Lost
11 Capítulo 11
Notas iniciais
O laboratório do bunker parecia sufocante quando se sentaram ao redor da mesa. Patterson estava visivelmente desconfortável. Kurt se remexia ansioso. Jane era só silêncio como alguém que aguarda uma condenação inevitável.
— Chamei vocês aqui porque já temos o resultado do DNA – a loira se apressou em esclarecer. E, abrindo a pasta com o laudo impresso, continuou – É totalmente compatível. O DNA de Nikolas Johansen é o mesmo que o de Roman.
— Então, ele é mesmo Roman. – Kurt balbuciou assimilando a situação.
— Não foi isso que eu disse – Patterson continuou. – Os dois tem exatamente a mesma sequência de DNA, mas isso não prova que sejam a mesma pessoa. Existe uma pequena possibilidade. Gêmeos idênticos compartilham a mesma herança genética.
— Mas Jane não se lembra de outro irmão, então...
— Sei que todas as evidências apontam para que sejam a mesma pessoa: o DNA, as memórias de Jane. Mas, como uma cientista, preciso alertá-los para a pequena possibilidade que estou defendendo. Jane não devia ter mais que sete anos quando sua família foi assassinada e ela e Roman foram levados para o orfanato. A violência a qual foi exposta naquele dia, principalmente se julgou que um dos irmão havia morrido, pode ter alterado suas lembranças. Além disso, o que ela viveu no orfanato nos próximos anos foi ainda pior. A necessidade desesperada de proteger Roman como a única pessoa que restou de sua família pode ter tornado mais vívida a percepção de ela só tinha ele como irmão. Isso sem considerarmos os efeitos das duas contaminações por ZIP.
— Então, por que fizemos tudo isso? – Jane falou ríspida, empurrando o laudo que havia pegado de volta a mesa.
— Se o DNA apontasse que eram pessoas diferentes, teríamos uma solução – Patterson defendeu. – Infelizmente, a ciência não resolve todos os dilemas que a vida propõe. O que estou querendo dizer é que, a decisão é nossa. Temos várias possibilidades: aceitar que ele é Roman e condená-lo diante de tudo que vimos que seu irmão foi capaz de fazer; aceitar que ele é Roman e acreditar que ele mudou, deixando-o livre; ou acreditarmos que ele é Nikolas Johansen, o irmão gêmeo de Roman, perdido há décadas.
— Qualquer uma das escolhas envolve riscos. Se eu errar, posso estar deixando um sociopata livre para cometer novos crimes ou condenar um inocente a pagar pelos crimes do irmão gêmeo. – a voz fria de Jane chegava a ser assustadora.
— Eu sei o quanto deve ser difícil. Por isso, quis trazer o resultado pra você antes de abrir isso a todos.
— Difícil não, impossível. Sei que é minha responsabilidade e que todos vocês acatariam minha decisão, mas eu não posso... – e fechou os olhos, puxando o ar.
Kurt levou as mãos até as costas dela tentando oferecer algum conforto.
— Talvez isso não passe de um ato de covardia da minha parte – Jane continuou. – Considerem assim, se acharem melhor. Todos têm o direito de saber a verdade sobre o DNA e eu não a impediria de expor o resultado a quem está conosco nesse bunker, Patterson. Mas quero pedir um favor, se algum de vocês decidir denunciá-lo, por favor, deem alguma vantagem para que garanta a segurança do filho.
— Todos nós passamos por muita coisa, Jane. Entendo que essa decisão esteja além do que você é capaz de fazer – a loira estendeu a mão e apertou a de Jane. – Acredito que falo por todos da equipe e posso afirmar que nenhum de nós quer seu irmão enlouquecendo numa prisão. Se algum de nós decidir que ele é Roman e que é um perigo para a sociedade, vamos encontrar uma instituição segura para detê-lo de forma humanizada.
— Nem sei como te agradecer por isso, Patterson.
— Mas eu sei: você vai se preparar e tomar aquele antídoto para ficar bem.
