Lords Of Heaven
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Levantamento do meu primeiro dia de aula:
– Servi de cobaia;
– Explodi;
– Quase matei meu professor;
– Fui atacada por um lobo/Husky gigante com sérios problemas mentais;
– Tomei um banho de baba de lobo/Husky;
– "Tretei" com a professora de matemática que parecia uma Fúria;
– Fiz a professora de matemática que parecia uma Fúria ser demitida.
Para um primeiro dia de aula, até que saiu tudo maravilhosamente bem. É CLARO QUE NÃO! Mas enfim, um novo dia começou. Quando acordei (2ª noite muito bem dormida, uhu!), obviamente fui tomar um banho. Quando saí, peguei algumas roupas e desci pra tomar o café da manhã com minha família e amigos.
Você deve estar pensando: "E daí? O que eu tenho haver com isso?". Pois bem, eu direi o que vem a seguir. Assim que abro a porta do quarto, dou de cara com um Luke que puta merda, se não fosse meu melhor amigo eu pegava. Como ele estava? O cabelo dele – que era castanho escuro – estava molhado e bagunçado, ele estava usando uma camisa que deixa os músculos dele bem... ahn... Enfim, vocês entenderam. A bolsa que ele estava carregando era a que eu havia dado a ele no que eu disse ser o aniversário dele. A minha cara devia ter sido tipo: "Uau! Você está muito gostoso!" ou "Minha nossa, sou uma idiota.", porque ele começou a rir.
– O que foi, Lilian? – diz ele, rindo.
– Na...nada! É que eu vi que você está usando a bolsa que eu te dei... Você está malhando? – Espere, eu disse mesmo isso? Merda. – Espere, esqueça o que eu acabei de dizer, é uma ordem, Lucian! – Desci como um furacão, completamente ruborizada. Ninguém merece, hein?
Como umas panquecas que meu pai fez, bebo café e shazam! Tenho que ir para o colégio. Quando chegamos perto do carro, aquele Pégaso aparece relinchando, como se me chamasse. Eu olhei pro meu pai e ele me incentivou a ir. Óbvio que falei com ele mentalmente, pra ver se funcionava.
– Oi? – Eu disse, hesitante.
– Demorou, hein, garota? Enfim, Anthony pediu que eu te levasse para a Sword & Cross hoje pois ele quer falar com você. – Diz o Pégaso, com impaciência.
– Okay... Mas antes, qual o seu nome? Quer um cubo de açúcar? – Pergunto, tentando levantar o astral daquele cavalo estressado.
– Me chamo Nightmare, que é um nome bem sugestivo, não acha? E sim, é óbvio que quero CUBOS DE AÇÚCAR, não apenas um. – Diz ele, se achando o tal e me dando ordens como se eu fosse a empregada dele.
Peço à minha mãe via telepatia para me mandar alguns cubos de açúcar e eles se materializam em minha mão alguns segundos depois. Sim, mamãe sabia uma coisinha ou outra de magia, culpa do meu avô, pai dela. Não, não o Arcanjo Gabriel e sim meu avô, Richard, que morreu alguns anos antes de Vincent nascer.
Entrego os cubos de açúcar à Nightmare e ele me manda montá-lo e assim eu faço. Eu vi que meu irmão estava se segurando para não perguntar se ele podia vir junto comigo, então eu perguntei ao Pégaso e ele permitiu. Eu chamei Vincent e ele montou, sentando-se atrás de mim. No segundo seguinte nós decolamos, era uma sensação maravilhosa! Vincent estava gritando e de braços abertos, enquanto eu ria e me segurava na crina do cavalo. Sabe a cena em que Harry voa pela primeira vez no Bicuço? Eu me senti do mesmo jeito. Sabe quando Sirius voa em Bicuço junto com Hermione e Harry depois de fugir de Azkaban? Vincent estava assim.
Demoramos somente alguns minutos para chegar à Sword & Cross, que estava completamente vazia. Nightmare aterrissa, nos deixando na frente do colégio. Eu agradeço pela carona e entro no “foyer” do colégio, onde ficam as escadas que levam às salas, armários e à sala do diretor. Na base de uma das escadas, Anthony nos espera com um sorriso.
– Lily, Vincent! Como vão? Que bom que vieram. Lily, você pode me acompanhar? Quero conversar contigo. – sabe aquele arrepio muito filho da puta que começa na base da sua espinha e se alastra por todo o corpo? Foi o que senti.
