Lost
9 Capítulo 9
Notas iniciais
A tensão estava instalada naquela sala com tanta intensidade que parecia ser possível tocá-la. As armas apontadas de Zapata, Patterson, Lincoln e Weller, a raiva no rosto de Avery, o medo camuflado de curiosidade de Ana, tudo contrastava com os olhos marejados de Jane que parecia ter perdido qualquer fiapo de esperança que ainda lhe restava.
— Então será assim? Nunca vou sangrar o bastante pra você? – desabafou com a voz carregada de tristeza.
— Jane... – Kurt disse baixando a arma e a colocando a mão na cintura dela num gesto protetor. Ver o quanto tudo aquilo dilacerava sua esposa era quase uma tortura.
— Vamos, fale. – a voz de Jane soou mais forte agora, como uma ordem.
Lincoln e Patterson o forçaram a se sentar numa cadeira e algemaram suas mãos para trás. Ele parecia realmente assustado. Ganhou peso, estava sem a barba e os óculos que usava tinha uma armação leve, bem diferente daquela que usou enquanto fingia ser Tom Jakeman.
— O que querem que eu diga? – sua voz saiu com um pesado sotaque germânico.
Jane bufou de forma sarcástica e abanou a cabeça parecendo desistir diante da persistência dele em manter o disfarce. Kurt a puxou para mais perto. Entendia como se sentia. Sua vontade era lançar-se sobre Roman e esmurrá-lo por causar tanta dor a irmã. Então, lembrou-se da promessa que fizera de buscar se entender com as alucinações do rapaz. Era importante para Jane que os dois se entendessem. Existia formas de cura que ele precisa ajudá-la a alcançar para além do envenenamento do ZIP. A sofrida relação com o irmão era uma delas. Agora que o cunhado era uma pessoa real naquela sala, Kurt tinha que buscar alguma forma atípica de reconciliação para que pudessem ser uma família de fato e Jane acreditasse que havia um final feliz possível para ela. Tomou a palavra:
— Não somos nenhum tipo de tribunal para julgá-lo ou condená-lo, Roman. Estamos receosos com a reviravolta que sua presença causou. Todos passamos por muitas perdas. Então, seja sincero e nos conte tudo, esclarecendo por que está aqui.
Jane trêmula, alcançou o braço do marido e apertou de leve num gesto silencioso de agradecimento por seu empenho.
— Meu nome é Nicolas Johansen, sou especialista em química orgânica para medicamentos. – o sotaque continuou carregado. – Sou viúvo e tenho um filho de oito anos. Não tenho dinheiro, se é isso que querem.
— Comovente. – a voz de Zapata soou ríspida, depois passou para um tom ameaçador. – Vamos levá-lo lá pra baixo e colocá-lo na cela. Então, me deixem sozinha com ele por duas horas e teremos tudo que precisamos.
— Não! – havia urgência na ordem de Jane. – Podem levá-lo para a cela, mas sem interrogatórios. – e precisou se apoiar em Kurt sentindo uma forte tontura.
O marido a segurou e Avery veio rapidamente até eles. Outro sinal ainda mais preocupante foi o sangue que escorria de seu nariz. A garota se apressou em oferecer um lenço enquanto Kurt a ajudou a se sentar numa poltrona próxima.
— Não é nada. Estou bem. Isso aconteceu com frequência. – mentiu com um sorriso no rosto tentando acalmar os dois.
Os irmãos estavam agora muito próximos, sentados quase lado a lado.
— Não se trata apenas de interesse científico. Ela foi contaminada pelo ZIP, por isso me procuraram e estão interessados nas minhas pesquisas. – nervosismo se misturou com preocupação na voz dele. – Ela me chamou de Roman e disse que sou seu irmão. Isso é uma alucinação. Acontece na fase crítica do envenenamento.
— Nossa, ele é realmente um químico brilhante. – o sarcasmo de Zapata mostrava que ela estava por um fio para explodir. – Conte-nos algo que ainda não sabemos, espertinho.
