Lost Blue
5 Capítulo 5 – Culpa
Notas iniciais
A nave Imperatriz estava seguindo seu rumo desta vez em direção ao planeta Bell43, em um sistema solar completamente diferente do que estavam antes, que era praticamente onde estavam situados os planetas de origem de cada um deles.
A missão, repassada pelo general Jack Scarlet, seria levar uma carga valiosa de cápsulas de hidrogênio para outro planeta situado do outro lado da galáxia. Eles iriam precisar de mais ou menos uma semana para cumprir a missão.
Trey deixou a ponte de comando e massageou seu ombro esquerdo.
— Trey, você poderia me fazer um favor. — Zack gritou do outro lado do corredor. Quando o comandante se aproximou, notou que Dominic estava sentado sobre o ombro direito do hacker.
— O que você precisa?
— Você poderia dar um banho em Aquantis?
Os olhos de Trey se arregalaram em surpresa.
— Ele já está bem melhor, mas ainda está muito fraco para se levantar ou se lavar sozinho. Eu preciso fazer a verificação do sistema e tenho um monte de trabalho acumulado. — Zack pediu gentilmente. Normalmente Trey recusaria um pedido assim, no entanto, sentiu-se como se devesse fazer algo por Aquantis. Não seria tão mal simplesmente levá-lo para um banho.
— Tudo bem. Vá fazer o que tem de fazer. — Trey foi até seu quarto, sem se dar conta de como Zachary ficou boquiaberto por ele ter aceitado seu pedido.
Trocou seu uniforme emborrachado por roupas mais leves e então pegou todos os itens que tinha separado de suas compras, exclusivamente de Aquantis.
Como sempre, a enfermaria estava em silêncio. Trey cerrou a porta cuidadosamente e então se aproximou da cama. O garoto, que antes estava olhando pela janela, olhou para Trey e sorriu fracamente.
Mesmo assim ele parecia tão bonito.
— Seus cabelos estão crescendo. — Sentou-se à beira da cama e tocou sobre a cabeça de Aquantis. Era tão macio. Pouco a pouco seus cílios e sobrancelhas estavam aparecendo. Zack tinha dito que agora cresceria rapidamente depois que todo o veneno tinha sido praticamente erradicado de seu sistema. — Todas essas coisas aqui eu comprei para você.
— Para mim...? — Aquantis olhou feliz. Trey o ajeitou na cama para que se sentasse em uma melhor posição para conversar com ele. — O que tem aí? — Sua voz ainda era baixa e abatida, mas felizmente ele já conseguia se comunicar melhor. Trey tinha descoberto que ele era um doce menino carente, e de alguma forma, queria preencher essa carência com sua presença.
— Comprei várias camisetas. — Ele foi estendendo sobre a cama cada uma das roupas que comprou. — Algumas calças, até essa de moletom. Agora você não precisa mais usar essas roupas horríveis de hospital. — Aquantis assentiu, olhando maravilhado para tudo o que Trey estava mostrando para ele. — Tem pantufas também... uh, comprei um cachecol e essa blusa de lã... uma escova de dentes e essa touca. — Vestiu a touca sobre a cabeça de Aquantis e tocou sobre seus ombros. — Você parece muito melhor.
Aquantis olhou bem em seus olhos, um pequeno sorriso em seus lábios.
— Zack me pediu para te banhar, tudo bem?
O garoto engoliu por um momento, surpreso, e então assentiu.
— Sim... mas... e você?
— Eu o quê? — Trey não entendeu por que ele estava hesitando.
— Ter que me dar banho... não é um problema para você?
O comandante sorriu. Ele tocou a mão de Aquantis e a apertou entre suas palmas.
— Claro que não! Nós somos amigos, se lembra? Eu vou cuidar bem de você.
O sorriso que o menino Blue lhe deu não tinha preço. Trey não compreendia sua própria felicidade naquele momento.
Cuidadosamente ele pegou Aquantis em seus braços e o levou até o banheiro em conjunção com o quarto de enfermaria. Era um banheiro bem equipado, embora fosse pequeno. Trey colocou o rapaz sentado em um banquinho baixo. Aquantis balançava um pouco, talvez um tanto zonzo pela fraqueza.
