Notas iniciais
Bem gente, aqui está mais um novo capitulo. Desculpem por ele ter ficado meio grandinho. espero que gostem ;)

Capitulo 6

“fuga”

>Salem, Oregon

Tempo presente.

Uma gota de sangue caiu no rosto de Jayden. Ele olhoupara cima, não sabia o que deveria esperar ver. Sabia que já deveria estar morto, mas fora salvo mais uma vez. Por quem? E por quê? Eram as perguntasque não lhe saiam da cabeça.

Quando olhou para cima, viu uma menina de longos cabelos castanhos. Essa segurava o braço do monstro, as unhas de ferro fizeram dois cortes no rosto da garota, o sangue escorreu por sua face, pingando no rosto de Jayden.

A criatura levantou o braço que estava livre com a intenção de desferir outro golpe, mas antes que o fizesse, a garota gritou:

– Jordan!

Um garoto, que Jayden supôs ser Jordan, apareceu numa velocidade surpreendente e segurou o braço do monstro.

O garoto tinha cabelos incrivelmente negros que mesmo a noite não se comparava, eles chegavam à altura do pescoço. Os olhos eram azuis como um relâmpago repleto de ira e invicto.

Os braços fortes do garoto seguravam o da criatura, que gritou.

–Sarah!- Disse Jordan por cima da voz do monstro.

Uma garota de cabelos castanhos claros que iam até os ombros, corria uma velocidade sobre humana carregando uma lança consigo. Ao chegar perto da criatura, posicionou a lança na base da coluna desse e então empurrou. A lâmina entrou no corpo do monstro, a garota que Jayden supôs ser Sarah, empurrou mais a lança até que a haste, feita completamente de prata, atravessou a criatura. Quando a menina puxou a lança a haste estava suja com um tipo de líquido preto. Do buraco na coluna da criatura jorrava a mesma espécie de líquido.

O monstro rugiu, o grito fora estridente de fazer doer os ouvidos. Com toda a força que continha, a criatura jogou as pessoas que o segurava.

Com o braço livre bateu na garota que o perfurara e esta foi jogada para o lado.

Com as mãos, o monstro tampou a ferida em seu abdômen e costas, mas o líquido preto continuava a sair. A criatura pareceu perceber que suas vãs tentativas não impediam do sangue sair. Então rugiu mais uma vez em ira e voltou-se para Sarah.

Com cada uma das mãos, desferiu um golpe na garota que o ferira. Sarah por sua vez roloupara o lado antes de ser atingida, e rapidamentese pôs de pé. Tentou acertar a criatura com a lança, porém não conseguiu, pois o monstro tentou acerta seu rosto, fazendo-a se abaixar, ficando de joelhos. De baixo para cima, Sarah empurrou a lança, atingindo o coração da criatura, mas não em profundidade suficiente, pois o monstro, com as costas da mão, acertou o rosto da garota.

Jayden viu o garoto, de olhos azuis relampejantes, se levantar. Ele empunhava duas adagas, as lâminas eram negras e foscas, como se nem mesmo a formosa luz da lua pudesse iluminá-las, e o sol de brilho tão ofuscante, se negasse a repousar sua luz naquelas lâminas.

O punho era cingido de uma prata lustrosa, e nela estava gravada varias palavras que Jayden não conseguia ver, mas duvidava que fosse entendê-las mesmo as vendo de perto.

O garoto olhou atentamente o monstro a sua frente e correu em direção a ele em uma velocidade alarmante. Jayden se surpreendera, o menino corria bem mais rápido do que ele.

A criatura não percebeu o garoto que se aproximava, pois estava imerso na vontade ardente de matar aquela que o tinha ferido. Só percebera quando era tarde de mais, quando Jordan já tinha feito um corte profundo em cada um de seus tendões, impedindo o monstro de ficar em pé, que desabou nos próprios joelhos.

Jayden não percebeu quando a garota que o salvara se levantou, mas quando o monstro caiu, ficando de joelhos no chão, a garota estava parada em frente à criatura.

– Morra Emin- Falou a garota, que com de desprezo, olhava o monstro ajoelhado a sua frente.

– No final, serão vocês quem irão morrer- Disse a criatura. Sua voz era como vidro que acabara de se estilhaçar no chão.

Um ligeiro olhar surpreso passou pela face da garota, mas logo foi substituído mais uma vez pelo desprezo.

