era tão bonito falando.
E forte.
E tão inteligente.
— Aqua? — Zack acenou na frente dele e Aquantis corou as bochechas. Droga, não queria ser pego apenas admirando seu comandante. Isso era tão errado!
— De-Desculpa. Estava distraído.
Zack assentiu, olhando-o com uma estranha expressão que dizia “sei… sei bem em que estava se distraindo, garoto”.
— Zack. Quero que verifique todas as contas bancárias e faça a listagem de compras com a porcentagem que cada um vai gastar. — Trey ordenou, alheio aos olhares de Aqua.
— Sim, Trey.
Aquantis se virou olhando o enorme telão na frente dele. Não era nada menos do que a janela frontal. Havia trilhares de estrelas por todos os lados. Podia ver dois planetas mais próximos, um esverdeado com uma faixa marrom, e outro azul turquesa com uma série de anéis em torno dele. Ele pulou no momento em que ouviu Zack amaldiçoar alto o bastante para todos ouvirem.
— Maldição! Merda! Merda! O que diabos aconteceu aqui?! — Zack tocava em seu tablet loucamente.
— Algum problema? — Perguntou Trey.
— A minha conta bancária foi esvaziada!
Todos fizeram uma careta.
Que Aquantis soubesse, seu amigo hacker tinha muito dinheiro guardado. Principalmente da missão em que resgataram ele.
— Será que não foi a Federação? — Perguntou Morgana. — Talvez ela conseguiu permissão de acessá-la.
— Não… isso não faz sentido. — Zack passou a andar de lado a outro e precisou pegar sua bombinha para respirar.
— Zack, vamos nos acalmar, por favor. — Austin tocou o ombro dele e apertou suavemente, — Deve ser algum engano. Tente acessá-la mais uma vez.
Zack atualizou sua conta em seu tablet, mas dizia a mesma coisa. Ele correu para fora da sala e todos o seguiram pelo corredor até a ala dos quartos. Aquantis o viu entrar no quarto dele e iniciar uma procura louca. Dominic tentou ajudá-lo.
— O que está acontecendo? — Perguntou Sully baixinho para ele.
— Alguém roubou Zack.
Sully fez uma careta.
— Credo. Quem poderia ser?
— Eu não sei. Mas roubaram tudo o que estava no banco.
Sully cruzou os braços sobre o peito e observou o desespero de Zack, assim como Aquantis. Afinal, o que eles poderiam fazer?
Zack abriu a gaveta do criado mudo e no mesmo momento parou. Ele se ergueu e olhou para Trey.
— Minha pasta… desapareceu.
— Tem certeza? Será que não a colocou em outro lugar? — Trey olhou ao redor.
— Não. Tenho certeza que estava aqui. Eu ainda mexi nesta manhã e a guardei neste mesmo lugar.
Trey olhou para cada um agora e seu olhar perdurou em Sully que estava ao lado de Aqua.
— Por que está olhando para mim? — Sully tinha olhos enormes. — E-Eu… não fiz por mal, ap-apenas pe-peguei para Dominic. — Apontou para Dominic que arregalou os olhos em surpresa.
— Mas por que pra mim? — Dominic perguntou.
— Oras, você me pediu a pasta, não faz nem uma hora atrás!
— Mas eu não pedi nada. — Dominic olhou desentendido. — Eu estava fazendo panquecas para o café da tarde.
— Você me pediu a pasta porque tinha a receita do molho das panquecas! — Sully estava desesperado. — Eu juro! Juro que foi ele!
— E como explica isto que estava no seu quarto, garoto? — Morgana entrou e mostrou a pasta azul. — Podem consultar as câmeras. Eu o vi entrar em seu quarto, filho, e levar a pasta com ele.
Aquantis se sentiu mal por Sully, mas o que ele poderia fazer? Tinha sido muito errado da parte dele ter feito isso. Só esperava que Sully devolvesse o dinheiro de Zack e que sua punição não fosse tão ruim.
Quando ele olhou para o rapaz de cabelos cor de salmão e viu o desespero nos olhos dele, de alguma forma acreditou que ele era inocente. Mas as provas diziam o contrário e ele não podia ajudar. Ele olhou para Trey, Zack e Austin, e o ódio que viu nos olhos deles realmente o assustou.
Continua...
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