— Você já está conseguindo se alimentar?
— Uh... um pouco.
Trey se ajoelhou na frente dele e passou a desabotoar sua camisa azul listrada, era praticamente uma camisola folgada que Zack sempre guardava no armário e era usada quando alguém se feria, desde que eles não estavam acostumados a adoecer facilmente por tomarem regularmente suplementos polivitamínicos.
— Ouça, Aqua, você precisa comer direitinho. — Notando o quão magro estava. Trey retirou a camisa, então observou que os hematomas e feridas já tinham curado na pele dele, apenas permaneceram poucas cicatrizes que provavelmente desapareceriam com o tempo. — Você tem uma pele bonita.
Quando se moveu para a calça, Aquantis corou um pouco as bochechas e não deixava de olhá-lo.
— E você tem uma voz bonita, Trey.
Surpreso, Trey apenas sorriu. Ninguém nunca disse a ele que sua voz era bonita e Aquantis pareceu sincero.
Nu, Trey evitou olhar muito para o corpo dele, embora fosse um pouco inevitável, havia o que poderia se dizer diferente do corpo de Trey e dos demais. Ele parecia... frágil, diria que era por estar um pouco desnutrido, entretanto havia algo mais. Não sabia definir se eram pelas curvas, sua cintura um pouco fina demais para um homem, seu bumbum arredondado, mamilos cor de rosa, ou mesmo seu pênis, que mesmo flácido, parecia tão bonito.
Céus! No que diabos ele estava chamando de bonito?!
— Você está fazendo uma cara engraçada. — Aquantis riu um pouco. — Por acaso sou tão estranho assim?
— Quê?! Claro que não. — Trey ajudou Aquantis a se levantar e a se enfiar na banheira com água morna. Bolhas flutuavam enquanto ele esfregava as costas do garoto, ele nunca teve tanto instinto de cuidado como agora. Aquantis ainda balançava um pouco, mole enquanto ele o lavava, mas ainda assim se sentia mais feliz por vê-lo pelo menos falar, se mover e não em coma em uma cama.
Enquanto esguichava um pouco mais de sabonete líquido na esponja, Trey se pegou pensando no que faria daqui um mês. Bem, já havia se passado cerca de doze ou treze dias desde que resgataram Aquantis, e se vissem pelo lado bom das coisas, ele estava melhorando mais rápido do que normalmente um ser humano se recuperaria. Bem, se ele fosse realmente humano, ou mesmo uma variação humana, como Trey e seus amigos eram. Aquantis era um Blue, seu organismo se mostrou forte o suficiente para aguentar todos os maus tratos pelo qual sofreu, Zack deixou claro que ele nunca tinha visto alguém que fosse tão forte.
Para um garoto que parecia tão frágil, era surpreendente.
Trey parou o que fazia quando pequenos soluços cortaram o silêncio do banheiro. Se virou para ver Aquantis abraçando suas pernas, choramingando.
— Você está chorando? Está sentindo algo? — Se aproximou, preocupado.
Aquantis olhou para ele, seus olhos vermelhos cheios de lágrimas.
— Eu sou tão ruim...
Trey não sabia o que fazer, ele normalmente não tinha que consolar alguém quando esse chorava.
— Você não é ruim, Aqua. Por que está dizendo isso? — Trey estava sentando no banquinho próximo da banheira, sua mão direita pousou sobre o ombro do garoto.
Aquantis baixou os olhos para a água, lágrimas pingando sobre a espuma, de repente deu a ideia a Trey do que ele estava querendo dizer com aquelas lágrimas. O garoto tinha saído fora de si depois de todas aquelas drogas, todas as más experiências e os abusos que sofreu nas mãos dos inimigos da Federação, interesseiros que Trey não fazia ideia de quem fossem.
O garoto blue provocou uma baita destruição em Exórdio, provavelmente ceifando a vida de muitas pessoas ali. Trey não o culpava de forma nenhuma, bem... no começo talvez sim, mas agora ele tinha uma certa confiança de que Aquantis era bom, e não disposto a ser um assassino.
Os caras o drogaram! Ele provavelmente estava sofrendo de alucinações, tentando fugir daquela realidade perturbadora, que somente estava fazendo de sua vida um inferno.