— E não é uma questão alucinação. Todos nós aqui sabemos que você é o Roman. Então, essa sua estratégia não vai colar. – Avery foi feroz.
— Sei que me odeia e tenho perfeita dimensão do quanto falhei com você. – a sinceridade era latente na voz e no olhar de Jane. – Se houver qualquer resto de... Deus, eu nem sei dizer o que pode ter restado de bom em você com relação a mim... Mas se por qualquer motivo, você puder me ajudar...
— Minhas pesquisas são puramente teóricas. Sua amiga Patterson é quem tem feito testes concretos bastante promissores.
— Os testes foram feitos por Jane. Ela voltou a se contaminar com a nova versão do ZIP e está lutando contra o envenenamento há meses, testando antídotos em si mesma. – Patterson esclareceu.
— O objetivo das minhas pesquisas era salvar vidas caso isso acontecesse. – ele continuou olhando diretamente para ela. – Espero que meus conhecimentos sejam úteis. Desde que Patterson entrou em contato comigo, deixei claro que estava aberto as discussões. Farei o que for preciso para ajudá-la. Não precisavam me prender para isso.
Não havia amor nos olhos dele, mas uma solidariedade humana autêntica.
— Terá que fazer isso de dentro daquela cela. Eu sinto muito. – Jane concluiu se levantando e deixando a sala em direção aos quartos.
Kurt a seguiu enquanto Patterson e Lincoln conduziam Roman para o bunker e o colocavam na cela.
Ao entrar no quarto, encontrou Jane encostada em uma das paredes, braços ao redor do corpo abraçando a si mesma, cabisbaixa. Ele se aproximou e afastou uma mecha de cabelo que cobria seu rosto:
— Sei que Roman é um assunto muito pessoal e delicado para você e que precisa de espaço para processar o que aconteceu, mas não pode ficar sozinha com uma crise já manifestando sintomas.
— É, eu sei. Vou pegar algumas coisas e descer para o ala hospitalar passar outra noite presa aos aparelhos. Pode parecer ruim, mas aquela cama é mais confortável que minhas acomodações nos últimos meses.
— Você acha isso porque não teve que dividi-la comigo como será nessa noite.
— Você não está falando sério, não é? Precisa descansar se quiser acompanhar a loucura que é minha vida, agente Weller.
— Sou o agente designado para o seu caso e tenho ordens expressas para não me afastar. – e a envolveu buscando seus lábios.
— Pessoal, eu trouxe... – Patterson entrou sem bater. — Ah, não desculpem. Eu não calculei que poderia interromper um momento de vocês... de novo.
— De novo. – o casal repetiu juntos e sorriu.
— É muito bom ter você conosco de novo, Patterson. É sempre bem-vinda. – o tom acolhedor de Jane demonstrava sua sinceridade.
— Não vou demorar. Como podem ver, eu trouxe o monitor hospitalar. Lincoln, o “seu” irmão e eu achamos que é seguro você dormir aqui desde que esteja devidamente monitorada já que a fórmula provisória que tomou deve estar em nível sérico agora. Como a coisa ficou bem tensa na sala a pouco, acho melhor evitarem outras fortes emoções nas próximas horas. – e bateu no ombro de Kurt deixando a responsabilidade sobre ele.
— Pode deixar. – ele respondeu um pouco encabulado.
A loira saiu rápido.
— Ela consegue manter a interrupção mesmo quando se afasta. – Jane concluiu levantando as sobrancelhas. – Mas vou facilitar as coisas para você, agente Weller. Com esse choro incessante na minha cabeça, não conseguiria te seduzir nem mesmo que quisesse.
Kurt voltou a abraçá-la, seus braços circundando seu corpo de forma protetora.
— Talvez devamos procurar um psiquiatra de confiança para analisar suas alucinações com o choro de bebês. Essa característica de suas crises parece diretamente relacionadas à culpa e perdas. Mas você não viu mais Roman nessas alucinações desde que ele apareceu na sala e a crise se instalou. Avery também está aqui, demonstrou o quanto você é importante para ela e que quer participar mais da sua vida, mesmo assim você continua ouvindo o choro. Descobrir a causa disso pode trazer uma informação importante para a busca do antídoto e ajudar na sua recuperação.