– Nesse momento, é você quem morre- Falou a menina com a voz fria.

Ela pegou no pescoço do Emin, se aproximou um pouco maise colocou alguma coisa, na qual Jayden não conseguia ver, no peito esquerdo do monstro, e então enfiou.

Jayden viu apenas quando uma lâmina, tão fina e bela quanto gelo, atravessou a criatura.

A garota puxou a adaga, tirando a lâmina do corpo da criatura, ao fazer isso, jorrou mais uma vez aquele líquido preto, que se juntou ao que já escorria do buraco em seu abdômen. O Emin, com um olhar vazio, caiu no chão ao lado de sua assassina.

Jayden observou tudo aquilo, não sabia se deveria estar aliviado ou horrorizado. O que acabara de ver será algum tipo de alucinação? Mais uma vez discutia consigo mesmose estava sonhando. Talvez estivesse louco. Não sabia se deveria acreditar no que seus olhos viam ou no que sua mente dizia ser impossível.

Olhou para Liem, perguntaria se ele tinha visto a mesma coisa que ele. Viu o irmão deitado na grama,o sangue saindo de suascostas e os olhos fechados, por um momento temeu que o irmão estivesse morto, mas então uma voz soou.

– Ele não está morto, apenas desmaiou- Falou uma voz calma e graciosa.

Uma mão lhe foi estendida, Jayden olhou para cima, a mão era da garota que o salvara.

Mesmo na condição que se encontrava Jayden não conseguiu deixar de se encantar com tamanha beleza.

A garota tinha longos cabelos castanhos, estes eram macios e lustrosos. Sua pele era perfeita, sem uma mancha sequer. Seus lábios eram carnudos e avermelhados e seu nariz era bem desenhado. O que mais impressionou Jayden foram seus olhos, eles tinham a cor azul, mas não um azul comum, pois seus olhos pareciam encantadores e brilhantes safiras.

Ainda apreciando a beleza da garota, segurou a mão dela, que o ajudo a se levantar.

Quando Jayden já estava de pé, a garota falou.

– Você esta bem?- Perguntou com um leve sorriso. Jayden assentiu com a cabeça- Ótimo. Como se chama?

Jayden demorou alguns segundos para responder. Estava se perguntando se deveria ou não confiar naquelas pessoas. Por fim, achou que sua desconfiança era estúpida e desnecessária , afinal aquelas pessoas tinham salvado sua vida.

– Jayden. Jayden Sky- Falou ainda um pouco relutante.

– E ele?- Disse a garota, apontando para Liem.

– Liem Sky.

– Irmãos? Que interessante- Comentou a menina, respondendo a sua própria pergunta- Me chamo Alice Crow.

Alice soltou a mão de Jayden e apontou para a garota que segurava a lança.

–Esta é- Alice parou de falar quando a garota se aproximou de Jayden, olhando-o com devido interesse.

– Muito prazer- Disse a garota, pegando a mão de Jayden- Sarah Wind.

Sarah tinha cabelos castanhos claro que chegavam à altura dos ombros e os olhos tinham a cor um pouco mais escura do que a dos cabelos. Sarah era bonita, mas não se comparava a beleza de Alice, pensou Jayden.

A garota soltou as mãos de Jayden quando o garoto alto, de cabelos negros e olhos azuis relampejantes, se aproximou.

– Jordan- O garoto lançou a Jayden um olhar que este não conseguiu compreender- Jordan Walker.

– Jordan, você poderia... – Falou Alice, indicando Liem com a cabeça.

– Claro- Respondeu. Foi até onde Liem estava desmaiado, o tirou do chão e o colocou por cima de um de seus ombros.

– Agora que as apresentações já acabaram, é melhor irmos- Falou Jordan à Alice.

– Você tem razão, estão chegando mais Zuzins- Disse Alice com um semblante mais sério e na voz um tom de urgência.

– O que são Zunzins?- Perguntou Jayden.

– Explicamos depois- Respondeu Alice.

– Eles já estão ao redor da casa- Falou Sarah com preocupação- Como vamos sair daqui?

– Eu sei não dizer- Disse Alice num sussurro

– Você tem que saber- Argumentou Sarah.

– Estou pensando- Retrucou Alice, pondo a mão na têmpora, indicando um gesto pensativo.