– Claro... – sigo Anthony até a sala dele e encontro pergaminhos e livros enormes espalhados pelo cômodo, alguns estavam na mesa, nas cadeiras e outros estavam flutuando por ali. Se você não tivesse cuidado, receberia uma livrada na cara. Um verdadeiro campo minado.
– Andei fazendo algumas pesquisas a respeito dos gêmeos – "Não me diga?! Nem dá pra perceber!", "diz" o meu subconsciente. – e descobri algumas coisas bem interessantes, como por exemplo: se lutássemos novamente um contra o outro, mesmo que de brincadeira como antes, a mesma coisa que aconteceu com você, aconteceria com nós dois e haveria uma explosão com poder suficiente para explodir esse colégio e chamar tantos demônios quanto você poderia imaginar. – acho que minha cara não era uma das melhores, pois ele me mandou sentar e beber um pouco de água. – Há uma outra coisa: aparentemente, eu sou a encarnação da garota e você a do garoto. Nightmare era o ser que protegia a garota enquanto o seu lobo, Lycan, protegia o garoto. E acabei esquecendo-me de dizer! Eu descobri o motivo da explosão: uma vez eles estavam no campo, brigando com espadas de madeira, ninguém sabe o motivo da briga, mas o garoto tinha mais agilidade e num golpe muito bem calculado, quase matou a irmã. Como punição, aconteceu a mesma coisa que aconteceu com você. Ele voou e viu suas asas queimarem. Mas elas não queimaram pra valer, ele só sentiu a dor. Miguel apareceu, curou a filha e disse-lhes que se brigassem novamente, nem que seja por brincadeira, ambos morreriam ou sentiriam na pele o que é perder as asas. Sabe o nome deles? Antonius e Liliana. – Sabe quando alguém diz algo que você não esperava de jeito nenhum e você fica parecendo uma estátua com cara de bunda e fica abrindo e fechando a boca como um peixe? Essa sou eu.
– Antonius e Liliana? A forma em Latim dos nossos nomes? – eu pergunto, mais pra mim do que pra ele.
– Antonius vem do Latim, enquanto que Liliana vem do Hebraico, significando respectivamente "De valor inestimável" e "Deus é promessa". Miguel fez questão de escolher os nomes e a mãe das crianças, é claro, não lhe negou isso. Ambos os nomes não eram muito comuns na época, mas vieram a ser nomes fortes e foram muito bem representados pelos gêmeos. Diziam que, se você ficasse acordado até depois de a lua ter atingido seu ponto alto, podia ver uma forma enorme com asas cruzando o céu, girando e fazendo acrobacias. Naquela época, diziam ser um dragão ou até mesmo algum espírito mágico, mas era ninguém mais ninguém menos que...
– Antonius. – eu digo, pensativa.
– Exatamente. A mãe deles relatou a Miguel que ele e Liliana começaram a ter pesadelos frequentes, que pararam de acontecer algumas semanas antes da morte deles. – eu me engasguei com o nada naquela hora, eu estava tremendo e totalmente pálida. – Lily? Você está bem?
– Eu... eu... – sinceramente, nem meu subconsciente falava, ou seja, as coisas estavam bem ruins pra mim.
– Você também tem esses pesadelos...? – Ele me olhou e pude ver o terror nos olhos dele, seja com o que for que ele sonhe, era horrível o suficiente para deixa-lo tão assustado quanto um garotinho.
– Eu tinha. Pararam no primeiro dia de aula, eu acho. Mamãe e Vincent também tinham, mas era muito casual, enquanto que eu tinha todas as noites, sempre o mesmo pesadelo. Eu contei ao meu pai e contei a ele também sobre o que eu sentia sempre que acordava, e ele disse que eu deveria tentar voar um pouco sempre que me sentisse assim...
– Acho que temos um grande problema nos esperando mais à frente. Se nossos pesadelos forem os mesmo, se forem visões, então o nosso problema passou de muito grande à mortalmente horrível. Sinceramente, eu preferiria ir pro Tártaro a encarar o que temos pela frente.
– Concordo plenamente. – eu teria ficado feliz por ele mencionar o Tártaro e até teria perguntado se ele era fã de Percy Jackson, mas saber o que provavelmente estaria à nossa espera era aterrorizante ao ponto de eu não fazer brincadeiras ou perguntas descontraídas.
Naquele momento, nem os Arcanjos poderiam nos livrar daquela jornada. Naquele momento, estávamos sozinhos, tendo apenas um ao outro, dependendo apenas de nós mesmos para sobreviver. O fim estava muito próximo pra nós.
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