Lost

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Jane + Weller + bomba = felicidade do fandom! Boa leitura.

Eles se prepararam rapidamente. Não precisavam levar muita coisa. Algumas ferramentas ágeis e armas de pequeno porte bastavam além de garantir o deslocamento pelo túnel sem chamar a atenção.

Usaram o carro de Lincoln e Ana garantiu que todos os semáforos do caminho estivessem abertos. Chegaram ao Holand Tunnel em minutos. Usando o aplicativo de Ana, mantinham a comunicação e foram avançando até alcançar o ponto.

— Isso não é nada bom... – Jane informou. – As coordenadas estão nos levando exatamente para baixo do prédio da torre de ventilação. Se essa bomba explodir não causará apenas a inundação do túnel, mas pode colapsar o prédio causando um efeito dominó com vários desabamentos. O número de vítimas seria incalculável. Tão impactante quanto o 11 de Setembro.

— Não deixaremos isso acontecer – a certeza na voz de Kurt era tranquilizadora.

E, estacionando o carro para adentrarem o duto que dava acesso ao ventilador de 24 metros de diâmetro. Jane desceu do veículo ainda usando o lenço emprestado por Patterson como um hijab muçulmano que só deixava seus olhos de fora. Kurt se aproximou e, observando-a por alguns segundos, um sorriso torto se formou em seu rosto.

— O que houve? – ela questionou enquanto lhe entregava um alicate.

— Você fica fodidamente sexy com esse hijab. Qualquer homem pode enlouquecer só com a visão de seus olhos.

— Cuidado, Agente Weller, uma terrorista muçulmana pode mais perigosa que aquele que só fazia parte de uma organização doméstica. Posso te fazer meu refém mais tarde – ela brincou, usando um tom ameaçador e provocante na voz.

— Pessoal, os comunicadores estão abertos – Ana os alertou.

— Essa é a melhor parte, pirralha. Deixe os dois se divertirem – Rich repreendeu.

— Ok, pessoal, sigam por esse túnel. As coordenadas estão uns 400 metros a frente – Patterson parecia bem tensa.

Jane se livrou do lenço e eles caminharam rápida e cuidadosamente pelo túnel. Avançando mais de cem metros, encontraram censores laser dos quais precisaram desviar. Dezenas de metros depois o sinal dos comunicadores começou a ficar instável desaparecendo por completo mais à frente.

— Merda! – Kurt rosnou. – Eles devem ter instalado algum tipo de bloqueio nessa área.

— Então não poderão acionar a bomba à distância. Talvez nem exista uma bomba ainda.

Continuaram avançando pelo túnel até alcançar o local indicado. Não foi preciso fazer uma varredura detalhada. O dispositivo foi facilmente localizado. Observaram com atenção sua estrutura.

— Bizarro. Isso é muito parecido com aquela bomba que desarmamos no hospital – havia uma certa satisfação na voz de Jane.

— Todos os fios internos e cobertura com mercúrio líquido. Qualquer desequilíbrio para removermos a tampa fará a bomba explodir. Ainda bem que dessa vez não temos um timer numa contagem regressiva insana nos pressionando. Melhor não mexermos nisso. É trabalho para o esquadrão antibombas.

— A ausência do timer não significa que temos tempo. Kurt, sabemos como desarmar isso.

— Isso foi há quase dois anos, Jane. E tínhamos o apoio remoto de Patterson.

— Eu me lembro. Sei o que fazer.

— É arriscado demais.

— Sem a contagem regressiva, pode ser que não tenhamos tempos sequer de deixar o túnel. Por favor, confie em mim.

Ele olhou nos olhos dela e respondeu:

— Eu sempre confio em você.