– Foi você quem quis vir aqui para salva-los- Comentou Sarah.

– Sarah, cala a boca um minuto, por favor. Eu estou pensando em um jeito de nos tirar daqui.

– Eles estão na frente da casa- Falou Jordan cautelosamente.

– Eu sei, posso senti-los- Disse Alice.

Alice se virou para Jayden e perguntou:

– Vocês têm algum carro por aqui?

– Não, meus pais saíram com eles, mas temos uma moto.

– Uma moto não consegue levar nos cinco – Comentou Alice quando um pequeno raio de decepção lhe passou pelos olhos.

– Como vocês chegaram aqui?- Perguntou Jayden.

–Correndo- Respondeu Jordan.

–Ah, acho que não dá para sairmos daqui desse jeito.

–Não, não dá- Falou Jordan com impaciência.

– A propósito, o que está acontecendo?- Pergunto Jayden, desesperado por respostas.

– Explicamos depois- Respondeu Alice.

– Mas se não houver depois?

– É por isso que eu acho melhor você ficar quieto enquanto pensamos em um jeito de sair daqui para que haja um depois- Rebateu Jordan.

Jayden iria falar algo, mas preferiu ficar quieto.

– Me leve até onde está a moto- Pediu Alice à Jayden, que assentiu e falou.

–Me sigam.

Jayden abriu a porta da garagem, e entrou junto a ele um grupo de estranhos carregando armas. Jayden apontou para um moto Bross azul que estava no centro da garagem.

– Aqui esta ela.

Alice olhou para a moto por alguns segundos e falou:

– Certo, subam e vão. Eu fico aqui para atrasá-los.

– O que? Você não vai fazer isso- Falou Sarah.

– Você mesmo disse, a culpa de vocês estarem aqui é minha. Vou arcar com as conseqüências.

– Mas eu falei aquilo em um momento de desespero!

– Mas infelizmente você não deixa de estar certa- disse Alice- Vão logo, eles já estão perto daqui.

– O que é isso?- Perguntou Jordan, um pouco distante dali. Ele estava em uma das extremidades da garagem, em frente a um objeto, até então desconhecido, coberto por uma lona preta.

– É meu quadriciclo- Respondeu Jayden, quando Jordan puxou a lona, revelando um quadriciclo preto com detalhes vermelhos.

– Por que você não disse que tinha um?- Perguntou Alice.

– Porque não iria servir de nada- Respondeu Jayden- Ele não anda, o motor está quebrado.

Alice passou alguns segundos olhando para o quadriciclo, por fim falou:

– Podemos colocar uma força externa.

– É, podemos- Concordou Jordan, com um sorriso recente se esboçando em seu rosto.

– Se der certo, tem uma chance de sairmos nos cinco daqui- Comentou Sarah.

Jayden percebera que fora o único que não entendera o que Alice quisera dizer.

– Não vamos ter que empurrar o quadriciclo, ou vamos?- Perguntou Jayden apreensivo, ponderando consigo mesmos que se aquele fosse o plano, seria mais vantajoso sair correndo.

– Claro que não- Respondeu Jordan, Impressionado com a burrice que Jayden demonstrava.

– Vamos puxar o quadriciclo- Disse Alice, com obvio alívio por ter encontrado uma maneira de saírem todos dali.

– Como?

– Com a moto- Respondeu Sarah.

– Não temos corda alguma para puxar o quadriciclo- Falou Jayden, receoso por ter que estragar um plano que parecia dar certo.

– Tem certeza?- Perguntou Alice. Rugas lhe apareceram à testa, devido a obvia decepção causada pela declaração de Jayden.

– Tenho... Espere! Acho que tem uma corrente dentro de casa

– Vamos lá buscar- As rugas suavizaram em sua testa, deixando-a mais uma vez incrivelmente bela- Vocês dois, fiquem aqui cuidando do garoto desmaiado.

Sarah assentiu. Jordan tirou a camisa estilo T-shirt cinza que usava, exibindo músculos bem esculpidos, de fazer qualquer garota suspirar e qualquer garoto invejar. Jordan só trajava agora sua calça Jens surrada e seu coturno preto.

O rosto de Alice enrubescera com o que vira, por tanto logo virou o rosto para disfarçar. Jordan pareceu perceber a reação da garota, pois um sorriso malicioso se formou em seu rosto quando se agachou ao lado de Liem e enrolou a camisa ao redor do abdômen do garoto desmaiado, para estancar o sangue.

