Notas iniciais
Aqueles que acompanhavam minha história, me desculpem pela parada repentina. devido a problemas familiares não deu pra continuar, mas agora estou de volta.

Capitulo 5

“incendiando a casa”

>Salem, Oregon

Poucos minutos atrás

Fragmentos voaram por todo o lugar, alguns foram parar na cama, outros quebraram a tela da televisão, pequenos fragmentos chegaram a bater no rosto de Jayden, deixando leves cortes no lugar, que segundos depois foram curados.

Jayden se surpreendera com a velocidade de sua própria regeneração, por fim, decidiu que não era o melhor momento para preocupar-se com isso, mas deveria dar maior importância com o que acabara de derrubar sua parede.

Sentiu o coração pesar quando se virou para ver o recente buraco em seu quarto. Quando viu quem, ou melhor, o que, havia feito o estrago em sua parede, logo se arrependeu de ter olhado.

Uma criatura grotesca se erguia diante da fumaça feita pelos destroços da parede.

A criatura tinha cerca de dois metros e meio de altura, a pele era roxa e cheia de bolhas, as veias saltavam por todo o seu corpo, apesar de ter forma humanóide, para Jayden, aquela criatura era a coisa mais grotesca e macabra que já vira. Os olhos eram completamente negros e deles saiam veias negras que se espalhavam pelo rosto, como grandes ramificações de uma árvore podre. Da cabeça saía grandes chifres para frente, como as de um touro. As unhas de ferro tinham cerca de cinco centímetros, e o que mais assustou Jayden foi o abdômen do monstro, lá se encontrava uma enorme boca, desta saía uma língua preta que lambia os dentes afiados.

Jayden estava em estado de choque, ele não conseguia se mexer diante da visão monstruosa a sua frente. A criatura deu um passo, e então começou a correr em direção a Jayden. O mesmo deu alguns passos para trás, tropeçando na perna da cama. Sua cabeça doeu, quando esta bateu no chão devido à queda.

O monstro parou e fitou, como se estivesse tomando uma decisão, o garoto estendido no chão a sua frente. A criatura levantou o braço alguns centímetros, com a intenção de descê-lo, foi então o que fez.

Rapidamente Jayden rolou para debaixo da cama, a criatura acertou o chão, cravando suas unhas ali. Com o outro braço pegou a cama e a jogou por de trás de si.

Mais uma vez o monstro tentou acertar Jayden com suas unhas de ferro, que rolou mais uma vez para o lado, porém não antes de ser atingido de raspão nas costas, que por entre a camisa rasgada exibia um corte de profundidade preocupante. Enquanto do ferimento jorrava sangue e o mesmo começara a coagular, Jayden urrara de dor, mas não perdeu tempo em se levantar quando viu que as duas mãos do monstro estavam cravadas no chão, impossibilitando o movimento dos braços.

Sabia que a criatura conseguiria tirar suas unhas presas ao chão, e isso não tardaria a acontecer.

Jayden se levantou e correu em direção ao buraco na parede. Já do lado de fora da casa, correra a fim de alcançar a rua, movimentando-se em uma velocidade maior que achava possível um humano ter.

Chegando a calçada viu que não poderia sair dali, varias outras criaturas chegavam pelos ambos os lados da rua, sendo que esses vestiam roupas de humanos, a pele era cinza, da boca saiam grandes presas de javali e dos olhos lágrimas de sangue.

Jayden estava atordoado com o que via, não conseguia acreditar em seus olhos.

“isso não pode ser real” Pensava consigo mesmo.

Ele não podia acreditar na peça em que seus olhos lhe pregavam aquilo não podia estar acontecendo, tudo aquilo tinha que fazer parte de um pesadelo sombrio, no qual ele não conseguia acordar.

Forçado a voltar, Jayden foi até a porta da frente. No chão viu um corpo e uma poça de sangue, que escorria descendo dois degraus até chegarem à grama.

Ao se aproximar, viu que era seu irmão. Liem estava sentado no chão de concreto, a cabeça pendia para o lado e o braço direito fazia pressão em seu abdômen, tentando conter o sangue, mas era uma tentativa em vão.

