Lorem
9 Capítulo 8 - Tentativa de Êxodo
Noite alta. Ambas as luas estavam em seu estado cheio naquela noite. Resplandecentes, eram os reflexos do puro brilho que o sol emitia durante o dia. A noite tinha um aspecto lindo, perfeito para quem pretendia ter uma noite romântica. O clima era perfeito para deitar na grama, olhar para o céu e admirá-lo, decifrando constelações e adorando o seu brilho.
Porém, não foi uma noite dessas que ele sofreu.
Havia uma taverna. Não tão conhecida, ela era fixada na parte pouco visitada de Clare, por causa do alto índice de criminalidade do local. Era simples, não tinha muitos clientes, apenas sobrevivia por causa de seus fiéis fregueses, que a freqüentavam no mínimo três vezes a semana. Ela era pequena, tinha pouca decoração, iluminação fraca e clima pesado e poluído devido a fumaça de cigarro que infestava a atmosfera do local.
Haviam, naquela noite, quatro pessoas dentro do bar. Uma delas era, indispensavelmente, o barman. Com aspecto de mal encarado, era magricela, cabeça calva e usava comumente seu avental de barman por cima de modestas peças de roupas. Geralmente estava limpando os copos sujos usando um pano empoeirado. Por causa do aspecto do pano, os fregueses preferiam levar seus próprios copos, por questões de higiene.
Outra pessoa era Jones Greenfield, empregado de uma pequena empresa que fabricava pregos. Um trabalho entediante, rotineiro e degradante. Ele detestava, por isso descontava as frustrações enchendo a cara cinco vezes por semana. Devido a esse fato, tinha problemas familiares, e sua mulher estava prestes a deixá-lo, levando o filho com ela, sem olhar para trás.
Também havia Jarvis Lackman, homem de aparência alemã que tentava ser um artista, pintando quadros, porém sempre se frustrando. De onde tirava a renda para pagar as suas freqüentes bebedeiras, nenhum dos outros sabia. Apenas sabiam que ele visitava o bar umas três vezes por semana, bebendo cinco drinques e sendo levado para casa nas costas de alguém. O pessoal do bar se revezava para levá-los para casa, sorteando as pessoas no começo da semana.
E a quarta e última pessoa presente era Stewart Kennedy.
Stewart abriu a porta de onde estava Johnny com força. Não queria perder mais tempo, um daqueles caras esquisitos ou aquele palhaço de máscara branca poderia surgir a qualquer momento. A primeira coisa que disse quando abriu a porta de Johnny foi que iriam fugir dali. Sem explicações, não tinham tempo a perder.
–Martin, corra.
Martin pareceu confuso por um momento
–Olha, não temos a perder – continuou Stu – preciso que você corra por toda essa sede, encontre as saídas. Aí, leve-nos até lá.
Ele compreendeu. Seria difícil passar despercebido,uma rajada de vento ficaria ao seu redor, alertando sua presença aos outros. Mas, aquilo não era hora de pensar nas conseqüências, e sim apenas em realizar aquela tarefa o mais rápido possível. Sim, se fosse rápido o suficiente, já estariam fora daquele prédio antes de seus algozes poderem tomar alguma ação.
Ele correu. Stewart viu Martin os deixar para trás em um rojão colorido, ventando ao seu redor. Restava apenas esperar.
–Vou procurar alguma janela por onde voar – Johnny sugeriu
–Bom, bom, irei te ajudar.
Eles começaram a procurar uma janela. Infrutiferamente, não é necessário falar. Seus seqüestradores estavam bem cientes de suas habilidades, talvez fosse por tal motivo que Martin não estava voltando.
Um gole. Outro gole. Mais um gole. De pouco em pouco, Stewart terminava seu copo de uísque, do qual saía um pequeno fio de fumaça gelada. Seus olhos estavam pesados, as olheiras sob tais estavam escuras, quase negras. Parecia que não dormia a dias, aparência reforçada por cabelos bagunçados. Estava praticamente debruçado sobre o balcão, mas não parava de tomar os repetidos goles de uísque. A garrafa jazia ao seu lado, e encarando-o estava o barman, lavando copos, como sempre.
Do lado exterior, caía uma forte chuva sobre o bairro menos visitado de Clare. O som de água contra o solo era calmante, causava uma estranha sensação de serenidade. Devido a isso, as ruas estavam vazias. Ninguém gostava muito de sair na chuva, como de praxe.
Àquela altura, Stewart já estava completamente bêbado. Mal estava conseguindo levar o copo a boca, errando-o e molhando sua face, consequentemente. Ele não costumava beber aquele tanto.
Levantou-se. Iria para casa, cansou de ficar sentado lamentando-se da vida. Não chegou a dar um passo antes de despencar no assoalho da taverna. Greenfield o ajudou a se levantar, mas ele se recusou, debatendo-se. Ele não queria que lhe tirassem a dignidade daquela forma, assim como faziam com Jarvis.
Ele tentou levantar-se outra vez. Falhou miseravelmente.
Greenfield tentou lhe ajudar novamente. Dessa vez tentou dar um soco em seu rosto, errando por muito. Por pouco não acerta o rosto do barman que, por segurança, se afastou alguns metros para evitar a briga, porém sem mover um dedo.
–Martin?! Onde está você?!
Stewart começou a ficar preocupado. Johnny já deveria ter voltado havia dez ou vinte minutos. O tempo estava se esgotando.
–Johnny! Não há mais tempo. Precisamos continuar sem ele. – exclamou
–Mas...
–Ele deve ter sido pego, droga! E será nosso destino se não sairmos daqui o quanto antes. Por isso, corra, voe pelos corredores, tanto faz, mas temos que sair desse lugar!
Johnny entendeu o recado. Estavam em um corredor cheio de celas, todas elas sem ninguém dentro, apenas a padronizada mobília. No final, havia uma porta pela qual Martin havia corrido.
Sem demora, ambos saíram pela porta. Stu conseguira destrancá-la mais cedo usando seus poderes telecinéticos. Ao sair, deram de cara com outro corredor idêntico, com a porta também aberta. Igualmente, correram para a porta, justamente para darem de cara com mais um daqueles corredores.
E aquilo se repetiu por mais trinta vezes, antes de caírem no chão, exaustos.
–Stewart!
Stu virou-se rapidamente e viu Martin correr em sua direção, onde deitava no chão junto a Johnny, ambos ofegando de cansaço.
–O-o-o que foi?
Martin parou em frente de onde ambos jaziam.
–Eu me perdi, então voltei. Acho que esse é um labirinto sem saída. — disse
–Pensou certo, portanto. – uma voz exclamou por trás dos três.
Ao ouvir aquele tom arrastado e monótono de voz, os três já sabiam seu dono. E sem erro, Klown apareceu pela porta de onde Johnny acabara de sair, trajando como de praxe a sua máscara sorridente.
–Espero que tenham se divertido no meu pequeno labirinto. – disse sarcasticamente – Agora, se não se importam, gostaria que retornasse as suas respectivas celas.
–E por que faríamos isso? – Stu perguntou
–Vocês vão fazer isso porque... bem, digamos que amanhã vocês terão um grande trabalho a fazer.
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