Jane sorriu triste e apertou a mão da amiga em retribuição. Kurt a abraçou e beijou seus cabelos. Ele tinha perfeita noção do quanto tudo aquilo pesava sobre ela.
Cerca de uma hora depois, todos estavam na ala hospitalar. A tensão que pairava no ar tentava ser dissipada com conversas sobre as coisas mais sem sentido possível. Todos falavam ao mesmo tempo. Jane tentava interagir forçando um sorriso vez ou outra, concordando ou negando com gestos de cabeça. Ela já estava vestindo a camisola hospitalar, com os eletrodos espalhados pelo corpo, sentada na maca.
— Eu topo o cinema – Ana disse encarando Jane.
– Como assim? – Jane respondeu confusa.
— Quando nos conhecemos, você me convidou para ir ao cinema. Eu recusei. Agora eu topo. Assim que você se livrar dessa porcaria de ZIP podemos escolher um filme. Acho que vai ser legal.
— Sim, acho que vai – com um meio sorriso, Jane confirmou ainda sem entender porque a garota trouxe o convite do passado à tona agora.
Ana se afastou indo acompanhar Patterson. Avery, que estava ao lado de Jane, bufou.
— Está tudo bem? – Jane a questionou.
— Você nunca foi ao cinema comigo. – garota respondeu ríspida.
Antes que Jane pudesse processar aquilo, Dra. Carla se aproximou e, puxando o braço dela, avisou que ia colher uma amostra de sangue. Johansen, ao lado dela, começou a explicar como o antídoto agiria avisando que ela provavelmente ficaria inconsciente durante todo o processo e que precisariam monitorar seus sinais vitais. Rich disse qualquer coisa que deixou todos desconfortáveis, Kurt passava a mão no pescoço incomodado. Ela puxou o ar um ou duas vezes, mas sentia-se sufocada.
Num impulso, Jane saltou da cama assim que a Dra. Carla retirou a agulha de seu braço. Imediatamente, Kurt se colocou ao seu lado:
— Jane, está tudo bem?
E todos silenciaram olhando para ela à espera da resposta.
— Estou bem. Só preciso ir ao banheiro – falou rápido e deus alguns passos despertando ainda mais a desconfiança de todos.
Kurt a seguiu. Ela parou e o fulminou com os olhos.
— Sou capaz de ir ao banheiro sozinha. Estou bem! – repetiu num tom impositivo muito mais forte que o convencional. – Não me olhem como seu eu fosse um cristal frágil que está se quebrando! – E caminhou rápido, entrando no banheiro e batendo a porta.
Todos se entreolharam preocupados. Patterson apontou discretamente para o monitor oscilando e Kurt que coçou a cabeça. Permaneceram em silencio. Segundo depois, Jane emergiu de volta, cabisbaixa:
— Eu nem sei como posso me desculpar por isso...
Zapata foi até ela:
— Ei, cala-te! – e a abraçou. – Vou subir. Te espero lá em cima depois que tudo isso passar.
Rich e Boston fizeram o mesmo.
Aproximando-se da filha, Jane tentou:
— Avery...
— Você ouviu a Zapata: a gente briga por causa disso depois – e se jogou nos braços da mãe para um abraço rápido antes de sair.
Kurt se aproximou e segurou a mão dela sem dizer nada. Então, a abraçou e ajudou a se deitar na maca. Patterson, Dra. Carla e Dr. Johansen começaram os preparativos conectando-a aos aparelhos de monitoramento.
— Preparados ou não, lá vamos nós. – Patterson disse ao conectar o equipe que começou a infundir o antídoto no corpo de Jane através do cateter venoso que ela tinha no peito. – Nossa, isso foi horrível de se dizer. Ignorem.
Em seguida, os três se afastaram, sentando-se na bancada com os aparelhos de monitoração para dar privacidade ao casal. Jane ainda não tinha olhado diretamente para ele.
— Ei – ele a chamou roçando o polegar na sua bochecha. Assim que ela olhou para ele, continuou – Vai dar tudo certo.