– Liem- Chamou Jayden com urgência. Seu irmão não respondeu.

–Liem- Falou novamente, temendo o pior.

Liem levantou a cabeça e olhou para Jayden com seus olhos cansados, expressando um pouco da dor que sentia.

–Oh, por favor, não comece a chorar. Prefiro garotas derramando suas lagrimas por mim, não um homem- Sua voz estava fraca e rouca, a cabeça mais uma vez pendeu para o lado- Que tal uma ajudinha aqui?

Jayden sentiu o coração pesar com o estado do irmão, mesmo que fosse apenas no sonho. Ajoelhou-se, perguntando-se quando aquele pesadelo iria acabar.

Colocou o braço esquerdo de Liem em seus ombros, segurou a cintura de seu irmão, então o ajudou a se levantar.

– Não podemos sair daqui- Disse Jayden, olhando o corte exposto no abdômen de seu irmão e tentando convencer a si mesmo que não passava de um pesadelo- Estamos cercados por aquelas criaturas.

Ao falar as palavras em voz alta, Jayden fora atingido pela dura e impossível realidade que via diante de si. Para a sua infelicidade, sabia que não estava sonhado, o que estava acontecendo não era impossível, apenas improvável.

“Onde diabo foi parar meu dia monótono e comum?”

– Você já as viu?- Perguntara Jayden.

–O que?-Indagou Liem com a voz arrastada.

–Os monstros que estão nos cercando e que querem nos matar- Respondera num sussurro.

–Ah, sim, já os vi- disse Liem com a voz um pouco mais firme- Eles são feios, parecem o Thomas que estuda com você nas aulas de química, sem as presas de javali, é claro.

Jayden olhou incrédulo para seu irmão, indagando como ele poderia demonstrar algum senso de humor na situação a qual se encontrava. Talvez achasse que fosse um pesadelo, e se assim o era, Jayden não queria acabar com as ilusões do irmão.

– Acho que não é o melhor momento para falar da beleza de Thomas. Você ouviu quando eu disse que os monstros querem nos matar?

–Perfeitamente, mas você tem que admitir que eles são parecidos.

Ainda incrédulo com o senso de humor que o irmão demonstrava perante a iminência da morte, viu de esguelha que as criaturas se aproximarem perigosamente, elas viam correndo, como se em busca de comida que há tempos não tinham.

–Para onde vamos?- perguntou Jayden urgentemente.

– Para dentro de casa- Respondera Liem, que olhava, sem um pingo de humor, as bestas que queriam devorá-los.

– Tem um monstro dez vezes mais feio que o Thomas no meu quarto- Exclamou Jayden, se perguntando se a criatura já conseguira tirar as unhas do chão.

–Não pretendo ir para o seu quarto. Vamos para a cozinha.

– Por que a cozinha?- Perguntara Jayden já entrando na casa.

– Talvez porque lá tenha objetos pontiagudos que cortam- Respondeu Liem com ironia e um senso de humor que não lhe chegavam aos olhos- Facas Jayden, você deveria saber, já que as usa todo dia.

– Você é realmente um chato quando está morrendo- Replicou com sarcasmo

–Desculpe. Vou tentar não quase morrer com muita freqüência.

Já dentro da casa, passaram pela sala de estar para então chegarem à cozinha, entrando no cômodo e logo fechando a porta atrás de si.

Colocou Liem em uma das cadeiras acolchoadas que rodeavam a mesa de granito. Foi até o balcão que fica ao lado do fogão e pegou quatro facas. Voltou para mesa, sentou-se na frente de seu irmão e lhe deu duas facas.

– Você sabe usar facas?- Murmurou Liem.

– Acho que não, nunca tentei esfaquear alguém antes- Jayden olhou para as facas em suas mãos que tremiam descontroladamente. Se Liem acreditava que toda aquela situação era um pesadelo do qual acordaria, queria que continuasse assim, e suas mãos tremulas que denunciavam seu pânico não iria ajudar a melhorar essa crença. Decidiu esconder as mãos debaixo da mesa- Já que tocamos nesse assunto, o que diabo aconteceu com você?

