Lost Blue

10 Capítulo 10 - Impasse


Notas iniciais
Olá meus amores *-* Finalmente mais um capítulo mais vocês! Quase cochilei durante as revisões, mas consegui terminar com sucesso hahaha Espero que gostem, Boa leitura!



— Vista isto. — Askell entregou uma bata branca, transparente demais para o seu gosto.

Keesa pegou a vestimenta e levemente acariciou o tecido. Macio, pensou.

— Vista estas sandálias também. — Mostrou os calçados de couro marrom. — São de um dos antigos animais de estimação de Gav, vai proteger seus pés do pó. Mas lembre-se, fique descalço quando estiver no quarto. Você tem suas próprias roupas também, Gavrel tem um guarda-roupa só para você.

Vestindo-se rapidamente, Keesa não gostou de como as roupas ficaram indecentes nele. Mesmo que a bata fosse até os joelhos, o tecido branco era quase vítreo e por baixo não tinha nada para cobrir suas partes íntimas.

— Ficou bom. Você parece melhor do que quando o encontrei. — Askell comentou enquanto coçava o queixo espinhando. — Gav vai gostar de você. Espero que ele queira mantê-lo. Ele já vai me dar seus dois pets. — Ele sorriu engraçado.

Keesa não entendia como alguém podia manter dois escravos ao mesmo tempo, mas não quis discutir o assunto. Askell abriu a porta do banheiro e eles saíram para o corredor.

— Deixe eu colocar sua coleira. — Ele mostrou a coleira de couro novinha em folha. Keesa se aproximou e rapidamente foi colocado em seu pescoço, então a corrente foi anexada e Askell o guiou consigo em uma direção.

— Onde estamos indo? — Perguntou baixinho.

— A ponte de comando. Vou levá-lo para conhecer seu novo dono. Gav vai ficar feliz. — Ele disse a última frase em um cantarolar.

Enquanto Askell parecia feliz com isso, Keesa sentia frio até os ossos. Perguntava-se como o comandante da nave Margosha seria. Um ogro grande e feio? Um homem cheio de cicatrizes e faltando uma perna? Era um pirata, sem sombra de dúvidas, e um bem maligno. Keesa se pegou desejando que seu dono fosse Askell e não Gavrel.

Eles viraram alguns corredores e chegaram a um pátio largo com um carpete negro sobre o chão. A lataria das paredes, os canos e passagens de ar, lhe davam arrepios. Este lugar parecia tão sombrio, as poucas luzes não eram suficientes para lhe dar segurança a cada passo. Ele era um medroso por natureza, e certamente estava indo a se desafiar neste lugar gigantesco.

Um par de portas de aço se abriram automaticamente, revelando um lugar mais iluminado e que aparentava mais limpo e mais moderno que o restante da nave. Com certeza aqui era a ponte de comando.

Askell o puxou cuidadosamente até próximo dos controles frontais. A parede era completamente tomada por vidro, dando a eles uma visão completa do espaço sideral a frente.

— Gav, trouxe o que pediu. — O punk disse muito bem humorado. — Acredito que vá gostar.

Homens trabalhavam em seus lugares contra os controladores e não desviaram suas atenções para eles. Na poltrona principal, alguém que certamente lhe mostrou maior superioridade, levantou.

Keesa olhou para seus pés, certamente temendo o encontro.

— O que é isto? — Ouviu o homem perguntar. Ele tinha uma voz grave, que ecoou pelo vasto recinto. Keesa se arriscou olhar apenas um pouco e… uau.

— Você não vai acreditar. — Askell entregou a corrente nas mãos do comandante. — Um ser humano de sangue puro! — Enfatizou as últimas palavras.

Gavrel sorriu de canto, mostrando dentes perfeitamente brancos.

— Ótima escolha então, Askell.

— Então os gêmeos são meus? — O punk perguntou com empolgação. Gavrel apenas assentiu. — Perfeito!

— Vejamos… — O comandante se aproximou de Keesa e tocou seu queixo, erguendo sua face para verificá-lo. Keesa aproveitou a chance para observar como seu dono era mais de perto. Não entendeu por que os olhos dele se arregalaram por um momento. Olhos não… olho, porque o outro estava misteriosamente com uma tampa sobre ele. E ao redor desse olho escondido — se havia um — diversas cicatrizes subiam para a testa e desciam pela bochecha. Seus lábios eram cheios e ele tinha uma beleza exótica, diferente, uma beleza rústica. Seus cabelos estavam desalinhados como se não os tivesse penteado em um longo tempo. Sentiu uma imensa necessidade de tocá-los, contanto se absteve. — Nada mal. — Concluiu.

