Lost
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Notas iniciais
“Dois jovens tensos deixaram todo o peso dos ombros caírem quando seus lábios se tocaram. Naquele momento puramente impulsivo, mas desejado, nada mais importava.”
“– Oi, Emma – disse um garotinho um pouco amedrontado. Devia ter oito anos. – Não está a fim de algum jogo?
– Estou ocupada – respondeu indiferente.
O garoto olhou triste e se foi. Poderia parecer que não era persistente, mas era, e muito. A garota, Emma, deu um sorrisinho fraco ao vê-lo ir. Nada fazia, mas achou melhor ficar. Os outros não eram legais. Iriam importuná-la. E deduziu que este também não seria legal, mesmo que parecesse.”
“Uma bebê desajeitada e cambaleante. Permaneceria sempre desajeitada. Estava dando os primeiros passos, e seu pai estava a ponto de desabar ali, via-se em seus olhos. E quando ele sorria era evidente as marquinhas no canto dos olhos.
Ande, ande! Você consegue. Um pouco mais adiante e tropeçou na grama fofinha. Mas havia alguém para levantá-la.”
“- Vai ficar aí sozinha? – perguntou o garoto. Parecia ter uns catorze anos.
– Quem se importa? – rebateu áspera. Era assim com todos porque realmente achava que não se importavam. Menos com Liv, que mostrara a ela o contrário.
– Er... Hm... – hesitou.
– Olha, seus amigos estão te esperando. Vai.”
“Estava jogada ali no chão e só via um vulto da sua esperança enquanto mais sangue esvaia de seu corpo.”
“E estavam dançando no meio daquela pequena sala. E o fato de ela estar dançando, ligado ao fato de que a poucos centímetros de cada extremo de seus corpos havia um móvel para se bater, tornava aquilo extremamente perigoso.”
“Entrou no carro e se sentiu idiota por estar pegando carona com a sua Morte.”
“Andando pelas ruas de Londres, com os olhos marejados, não enxergava nada. Mas o que a guiava eram as mágoas de seu coração. Esse tipo de coisa não tem um destino muito certo nem confiável.”
“- Sentimentos. Coração. Amor. Sua mãe também usou disso quando eu a matei. Isso é coisa de gente desesperada, entenda. E ela mentiu ali porque estava desesperada – a frase dita por uma mulher de voz amargurada ecoava por todo o mundo, que girava descontroladamente e deixava tudo em extrema desordem.”
“E os barulhos de tiro já estavam sendo tão comuns a seus ouvidos que nem se impressionava.”
“Tinha uma tendência grande a parar em um hospital, aquela garota.”
“O som do piano enchia seus ouvidos de criança diminuta. Dançava graciosamente – tombando a todo o segundo – enquanto a mulher de cabelos vermelhos e bagunçados, porém muito vivos, dedilhava aquele grande instrumento. O homem dos cabelos de caramelo chegou e abraçou por trás, sorrindo. Ele tinha um sorriso muito bonito. E pareciam a família mais feliz do mundo.”
“Era o último dia do mês de novembro e havia uma garota quase chorando na calçada do hospital. Totalmente deslocada, sem saber para onde ir. E sua mente disparava questões a cada segundos, questões que não podia responder porque de nada se lembrava. E não imaginava que acharia melhor não obter as respostas.”
“– Ande, vamos – chamou. Ele se levantou, mas ela ainda estava sentada. Não iria acompanhar esse cara que ela nem sabe quem é, suposto conhecido, mas poderia ser um psicopata! Ele ainda a esperava. – Você não tem para onde ir, tem? Eu te arranjo um lugar para ficar.
– Eu não vou com você. – Dessa vez o tom de voz dela era mais áspero e confiante. – Mesmo... Mesmo que eu tenha o conhecido.
– Tá, então fique aí e durma na rua nesse tempo frio – retrucou.
