Lost Blue
11 Capítulo 11 - Resgate
Notas iniciais
Se você não estiver competindo, não tem como você perder.
Só existe um verdadeiro concorrente na sua vida: e essa pessoa é você mesmo.
Seu único padrão de comparação deve ser o você mesmo de ontem.
Lute para ser melhor que ele, e mais ninguém.
Podemos cair na tentação de olhar a vida dos outros e comparar com a nossa, mas a verdade é que cada um tem uma jornada única nessa Terra redonda e julgar os seus bastidores com o palco dos outros é um erro fatal.
Henrique Lira
No momento em que Trey chegou ao corredor onde supostamente encontraria o quarto de Aquantis, não esperava dar de cara com Gavrel, o comandante da Nave Margosha, um dos piratas mais temidos de toda a galáxia de Órus.
— Céus, Gavrel? O que diabos faz aqui?
Por um momento o outro parecia surpreso ao vê-los ali, mas logo um sorriso puxou uma das comissuras de seus lábios.
— É bom vê-lo Trey. Já faz um tempo.
Três anos para ser mais preciso. Comparado com Gavrel, Trey estava apenas muito recentemente na vida de caçador de recompensas, e ele não era exatamente ilegal no que fazia. Mas Gavrel? Ele era realmente experiente nisso, e em todos os seus anos como pirata espacial, nunca foi apanhado.
— Espero que não esteja aqui pelo mesmo motivo que eu. — Disse Trey com os olhos semicerrados, uma nota de ameaça em sua voz.
O sorriso de Gavrel se alargou um pouco mais. Eles não eram inimigos, e até hoje nunca precisaram se enfrentar por qualquer motivo. E por conta de uma missão onde Trey precisou salvar o Valius, eles se tornaram amigos. Era uma longa história.
Trey queria dizer algo mais, mas Gavrel o puxou para fora do caminho, empurrando-o contra os seus amigos quando um baque pesado fez a porta de aço voar para longe de suas dobradiças, caindo completamente distorcida contra a parede.
O coração de Trey tropeçou quando o ar se tornou rarefeito, pressão constante foi apenas se elevando cada vez mais. Ele não teve tempo para olhar dentro e ver o que estava acontecendo, quando Zack e Austin o arrastaram dali desesperados. Gavrel e seus tripulantes fugiram para o corredor oposto.
Trey apenas teve tempo de ver sangue escorrer para fora do quarto em grandes quantidades.
— Aquantis… — Murmurou sem fôlego. — Eu preciso vê-lo.
— Nós sabemos! — Austin o empurrou para o chão. — Não podemos lutar contra ele, a única coisa que podemos fazer é vigiar e matar qualquer um que quiser se aproximar.
— O que diabos Gavrel veio fazer aqui justo hoje? — Zack se perguntou enquanto andava de lado a outro aflito. — Não me diga que veio por Aquantis também?
Trey lhe deu um olhar de desgosto.
Droga.
Laser vermelho atingiu o braço de Zack, sendo absorvido por suas roupas especiais. Ele rapidamente ativou o capacete outra vez, assim como os demais e eles pegaram suas armas quando soldados da Federação os encontraram. Todos vestidos de branco.
Havia muitos deles.
— Nós precisamos sair daqui. — Austin gritou no comunicador.
— Não sem Aquantis primeiro! — Gritou Trey.
A pressão do ar foi se tornando cada vez mais elevada, até certo ponto em que a gravidade foi a zero. Trey e seus amigos não tinham onde se segurarem desde que começaram a flutuar, e os guardas da Federação emitiram gritos mudos conforme eram sufocados com a falta de oxigênio. Alguns ainda arriscaram usar suas armas lasers, mas sem sucesso.
A primeira explosão aconteceu, e no mesmo momento, Austin abraçou seus amigos conforme destroços voaram para cima deles, os enviando para longe e batendo na próxima parede.
Trey abriu os olhos arregalados, a tempo de ver os olhos de Austin rolarem conforme ele desmaiou. Zack também tinha os olhos arregalados, e ele provavelmente teria uma crise de pânico.
— Austin! — Ambos gritaram em uníssono.
— Droga! Droga! Droga! Austin, não morra pelo amor de Deus! — Zack gritou no comunicador, agarrando seu melhor amigo. Mesmo assim ele continuou inconsciente.
