Lorem
8 Capítulo 7 - Interrogatório
A bolinha bateu na parede, com um baque surdo, e retornou às mãos de seu dono, que a jogou novamente, reiniciando o ciclo.
Stewart estava entediado. Munido apenas de uma pequena bola vermelha de borracha, ele tinha de passar o tempo naquela cela minúscula. Sua cela era exatamente igual a de Johnny, a cama simples, a mesa de carvalho, a porta mal acabada e a pendente e piscante lâmpada no teto.
Ele já estava cansando de esperar. Prenderam-no, tudo bem. Normalmente, quando se faz um prisioneiro, costuma-se interrogá-lo. Principalmente naqueles tempos, quando se invadia um planeta fora da jurisdição de sua espécie. Naquele caso, era interrogado o suspeito com perguntas do tipo “Quem é você?” e “Da onde vem a sua espécie?”.Nos casos mais graves, uma pequena guerra interespécies era iniciada por causa de uma invasão do tipo.
Aquela pessoa que os capturou, o tal de Klown, era provavelmente um humano evoluído, como eles. No pior dos casos, era m humanóide. Aquela chuva de meteoros que ocorreu... fora ele? Ele tinha o poder de invocar meteoros?
A bolinha quicou novamente na parede, voltando às suas mãos. Stewart a jogou novamente, repetindo o processo. Dessa vez, ele parou o movimento da bola no meio do caminho da parede à suas mãos, com sua telecinese. Fez a bola flutuar por todo o cômodo, ricocheteando nos móveis e fazendo a lâmpada balançar.
Será que não conseguiria derrubar a porta com a telecinese?
Estendendo suas mãos em direção a porta, concentrou seu foco mental. A porta balançou levemente, fazendo poeira cair de suas extremidades, sujando o chão no qual ele estava sentado.
Talvez, se pudesse se concentrar um pouco mais... tentou. Uma das dobradiças de sua porta soltou-se com um estalido. Metade do caminho passou.
“Hora da outra dobradiça”.
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Johnny caminhava pelos corredores, ambos os pés presos por uma algema. Não conseguiria voar com os pés presos daquele jeito. Até que tinham um bom espaço entre um e outro, mas poderiam se enroscar no meio do vôo, causando a sua queda e eventual morte...Klown caminhava atrás dele. Uma pequena penumbra cobria o lado direito de sua máscara. O corredor pelo qual caminhavam tinham o mesmo acabamento de sua cela, mal-feito. As lâmpadas eram igualmente mal-acabadas, pendendo do teto. Lembrava a Johnny filmes de terror.
De súbito, Johnny parou involuntariamente. Usando uma telecinese, Klown conseguia controlar levemente seus movimentos, embora não todos. Ele ainda não possuía domínio completo sobre aquela habilidade, era algo novo para ele.
–Chegamos. – sussurrou ele.
Tomando a frente de Johnny, ele virou-se para a esquerda, e destrancou a porta, praticando a sua nova habilidade telecinética. A porta se abriu com um estalido. “Presto”, sussurrou em vitória Klown.
Ele abriu a porta completamente, e com um gesto que se assemelhava aos cavalheiros deixando as damas irem primeiro, fez Johnny adentrar a sala, entrando logo após e trancando-a.
A sala lembrou ainda mais um filme de terror a Johnny. O mesmo tipo de acabamento, porém dessa vez com enormes manchas de um sangue rubro em certos lugares. Haviam duas cadeiras, uma limpa, outra com mais manchas vermelhas, e uma mesa entre as duas, com idem manchas de sangue. Johnny julgou ser uma sala de tortura ou interrogatório.
–Sente-se – Klown disse com um tom cortês, porém debochado, apontando para a cadeira ensanguetada. Contra a vontade, Johnny caminhou até a cadeira e sentou-se.
Logo após “acomodar” o invasor, Klown pegou a outra cadeira e sentou-se nela.
–Hum... Podemos começar, então.– continuou – Qual é o seu nome?
Ele hesitou em responder. Após visualizar a mancha de sangue na mesa a sua frente, considerou melhor cooperar.
–John Walker. – Sem hesitação, ele respondeu a pergunta – Mas todos me chamam de “Johnny”.
–Certo, Johnny... – fez questão de enfatizar o apelido – Você vem de Clare?
–Sim.
–Como pensávamos... como você veio parar em Lorem?
Aquele nome era novo para ele. “Lorem”. Devia ser o nome do planeta. Ainda sim, não lembrava-se de nunca ter ouvido falar de um planeta chamado Lorem.
–A minha espaçonave colidiu em outra e caímos aqui.
–Devo presumir que um de vocês saiu voando com uma habilidade e caiu onde encontrei vocês, não?
–É, fui eu...
–Faz idéia de onde está, Walker? – desta vez Klown não foi polido, perguntou áspera e rapidamente.
–Eu.. er.. não... eu..
–Você está na Corporação H.A.N.K. Já ouviu falar?
–Nunca... eu... nunca... n-não sei como... – ele tentou se explicar, porém começou a gaguejar no meio da explicação. Estava intimidado, embora aquela máscara mostrasse uma boca aberta sorridente.
–Ótimo. Acho que posso te liberar por enquanto, Walker. Vou te escoltar até a sua cela, você permanecerá lá até decidimos o que fazer com você.
Porém, dessa vez foi mais rápido. Não caminhou com Klown por uma rodada de corredores. Simplesmente piscou, e quando abriu os olhos estava de volta a sua cela. Como ele fizera aquilo? Ele viu usando o palhaço usando telecinese, e agora teletransporte. Ele tinha mais de uma habilidade?
Ouviu um barulho do outro lado de sua porta. Bam, bam, bam. Quase pulou de susto quando a sua porta desabou. Do outro lado dela estava Stewart, um pouco suado e com Martin ao seu lado.
–Vamos cair fora daqui.
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