— Não preciso de um psiquiatra pra saber que não fui e nunca serei uma boa mãe, Kurt.
— Você deu a vida a Avery e lutou para ficar com ela. Acompanhou a vida dela à distância para saber se ela estava bem e feliz...
— Colocando em risco a relação estável que ela tinha com a família adotiva. Agora ela está o quarto ao lado, provavelmente com medo de perder de novo e sequer a garantia de que tudo ficará bem eu posso dar a ela.
— Nenhuma pessoa no mundo tem qualquer garantia que terminará essa noite viva, Jane. Não depende de nós. Então, não se culpe por isso. O fato de você se importar tanto com os sentimentos de Avery é o que conta e você é uma ótima mãe nisso. – e deixou que sua testa caísse sobre a dela. – Pense nisso.
— Você teria um filho comigo depois de dois envenenamentos por ZIP, de ter quase te matado quando voltei a ser Remi e ter ocultado que estava viva te deixando sofrer por oito meses? – a voz tentava parecer sarcástica, mas derrapava na emoção.
Kurt estreitou seu abraço ao redor dela e a aconchegou em seu peito:
— Eu teria uns três ou quatro. Afinal, como ter apenas um filho com uma mulher é capaz de me confessar seus medos de forma tão corajosa? Só não insisto nisso porque tenho medo de você pode achar um completo louco por desejar uma família tão grande.
Ela se afastou apenas o suficiente para olhar pra ele e manteve as mãos em seu peito:
— Quatro... Isso dá trinta e seis meses de gestação, sabia?
— O cálculo das despesas em fraldas é bem mais assustador, acredite.
Jane levantou o braço com o monitor de pulso e apontou com a outra mão para o aparelho:
— Patterson disse que você deveria evitar que eu tivesse fortes emoções por essa noite, Agente Weller.
— Por isso não eu disse a quantia exata que seria gasta com fraldas.
Ela cercou o pescoço dele com seus braços e deixou seus lábios roçarem os dele:
— Eu amo tudo em você. Até mesmo suas loucuras.
— Eu sei disso. Só não consegui ainda te arrastar para dentro delas para que tudo se torne realidade. Isso terá que ficar para depois do antídoto definitivo. Agora, senhorita, por favor, me acompanhe até a cama. – e girou em torno dela como se estivessem dançando, cruzando seus braços em sua cintura e a guiando pelo quarto. – Preciso conectá-la àquele monitor de precisão antes que a falta de parâmetros traga Patterson de volta a esse quarto.
Já ao lado da cama, Jane despiu as roupas ficando apenas com a calcinha e se deitou na cama. Kurt começou cuidadosamente a colar os eletrodos em seu peito e braços. Diversas vezes, ele se confundiu e Jane precisou orientá-lo.
— Ei, está tudo bem? – questionou acariciando o braço dele preocupada.
— Estou bem. Só é um pouco difícil me concentrar com você assim sem roupa. Acho que boa parte do meu sangue se desviou do cérebro para outras partes. Você podia ser um pouco menos fodidamente sexy enquanto está doente.
O olhar de Jane imediatamente migrou para a calça de moletom que ele usava. Precisava confirmar se o que o marido dizia era verdade, já que Kurt podia ser o mais doce mentiroso quando se tratava de agradá-la. Ao confirmar que era verdade, uma sensação boa tomou conta dela rapidamente. Era a primeira vez que ele tomava a dianteira mostrando desejo por ela desde que se reencontraram. Saber que ela não tinha conseguido destruir tudo havia entre eles trouxe um grande alívio e muita paz. Ela o puxou pela camiseta e beijou a lateral de seu pescoço.
— Não, Jane. – ele suplicou e se afastou sabendo que perderia a determinação se a deixasse avançar mais. – Você já teve emoções fortes demais por um dia.