— Ele não está morto. — Trey se permitiu examinar a pulsação dele. — Eu preciso que se mantenha em alerta, entendeu?
Zack não estava ouvindo, ele olhava para Austin em estado de pânico.
— Zachary Spencer, você está ouvindo?!
Zack olhou para ele e balançou a cabeça.
— Escute, cuide de Austin, mantenha-se em alerta. Não preciso que entre em pânico justo agora, você ouviu bem? — Seu amigo assentiu sem dizer nada. — Austin precisa de você! Me espere aqui até eu trazer Aquantis. Essa missão não será em vão.
Mesmo dizendo isso com tanta garra, seu coração estava na garganta.
Uma nova explosão, desta vez longe deles trouxe Trey para um estado de pânico contido. Ele não podia demonstrar isso para Zachary, pois seu amigo precisava ter forças para cuidar de Austin que tinha sacrificado a si mesmo para protegê-los.
Merda. Trey segurou a vontade súbita de chorar. Ele flutuou longe deles e de volta em direção a última explosão. Quando a gravidade novamente retornou, as luzes de emergência se acenderam e muitos alarmes tocaram ao mesmo tempo. Trey caiu em seus pés ouvindo os gritos ao longe e os sinais de evacuação. Naquele corredor só havia os soldados que foram mortos, destroços da explosão e em alguns pontos as chamas flamejantes.
Encontrou Aquantis. Ele estava caído e respirava dificultosamente, nu e sobre uma camada de vidro estilhaçado.
O comandante da nave Imperatriz ignorou os corpos, o sangue por todos os lados e a dimensão da destruição que Aqua causou, para agarrá-lo e retirá-lo de cima dos cacos de vidro, olhou para os cortes em sua face e no restante do corpo, notando que eram superficiais, pois não sangravam profusamente.
— Aqua, você está bem? — O garoto abriu os olhos, Trey não conseguindo esconder toda a preocupação e dor que havia nele.
— Trey… — Os olhos do garoto se encheram com lágrimas. — Tire-me daqui… por favor!
Trey assentiu. Ele o pegou em seus braços e se moveu para fora de toda aquela zona de guerra.
Soldados apareceram naquele momento, gritando ordens para atirar em Trey. Droga, Aquantis não tinha roupas especiais, sequer tinha roupas comuns. Não havia tempo para revidar. Contudo, os tripulantes de Gavrel foram muito rápidos em salvar a pele dele, gritando para ele correr de lá.
Trey apenas deu um último olhar no comandante da nave Margosha, recebendo um aceno de cabeça, antes de correr em direção aos seus amigos. Eles tinham que sair de lá o mais rápido possível.
Quando encontrou Zack e um Austin desacordado, eles estavam acompanhados de Jack, seu pai.
— Há uma nave de fuga esperando por nós na próxima abertura! — Ele gritou, os guiando pelos destroços até chegarem a parte da nave-mãe que estava completamente aberta para o espaço. O teor dos poderes de Aquantis eram realmente admiráveis, apesar de isso não ser exatamente bom.
A nave de fuga atravessou a camada de gravidade para pegar eles, dirigida por Morgana. Logo acima deles, Trey arregalou os olhos por ver a grandiosa nave pirata Margosha, expelindo matéria escura por todos os lados.
Assim que entraram na nave, Trey ouviu o chiado do comunicador, até uma voz familiar falar com ele.
— Comandante Scarlet, embora eu esteja em dívida com você e seus tripulantes, não estou desistindo da criança Blue. Espero que esteja ciente de que vamos nos encontrar novamente, em breve.
E o comunicador apitou desligado.
Droga, Trey não queria nem pensar que ainda enfrentaria Gavrel no futuro.
Tentou apenas se preocupar com as coisas daquele momento.
Austin estava desacordado ainda com Zack cuidando dele.
A nave em que estavam era realmente pequena, mas serviria.
— Como ele está? — A voz diminuta e trêmula de Dominic veio de algum lugar atrás de Trey. Ele não podia vê-lo, mas julgou que o saturniano parecia muito preocupado com Aquantis.
— Eu não sei. Ele não tem feridas profundas no exterior, mas não sei a que foi submetido dentro da Federação. Para ele ter reagido de maneira tão grave, provavelmente foram além do limite que Aqua poderia suportar.