— Mas...
Trey o cortou rapidamente, doendo dentro de si ver aquele lábio inferior tremer.
— Você não é ruim. De forma alguma, Aqua. — E ainda acrescentou: — O pouco que eu conheço de você, sei que não é assim. Tente ser racional, como Zack sempre diz, compreender os fatos para julgar. E em meu julgamento, você não tem qualquer culpa. — Trey sorriu brevemente, para ser pego de surpresa e ter braços finos em torno dele. Sua roupa foi molhada no processo, porém não se afastou do contato quente e reconfortante de Aquantis. Ele o ouviu fungar contra seu ombro, e sorriu ao senti-lo se acalmar em seus braços.
Trey o envolveu delicadamente e apreciou durante um longo tempo.
—*-*-
A nave adentrou a atmosfera de Bell43, e pousou sobre a área exclusivamente industrial, um porto gigante e flutuante feito completamente em metal e ferro. Aquele era um planeta tecnológico. Os seres que viviam lá eram completamente diferentes dos humanos e suas variações. Eles veneravam os números quatro e três, ou seja, em tudo eles utilizavam esses números ou os multiplicavam, era uma mistura tremenda que fazia Zack zonzo somente de pensar.
Diria que eram pessoas, pelo encéfalo altamente desenvolvido, como das variações humanas, que ainda sim apresentavam um QI e um aproveitamento muito maior da mente, do que um humano comum teria. O que diferenciava eram suas cores distintas, um tom de pele cinzento ou negro. Quatro braços e três olhos. O restante era considerado aparentemente “normal” para Zachary.
O cliente, Prince Jackmass, era o fundador de uma grande indústria de metais, mundialmente famoso em Bell43, embora não significasse grande coisa para Zack e os outros. Não era a primeira vez que trabalhavam para ele, embora sempre fosse alguma dor de cabeça.
Trey estava ao seu lado e ambos receberam os cumprimentos dos Bellres, Prince apertou suas mãos, com um sorriso radiante, seu bigode vermelho em contraste com a pele cinza parecia engraçado para Zack. Como era de se esperar, Austin estava nervoso e irrequieto, ele sempre ficava assim quando iam a Bell43, havia um motivo bem específico para isso.
— Vejo que a grande Nave Imperatriz passou por uma reforma recente. — O homem comentou enquanto alisava seu bigode, vestia um terno elegante, dois braços para trás e dois à frente, uma farda sobre a cabeça, cobrindo sua careca brilhante.
— Sim, não faz mais do que um mês que reformamos. — Respondeu Trey. — Essas ogivas estão maiores a cada visita, senhor Jackmass.
O Bellre sorriu, assim como seus homens pareciam orgulhosos. Zack observou enquanto Austin abria o portão do compartimento de carga da nave, e os Bellres traziam uma fileira de Ogivas sobre carros de metal com altura de dois metros para dentro da Nave Imperatriz.
— Isso não vai explodir, não é?
— Não, não, senhor Scarlet. Essas ogivas são feitas de aço puro, o hidrogênio somente será utilizado para geração de energia em Ídeas28. — Assegurou.
Zack se lembrava dos últimos trabalhos para este homem, e as ogivas eram menores.
— Nós seremos recompensados pela taxa de risco? — Perguntou diretamente ao homem.
— Claro, claro, estou pagando um preço justo, maior do que para o nosso costumeiro transportador, parece que a nave foi pega por uma tempestade de eletromagnetismo no caminho para cá, por isso que chamamos a Imperatriz. — O homem sorria perfeitamente o tempo inteiro. Trey não mostrou os dentes um momento sequer, ele parecia um pouco fora do ar, por isso Zack resolveu pegar a linha da conversa.
— Conte conosco para este serviço. — Apertou uma das mãos de Jackmass.
— Claro, confio plenamente em vocês. Somente preciso que este material chegue em Ídeas28 em cinco dias, já se passaram dois desde que o transporte deveria ter saído do nosso planeta, eu espero que dê tudo certo.
Zack deu-lhe um sorriso nervoso. O prazo estava apertado, isso queria dizer que eles teriam que pegar atalhos nada convencionais para conseguir alcançar o destino dentro do tempo indicado.