Liem ficou em silêncio por alguns segundos antes de falar.

– A campainha tocou, e enquanto você estava fazendo sabe-se lá o que no seu quarto, eu fui atender a porta para um homem- Liem parou um instante para respirar, quando era tão obvio que até esse esforço causava-lhe dor- Louco e psicopata. Ele perguntou por um tal de William, e não, eu não sei quem é esse. Então com uma espada, uma espada, da para acreditar? Ele, bem, você pode ver o resultado.

Jayden olhou para o abdômen do irmão. A camisa estava ensopada de sangue, do corte saía ainda mais, mas a quantidade parecia ter diminuído em comparação há alguns poucos minutos atrás.

Levantou-se e pegara a maior quantidade de guardanapos que conseguira, dera a maior parte para Liem e ficou com alguns poucos para si.

Liem colocou os guardanapos, um a uma, em seu abdômen. Jayden levantou a camisa que usava e olhou o corte no seu peito, esse estava menor, metade estava quase cicatrizado e pouco sangue saia da parte aberta, apenas o suficiente para encharcar dois guardanapos. Quando Liem terminara de cobrir seu próprio ferimento, Jayden virou-se de costas para o irmão e pediu para que limpasse o sangue que saía do corte em suas costas.

– O que foi isso?- Perguntara Liem, enquanto passava os guardanapos nas costas do irmão.

–O Thomas que está lá no meu quarto fez isso.

–Huuum. O que você e o Thomas estavam fazendo no seu quarto? Pelo visto foi bem feroz- Disse com uma boa dose de sarcasmo e ironia.

– Sinto muito desapontá-lo- Respondera Jayden revirando os olhos enquanto um leve sorriso lhe esboçava o rosto- Mas não me sinto atraído por monstros com chifres e com uma boca na barriga. O Thomas se revoltou quando eu não lhe correspondi os sentimentos, então ele me atacou.

– Ah, que ótimo. Agora posso ligar para mamãe e disser que ela não tem motivos para duvidar da sua sexualidade- Mal acabara de falar quando teve uma crise de tosse.

Eles se assustaram quando ouviram um estrondo vindo da sala.

–Eles devem estar quebrando as coisas- Falou Liem, a voz expressava preocupação e medo quando fitou a porta da cozinha.

– Acho que não vamos conseguir matá-los com essas facas- Comentou Jayden.

– Você tem alguma idéia melhor?- Rebateu Liem.

Não, ele não tinha uma idéia melhor, sequer conseguia pensar direito. Nunca imaginara que sua casa seria invadida por demônios e monstros que não deveriam existir, e muito menos que ele morreria assim, muito pelo contrário, sempre achou que morreria em um asilo aos cento e cinco anos.

Jayden olhou atentamente a cozinha, em busca de algum objeto que pudesse ajudá-lo naquele momento. Seu olhar correu por toda a cozinha até que repousou em um objeto específico.

– Na verdade, tenho sim- Respondeu Jayden levantando-se da cadeira.

– O que?- perguntara Liem, curioso e surpreso.

Jayden não respondeu, invés disso foi até o botijão de gás, ajoelhou-se de frente a ele e segurou a mangueira que o ligava ao fogão.

– O plano é o seguinte- Começou a explicação, seu coração estava acelerado com a loucura que estava prestes a fazer. Suas mãos tremiam enquanto contava seu plano astuto e arriscado- Eu vou puxar esta mangueira, desprendendo-a do fogão. Então vou abrir a válvula, o gás invés de ir para o fogão vai se espalhar pela cozinha, tornando este lugar bastante inflamável.

– Vo- você não- Murmurou Liem, percebendo a insanidade do que eles iriam fazer.

– Exatamente- Confirmou Jayden- Apenas uma fagulha e esse lugar explode.

– Nossa mãe vai nos matar quando descobrir que pusemos fogo na cozinha- Comentou Liem com um sorriso nervoso no rosto.

– Acho que eu prefiro ser morto por ela, do que por esses monstros que estão na nossa porta- Falou com um sorriso se formando no rosto.