Trey estava sentado no próprio chão, um manto sobre o corpo de Aquantis que permanecia em seu colo, a cabeleira azul contra o seu peito. Era estranho os cabelos de Aquantis terem crescido tão rapidamente. Em apenas poucos dias já tinham atingido os ombros.
— Morgana, e a Imperatriz?
A mãe de Zachary nem mesmo olhou para ele, muito focada em pilotar a nave e levá-los para longe.
— Está com Sully. Ele a levou para um ponto seguro. Vamos usar esta minha nave-cápsula até que possamos voltar.
— Você deixou minha nave com aquele desconhecido? — Trey perguntou incrédulo.
— Ele não é um desconhecido. — Morgana atirou de volta. — Ele é um bom rapaz. Dominic me deu a certeza disso, você sabe os poderes dessa criaturinha.
— Não sou uma criaturinha… — A voz diminuta atingiu uma nota, ofendido.
— Mas ainda sim, isso foi muito arriscado. — Trey apenas jogou a cabeça para trás com um suspiro resignado. — Zack, como é a condição de Austin?
Seu amigo Hacker e enfermeiro olhou para ele com lágrimas contidas. Trey não esperou por boas notícias.
— Ele vai ficar bem.
Alívio.
— Então por que está chorando?
— Não estou chorando, merda. — Ele se virou de costas para ele, fungando, e continuou a cuidar de Austin. — Pensei que fossemos perdê-lo.
Trey engoliu em seco. Foi muita sorte que todos eles estivessem vivos.
—*-*-
Aquantis piscou os olhos abertos após acordar de um súbito pesadelo. Sonhar com todo o processo pelo qual passou durante os últimos dias na Federação era demais para suportar.
Quando olhou ao redor foi uma surpresa não estar mais na nave-mãe, mas sim no quarto que Trey tinha dado a ele na nave Imperatriz.
Ele não sabia se ria ou chorava pelo alívio de finalmente estar livre.
Aqua olhou ao redor, notando que tudo estava do mesmo jeito de antes. Ele se ergueu para sentar-se, mas uma tontura o fez cair de volta com os braços sobre a cabeça. Não sabia o que tinha lhe ocorrido depois que desmaiou durante os “efeitos colaterais” que o Dr. Straus tinha comentado. Ele era um velho bastardo, exames como aqueles não existiam para pessoas comuns, eram feitos para machucar.
Na verdade… não podia considerar aquilo como exames. Eram estranhas experiências maquiavélicas com pessoas inocentes.
Aquantis era inocente…
Ele duvidou, e isso não foi bom.
O que ele estava fazendo aqui? Como veio todo o trajeto sem acordar? E por que seu coração parecia pesado como chumbo, com culpa sem que ele mesmo soubesse do motivo?
Sentou-se à beira da cama, espantado ao notar a parede de vidro com suas cortinas recolhidas, e a vista magnífica para o espaço.
Ele mal podia acreditar que estava vendo sua paisagem favorita, aquela que sonhou durante tantos anos que um dia seria capaz de ver.
Na Federação, enquanto era mantido a sete chaves, ele não tinha visto janelas ou qualquer coisa que lhe indicasse a vista de fora. Ele tinha visto em livros, e tinha sonhado em como seriam as estrelas, se aquelas ilustrações e fotos eram reais mesmo ou se eram apenas história.
Mas ele tinha certeza que o conhecimento que obteve através de Trey, lhe mostrou que o Universo era muito mais do que ele imaginava.
Muito mais incrível e maravilhoso.
Ele se levantou da cama, arrastando os pés com a fraqueza lhe corroendo. Fazia muitos dias desde que ele tinha comido que poderia muito bem estar desidratado.
Suas mãos acariciaram o vidro que estava tão frio como gelo contra a pele de seus dedos. Havia trilhões de estrelas brilhando por toda parte, nenhum sol a vista, mas apenas a visão da galáxia era emocionante. Ele mal continha na língua todos os adjetivos necessários para descrever quão belo era.
A porta deslizou aberta e Aqua olhou para trás para ver Trey Scarlet, o comandante da nave Imperatriz, e o melhor amigo que ele já teve em toda a sua vida.
Se alguma vez ele teve um.
Trey tinha arriscado a si mesmo e seus amigos em Exórdio, quando a maior ameaça era ele mesmo, um Aquantis sem controle. Ele o resgatou e cuidou dele, contando suas aventuras enquanto ele estava em coma, lutando para acordar. Sua voz era tão bonita, grave e também um pouco suave. Ela o acalmava, mas ao mesmo tempo tornava as batidas de seu coração cada vez mais fortes contra o peito.