— Então, o que me aguarda pode ser algo ainda mais avassalador? Se quer me dissuadir dessa forma, não está conseguindo.
— Boa estratégia, Briggs, mas eu não vou cair nessa armadilha. Vamos mudar de assunto, que tal falarmos do seu irmão? Cunhados são acabam com qualquer tesão. – levantou-se contornando a cama para deitar-se ao lado dela.
— Realmente esse assunto é um balde de água fria. Por um lado, acho que pode realmente ser Roman. Ele teve tempo para trabalhar essa mudança visual e o sotaque. Razões pra ele me odiar e me abandonar para morrer não faltam. Existe uma certa lógica nisso.
— Mas por outro lado...
— Ele morreu em meus braços, Kurt. Não consigo ignorar isso. Então, meus instintos dizem o tempo todo que não é ele. Mas quem seria esse cara? A semelhança é absurdamente grande.
— Roman morreu em seus braços. Avery e você morreram nos meus. No entanto, estão vivas. Se for realmente seu irmão, é uma chance incrível de reparar os erros do passado. Se não for, acho que não dá pra negar que ele é da sua família. Um primo, talvez. Ou até mesmo outro irmão. Seus pais tiveram só dois filhos?
— Só me lembro do Roman. Eu era muito pequena quando morreram. E tudo que aconteceu no orfanato, em seguida, apagou grande parte das minhas lembranças. Shepherd não aceitaria investigar nosso passado familiar, seria uma traição para ela. Enquanto estive na marinha, em Orion ou no FBI, não tive tempo para isso.
— De qualquer forma, sua família está crescendo rápido. Ele disse que tem um filho de oito anos. Titia Jane terá que entrar em ação.
— Titia Jane... eu vou assustar o menino assim como assustei Avery. – e não conseguiu conter o sorriso.
— Foi um sorriso isso aí no seu rosto? Acho que você gostou da ideia. Prepare-se, Jane, tem muita coisa boa te esperando logo ali, depois da cura. – e beijou os lábios dela. – Agora, tente dormir. Porque teremos um dia inesquecível amanhã.
O mais improvável aconteceu: os dois realmente dormiram uma noite completa de sono relaxante. A presença do outro, o aconchegou, a familiaridade, a paz por estar ao lado de quem se ama foram mais fortes.
Assim que amanheceu, Patterson entrou no quarto totalmente empolgada. Falava sem parar e sentou-se ao lado de Jane desconectando os fios dos eletrodos no peito dela.
— Você está ótima. Ficou estável a noite toda. Já pode ficar sem isso. Eu e Dr. Johansen, estou chamando ele assim pra ficar mais confortável, trabalhamos boa parte da noite e, adivinhem?
— Bom dia, Patterson. Por favor, seja objetiva. – Kurt tentou ser simpático, mas sua fala não passava de rosnados àquela hora da manhã.
— Bom dia, Patterson. Kurt sempre acorda de mau humor. Espero que as novidades sejam boas. – Jane foi bem mais acolhedora.
— Jane, nós temos a cura! Ou melhor, a parte teórica dela. Refizemos os cálculos dezenas de vezes. Tenho certeza que vai funcionar.
— E podemos aplicar o antídoto ainda hoje? – Kurt acordou definitivamente já se colocando em pé.
— Eu disse teoricamente. Não temos todas as substâncias necessárias. Lincoln conseguirá algumas até amanhã. Jane tinha outras. Mas uma dela é realmente muito rara e inacessível. Como sei que concordariam, resolvi jogar pesado para consegui-la.
— Patterson, o que você fez?
— Chamei o Rich. Ele chegará em poucas horas. Conseguirá acompanhar o resultado do DNA. Colhi amostras do Dr. Johansen e o computador está comparando as amostras que eu tinha sua e de Roman. Saberemos quem é ele em breve.
Todos se reuniram na cozinha. Enquanto preparavam e tomavam o café da manhã, Jane assistiu repetidas vezes os vídeos das câmeras de segurança mostrando o irmão.