Jane sabia que não era uma resposta qualquer nem restrita a essa situação. Ele confiava nela em campo mais do que em qualquer outra pessoa. Conhecia suas habilidades. Mas essa frase tinha um caráter extremamente pessoal. Ele confiava que ela não o deixaria de novo, mesmo que Jane tivesse traído sua confiança várias outras vezes no passado. Isso aquecia seu coração e revirava suas entranhas. Ela fechou os olhos por um segundo e aspirou o ar para dizer:

— Juntos somos melhores e será assim que vamos quebrar o ciclo de caos da minha vida – e apertou os olhos num pacto de cumplicidade que só ele conhecia.

Kurt sorriu e levou a mão até o rosto da esposa a puxando para um breve beijo.

— Vamos lá, agente Doe. Estou sob o seu comando.

Pegando as bordas da tampa repleta de fios, foram cuidadosos ao removê-la. O mercúrio líquido no centro do objeto não podia alcançar as laterais. Felizmente, sabiam agir com uma sintonia fora do comum e, devagar, realocaram aquela superfície na lateral do dispositivo.

Noventa segundos.

— É tempo suficiente. Basta desconectarmos as placas de circuito dos detonadores ao mesmo tempo que interrompemos o fluxo de energia. Foi o que fizemos da outra vez.

— Cinquenta segundos. Só me lembro de puxarmos fios ao mesmo tempo. Você tem certeza que são esses fios.

— Praticamente sim. Minha memória andou um pouco conturbada desde então. Tudo que fizemos depois eu me lembro claramente.

— Jane...

— Ok, foi uma brincadeira inadequada. 30 segundos. Temos que puxar os fios agora. Está pronto?

— Pra você, sempre!

— Então, no três. Um, dois, três!

— Inferno! – Kurt rosnou mais alto do que o habitual ao ver o timer interno do dispositivo.

Bunker de Patterson

— Não era para meu sistema de comunicadores estar falhando nessa localização. Tem algo muito errado – Ana falou enquanto digitava diversos comando tentando trazer a comunicação com o casal de volta.

— Isso não está me cheirando nada bem. Deve ser uma armadilha. Vou avidar o Lincoln para dar o alerta de evacuação da região agora – Patterson disse nervosa.

— A única coisa que não está cheirando nada bem é esse seu namorado, Patterson. O cara usa perfume barato como o Weitz. Você precisa fazer alguma coisa – a voz de Rich estava mais irritante que nunca.

— Eu não acredito que a vida de nossos amigos está em perigo, toda a cidade está em perigo e você está fazendo piadas de mal gosto, Rich!

— E eu não acredito que você está surtando por causa de uma bomba! É Jeller lá embaixo, Jane e Weller. Eles nunca falham em campo. Deixe os dois se divertirem.

— Já pensaram em hospitalizar esse cara? – Ana questionou inconformada.

— Ele sempre passa dos limites – Zapata rosnou pegando o telefone para entrar em contato com a CIA.

Foi então que Patterson parou e olhou demoradamente para Rich.

— Você não fez isso... – soltou entre os dentes.

Ele levantou as sobrancelhas de forma desafiadora e começou a lixar as unhas. Zapata desligou o telefone e deixou o corpo cair na cadeira próxima.

Holland Tunnel

Após um breve bip todas as luzes do dispositivo se apagaram. Estava desativado.

Trocaram olhares com uma cumplicidade já habitual entre eles. Respiração acelerada pela adrenalina da tensão vivida e outra avalanche de emoções chegando rápido.

— Salvamos o mundo outra vez – Kurt disse com um sorriso tímido.

— E saímos vivos. Os dois – ela acrescentou com o olhar sedutor, mordendo o lábio inferior ao final da frase.

— Sem comunicadores.

— Isso significa que a equipe antibombas vai demorar a chegar.

— E ninguém costuma vir até aqui. Estamos seguros e sozinhos – ele arrematou fechando a distância entre eles e a puxando pela cintura.

Ele amava ver como o olhar de Jane passava de frio e calculista no momento da ação à selvagem e quente quanto estava excitada. Inferno! As escolhas dela eram totalmente questionáveis, mas não o amor que sentia por ela. Jane exalava isso quando estavam a sós. Como acusá-la por todo o resto e se era esse sentimento imensurável que a guiava?