— Kurt, eu sinto muito que você tenha que passar por tudo isso de novo. – ela respondeu com a voz e o olhar embargados pela emoção.
— Ficar te admirando enquanto você dorme é uma das minhas coisas favoritas no mundo, sabia? Não se desculpe por isso. Além do mais, eu me sinto um príncipe encantado enquanto estou esperando você acordar, como na história da Bela Adormecida.
— Acho que não conheço essa história... Contos de fada não são meu forte.
— Não conhece?! Isso mudará em breve. Bethany está na fase das animações Disney e te fará assistir dezenas de vezes.
Jane fechou os olhos e aspirou o ar tentando conter as lágrimas.
— Eu mal me lembro do cheirinho dela.
— Mas tenho certeza que não se esqueceu dos pontapés que nos dava quando dormia em nossa cama. Isso, aliás, será difícil de se repetir. Ela está enorme – e apertou forte as mãos dela. – Ei, logo você poderá sentir o cheiro dela de novo. Tudo que havia de bom está logo ali – falou direcionando o olhar dela para a bomba infusora – depois desse antídoto. Agora descanse, Sweet heart – impulsionando o corpo para frente, beijou a testa dela.
Jane acatou e fechou os olhos. A medicação já estava cobrando seu preço e organismo dela teria uma longa batalha pela frente.
Patterson e Johansen se aproximaram. A loira apertou os ombros de Kurt em solidariedade.
— Ela estava no meio de uma crise quando se descontrolou. Hipotermia moderada, leve queda da saturação, arritmia cardíaca – explicou.
— Agora tudo isso vai acabar – ele respondeu sendo otimista.
— Adormecida ela parece tão mais frágil – Dr. Johansen colocou. – Espero que ela seja forte o bastante para suportar as próximas horas.
Kurt se levantou e pegou o celular procurando por algo. Quando encontrou, entregou a Johansen.
— Essa é uma oração em africâner. Jane me ensinou quando Bethany nasceu. Após a morte de Roman, ela não conseguiu mais repetir. Era a oração que ele fez por ela antes de deixá-la sem memória na Times Square. Eu não sei se você é ele ou não. Também não sei se crê em alguma divindade. Mas você é irmão dela e, se puder repetir isso para ela ouvir, para Jane fará toda a diferença.
Johansen pegou o celular e leu a tela algumas vezes, parecia tentar memorizar a oração. Então, segurando a mão de Jane, proferiu aquelas palavras bem próximo ao seu ouvido.
Kurt ficou ao lado dela por mais de cinco horas. A infusão era bem lenta. Como tudo indicava que Jane estava estável, resolveu subir para comer alguma coisa e falar com Avery. Não queria que as coisas entre a enteada e Jane estivessem ruins quando ela acordasse.
A garota estava na cozinha preparando um lanche quando ele chegou. Ele resolveu ser direto:
— Precisamos conversar.
— Sobre o fato de Jane não saber corresponder ao amor que recebe? Nisso já tenho bastante experiência. Ela preferiu morrer a tentar reconstruir um relacionamento comigo.
— Isso não é verdade e você sabe disso. Lá embaixo, ela estava sob muita pressão. Patterson não falou para não aumentar a tensão, mas Jane estava tendo uma pequena crise com queda de saturação, hipotermia e arritmia cardíaca. Além disso, ela foi treinada pela vida toda para não demonstrar vulnerabilidade. Quando se vê fragilizada, reage de forma explosiva. Acho que até o fato de estar usando aquela camisola hospitalar não ajudou. Ela devia estar se sentindo exposta. Se tem algo que ela não gosta é de ficar com pouca roupa.
— Olha, até entendo que ela não estava bem. Ainda assim, Jane precisa aprender que ser mais gentil quando as pessoas estão tentando cuidar dela. Vê se não passa pano usando esse argumento da roupa. Ainda mais porque perto de você eu tenho certeza que ela fica sem nada.