O comandante tinha feito muito mais por ele do que imaginava ser capaz, ele o resgatou uma segunda vez, e provou a ele que realmente se importava.
A emoção do que isso significava de verdade trouxe inevitáveis lágrimas aos olhos. Aquantis tentou manter o seu foco nele, mas sua visão embaçou quando espessas lágrimas debulhavam para fora de seus olhos, deslizando pela face.
— Aqua. — Trey atravessou o quarto, que era pequeno, puxando Aquantis para os seus braços fortes e musculosos. O garoto Blue engoliu difícil quando os soluços quebravam de sua garganta, e ele não podia se importar com o fato de que estava encharcando a camisa de Trey com suas lágrimas.
— Você me salvou de novo… — Sua voz saiu trêmula e baixa.
— Eu prometi que iria te buscar.
Trey segurou em ambos os lados da face de Aquantis, erguendo seu rosto para olhá-lo nos olhos.
— Eu sei que tinha mais dias para esperar… que a rainha iria te mandar de volta para mim para que eu o protegesse. Mas eu não podia ser paciente. Sabia que algo de muito errado estava acontecendo e eu estava certo, pena que cheguei muito tarde.
Aquantis apenas olhou para ele, perdido nas íris douradas. Suas mãos cobriram as de Trey que estavam em seu rosto. O polegar dele esfregando sutilmente sua pele.
— Eu… fiz de novo?
Trey piscou com os olhos um pouco arregalados. Ele soltou um pequeno suspiro pelos lábios, e foi o suficiente para Aquantis saber o que tinha acontecido.
— Você deve ter perdido o controle em algum momento. Foi como em Exórdio.
Aquantis tremeu completamente, incapaz de se manter em pé. Ele não queria ser um assassino, mas parecia que as pessoas estavam querendo muito acordar o monstro dentro dele.
Ele chorou miseravelmente com o conhecimento de que havia assassinado pessoas. Ele jamais queria isso, ele nunca sequer pensou nisso… ele…
Trey o abraçou apertado e o puxou consigo para a cama. Ele sentou-se e trouxe Aquantis em seu colo. Seus lamentos provavelmente foram ouvidos pelo resto da nave, que Trey respondeu ao comunicador para tranquilizar seu pessoal.
— Vamos… Pare de se culpar. Não é como se você tivesse matado pessoas inocentes. Só haviam cientistas loucos e criminosos naquele lugar. Eles não mereciam viver para ter que transformar a vida dos outros em um inferno.
As palavras de Trey eram tranquilizadoras, mas ele não conseguia parar de se sentir mal por isso.
— A culpa não é sua… — Ele voltou a dizer, alisando suas costas conforme Aquantis fungava contra o seu ombro.
— Mas eu os matei… fui pior do que eles…
— Você não fez porque desejava isso. Eles o provocaram, eles puxaram isso de você, como se pedissem pela morte. Foi instintivo que quisesse se libertar deles, por isso atacou. — Trey tinha a voz calma. Ele era tão controlado. Aquantis o admirava por estar abraçando ele sem qualquer receio, sem medo de que ele fosse de repente tornar-se um monstro novamente e explodi-lo em segundos.
— Você é tão bom para mim, Trey. — Aquantis afastou-se para olhar em seu rosto, enquanto enxugava o seu próprio contra os pulsos. — Obrigado por me tirar de lá.
Os olhos de Trey brilharam e ele não os desviou do rosto de Aquantis.
— Eu senti sua falta. — Disse Aqua.
— Eu também.
—*-*-
Austin estava ficando desesperado. Ele tinha acordado horas depois do ocorrido com uma dor latejante nas costas. Tinha se descoberto algumas costelas quebradas que foram restauradas pelo laser milagroso que Zack tinha na enfermaria. Ser ele a estar de cama, com uma agulha cravada nas costas de sua mão esquerda, um pouco nauseado pela dor e incapaz de fazer qualquer coisa, o tinha como louco.
— Eu não quero ficar aqui. — Resmungou.
— Claro que não, mas você está se curando. Embora o meu laser seja incrível ao restaurar ossos, ele não restaura músculos. Você precisa do descanso e dos remédios, aqui é o lugar perfeito.