Gritos, já esperados por Zack e Trey, vieram próximos da porta de armazenamento. Austin estava inutilmente tentando afastar duas garotas Bellres do abraço. Elas pareciam desesperadas por ele. Eram as duas filhas moças de Jackmass, elas amavam Austin completamente.
— Meninas, por favor... não me agarrem assim... — Austin olhava para eles pedindo socorro.
— Senhor Austin é tão belo! — Dizia a mais nova delas, balançando seus três seios para cima dele. — Fique conosco, por favor!
— Sim! Nós prometemos que irá se divertir muito! — Disse a outra. E embora suplicavam, dava a entender claramente outra coisa, elas estavam descaradamente pedindo a ele para que se casasse com elas.
Zack e Trey suspiraram em desgosto.
— Obrigado Senhor Jackmass, tenha certeza que esse trabalho será concluído. Agora se me dá licença.
Ambos puxaram delicadamente as garotas para longe de Austin, prometendo uma futura visita dele em breve para elas. O piloto fugiu para dentro da nave.
—*-*-
Aquantis colocou a revista sobre um monte de outras que ele já tinha visto. Um suspiro de tédio deixou seus lábios. Moveu os cobertores e puxou suas pernas para fora, sentando-se à beira da cama. Ele ainda não estava se alimentando suficiente para andar sem risco de um desmaio, entretanto tinha mais é que agradecer por finalmente estar se sentindo bem.
Apertou o botão do controle remoto e as cortinas se abriram automaticamente, revelando uma parede inteira de vidro transparente, a bendita paisagem maravilhosa premiando seus olhos. Aquantis amava ver as estrelas, os planetas, cada cometa que atravessava o seu caminho. Todos aqueles detalhes minuciosos eram captados por sua mente e registrados como beleza única.
E embora aquilo fosse algo em que sempre sonhou ver, a melancolia ainda estava lá, a dor de tudo o que tinha feito, somada com a dor do conhecimento de que seu sofrimento nunca teria um fim. Seus maiores desejos nunca se realizariam, sua liberdade tão almejada jamais poderia ser conquistada.
Não tinha coragem de simplesmente fugir e deixar Trey. Algo dentro dele dizia que simplesmente devia confiar nele.
— Você está triste? Por quê? — Uma voz aguda e baixa lhe perguntou. Aquantis olhou ao redor e não encontrou de onde aquela voz provinha.
— Quem está aí? — Indagou de volta, mas não houve qualquer retorno. Decidiu então responder: — Eu estou com medo.
— Medo de quê? Não me diga que esses homens são maus!
Aquantis sorriu, embora fracamente.
— Não é isso. Não creio que eles sejam ruins... Zack cuidou muito bem de mim desde que me resgataram, Trey sacrificou tanto tempo para estar perto de mim me apoiando, e Austin me tratou como um irmão. Apenas estou perturbado, porque sei que mais cedo ou mais tarde eles virão me buscar.
— Quem são eles? — A voz perguntou novamente.
Aquantis olhou para a direita, encontrando Dominic Pluton atrás da caixinha de primeiros socorros sobre a mesinha de cabeceira. Ele o olhava com curiosidade, e ao perceber que foi visto, se escondeu novamente.
— A Federação.
O silêncio predominou, e Aquantis não retirou os olhos do local onde tinha visto Dominic pela última vez.
— Por que você tanto se esconde? Do que tem tanto medo? — Questionou curioso.
— Eu sou tímido. — Murmurou o saturniano. Aqua riu um pouco.
— Isso é sério? Você é tão tímido assim? Achei que eu fosse o pior.
Dominic saiu de seu esconderijo muito hesitante. Ele sentou-se à beira da mesinha e olhou-o com bochechas rubras.
— Você também é tímido? — Murmurou.
Aquantis sorriu e assentiu.
— Sim. Eu já me escondi muitas vezes. — Na verdade o seu “esconder” não significava exatamente ter vergonha de si ou dos outros, mas proteger acima de tudo a sua identidade. Podia não se lembrar de sua infância, de suas raízes ou de sua cultura, no entanto ele sabia o que era e onde encontrar a sua natureza, mas não diria a ninguém, nem que isso lhe custasse a vida.