— Não estou passando pano, Avery. Só estou tentando te fazer entender um pouco mais sobre quem ela é. Sim, nós somos um casal, mas ainda assim ela sempre termina a noite completamente vestida, preparada para enfrentar uma adversidade como o soldado que foi treinada para ser.
— Você está dizendo que nunca dorme nua ou com lingerie ou camisola sensual? – questionou incrédula.
— Nunca.
— Ai, não! Definitivamente eu não quero saber da vida sexual de vocês – e andou em direção a porta, mas parou de repente, virando-se de novo pra ele – Olha, se isso é verdade, é melhor você cuidar melhor dela! – e saiu.
As palavras de Avery o atingiram em cheio. Pequenos detalhes que ele insistia em normalizar precisavam de atenção. Jane era sim a mulher mais corajosa e determinada que ele conhecia. Ela era também forte, resiliente e parecia superar tudo. Ainda assim, ela era um ser humano e precisava não só do seu aplauso e apoio, talvez houvessem feridas inconfessáveis que ele precisaria ajudá-la a tratar para se curar.
Minutos depois, antes mesmo dele conseguir terminar seu sanduiche, o sinal de alerta de seu celular tocou. Havia algo errado com Jane. Todos desceram rapidamente e se encontraram na sala hospitalar.
Zapata estava em pânico quando chegaram.
— Ela desapareceu!
Os olhos de Kurt alcançaram a cama vazia.
— Como assim? Como isso aconteceu?
— Elena teve uma crise de choro. Achei melhor sair da sala para acalmá-la. Andei pelo corredor e entrei no laboratório. Fiquei longe apenas alguns minutos. Levei o monitor portátil comigo. Quando voltei, ela tinha desaparecido.
— Merda! Vamos nos dividir e vasculhar tudo! – Kurt ordenou.
— Ela retirou o cateter do antídoto, mas o sistema dela está inundado pela medicação. Deve estar sonolenta e zonza. Perambular por aí é perigoso demais para ela. – Dr. Johansen lembrou.
— A infusão do antídoto também tem que acontecer num tempo certo. Ela precisa ser reconectada às bombas antes que seja tarde demais. – Patterson estava preocupada.
— Mais um motivo para a encontrarmos o quanto antes. Vamos nos organizar. Rich e Patterson, vocês vasculhem a planta do bunker e da casa encontrando possíveis esconderijos e saídas pouco convencionais. Avery e Ana, vasculhem a casa. Tasha e Johansen, vocês vão para o lado direito do bunker. Eu vou olhar o lado esquerdo.
Todos começaram uma busca frenética. Pelos comunicadores, recebiam orientações.
Kurt vasculhou cada detalhe da ala esquerda e nada. Por fim, resolveu tentar uma saída de emergência indicada por Patterson. O corredor ela longo e escuro. Ele foi silencioso. Sabia que a chamar poderia fazê-la se afastar ainda mais.
De repente, a luz lanterna do seu celular alcançou o vulto dela que fechou os olhos incomodada. Estava encostada a parede, próxima a um duto de ventilação. Respiração pesada, visivelmente cansada e trêmula, ela estendeu o braço tentando impedir que ele se aproximasse:
— Não. – foi firme.
— Jane, — Kurt foi doce – está tudo bem, Sweet heart. Estou aqui.
— Não, Kurt. Eu não vou voltar. – e precisou puxar o ar algumas vezes antes de continuar. – Eu só preciso resolver algumas coisas.
O breve alívio que Kurt sentiu ao encontrá-la deu lugar a um forte aperto no seu peito. Era difícil vê-la tão confusa.
— Iremos juntos, então, ok? – e deu mais um passo em direção a ela.
— Não! Eu prometi que você voltaria para casa e para Bethany. Você precisa voltar. É mais seguro assim.
— Eu já voltei, Jane, mas senti muito a sua falta. Eu preciso de você. – insistiu se aproximando mais.
— Assim que eu colocar tudo no lugar, eu vou até você. – ela falou com uma sinceridade que o comoveu.