Jayden não gostou daquilo. Ele tinha posto fogo na metade de sua casa, quase fora morto por uma criatura bastante grotesca, e agora, pelo que tinha entendido vários outros monstros estavam tentando matá-los, não achava que aquele fosse o melhor momento para flertar.

“Mas que porra está acontecendo? O que aconteceu com minha vida monótona e comum?”

– V-vamos- Falou Alice á Jayden, que saiu na frente para mostrar o caminho.

Jayden e Alice andaram por poucos minutos até chegarem ao quintal onde Jayden quase fora morto pela criatura.

Eles tiveram uma surpresa ao chegarem naquela parte do terreno. O monstro, que deveria estar morto, estava de pé, obviamente vivo, a alguns metros dali.

– Co-como? Ele deveria estar morto- Murmurou Alice, obviamente surpresa.

O Emin sentiu a presença de Jayden e Alice, pois se virou para eles, olho-os atentamente e então rugiu. O grito fora ensurdecedor, fazendo Alice e Jayden tamparem os ouvidos em agonia. A criatura cessou repentinamente, em seguida se virou e correu em uma direção qualquer.

Alice pensava em várias hipóteses de como o monstro ainda pudesse estar vivo, mas nenhuma parecia plausível. Foi libertada da sua linha de pensamentos quando Jayden falou.

– Acho que não vai dar para pegar a corrente.

Alice olhou para o garoto assustado ao seu lado, que fitava a cozinha. Seguiu o olhar do menino até os destroços daquele cômodo, lá avistou cinco Zuzins, que lhe deram alguns sorrisos tenebrosos. Alguns Zunzins foram se aproximando, até virar um amontoado deles, que com sorrisos medonhos no rosto, correram para caçar suas presas.

– Corra!- Gritou Alice, que se virou e correu em direção a garagem. Ela chegou na porta em cerca de cinco segundos.

Jayden se impressionou com a velocidade de Alice. Decidiu que não era o melhor momento para pensar sobre velocidades sobrenaturais. Então, mais rápido do que antes, Jayden se concentrou a onde queria chegar, sentiu uma onda de força passar por suas pernas e em seguida correu em grande velocidade. Não fora tão rápido quanto Alice, mas foi o suficiente para não ser morto pelas criaturas insanas, que sorriam com o mero pensamento de matar.

Alice e Jayden entraram na garagem, trancando a porta. Jayden sabia que ela não resistiria por tempo suficiente.

– Me ajudem aqui- Chamou Jayden. Ele estava tentando empurrar uma grande mesa de madeira e colocá-la em frente da porta. Jordan foi até a mesa, pegou em uma das extremidades, e falou:

– Sai pra lá.

Jayden se afastou da mesa. Jordan com grande facilidade empurrou a mesa para frente da porta.

– Sarah, me ajuda a colocar outros objetos na frente da porta. E você- Falou Jordan, se dirigindo a Jayden- Pode fazer qualquer outra coisa.

Apesar de Jordan ter ajudado a salva-lo, Jayden não gostava muito dele, pois o garoto o irritava e lhe passava uma sensação estranha e desagradável. Não sabia exatamente o que aquela sensação significava, por tanto, não se pendurou muito naquele pensamento.

Jayden viu Sarah levantar objetos que ele certamente não conseguiria. Envergonhado por sua inutilidade, saiu dali e foi até Alice, indagando consigo se ela também seria tão estranhamente quando os seus dois outros amigos.

– Já que não conseguimos pegar a corrente, como sairemos daqui?- Perguntou à menina de olhos de cor de safira.

– Estou pensando, estou pensando... – Respondeu, olhando da moto para o quadriciclo.

Jayden ficou em silêncio, tentando pensar em algo que os ajudasse naquela situação e que acabasse com sua impotência diante a ela, mas nada lhe ocorreu.

– Jordan, você acha que eu errei o coração do Emin?- Perguntara Alice, alto o suficiente para que Jordan ouvisse do outro lado da garagem.

– Não, foi exatamente no lugar certo. Por quê?

– Porque quando fomos lá fora- Respondera Alice, apontando para a porta, que naquele momento estava barrada por vários objetos pesados- Vimos o Emin se levantar e fugir.