— Deixei o hijad na entrada do duto, Agente Weller – lamentou sem deixar de desafiá-lo a romper os limites com o olhar.

Jane foi treinada desde a infância para ser um soldado. A batalha em campo era o terreno no qual ela se sentia confortável. E essa era, eles desejavam do fundo do coração, a última oportunidade que teriam de celebrar a vitória sobre um inimigo.

— Eu te livraria dele para começarmos – falou a puxando pela cintura, deixando-a perto o bastante para que cada respiração fosse sentida, mas longe demais para tudo que os dois desejavam.

As mãos de Jane alcançaram o rosto dele sentindo o leve formigamento da barba espessa de Kurt. Então, ela o puxou deixando seus lábios colidirem com toda a fome e fogo que rapidamente tomaram conta dela. E, como sempre, ele demonstrou que estava ali por ela, seus braços a envolvendo, seu calor e intensidade mostrando que o desejo era recíproco.

Ela envolveu os braços ao redor do pescoço dele abandonando tudo que já vivera e todos os poréns que ainda tinham a frente. Se deixou envolver por ele e pelo amor que compartilhavam ligando o botão de “foda-se” para todo o resto. Aqueles momentos entre eles eram o que ela possuía de mais valioso e ela viveria isso, cada instante possível, sem pensar em passado ou futuro.

Com muita habilidade, Kurt a impulsionou para cima e ela reagiu como sabia que ele queria: envolvendo as pernas ao redor de sua cintura. Com facilidade, ele a transportou até a parede do duto, apoiando-a na parede. Imediatamente, Jane se remexeu se ajustando a nova posição, esfregando os quadris contra ele e sentindo o marido estremecer em resposta. Deus, como era bom sentir esse poder que ela tinha sobre ele! Foi o que bastou para ela retomar o beijo, dessa vez mais profundo querendo tudo que ele podia lhe dar.

Kurt entrava num transe alucinado quando começava a percorrer o caminho do amor com Jane. Não que seus pensamentos pudessem ser considerados racionais. Mas, inferno, os instintos não o deixavam! Queria protegê-la, fazê-la sentir-se amada e segura, ao mesmo tempo que queria enlouquecê-la, arrancá-la da realidade como ele mesmo tinha sido arrancado.

Suas mãos varriam o corpo dela obcessivamente. Ele poderia fazer isso o dia todo e não seria o suficiente. Um dos sentimentos mais fortes que ele já provara era o ódio a qualquer forma de tecido que se mantivesse entre os dois. Ele a queria nua, queria sentir cada centímetro da sua pele, agora e para sempre. Não a deixaria escapar dele de novo. Não a deixaria se afastar por um segundo sequer. E, para provar isso, começou a pressionar beijos gananciosos na mandíbula e clavícula de Jane mostrando saber os pontos exatos que a faziam estremecer. Ele amava isso.

Enquanto suas mãos migravam para baixo da blusa dela, ele voltou a beijá-la, agarrando-se a ela como se fosse morrer sem isso. Como ele pode sobreviver todos esses meses sem ela? Ela era como um elixir que o nutria e despertava o que havia de melhor nele.

De alguma forma inexplicável, Jane entendia cada sentimento do marido transformado em carícia. Compreendia a necessidade que ele tinha dela e que afastar-se dele não era mais uma opção. Merda, nunca foi. Ela deixou seus lábios se moverem os dele de forma feroz e carente numa resposta clara aos seus anseios. Deus, ela estava cansada de fugir, cansada de se sentir culpada. E, só ali, com cada centímetro de seu corpo se moldando ao dele, encontrava paz. Custe o que custar, ela faria isso dar certo. Encontraria ao lado dele seu final feliz.

Relutante, ele se afastou, seus braços segurando sua cintura enquanto sua testa caía sobre a dela para sussurrar:

— Por favor, diga-me que não vai me deixar de novo. Eu não sei viver sem você, Jane. – seus olhos desesperados esperando uma resposta.

