Los espinos de una rosa
2 Olhares trocados, vidas amarradas
Notas iniciais
mais cara da cidade...Vou tentar contar a vocês exatamente como ela me contou tantas vezes, se minha memória falhar, me perdoem, faz alguns anos que eu ouvi essa história.
Era um daqueles dias onde o sol estava tão quente, que parecia que o céu e o inferno tinham trocado de lugar.Pra qualquer um na rua, era o dia mais quente do mês, mas era Valência, o calor se superava o tempo todo.
Levantei assim que acordei, normalmente eu ficava na cama, imaginando como seria meu dia, mesmo já sabendo que a monotonia o rodiaria, mas dessa vez, sem razão alguma levantei e como se algo me puxasse para a janela, abri as cortinas e os vitrais, dando de cara com o sol.
Deviam ser cerca de nove horas, dado que o cheiro de pão recém saído do forno já preenchera as ruas e de que as mesmas já se encontravam cheias de pessoas, movimentando-se com gestos apressados.
Fui até o banheiro fazer minha higiene pessoal quando ouvi a porta abrir e o som de passos.
–Senhorita, vejo que já está de pé, aconteceu algo?- perguntou com voz preocupada, Johna, a governanta da casa.
–Não Johna, estou bem obrigada.Já estou saindo, é hoje que tomaremos café na Alto Mar certo?
– Sim senhorita, seu pai já está a espera, por favor se apresse.- com isso saiu e fechou a porta com delicadeza, saí do banheiro e fui me vestir, como era uma padaria de alto nível social, coloquei um dos meus melhores e mais desconfortáveis vestidos, pentiei o cabelo deixando os cachos correrem soltos em torno dos ombros, botei sapatos simples, já por causa do vestido ninguém os veria.
Desci as escadas e me dirigi para a entrada, onde a carruagem esperava, esperei o condutor abrir a porta, mas reparei logo que ele dormia, então abri sozinha a porta e a fechei com força fazendo-o acordar.
–Senhor Blanc, onde está meu pai?
–Bom dia Senhorita, seu pai já saiu a um tempo, ele tinha um compromisso.
–Muito bem, vamos, entrei e fechei a porta.
Demoramos mais que o habitual para chegar, o lugar era uma mansão de cor de marfim com janelas grandes e varandas cheias de mesas com pessoas conversando, mas oque mais me chamou a atenção foi um homem que levava uma brinca de uma mulher vestida como um homem.
Desci da carruagem a tempo de ver ela se afastando e ele bufando de raiva, cheguei perto para saber se algo tinha acontecido, até que ele olhou pra mim... Naquele segundo, senti que a gravidade tinha me puxado para baixo de vez, não conseguia desviar o olhar,parecia que eu estava olhando pra razão e pra solução dos meus problemas.
Os olhos dele eram negros como a noite, e tão charmosos e misteriosos quanto ela , eles mostravam um vazio tão profundo quanto o infinito e sombras tão escuras, como, bem, como sombras. Eram os olhos de alguém que a muito não viam algo que valesse a pena ver. Mas também eram os olhos de alguém que tinha acabado de encontrar da coisa mais importante do mundo no meio de uma multidão de coisas descartáveis.
Ele começou a vir na minha direção, e eu atonia, sem saber oque fazer comecei a olhar pro meu pé, sem saber ovue fazer, até que vejo a sombra dos seus pés, e quando olho pra ele...
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