— Eu tenho que falar com o meu pai. — Ele lambeu os lábios secos.
Zack lhe deu um olhar preocupado.
— Trey tentou contatá-lo desde que saímos da Federação. Não conseguimos resposta.
Austin soltou um suspiro, passando sua mão livre sobre os cabelos revoltos.
— Nós temos que buscá-lo, antes que a Federação o encontre. — Ele forçou sentar-se na cama, soltando um urro de dor.
— Fique exatamente imóvel por um longo tempo. — Zack apontou o dedo em direção ao seu peito. — Você não tem permissão para mover as costas, não ainda.
Austin lhe deu um olhar de horror.
— Disse que não quero ficar aqui, maldição!
— Cale a boca. — Zack pegou seu comunicador de cima de um criado mudo e ligou para Trey, colocando no viva voz. — Notícias?
— Não. Liguei para o proprietário do apartamento e me informaram que ele não saiu de casa já faz três dias. Estou tentando ligar para o número de celular dele e o fixo, apenas vai para a secretária.
Zack ficou em silêncio. Austin não pode conter sua preocupação.
Será que haviam levado seu pai? Não era possível… em tão pouco tempo e tão silenciosamente que o proprietário do apartamento não tivesse visto.
A Federação raramente era sorrateira, ainda mais quando tinham que prender alguém.
— Austin, você está ouvindo? — Trey direcionou a ele.
— Sim.
— Olhe, você não está em condições de sair da cama ainda, por isso eu e Zack vamos usar a nave-cápsula de Morgana para ir até ele e trazê-lo para a Imperatriz, tudo bem?
Austin não estava feliz que não era ele a ir ver seu pai. Tinha certeza que ele ficaria muito receoso e era capaz de negar vir até a nave e deixar tudo para trás.
Ele era um homem tímido, gentil e muito sensível. Austin sabia o quanto as pessoas gostavam de se aproveitar da bondade dele, o quanto queriam machucá-lo. Como se ser bom fosse algum pecado pelo qual ele tinha que pagar.
— Por favor, mande notícias.
— Ok.
Zack deixou os medicamentos para ele tomar nos horários prescritos sobre o criado mudo.
— Fique tranquilo, vai dar tudo certo. — Seu amigo lhe deu um tapinha em seu ombro. — Minha mãe está cuidando da nave se precisar dela.
Austin agradeceu e viu Zack deixar a sala. Suas mãos cobriram o rosto. Não tinha como evitar a preocupação.
—*-*-
Gavrel estava muito cansado. O dia tinha sido exaustivo.
Mas algo de muito interessante aconteceu, o que lhe deixou internamente eufórico para saber mais a respeito.
O garoto Blue, que tanto a Federação escondia. Incrível eram os seus poderes. Faz anos que presenciou algo tão superior.
E saber que nada mais e nada menos do que Trey Scarlet o tinha, isso lhe deixou mais curioso ainda.
O valor que estavam oferecendo por Aquantis era absurdo no mercado negro. Mesmo que a Federação pensasse que tivesse conseguido apagar todos os dados e pistas deixadas depois que ele foi sequestrado e levado para Exórdio, nada era cem por cento de certeza e informação vazou sem que eles notassem.
Quem tinha encontrado tais informações?
A tripulação de Gavrel.
Descobrir que todo o mercado negro era capaz de pagar vários bilhões para ele em troca de uma mera criança de cabelos azuis, isso o despertava uma certa euforia.
Sabia com quem Aquantis estava. Trey jamais seria páreo para ele.
Apesar que havia algo pelo qual ele não podia ir contra. Gavrel estava endividado com Trey, o comandante da nave Imperatriz uma vez salvou a sua vida, e por este fato, eles inevitavelmente se tornaram amigos há distância.
Ele nunca traiu um amigo de verdade.
Com tantos pensamentos na cabeça, ele entrou em seu quarto e logo esqueceu tudo ao ver o pequeno escravo humano deitado e esparramado em sua cama.
Sua mandíbula apertou por um momento engolindo difícil, mas logo sorriu quando pensou qual seria o primeiro castigo de seu humano de sangue puro.
Ninguém nunca realmente se importou o bastante para ser gentil com ele, e ele não tinha por que se preocupar com um mero escravo.
Ele sempre poderia comprar outro.
Continua...
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