Ela respirou fundo. Aqueles segundo cravando uma lâmina de incertezas no peito de Kurt.

— Juntos... – falou ofegante. – Faremos isso juntos. Eu não sei como e... tenho muito medo, Kurt. Medo de perder você. Muitas vezes, esse medo foi mais forte que eu. Mas farei diferente dessa vez. Só preciso da sua ajuda. Só me segura assim até chegarmos do outro lado, ok? Até tudo isso passar.

Um sorriso satisfeito se formou no rosto dele enquanto sua alma se rasgava por ela em forma de amor ainda maiores e mais profundas. Vê-la se mostrar vulnerável, disposta a deixá-lo guiá-la era muito mais que ele esperava.

Ela se ergueu na ponta dos pés para retomar o beijo, mais calmo dessa vez, selando um compromisso. Os lábios dele reagindo a ela com apenas um toque de sua língua. Mas não durou muito. As coisas se incendiavam rapidamente entre eles. Tomada pela necessidade que crescia rápido, Jane fez um movimento que invertia a posição dos dois. Agora era Kurt preso entre ela e a parede, a prisão na qual ele queria passar todos os dias do resto de sua vida. Seus dedos trêmulos trabalharam nos botões da camisa dele mais devagar do que ela desejava. Sedenta demais para manter a distância, colou os lábios ao pescoço do marido enquanto abria sua calça e a empurrava para o chão junto com a boxer que ele usava.

Deus, como ela amava ter amplo acesso a pele dele. Ela jamais se cansaria de observá-lo nu e poder correr suas mãos por todas as partes do corpo dele. E, como as mãos de Kurt eram mais rápidas e ágeis que as dela, suas roupas se espalharam rápido pelo chão, mantendo-a somente com a lingerie. Ela sabia que ele teria tirado tudo se estivessem em casa, mas ali, manteria alguma peça que garantisse uma mínima privacidade a ela. Era esse tipo de cuidado que a deixava totalmente à mercê dele.

Brincando com os dedos na borda da calcinha dela, ele sussurrou:

— Você já decidiu como vai arrancar de mim o que quer, Sra. Terrorista? Se estiver indecisa, posso virar o jogo e conduzir seu interrogatório agora mesmo.

— Vai se arrepender por sua língua afiada, Agente Weller.

Se inclinando, ela o beijou novamente colocando tudo que sentia, sabia que só assim o distrairia como precisava. E funcionou! Não demorou até ele estar completamente entre a ela. Aproveitando-se disso, ela passou a perna por trás das dele, começando com uma carícia e pouco depois habilmente o desequilibrando rumo ao chão.

Kurt mal se acomodou e ela estava sobre ele, seu corpo se movendo de forma lenta e suave, como se tivessem a eternidade pela frente. Sua calcinha representando o obstáculo mais tentador que ele já enfrentara. Ela realmente teria transformado aquilo na melhor sessão de tortura da vida dele, mas o tempo era seu algoz. Afastando a calcinha, deixou que seus corpos se fundissem num ritmo único. Deus, ele sabia exatamente como levá-la rapidamente cada vez mais alto, mais longe, suas mãos trabalhando em seus seios de forma enlouquecedora. Ela nem sabia se estava realmente no controle. E isso realmente não importava. Ela só não aceitaria parar.

Inexplicavelmente seus olhos se encontraram estabelecendo a conexão a partir da qual não havia mais retorno. Impossível retardar o clímax com toda a emoção que aquela troca de olhares despertava. A onda que os varreu foi a mais intensa e lenta que já experimentaram. E recuou devagar enquanto, ofegantes, agarravam-se um ao outro.

Notas finais
Farei o possível para finalizar essa história ainda essa semana. Muito obrigada a todos que seguem comigo até aqui, tantos anos após o final da série. Se quiserem deixar uma fanfiqueira feliz, deixem um comentário com suas impressões do capítulo. Até mais.