Jayden segurou a mangueira com firmeza e a puxou, desprendendo-a do fogão. Girou a válvula e o gás começou a sair. Liem tapou o nariz com um guardanapo e seu irmão logo fez o mesmo.

Quando um odor forte e desagradável atingiu suas narinas, Jayden soube que uma boa quantidade de gás já havia se espalhado.

– Me ajude aqui- Pedira Jayden a seu irmão.

Ao se levantar, uma expressão de dor se abateu no rosto de Liem. Se aproximando, perguntou:

– O que você pretende fazer?

Jayden estava segurando uma caixa de fósforos uma garrafa de óleo de cozinha, quando tirou a tampa da mesma respondeu:

–Não podemos estar aqui quando a cozinha pegar fogo.

– Isso eu sei gênio, mas como você pretende ascender um fósforo aqui, sem estar aqui?

– Vamos fazer um caminho daqui até o quintal com isso aqui- Disse mostrando o óleo de cozinha que segurava- Quando aquelas coisas entrarem aqui, agente corre até a porta dos fundos, eu a tranco de chave, e enquanto os monstros derrubam a porta, nos acendemos um fósforo na trilha de óleo.

– Estou impressionado- Comentou Liem já indo para a porta dos fundos- Agora posso admitir que você é meu irmão.

– Me ajude com o óleo- Disse Jayden, ignorando o comentário feito por seu irmão.

Eles foram até a porta dos fundos, que era paralela à porta que eles entraram na cozinha. Abriram a porta e viram o jardim. Este tinha um canteiro de rosas e lírios, mais adiante duas enormes árvores, e entre elas um balanço.

Jayden e Liem, ambos com uma garrafa de óleo de cozinha em mãos, começaram a despejar o líquido na grama verde, até chegarem às duas grandes árvores no final do jardim. Voltaram à cozinha e ficaram esperando, não muito longe da porta dos fundos, as criaturas chegarem.

– Liem, por que a porta de entrada da casa não está mais lá?- Indagou Jayden, lembrando de súbito que não vira a porta.

–O psicopata que tentou me matar arrancou a porta das dobradiças e a jogou na rua.

Jayden virou o rosto para o irmão, esperando ver um sorriso no rosto deste que denunciasse que sua resposta tinha sido uma brincadeira. Quando não viu o sorriso, se perguntara pela milésima vez quando é que aquilo iria acabar.

– Quem era ele? O sociopata?

– Se não me engano, ele disse que se chamava Per- Liem parou no meio da frase, quando a porta da cozinha caiu com um estrondo.

Com pavor, os irmãos cravaram seus olhares na porta recém derrubada. Encima dela estavam duas criaturas de pele cinzenta e presas de javali que saiam da boca, os olhos brancos sem pupila fitavam os dois humanos em pavor.

As criaturas tinham um sorriso um tanto deformado ao dar o primeiro passo.

Ao olhar aquela visão monstruosa, todo o corpo de Jayden enrijecera. Seu coração estava acelerado, sua mão suava bastante e tremia freneticamente. Apesar do seu estado de choque, ainda consegui mexer-se quando as criaturas deram mais um passo em sua direção.

Liem cambaleou até a porta dos fundos, Jayden o seguiu, fechando a porta. As suas mãos tremulas e as criaturas que empurravam a porta, se tornaram os dois motivos que fez com que Jayden se atrapalhasse ao encaixar a chave na fechadura, mas logo que o fez, trancara a porta.

Sabia que a porta não resistiria o suficiente para que chegassem às grandes árvores, principalmente Liem em seu estado debilitado. Jayden tentaria fazer algo que parecia impossível, mas que já fizera antes. E, ao bem da verdade, começara a achar que nada mais era impossível.

Fixou seu olhar nas duas grandes árvores, e nelas se concentrou, até que pareceu senti-las.

– O que você está fazendo?- Perguntara Liem, que já cambaleava em direção as árvores.

Jayden não respondeu, invés disso se concentrou em suas pernas. Sentiu uma onda de força passar por elas. Olhou mias uma vez para as árvores e então correu.