— E aí? – Kurt indagou.
— Ele definitivamente não se comporta como Roman. Os gestos são diferentes, as reações também. Ficou totalmente calmo dentro da cela, interagiu bem com a Patterson, trabalhou na fórmula.
— Vamos fazer nossas apostas. – Zapata sugeriu. – Eu acho que ele não é Roman. Não é nada sedutor, não olha para a Patterson como quem está despindo-a com os olhos. Tentou fazer isso comigo, acreditam? Roman teria noção do perigo. E quando eu o flagrei, reagiu como um garoto de 11 anos que é pego com uma revista de mulheres nuas no banheiro. Um típico nerd de laboratório.
— Muita coisa do que ele disse parece ser verdade. É filho adotivo de Klaus e Hannah Johansen. Foi adotado aos cinco anos de idade. Tinha um trauma severo e não falava ou andava. Levou anos para se recuperar. Sua esposa morreu num acidente de carro há dois anos. Os pais também faleceram há bastante tempo. O filho existe. Nada de perfis em redes sociais. Os perfis acadêmicos não dizem muito sobre a vida pessoal. É bastante conhecido por suas pesquisas, mas era raro aparecer pessoalmente.
Opiniões vagando entre as possibilidades, os amigos passaram a manhã de forma menos tensa, conversando e tentando resgatar o tempo perdido.
Jane desceu ao bunker e conversou com o irmão também, mantendo suas defesas emocionais no auge. O diálogo entre eles até que fluiu bem, mas ela considerou que o foco dele era selecionar as respostas mais adequadas que garantiriam sua liberdade.
Perto do horário do almoço, Rich chegou. Entrou falando pelos cotovelos de braços dados com Boston. Ninguém havia dito nada sobre Jane ou Roman.
— Meus fãs, eu cheguei! Até que enfim resolveram marcar uma reunião para relembrarmos os velhos tempos. Já estava achando que vocês não se recuperariam. Vamos as novidades! Sobre Patsy Patt e o sobrinho nerd do Weitz eu já sabia. Incompreensível, mas ela nunca vai admitir a atração que sente por mim. Zapata, realmente não quero saber dos seus peitos caídos após a gravidez. A Jane Junior ali tá com cara de poucos amigos como sempre e arrumou essa namoradinha. Por que será que isso não me espanta? Weller não vai deixar essa vibe de viúvo revoltando tão cedo. Então, Boston, acho que cabe a nós dois deixar todos aqui de queixo caído. No três. Um, dois e três!
Os dois apresentaram o dedo anelar esquerdo com as alianças.
— Sim, nós nos casamos. Foi uma cerimônia intíma, mas muito bonita.
Todos na sala abriram sorrisos amarelos.
— O que foi? Não ficaram felizes com nosso casamento? – Rich parecia inconformado.
— Todos estamos muitos felizes, Rich. – Jane entrou na sala falando de maneira bem calma. – Um casamento é um grande passo e mostra o quanto você amadureceu. Acho que eles só estavam com dificuldade para encontrar uma forma de te dizer que eu estou aqui.
Rich rodopiou e se escondeu parcialmente atrás de Boston que disse:
— Jane?!
— Jane, Jane, Jane... Ok, pessoal, vocês sabem que adoro uma pegada exótica ou excêntrica. Mas não sou ligado na vibe kardecista. Se queriam me impressionar, já conseguiram. Pesado, pesado e pesado. Não esperava algo assim de vocês. Podem desativas as câmeras ou hologramas que isso não tem graça.
— Jamais brincaríamos com algo assim, Rich! – Weller foi firme. – Jane está viva.
— Ainda estou viva. E precisando de você.
Os amigos começaram o longo relato do que viveram nos últimos dias. Rich e Boston foram compreendendo aos poucos.