— Você é tão bonito como um príncipe. — O saturniano comentou, balançando suas pernas no ar. Aquantis estava surpreso com o elogio repentino.
— Obrigado. Eu te acho uma gracinha também. — Arrastou-se na cama e sentou-se muito próximo de Dominic, o saturniano o olhou assustado, prestes a fugir outra vez, porém o garoto Blue foi mais rápido, pegando-o em suas mãos.
— Uh... me solte! — Dominic se enrolou como uma bola. — O que vai fazer comigo?! — Guinchou.
Aqua riu, aproximando seu rosto muito perto, olhando os detalhes de um Dominic tão pequenininho em suas palmas. Beijou o topo da cabeça do outro brevemente, vendo como ele se surpreendeu com o carinho que recebeu.
— Você me beijou.
— Sim, eu o fiz.
Dominic sorriu tímido e se encolheu.
— Eu me sinto honrado por receber um beijo de alguém tão bonito.
Aqua sorriu, erguendo uma sobrancelha.
— Por que diz que sou bonito? Eu sei que ainda estou um pouco pálido e meu cabelo está tão curto. Não há nada grandioso na minha aparência magra.
O saturniano o olhou curioso.
— Eu insisto em dizer que você é bonito. Inclusive o seu coração também é. Eu posso sentir o coração das pessoas, por isso digo isso.
Aquantis torceu a sobrancelha.
— Se pode ver que eu sou bom, por que quer se esconder?
— Porque eu sou tímido, raios!
Rindo além do que seus pulmões aguentavam com o embaraço sem sentido de Dominic, ele o trouxe contra seu peito magro e o abraçou carinhosamente. O saturniano parecia um gatinho com medo, mas que logo se acalmou quando Aquantis passou a balançar suavemente. O silêncio permaneceu por mais um tempo até que Dominic se sentisse capaz de dizer algo.
— Nós, saturnianos, não somos pequeninos o tempo inteiro, sabe?
Curioso, Aquantis continuou a ouvi-lo e balançá-lo vagarosamente.
— Podemos ficar do seu tamanho ou quem sabe maior. No entanto, nós somos naturalmente tímidos. Você me disse que o que mais te preocupa é a Federação vir te buscar... eu não sei qual é o seu envolvimento com ela... mas eu quero muito destruí-la. Sei que não tenho forças para isso... porém eu posso me aliar a pessoas com o mesmo objetivo que o meu. É o que pretendo.
Aquantis se identificou imediatamente.
— Por que quer a sua destruição?
— Eles dizimaram o meu povo, eu fui o único sobrevivente por que fugi. As vezes tenho esperança que outros além de mim escaparam... mas todos os que me eram importantes foram mortos... até mesmo o homem com quem eu iria me casar.
— Você iria se casar?! — Aquantis perguntou com surpresa.
— Sim, e eu não era a favor disso. Na minha cultura os casamentos eram poligâmicos. Mas que para mim eram apenas um incômodo.
— Isso é sério? — Aquantis não parava de se sentir surpreendido. — Não que eu ache que casar assim seja errado... cada cultura enxerga de uma maneira. Mas... onde está o amor nisso tudo?
Dominic o olhou engraçado e então Aquantis percebeu o que aquele olhar significava.
— Você não sabe o que é amor?
O saturniano desviou o olhar e cruzou os braços sobre o peito.
— Claro que sei. Uma lenda.
Os olhos do garoto Blue se arregalaram. Simplesmente não acreditava nisso.
— Não é uma lenda. Muitas pessoas conhecem o amor. É algo normal.
— Pelo que sei, você não conhece muito para dizer isso.
O ânimo de Aquantis caiu para zero com o comentário. Ele realmente não sabia das coisas, e julgar que sabia algo, era praticamente uma bobagem. Os livros que ele lia poderiam apenas ser ficção... o que assistia, talvez fosse tudo um jogo de mentiras.
Dominic, parecendo notar que havia sido um pouco grosseiro em ter dito tais palavras, se ajoelhou nas mãos de Aqua e se curvou perante ele.
— Me desculpe, Aquantis. Eu não queria magoá-lo... eu disse sem pensar.
— Tudo bem... — Sorriu fracamente. — Você tem razão de qualquer forma.
Continua...
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