— Eu disse, Gav. — Askell parecia feliz, até o comandante o pegar pelo pescoço e erguê-lo.

— Já lhe disse para não me chamar assim. — Rosnou entre os dentes.

— Cl-Claro, comandante. — Askell respondeu difícil e então foi solto, tossindo.

— Leve-o para os meus aposentos. Vou lidar com ele mais tarde.

— Sim, senhor.

Askeel puxou Keesa consigo rapidamente e o levou para fora da sala de comando. O punk de moicano verde e vários piercings na face estava tão bem-humorado que nem se importou com o fato de quase ter sido esganado na ponte de comando.

— Keesa, você surgiu em um bom tempo. — Ele cantarolou. — Graças a você, agora tenho dois pets gêmeos muito graciosos, só para mim!

Keesa ergueu uma sobrancelha.

— Fico feliz se sou útil para alguma coisa pelo menos. — Murmurou baixinho. Feliz, por que em breve viraria patê de Keesa.

— Aqui está, o quarto do comandante que também será seu de agora em diante. — Askell abriu caminho para uma porta que se abriu automaticamente. O quarto de Gavrel era completamente diferente do que tinha imaginado, um verdadeiro contraste com o restante da nave. — Você pode ficar a vontade, só tente ser um bom garoto.

— Askell? — Chamou baixinho.

— Hum? — O outro lhe olhou questionador.

— Obrigado. — Disse sinceramente.

Os olhos de Askell brilharam por um momento e ele desviou o olhar.

— Por que diabos está agradecendo? Eu não fiz nada além de trazê-lo até aqui… onde é praticamente uma prisão.

Keesa abaixou seus olhos e deu de ombros.

— Você foi gentil comigo. Isso basta.

Askell lhe deu um longo olhar, embora Keesa estivesse mais interessado em ver suas mãos trêmulas.

— Bem… se comporte para tudo ocorrer bem. Se precisar de ajuda, meu quarto é no andar de baixo. Os gêmeos estarão lá… eles podem gostar de você. E... — Disse antes de sair. — Não deixe o quarto se Gavrel não permitir, não o desobedeça, senão seu castigo não será nada bom.

Keesa assentiu enquanto engolia em seco. Askell deixou o quarto e agora ele se sentia muito mais apreensivo. Estava sozinho em uma nave-mãe desconhecida, onde em breve seu dono viria para usá-lo.

Alguns pets gostavam do que era, de ter donos e serem mandados, mas Keesa nunca sentiu o desejo de se submeter a ninguém, mesmo que nunca foi independente ou autoritário em nada.

O quarto de Gavrel era o oposto dos corredores ou a ponte de comando. As paredes eram cor de areia, havia uma parede inteira de vidro com visão para o espaço, cortinas tapando a visão de metade dela. A cama era dossel e negra, cuja cor Keesa nunca tinha visto em um leito antes, até mesmo os lençóis eram dessa cor e os diversos travesseiros. Seu estilo era bastante antigo, o lembrou dos móveis que os humanos usavam onde viveu em sua infância na colônia espacial.

O guarda roupa era embutido na única parede de cor vinho. Tinha uma porta para o que era provavelmente o banheiro, uma saída de ar mais acima dela, um lustre brilhante que provavelmente fosse de bronze pendendo sob o meio do quarto.

Fora os abajures sobre as mesinhas de cabeceira, não havia nada de grandioso. Nenhum quadro, nenhuma escultura, e mesmo assim o quarto parecia bom o bastante e bonito. Um pouco gótico para o seu gosto.

Keesa deu um passo em direção a cama, como se temesse se mover dentro do cômodo. Pelas coisas que Askell lhe disse à respeito de Gavrel, seu novo dono, estava com muito medo que ele fosse lhe machucar muito pior do que fizeram na colônia onde esteve antes. Os soldados que o mantinham sempre lhe castigavam por cada pequena coisa, cada pequeno erro, e ele chegou a pensar que não sobreviveria, sua alma tinha se tornado gosma, seu coração afundado e desaparecendo.

Mas aqui ele estava. Nem mesmo precisou lutar, só aceitar o destino.

Ao menos estou longe daquele lugar… E ele não sabia se era bom ou ruim pensar isso.

Vencendo o primeiro receio, Keesa sentou-se a beira da cama e suspirou com o pequeno conforto do acolchoado macio. Isso era bom. E foi então que se ateve em farejar o ar ao redor dele. Havia um suave aroma amadeirado com um pouco de vinho escuro, era um cheiro muito gostoso e ele se pegou pensando ao que pertencia.