– Ele está vivo?!- Perguntou Jordan com real surpresa.

–Sim- Desta vez fora Jayden que respondera.

– A próxima vez que eu encontrá-lo, vou fazer ele se arrepender de não ter ficado morto- Comentou Jordan entre os dentes. Ao falar, seu rosto ficara mais sombrio e seus olhos adquiriram um brilho que outrora não estava ali. Jayden percebera que fora o único a perceber a pequena mudança no rosto de Jordan, que por sua vez, sentiu o olhar de Jayden direcionado a ele. Por tanto, Jordan apenas olhou para seu observador e lhe deu um sorriso amigável. Em seguida, voltou a pegar objetos pesados e a colocá-los na frente da porta.

“OK. Ele tem complexo de personalidade” Pensara Jayden.

– Jayden, traga o quadriciclo aqui- Pediu Alice

Jayden foi até a extremidade da garagem, pegou o veiculo solicitado e foi até Alice. Esta segurava na mão direita uma adaga, que tinha uma lâmina tão fina e transparente quanto gelo, que aparentava quebrar-se ao toque. Jayden sabia que fora aquela mesma lâmina que atravessara o Emin, e de frágil, aquela arma não tinha nada.

Viu uma pequena e fina corrente de ouro ligada à empunhadura incrustada de diamantes. Foi ai que percebera o que Alice pretendia fazer.

– Acho que essa corrente vai se arrebentar antes mesmo que você consiga puxar o quadriciclo- Comentou Jayden, se lamentando por mais uma vez ter que apontar as falhas do plano que poderia tirá-los dali- Além disso, ela é muito pequena.

Alice não olhou para Jayden, apenas enrolou a corrente no pulso e arremessou a adaga. Esta foi girando até se gravar na parede oposta à que eles se encontravam. Jayden se impressionara com a habilidade que Alice demonstrara no arremesso da arma, mas o que o chocou foi à corrente, que aumentou de tamanho.

– O tamanho não é problema. E quanto à resistência, bem, é o que vamos descobrir- Falou Alice com um sorriso nervoso no rosto, indicando que ela estava ansiosa com a nova experiência e com medo de que ela falhasse.

Alice puxou a adaga de volta, desenrolou a corrente do pulso e enrolou essa parte da corrente no quadriciclo.

– Certo, e agora como é que você vai enrolar a adaga na moto?- Perguntou Jayden, odiando ter que encontrar mais falhas, além de não confiar na resistência da corrente.

– Não vou enrolar- Disse simplesmente quando andou até ficar atrás da moto, e cravou a lâmina no banco até que ela entrasse inteira e ficar só a empunhadura a amostra.

– Entendi, mas e se a adaga se desprender da moto?

–Ai você segura- Respondeu Alice com simplicidade.

– Anh?- Disse Jayden, crendo que não tinha escutado corretamente.

– O que? Você só pode estar brincando- Falou Sarah, que se aproxima de Alice. Provavelmente já tinha terminado de carregar todos os objetos consideravelmente pesados para a porta.

– Não estou.

– Você sabe que nós não podemos tocar na arma, e muito menos ele que é um simples humano! –Replicou Sarah com irritação.

– Ele não é humano- Disse Jordan se aproximando.

– Então o que ele é? – Perguntou Sarah descrente.

– Ele é a mesma coisa que eu e a Alice- Respondeu lentamente, apesar do tempo que não tinham.

Jayden não estava gostando daquela conversa. Não gostava do jeito como falavam dele, e muito menos da maneira como conversavam, como se ele não estivesse ali.

– Vocês poderiam parar de falar de mim como seu eu não estivesse aqui?- Indagou Jayden.

Sarah apenas ignorou Jayden e continuou a falar.

– Como você sabe que ele é a mesma coisa que nós? Afinal, a Ordem não veio pega-lo.

Essa era uma pergunta cuja resposta Alice também gostaria de saber. Embora soubesse o que Jayden era, gostaria saber como Jordan também sabia. Será que ele sentia o mesmo que ela, aquele sentimento familiar em relação à Jayden?

– A Ordem também não foi pegar a Alice, e ainda sim, sei o que ela é. — Argumentou Jordan.

Sarah não parecia convencida, por tanto o garoto continuou com suas argumentações.