Sentira calor, assim como uma explosão de força percorrer o seu corpo. Jayden corria em uma velocidade que nunca sonhara em atingir, deixando apenas um borrão por onde passava.

Mais rápido do que esperava chegou às árvores, gastando apenas alguns segundos.

Liem estava mais atrás, ele tinha mais dificuldade para correr, pois estava calejado de dores. Enquanto corria, deixava uma pequena trilha de sangue que fluía do seu abdômen. O sangue que estava sendo respingada na grama, em contato com a formosa luz do luar, ganhava um brilho escarlate.

Jayden percebeu que a porta da cozinha não resistiria até que Liem chegasse até seu objetivo. Não sabia o que fazer, caso não acendesse o fósforo, os dois morreriam. Se acendesse, o impacto da explosão sobre Liem seria muito grande. Seu irmão pareceu perceber a confusão em que Jayden se encontrava, pois gritou com a voz firme e livre de dúvidas:

– Vai logo- Jayden não se mexeu, continuou olhando o irmão que corria com dificuldade em sua direção- Se você não fizer isso logo, esses monstros vão nos matar!

Ainda relutante, fez o que o irmão lhe ordenara. Acendeu um palito de fósforo e o jogou na trilha do líquido inflamável que dava na cozinha.

O fogo foi seguindo rapidamente a trilha, passando por debaixo da porta quando esta caíra no chão.

Duas criaturas começaram a sair da cozinha, no rosto estava um sorriso para as mortes eminentes, e não sabiam que seriam as suas. Ao tentarem correr em direção as suas vítimas, foram consumidos pelo fogo.

Jayden viu quando o fogo, furioso e violento, consumiu a cozinha, e em um ataque de fúria explodiu metade da casa.

O fogo se levantou imponente e inabalável, sua fúria cada vez mais intensa fazia-o parecer um rei louco, que abolia tudo que estivesse em seu caminho.

O impacto da explosão fez Jayden ser jogado para trás, fazendo-o bater no tronco da árvore. Liem fora jogado para frente, ao cair, urrou pela imensa dor que sentiu com o contato do chão com seu ferimento. Logo Liem colocara as mãos em cima da cabeça, para proporcionar alguma proteção dos destroços que caiam do céu.

Ambos os irmãos ficaram em silêncio por cerca de cinco minutos, absorvendo a realidade que a dor que sentiam não lhes deixava esquecer. Passado esse tempo, com muito esforço e rangendo os dentes, Liem se levantou e fora até o irmão.

Jayden fitava o que outrora fora a cozinha, que não mais existia. Uma parede que resistiu a grande fúria do rei louco estava completamente negra. A explosão atingiu metade da casa, pegando a cozinha, sala de estar e seu quarto. Tinha esperanças que a criatura de pele roxa morrera queima pelo fogo.

O que mais chamou a atenção de Jayden para a cozinha foi o vestuário de corpos que ali se encontravam. Os corpos das criaturas estavam negros, pois estes foram consumidos pela fúria da chama. Naquele vestuário de corpos tão calados, onde vários sepulcros haviam de serem erguidos, os corpos abriam a boca em um grito de frustração e medo, que nunca seriam ouvidos. E, em uma última vez, Jayden viu uma lágrima de sangue rubro descer dos olhos dos mortos.

Para completar o cenário, cinzas caíam do céu, como lágrimas daqueles não choravam, como que para encerrar a execução de algo tenebroso.

Naquele lugar, além de fúria e sombras, podia-se ouvir o sussurrar do vento frio e da noite gélida, que não importava o que lhe perguntasse, silenciosamente iria até seus ouvidos e responderia “morte”.

Para a surpresa de Jayden, os corpos, que eram dignos de pena, começaram a desintegrar-se, transformando-se em certa gosma preta.

Mais dois minutos se passaram em silêncio, até que Jayden percebendo algo estranho se pronunciou.

– Tem alguma coisa errada

–Você acha?- Perguntara Liem sarcasticamente. Apoiou-se no tronco em que seu irmão estava escorado e se sentou lentamente no chão- Tem monstros tentando nos matar e acabamos de explodir a nossa casa. E, ah, eu estou morrendo. Não vejo o que você acha que esteja errado.