Seu rosto acabou encontrando um travesseiro e ele fungou forte o aroma inebriante.

— Bom… — Murmurou para si mesmo. Nem mesmo tinha notado que estava se fundindo a cama, abraçando ao conforto maravilhoso e ao cheiro que o levou a cochilar em instantes.

—*-*-

Aquele era um sonho. Sabia disso porque de alguma forma, durante ele, ainda era ciente de sua situação. Que aquilo que seus olhos observavam não era nada real.

E ele sabia que de alguma forma mais pessoas estavam observando o mesmo que ele.

Aquantis olhou com seus enormes olhos azuis ao redor. Ele estava debaixo de um carvalho gigantesco. A julgar por sua aparência, ele tinha centenas de anos. Embora seu tronco fosse todo retorcido e galhos para todos os lados, raios de luminosidade atravessavam a copa extensa e dançavam com a sombra. Suas folhas eram azuis. Aquele era o verdadeiro símbolo de Lost Blue, a gigantesca árvore azul.

A grama abaixo de seus pés descalços estava confortável e ele poderia rolar sobre ela para sempre.

Como não queria acordar daquele sonho.

Entretanto, apesar de sua paz ao ver tudo aquilo, ao ouvir os pássaros cantarem e o som de uma cachoeira próxima, algo de muito importante lhe fazia falta e ele não sabia o que era.

Caminhou em torno da árvore, escalando as raízes imensas para atravessar de lado a outro. Haviam muitas outras árvores naquele lugar, até que ao chegar na parte oposta do carvalho azul, avistou um vasto campo florido.

Aquantis correu, descobrindo-se com uma extrema energia misteriosa.

Ele rolou sobre as flores, riu, e viu os pássaros dançarem no ar com seus cânticos alegres. O céu estava claro, alguns planetas mais próximos, outros mais longe, mal identificou se algum deles era alguma espécie de satélite natural.

Aquantis subiu para seus pés, descobrindo-se vestido com uma bata branca, sem desenhos, apenas algodão. Seus cabelos tinham crescido, na altura dos ombros quando os tocou, sentindo como eram macios.

— Senti falta deles. — Disse a si mesmo.

Estava descendo a colina depois de avistar um belo reino, ilhas flutuavam pelo céu com castelos, nuvens abaixo deles e uma vasta cidade tomava os vales e montanhas, além de algumas construções gigantescas, que faziam um contraste entre natural e futurístico.

— Uau! — Ele parou para observar tudo aquilo. — Isso tudo é Lost Blue?

Claro que para um planeta, aquele era apenas um pedaço. Ele não fazia ideia da dimensão que era o planeta azul.

Queria continuar sua corrida, alegre para ver o que mais o aguardava, quando seus pés perderam o tato, suas pernas adormeceram, e centímetro por centímetro de seu corpo foi se esquecendo de existir. A imagem se distorceu diante dele formando horríveis borrões negros numa imensidão esverdeada, até por fim sentir-se de volta a realidade.

— Teve bons sonhos? — O Doutor Straus estava na frente dele, mãos para trás e um sorriso diabólico em sua face medonha.

Aquantis arregalou os olhos, ele estava acorrentado, dentro de um cilindro enorme feito de vidro, ligado a dois grandes maquinários com diversas alavancas, botões e registros. Estava mergulhado em um líquido verde-escuro, que como um Blue, misteriosamente ele poderia respirar.

Quis dizer algo, mas sua voz não funcionava, seu corpo sentia-se fraco e dormente.

— Sabe o que é isso? — Perguntou Straus enquanto acariciava seus dedos sobre o vidro. — É uma nova composição que minha equipe criou, uma mistura de plutonium e artesia, componentes químicos que nós descobrimos recentemente em um dos planetas de nossa galáxia. Essa combinação nos possibilita retirar toda a sua energia, todo o seu poder, até não restar nada que possa utilizar, Aquantis. — Ele dizia sem mesmo piscar. — Com tudo o que recolhermos, a Federação terá uma arma invencível em mãos. Incrível não é?

— Senhor, está tudo pronto para iniciarmos o processo. — Disse uma das ajudantes impecavelmente vestida de branco, uma prancheta em mãos.

