Lost
20 Apenas respire
Notas iniciais
*NARRAÇÃO: BRIAN*
Isso é uma completa maluquice. É a coisa mais estranha que aconteceu na minha vida. E ela não é completamente normal nem nada, já que a minha mamãe resolveu me deixar no bendito orfanato depois de engravidar aos dezesseis. Mas ela era relativamente normal até aquele dia de outono em que uma garota começou a chorar em um café. Ela não era qualquer garota. Não estava chorando por causa de um término com o namorado ou coisa qualquer. Ela era Emma. Ela estava perdida. Bom, eu a achei.
Eu a achei e de repente perdi foi o sentido da minha vida. Uma hóspede amnésica com uma tia que a queria matar. Até parece uma piada tosca que alguém vai contar aos amigos em um pub qualquer enquanto o álcool trucida os neurônios dos caras. Mas era real. E nunca pareceu mais real do que quando acordei sem ela ali, em nenhum lugar.
Agora Jane acordava tonta. Ela fuzilou-me, mas não tinha como correr. Estava tontinha e machucada. Emma tinha cortes por todo o lugar. Ela praticamente deitou nos cacos, pedindo pra ser furada. Não aguento isso. Todas as idiotices que ela fez. Ela quer me matar ou o quê? E agora estava ali, dormindo em meus braços. E parece que a polícia vinha chegando. Eu fechei os olhos por alguns instantes. Ouvi o toc-toc de salto na madeira. Corra, então. Corra e abrace os policiais por mim. Para a ninja que ela demonstrou ser, estava sendo completamente estúpida. Então ouvi um barulho de estouro. Deixei Em deitada em uma parte limpa do assoalho e observei a cena escondido atrás do balcão da cozinha.
Ela realmente não desiste. Estava apontando a arma para os policiais. Mas havia deles dois contra ela. Eles fizeram um movimento indicando a ela que devia largar o revólver. Ela acabou deixando-o cair no chão. Quando eles a seguraram, ela lançou um olhar para o lugar onde eu estava. Eu me abaixei. Depois voltei a observar ela fitando o lugar com seus olhos malucos e esbugalhados. Estava fora de si. A insanidade foi sendo alimentada durante todos esses anos? Já não bastava ela ser uma psicopata como era, ainda tinha tudo isso que a deixava mais sinistra. Estúpida. Ouvia-a murmurar algo:
– Vocês não podem... Ela... Ainda não acabou... Não... A pequena Sharon... Ela precisa se... se encontrar com seus pais. VOCÊS NÃO PODEM! ME DEIXEM! – Eles a repreenderam e a seguraram mais forte, tentando leva-la para fora. – Eu preciso fazer isso! Vocês não podem ligar felicidade a uma pessoa!
– Ande, vamos logo, Tom – ouvi um policial murmurar. – Ela está biruta. Mande Richard encontrar quem ligou e trazê-los até mim.
Voltei rapidamente até o porão para pegá-la. Ela respirava ruidosamente no chão. Estava tão linda, mesmo que tão machucada. Ainda escorria sangue de seu braço. Aquilo me deixou meio tenso por um bom tempo. Ouvi passos lá em cima e a peguei. Levei-a até a sala e a sua respiração era a minha esperança naquele momento. Os policiais suspiraram um pouco quando me viram. Ela era magricela, sim, mas a tensão me deixava um pouco incapaz de aguentá-la muito. Deixei-a no sofá e então os policiais se dirigiram a mim para perguntar sobre tudo o que aconteceu. Expliquei desde o início.
O acidente forjado que deu errado. A menina que não se lembrava de nada que encontrei — uma velha colega. Disse que ofereci lugar para ela ficar. E que ela começou a receber ameaças escritas e que aparentemente havia alguém nos espionando. E o episódio do cara, que estava morto agora no porão. E que ela na verdade tinha assassinado os pais de Emma, não assaltantes. E agora estava pretendendo terminar o que havia deixado para trás. Mas não conseguiu. E eles pareceram surpresos diante de tantas informações.
– Então está bem, rapaz... Ahm... Depois você deverá nos falar novamente sobre isso, sobre as provas que você reuniu antes de isso aqui acontecer... Mas agora devemos ir, a garota está bastante machucada.
E ela não acordava. Foi levada para um hospital. Os policiais me chamaram em uma sala que conseguiram e novamente os falei de tudo. Aquilo estava me deixando cansado. Ela não acordava. Era bom que descansasse. Mas isso muitas vezes me preocupava. E então, depois de tanto interrogatório eu estava em uma cadeira observando-a. Havia vários curativos e um especialmente grande em seu braço.
Novamente no hospital. Sempre no hospital. Por que, Em? Por que não podia ter sido minha amiga lá mesmo no orfanato? E então seríamos amigos ou algo mais normalmente, como as coisas acontecem. Mas fomos reunidos por coisas totalmente malucas. Ah, é. E eu a encontrei quando saíra de um hospital. Agora retornamos ao hospital. Quando ela iria acordar?
E então eu estava debruçado sobre a cama e em pouco tempo com certeza pegaria no sono....
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