— Então, sou o membro do team que vai salvar o dia, ou melhor, a Jane. Eu já previa que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Afinal, eu sou praticamente a cereja do bolo, aquele detalhe que faltava pra deixar tudo perfeito. Mas, já que a Madame Intimidação aqui conseguiu tirar o brilho da notícia do nosso enlaça matrimonial, cada um de vocês terá que me pedir isso. Vamos, podem começar. Vai ser divertido ouvir cada um de vocês.
Levantando o dedo, Lincoln resolveu falar logo. Aquilo tudo era muito estranho pra ele.
— Eu preciso de você, Rich.
— Direto e intrometido. Você não faz parte desse team, sombra do Weitz.
— Ei, Lincoln é parte do nosso team sim. – Patterson defendeu o namorado. – Já está na hora de você aceitar nosso relacionamento, Rich. E, sim, eu preciso de você, Rich DotCom. Faça isso por nós.
Avery torceu os lábios e respirou fundo antes de dizer:
— Eu preciso de você. – falou seca. – Isso é tão idiota! Você devia crescer um pouco.
— Tal mãe, tal filha. – Rich respondeu sorrindo e olhou para Zapata.
— Não mesmo! Eu não dou a mínima para suas brincadeiras, Rich.
— Sempre a desmancha prazeres. Até o Kurt fará melhor que você, Zapata. – e aproximando-se de Weller, colocou uma mão em seu ombro e bateu de leve no seu peito. – Que oportunidade eu tenho aqui, não é mesmo? Eu poderia te obrigar a realizar meu maior sonho agora.
— Eu faria qualquer coisa, Rich. Por favor, eu preciso de você.
— Apaixonado como sempre. Mas não precisa quebrar a brincadeira, deixando esse clima pesado. Relaxe, homem. Sabe que eu faria mesmo que não me pedisse.
Jane, que alisava as costas do marido tentando aliviar sua tensão, tomou a palavra:
— Agora é a minha vez. – deu um passo a frente, olhou nos olhos do Rich e disse: — Rich, eu preciso muito de você. Sabe que o elo que se estabeleceu entre nós desde aquela festa icônica na sua casa nunca vai se quebrar. Então, é o destino conspirando a nosso favor.
Rich imediatamente a puxou para um abraço.
— Eu também te amo, Jane. – disse agarrado a ela. Depois a soltando, continuou – É disso que eu estou falando, essa mulher sabe como mexer comigo. Mas, contenha-se, Jane, agora sou um homem casado.
Então, Rich pediu um laptop e, durante aproximadamente quinze minutos, acionou seus contatos.
— Temos uma chance real aqui. Zapata e Patterson, posso confirmar que vocês aceitam se prostituir por uma noite com um milionário depravado?
— Não! – Jane entrou imediatamente na conversa. – Eu jamais aceitaria que se submetesse a algo assim por mim. Por favor, deixe as duas fora disso.
— Não é para seu antídoto, minha diva zumbi. Foi uma outra proposta que achei bem interessante.
Zapata bufou e se retirou para o bunker.
— Rich, eu sei que você gosta de aliviar a tensão com essas brincadeiras, mas vamos tentar manter o foco aqui. – Weller colocou.
— Eu não entendo por que você está tão tenso, Stubbles.
— E a vida de Jane na berlinda, Rich.
— Patterson vai sintetizar o antídoto e ela ficará bem, relaxa.
— Mas, para isso, precisamos da substância que você está tentando localizar, Rich!
Nisso, a campainha tocou e Lincoln anunciou:
— É um entregador. Posso ir até lá?
— É claro que pode. Aliás, você deve! Vamos lá, seja nosso porteiro. A menos que você queria que o Kurt aqui tenha um infarto. Pronto, Stubbles, a substância que faltava chegou!
— Rich, se isso for mais uma de suas brincadeiras... – Weller falou dividido entre acreditar ou não naquilo.
— Consegui em cinco minutos. O cara que tinha a substância me devia alguns favores. Vamos, se mexam! O namoradinho sem graça pega a substância, Patt faz o antídoto, Jane fica curada e todos nós vamos finalmente curtir o reencontro sem esse clima de funeral no ar!
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