— Ótimo! — Respondeu ele com um sorriso enorme em sua face. — Aquantis, sabe o que significa tudo isso? Para que estamos tão empolgados em usar o seu poder? — Ele tinha aquele sorriso assustador — Poderemos render Lost Blue assim que encontrá-los. Você sabe, eles virão até você e é então que iremos agir. Seremos invencíveis. A Federação dos planetas terá todo o poder para sair além do Universo conhecido e expandir. Ninguém jamais viu ou verá um governo tão imenso e poderoso. Nem mesmo qualquer divindade poderá nos impedir disso.

Aquantis arregalou os olhos, se era possível deixá-los mais abertos. O que tudo isso significava? Lost Blue não tinha todo esse poder… teria?

Ele tinha que sair dali, ele não podia deixar que eles o usassem como bem queriam, não podia deixar que seu planeta fosse descoberto e destruído.

Queria tanto poder gritar pela frustração de tentar se livrar das malditas correntes e não conseguia.

Um dos ajudantes subiu a escada próxima dele sobre o maquinário, movendo algumas alavancas e abrindo dois registros, do outro lado uma mulher começou a tocar sobre um painel digital e alguns botões. O líquido em torno de Aquantis começou a borbulhar e alternar entre frio e quente. Pequenos choques atingiam cada parte de seu corpo, e sentia-se como se sua pele e músculos fossem arrancados. Os olhos de Aqua reverteram quando ele convulsionou pela dor.

—*-*-

— Não esqueça de conectar o comunicador. — Trey aceitou o aparelho minúsculo das mãos de Zackary.

— Obrigado. — Ele colocou em sua orelha direita. — Funcionando? — Ele ligou o dispositivo e Zack assentiu olhando para a tela de seu tablet.

— Olhe, temos apenas trinta minutos. Eu consegui burlar a segurança, me demorou horas depois que eles implantaram um novo sistema.

— Mas como sempre… ninguém pode bloquear o grande Zack! — Trey bateu em seu ombro, e seu amigo sorriu.

— É isso ai!

— Caras, está tudo certo? — Austin indagou assim que apareceu já vestido como os outros, roupa preta, tecido em couro, borracha e material protetor que além de dar flexibilidade para ajudá-los a se locomover, os protegeria caso a gravidade se ausentasse e era impenetrável caso fossem atingidos por raios lasers. — E Dominic?

Zack apertou a ponta de seu nariz, agindo um pouco estranho.

— Ele vai ficar com Morgana enquanto a nossa missão rolar.

— Seu pai? — Austin se virou para Trey.

O comandante soltou um rápido suspiro.

— Ele vai preparar o caminho para nós.

— Tem certeza que é seguro? — Austin perguntou isso antes diversas vezes. — Eu não sei, sabe quando algo não se sente bem?

— Você está nervoso. — Disse Zack. — Agora você está me deixando nervoso também.

— Nós não temos volta. — Trey apertou o pequeno botão próximo de seu pescoço em sua vestimenta e o capacete se estendeu para se adequar a roupa preta. — Aquantis precisa de nós.

— Okay! — Zack e Austin gritaram juntos, ambos ligando seus comunicadores e adequando seus capacetes.

A nave foi colocada sob repouso na extremidade baixa da nave-mãe da Federação dos Planetas. Eles iriam entrar por uma pequena falha encontrada. As turbinas inferiores. Pareciam entradas de ar com hélices gigantes.

A nave foi anexada e grudada fixa na estrutura da nave maior, em seguida mudando de sua cor escura para uma cor clara, praticamente se colocando em um estado de camuflação.

Eles flutuaram sem controle, até injetarem arpões para dentro da entrada ligado a cordas, então subiram rapidamente. As turbinas eram desligadas desde que a nave da Federação estava em pausa, apenas flutuando confortavelmente no espaço sideral.

Trey tomou a liderança e eles flutuaram para dentro até o motor. Zack era quem tinha o mapa, mas o trio já tinha decorado cada detalhe da nave em um intenso estudo para não se perderem e fracassarem no plano.

— Está fechada. — Austin apontou para a única entrada para o motor. Trey quis revirar os olhos com o óbvio.

Zack apertou em um dispositivo que parecia um relógio em seu pulso e um holograma 3D apareceu grande o suficiente para que todos vissem. O mapa completo da nave estava em azul brilhante e ele aproximou do local onde estavam, destravando a porta.

Uma sequência de entradas foram desbloqueadas e eles sorriram, rapidamente invadindo a nave-mãe.

Eles até cogitaram sobre a ideia de tentarem um plano entrando pelo saguão principal e se infiltrando com identidades falsas, mas era uma forma muito arriscada. Ainda mais quando Trey conhecia o segredo deles e provavelmente seria vigiado.