– Bem, pense comigo. Os Zuzins não se agrupam certo?- Sem esperar resposta, continuou- E pelo que vejo aqui, a regra mais básica sobre Zuzins foi quebrada, porque se pode perceber que aqui eles estão trabalhando em “equipe”. Se é que podemos chamar isso de equipe.

O olhar cético no rosto de Sarah indicava que ela não havia entendido o que seu amigo lhe dizia, percebendo isso, Jordan continuou.

– Olhe, o que eu estou tentando dizer é que os Zuzins não se agrupariam para atacar dois simples humanos.

O brilho duvidoso desaparecera dos olhos de Sarah. Jayden percebera que ela em fim entendera, e também percebera que ele próprio não estava gostando do rumo que aquela conversa seguia. Não lhe agradava o fato daquelas pessoas falarem dele junto a coisas a quais ele não fazia idéia do que fossem. Não gostava como eles falavam de si mesmos como se não fossem humanos.

– Realmente, é uma boa suposição- Dissera Sarah.

Alice concordara com Sarah, mas Jayden percebeu que algo á incomodava.

– O que você quis dizer com “não podemos pegar na arma”?- Perguntou Jayden cautelosamente à Sarah.

– Exatamente o que eu disse. Não podemos pegar em nenhuma arma que não seja a sua. Salvo se fizerem parte da mesma equipe... – Sarah parara de falar, como se entendesse algo que outrora não compreendia. Virou-se para Alice- Não me diga que...

Alice confirmou com um aceno da cabeça.

– Os dois? – Indagou Sarah incrédula.

Mais uma vez, Alice confirmou com um aceno da cabeça.

Jayden não entendia nada do que eles falavam. Não sabia nada sobre essa tal de Ordem, ou sobre equipes e armas, mas só uma dúvida exigia no momento ser feita.

– Não vai me acontecer nada se eu tocar na arma, certo?- Perguntara a ninguém em particular.

– Provavelmente não- Respondeu Alice.

– Eu não gostei muito do provavelmente- Temeu pelo que lhe poderia vir a acontecer- Preferia se você tivesse certeza.

– Então vamos confirmar agora. Toque na arma e vamos ver o que acontece- Mandou Jordan, com um meio sorriso no rosto- Só avisando, quando tentei pega-la, a força repelente fora tão grande que cortou a palma da minha mão, e seu eu não fosse o que sou, teria ter que levar sete pontos.

Jayden olhou relutante para o cabo incrustado de diamantes, que mais pareciam estrelas, brilhando fortemente para chamar atenção. Era belo, achava Jayden, mas quase tudo que era belo engana. Jayden não queria arriscar sua mão para aquela faceta de bela arma.

– Prefiro tentar no calor do momento.

Alice lhe deu um sorriso. Jordan se contentou em apenas bufar e voltou sua atenção para Alice.

– Então é esse o plano? Vamos sair daqui numa moto, com vários Zuzins correndo atrás tentando nos matar?

–Não. Vamos sair daqui numa moto e num quadriciclo, com vários Zuzins no nosso encalço enquanto tentamos não morrer.

– Ah, esqueci dessa parte final, ela é extremamente importante.

– Com certeza, se você esquecer ela o plano não tem sentido- Disse Alice com um sorriso sarcástico no rosto.

– Bem, então é melhor começarmos logo com seu plano- Uma voz arrastada como um sussurro e fraca como uma lâmpada prestes a se apagar, soou no recinto. A voz não pertencia a nenhum dos jovens ali em pé, mas a um que com muito esforço tentava se levantar.

– Liem- Disse Jayden, feliz por seu irmão está consciente. Apressou-se e foi até o irmão para ajudá-lo a se levantar. – você está bem?

– Obviamente que não- Respondeu Liem- Mas você não precisa se preocupar.

Liem se desvencilhou dos braços que o ajudavam a levantar, e com grande esforço, mancou até Alice.

A feriada nas costas de Liem parecei está melhor do que estivera há alguns momentos, mas a real preocupação era o corte adjacente em seu abdômen, pois parecia pior do estivera antes. A camisa que Jordan enrolara no abdômen ferido para estancar o sangue, estava encharca pelas manchas escuras do líquido que tentava conter.

Liem andava com dificuldade. O andar era arrastado, como se suas pernas fosse feitas de chumbo. Caminhou até a moto com todos os olhares direcionados a ele. Ao chegar a seu objetivo e ciente dos olhares que o fitavam, perguntou:

– Então, o que estamos esperando?