— Essa é você: minha Jane. O que há de tão urgente para você resolver?
— Eu preciso conseguir o antídoto.
— Patterson já tem o antídoto, Jane. Você só precisa voltar comigo para terminar de tomar a dose necessária.
— Esse antídoto não funcionou, Kurt. Muitas vezes eles não funcionam. Eu... continuo alucinando. Roman... ele estava lá. E... eu preciso encontrar o bebê que está chorando. Vou pegá-lo nos meus braços, aquecê-lo e ninar um pouco até que pare de chorar. Será só por algum tempo. Sei que não posso ficar com o bebê, que não sirvo para ser mãe. Eu sou só um soldado. E cometo tantos erros com as pessoas que amo... Eu vou entregá-lo para alguém melhor... Alguém como Allie, ela é uma boa mãe para sua filha e ...
Uma forte tontura a fez fechar os olhos e tentar se agarrar a parede. Kurt aproveitou para romper a distância que os separava e a envolveu em seus braços. Depois pegou a mão dela e segurou firme contra seu peito. Isso costumava acalmá-la.
— Eu estou aqui, Jane, e vou cuidar de você. Vamos juntos até o antídoto.
— Não, você precisa voltar. Eu dou conta sozinha.
— Você já superou muita coisa sozinha, eu sei. Mas todas as vezes que se afastou de mim não deu certo, não é mesmo? Também não deu certo pra mim. Somos melhor juntos, lembra? — e roçou as costas dos dedos no rosto dela. – Depois do antídoto, vou te levar pra casa. Lá, vamos encontrar um final feliz. Juntos. Podemos tentar um bebê. E, se conseguirmos, ninguém vai tirá-lo de nós. Eu prometo.
— Eu não posso – Jane disse num tom suplicante. – Eu não consigo engravidar, Kurt. Mento pra você há muito tempo. Disse que estava cuidando disso, mas não estava. Eu sinto muito... – e as lágrimas correram pelo rosto dela com um soluço abafado. – Até como Remi eu tentei...
Kurt apertou seu abraço em torno da esposa e voltou a beijar seus cabelos.
— Ah, Honey, você precisa parar de tentar fazer tudo sozinha. E tudo bem não ter dado certo. Só queria poder ter estado ao seu lado e te abraçar todas as vezes que isso aconteceu. Parece ser algo muito importante se até mesmo Remi cedeu.
— Eu poderia desistir do plano porque teríamos uma família. Você ia encontrar a cura por causa do bebê e seria estupidamente protetor comigo. Foi errado, irresponsável. Essa sou eu, me desculpe.
— Você estava doente. E precisava de ajuda mais do que qualquer um de nós podia enxergar. E estamos de novo nesse barco, mas dessa vez, podemos fazer diferente. Por favor, confie em mim. Pode fazer isso por nós, Honey? Pode confiar em mim?
Ela se aninhou no peito dele e assentiu com a cabeça.
— Preciso ouvir, Jane. Não vou te forçar a fazer nada que não queira, mesmo sabendo que é o melhor para você. Confia em mim, Sweet heart?
— Com minha vida, Kurt.
— Então, vou te levar de volta. – e a pegou nos braços com uma facilidade surpreendente.
Pelos comunicadores, anunciou a equipe que tinha encontrado Jane e estava a levando de volta. Pediu para só a Dra. Carla ficar na sala hospitalar para verificar se tudo estava em ordem com a acesso venoso. Queria evitar novas sobrecargas emocionais com Avery, Roman ou um bebê.
Entrando na sala, a colocou sobre a maca com cuidado, sempre dizendo palavras de segurança para tentar deixá-la o mais confortável o possível. Após constatarem que o acesso venoso estava em ordem, retomaram a aplicação do antídoto. Logo ela adormeceu.
Kurt se deixou desmoronar na cadeira ao lado da cama, corpo debruçado sobre a mão dela, beijando a pele clara e macia. Avery tinha razão: havia muito cuidados que Jane precisava receber e ele não falharia.
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