Eles não poderiam arriscar tal coisa.

Foi quando Zack teve a grande ideia que iria colocá-los rapidamente para onde eles queriam estar, o último andar da nave, onde provavelmente Aquantis estava sendo mantido.

Eles seguiram a trajetória de acordo com o que tinham planejado. Zack tinha feito uma lista de possíveis lugares onde encontrariam guardas da federação, burlou câmeras com imagens repetidas para não haver suspeitas inicialmente, mas eles estavam espertos, mais cedo ou mais tarde iriam ser descobertos e uma luta seria inevitável. Eles só precisavam estar bem preparados.

Trey tinha sua arma nas costas, assim como Zack e Austin carregaram as deles.

Não seria fácil chegar até o vigésimo sétimo andar se eles estavam ainda na parte inferior da nave, nos corredores que atravessavam as motores.

Eles encontraram a escada de segurança menos utilizada e se moveram o mais rápido e silenciosamente que podiam. Os sons dos motores eram mais altos naquela parte, e até certo ponto eles podiam simplesmente olhar para baixo e ver as engrenagens gigantescas se movendo lentamente umas com as outras. Era assustador.

— Eu não previ que subir escadas seria tão difícil. — Resmungou Zachary.

— Pare de reclamar e apenas suba. — Trey lhe deu um empurrão.

— Estou indo!

Parecia uma eternidade, e Trey sentia os músculos das coxas e panturrilhas protestarem, queimando e já enrijecendo.

— Ali está o elevador que falei. — Zack mostrou o elevador antigo, provavelmente estava parado há muitos anos. Embora a nave fosse impecável em sua maior parte, havia certas regiões que ela não via uma reforma há muito tempo.

— Será que essa merda funciona? — Austin entrou e assim que os demais já estavam dentro, pesquisou os botões certos e clicou. O elevador fez um barulho enferrujado, se moveu um pouco e parou.

— Droga! — Trey bateu na estrutura da coisa, e ela, como se tivesse ouvido, começou a subir.

— Vamos torcer para que ela permaneça assim até lá em cima. — Disse Zack cruzando os dedos.

Trey estava muito sem paciência. Ele com certeza não tinha esperado que o maldito elevador fosse tão lento em comparação com os outros elevadores da nave. Foi como uma eternidade até chegarem ao ponto que queriam, parando o elevador antes do último andar.

A ideia seriam as tubulações que Zack tinha descoberto que não eram mais utilizadas, após a última reforma há dez anos.

Eles pularam para os canos que mediam cerca de um metro e meio de diâmetro, e se arrastaram em meio a poeira nojenta para o ponto que o mapa indicava.

A ideia era não fazer barulho.

—*-*-

Havia algo em torno dele realmente doloroso, como aguilhões que espetavam sua carne atravessando muito lentamente até chegar do outro lado. Sentia-se como se estivesse sangrando tudo o que haveria para sangrar, e se pudesse estaria gritando até destruir suas cordas vocais. No entanto, quando ele acordou, nenhuma voz proferiu de sua garganta.

Olhou em torno de si e não havia sangue ou cortes profundos. Ainda estava naquele maldito aquário como se fosse um peixe sendo testado.

Aquilo não era água, eram componentes químicos que Aquantis desconhecia, apenas que eles lhe davam choques todo o tempo.

Quando a intensidade diminuiu, Dr. Straus veio até a frente dele no vidro, olhando-o como se estivesse orgulhoso dele.

— Nós terminamos. Não foi tão ruim, não é?

Aqua queria respondê-lo com um palavrão muito feio, embora ele desconhecesse a maioria deles. Tinha sido horrível, e durante a maior parte do tempo, o sonho bonito em que estava em Lost Blue se transformou em terríveis pesadelos onde ele tinha seu corpo sendo mutilado enquanto estava vivo e gritando, e tantas outras cenas horripilantes.

Mas havia algo estranho nele após tudo isso, algo dentro dele começou a ferver e ele não fazia ideia do que era. Straus tinha dito que o exame havia terminado, então por que sentia algo novo começando? E não era nada confortável. Seu corpo se moveu por conta própria, iniciando uma convulsão. Antes que a mente de Aquantis desviasse para muito longe, ouviu o cientista dizer:

— Agora isso que está sentindo são apenas os efeitos colaterais.

Continua...



Notas finais
Obrigada por ler Lost Blue ♥ Próximo capítulo promete muito mais, pode ter certeza! Até a próxima, beijinhos