– Hm, que dia é hoje? – A pergunta não tinha nada a ver com o contexto da conversa, mas ela não sabia, e precisava saber.
– 31 de novembro.
– Ah, meu Deus – sussurrou. Passara-se muito tempo desde que ela tinha chegado no hospital. Ficou todo esse tempo em coma?!
– Você precisa de ajuda. Eu posso te ajudar.”
"Uma menina de cabelos loiros saltitantes corria ofegante para dentro da casa. Não disse nada, apenas puxou o outro até um lugar ali perto.
– Que houve? — ele questionou.
– Brian, me ajude! Aqui! Empurraram a Em nesse buraco e ela é baixa demais para sair. Meus braços são muito curtos. Tente você.
– O.k. — respondeu, esticando-se para ajudar. Ela estava receosa. Seu queixo estava ralado. Aceitou a mão dele e saiu dali de dentro. — Foram eles?
Apenas suspirou em resposta.
– Idiotas — resmungou.
– Por que anda com eles então?
Porque você sempre me dá um passa-fora, por isso– pensou, mas nada disse. E tudo continuou na mesma."
“Ouviu uma piada sem graça, e havia acabado de levar um tiro no braço e beijar o cara que tanto amava. E enquanto ia perdendo os sentidos, pensava que se morresse naquele instante, morreria feliz.”
“- Emma! Emma! Sua palerma! – cantarolavam.
– Seu bando de panacas! – xingou a garotinha loira, Liv. – Isso nem rima.
– E daí? Quer que inventemos uma pra você também? Ficou com inveja? – retrucou um garotinho atarracado.
– Caras, por fav...
– Ê, Brian! Ama as menininhas estranhas! Vá lá dar umas beijocas nelas, vá. Ou cala a boca ou nos deixa.
Ele estava quase ficando ali quando alguém que estava calada por todo esse tempo berrou.
– VAI! – Fora a tal de Emma.
E ele cambaleou para fora, com um brilho triste no olhar.”
“Foi embora porque era idiota. Mas ir embora também era uma idiotice. E tudo o que fazia era. É, às vezes as coisas sem noção passam completamente dos limites.”
“- Jane, irmã – chorou a mulher que não sabia nem como se mantinha em pé a essa altura. Seu marido estava caído ali no chão, morto. Mas ainda restava sua filha. Por mais que a dor fosse dilacerante, tinha que tentar ser forte por ela. – Por fa...
– CALE A BOCA! Não venha me pedir para poupar a sua vida agora, querida irmãzinha. Nem comece de novo a falar de sentimentos. Você teve uma vida longa e feliz. Eu já tive alguma vida? Não até agora. Não tente me impedir. Não há para onde correr...
– Ao menos... Deixe... – Soluçou. Disse mais baixo, sussurrante: — Em.
Um tiro. Mais um cadáver no chão.
– Quem é Em?! – berrou, mas sem se importar. O trabalho estava feito.”
“Mais um tiro. Dessa vez não haveria para onde correr, era fato. Nem quem a salvar. Eram tiros demais para um período curto de tempo. E foi ali pensando no quê? Que deteria uma mulher com um revólver, bem experiente por sinal, além do mais? Que a mandaria para a cadeia, voltaria para Brian e viveria um final feliz? Bom, não pensara em Brian. Mas pensava em lidar bem com isso, acabar com isso. Muito, muito iludida. Alguém devia ter encucado em sua cabeça contos de fadas e então ela estava assim, esperançosa demais.
Parece que os finais felizes não existiam. Não existiram para seus pais, nem para ela existiria, muito menos para Brian. Mais um barulho de tiro enquanto não perdia seus sentidos completamente. Não foi direcionado a ela. E preparou-se para o inevitável, enquanto sua vida se esvaía por aquele buraco em seu corpo.”
Um cartão simplório repousava em cima do criado-mudo. E uma pessoa morria, mas não no sentido literal.
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