– Me impressiona que em uma situação como essa você ainda consiga ser sarcástico- Disse Jayden, repousando o seu olhar no irmão- Mas é sério Liem. Como você disse, tinha vários monstros tentando nos matar e acabamos de explodir nossa casa.

– É eu realmente disse isso. E?

– E que está silencioso aqui- Liem pareceu não entender o que o irmão argumentava. Jayden revirou os olhos e explicou mais detalhadamente- Nossa casa acabou de explodir e nenhum vizinho acordou!

Em fim Liem entendeu o que o irmão dizia.

– Você está certo- Falou o irmão mais velho- O que você acha que est...Cuidado!

Jayden não pode fazer nada apesar do aviso de Liem. Sentiu uma imensa dor na parte direita do seu corpo e se viu sendo jogado a pelo menos três metros de distância, caindo em cima do canteiro de rosas, que furaram sua pele com os espinhos, acrescentando mais uma dor as que já sentia.

Jayden olhou para frente, temendo ver o que não queria, mas lá estava, aquela visão monstruosa de uma criatura de pele roxa. Metade do corpo do monstro estava negro, e nesta parte havia vários buracos e bolhas, pois o fogo o tinha queimado. O que mais chamou a atenção de Jayden foi o olho esquerdo da criatura, pois este estava pendurado por um fio de tecido muscular, saído da cavidade oca onde deveria estar o globo ocular.

Com o único olho que tinha o monstro fitou sua vítima que tentou mexer-se em uma vã tentativa, pois a dor que sentia em todo o corpo o impedia.

A criatura rugiu e então correu em direção a Jayden, que nada pode fazer diante da sua impotência enquanto via a morte chegar.

Liem tentou ir até o irmão para socorrê-lo, mas ele mal conseguia se levantar, muito menos correr. Então se decidiu por fazer algo que deixara de fazer há tempos.

Liem se concentrou em Jayden até o ponto de sentir o medo que seu irmão sentia. Em seguida, concentrou-se em suas pernas até que sentiu uma onde de força passar por elas. Mais uma vez olhou para o irmão, deu o primeiro passo e então correu.

Liem não correu com toda velocidade que podia, pois o corte o atrapalhava. A dor era terrível, a mesma que sentiu ao ser cortado, quando a lâmina cortou os tecidos do seu corpo, desde a epiderme ao tecido muscular. Trazendo tanta dor quanto à quantidade de sangue que jorrava.

A dor o subornava parar onde estava e apenas observar com luto a morte do irmão, mas ele não fez isso, por que enquanto superava a dor corria para salvar Jayden, só tinha um pensamento na cabeça.

“Ele merece viver mais do que eu, que pequei”

Jayden sabia que dessa vez iria morrer, a criatura já estava na sua frente com o braço erguido e pronto para descer, desferindo um golpe com suas enormes unhas de ferro. O monstro desceu o braço, e Jayden as pálpebras.

Jayden já deveria estar sentindo a dor, mas não a sentia. Será que tinha morrido? Perguntava-se, mas logo descartou a ideia, pois ainda podia sentir o ar friu trazido pela noite.

Jayden se arriscou a abrir os olhos, temendo e esperando ver seu corpo cortado, esburacado, desfigurado e encharcado de sangue, mas não foi que viu.

Liem estava na sua frente com os braços estendidos, como para que protegê-lo. Seus olhos fitavam o vazio.

Jayden só entendeu a situação quando seu irmão tombou para o lado, caindo no chão, possibilitando a Jayden ver os quatro e profundos cortes nas costas de seu irmão.

O sangue descia das costas de Liem e pingava nas rosas, que como rainhas ambiciosas, sentiam deleite quando sangue, dor e sofrimento são derramados em seu domínio.

Desta vez, sem ninguém mais para atrapalhar, com seu único olho a criatura olhou para Jayden e desferiu outro golpe.

Notas finais
Então pessoal, deixar comentários não cai os dedos. Então por favor deixem seus comentários e podem criticar a vontade! ;)