– Nada. Vamos dar continuação ao plano- Respondera Jordan, indiferente e caminhando até o quadrciclo- Sarah vai dirigindo a moto, pois é você que vai nos guiar. Liem vai trás de Sarah, ficando no meio, e Jayden vai atrás do irmão, segurando à corrente, ou ao menos tentando- Jordan virou-se para Alice e então continuou- Eu e você vamos ao quadriciclo. Eu vou guiando e você atrasando nossos perseguidores.

Enquanto Jordan falava, Jayden ficou surpreso com a maneira com que ele falava. Talvez fosse impressão, mas Jordan não estava sugerindo, era como se estivesse mandando. Fosse ou não impressão, Jayden percebeu que Jordan era alguém acostumado a dar ordens.

– Só um momento- Pediu Jayden- Como Alice vai atrasar aquelas criaturas sem sua arma?

– Ela não está sem arma- Respondeu Jordan.

– Como assim? A faca de-

– Adaga- Corrigiu Alice inconscientemente.

– Calma criança, você logo verá- Disse Jordan com um sorriso sarcástico que já estava começando a irritar a Jayden.

– Você não é muito mais velho do que eu- Rebateu Jayden, com incontestável irritação na voz.

– Ok, agora parem com isso, crianças- Falou Alice, se pondo entre Jordan e Jayden. Olhou para Jordan- Não é o melhor momento para discurção- Fitou a Jayden- E eu não estou desarmada, você logo vai ver.

Jordan fitou Jayden por alguns, até que por fim desviou o olhar e virou-se para todos.

– Todos em suas posições- Jayden já estava seguindo para seu lugar na moto, quando Jordan voltou-se para ele- Ah, e você poderia fazer algo de útil e pegar a chave para abrir o portão da garagem?

Alice lançou um olhar desaprovador a Jordan, que não ligou muito. Jayden já estava cansado de Jordan, até ignorá-lo cansava. Não se deu ao trabalho de responder, sabia que era verdade, que não tinha feito nada consideravelmente útil, a não ser ocupar o tempo que eles não dispunham.

Com o controle para abrir o portão já em mãos, dirigiu-se a sua posição. Todos já ocupavam o seu lugar, menos Alice, que continuava de pé.

– Já pode começar Alice- Falou Jordan docemente. Seu tom surpreendeu a Jayden, que não acreditava que o garoto pudesse ser amigável com alguém.

Alice respirou fundo e repetiu o gesto mais uma vez. Juntou os dedos da mão direita uns nos outros, esticou o braço e o ergueu lentamente, até ficar numa posição completamente vertical. Mais uma vez respirou fundo, então desceu o braço velozmente, cortando o ar.

Uma fenda aparecera no lugar onde o ar fora cortado. Jayden soltou uma exclamação de surpresa que viu refletida no rosto do irmão, acrescentando uma pura incompreensão.

Jayden voltou seu olhar para a fenda. Ela lhe pareceu um pequeno pedaço do céu estrelado. A fenda era composta por uma escuridão infinita. Um sentimento de solidão e insignificância invadiu Jayden enquanto olhava aquela tormenta de escuridão que seguia um caminho infinito. Mas ao fundo, viam-se coisas indefinidas, que brilhavam cingidas de prata, como uma estrela que de si produzem luz.

Alice esticou o braço até que este entrasse na fenda. Ela passou alguns segundos ali, tateando a escuridão. Quando retirou o braço a fenda se fechou e Alice portava na mão direita um chicote.

Jayden nunca tinha visto um chicote na vida, mas sabia que aquele era especialmente bonito. Além de passar um sentimento de força e firmeza.

Jayden não reconhecia o coro da qual o chicote era feito. Não se importou muito com isso, estava encantado com a arma. O Couro negro a qual tinha alguns entalhes dourados, fora trançado firmemente. Na ponta do chicote havia alguns filamentos azuis e pontiagudos, da qual saiam algumas faíscas.

– Como você- Jayden fora interrompido bruscamente pela constante frase que cansara de ouvir.

– Explico depois- Interrompeu Alice, não percebendo o obvio desagrado de Jayden, que não agüentava mais esperar, se quê sabia se sairia dali vivo.

– Conto com você Lux- Falou Alice para a arma que tinha em mãos.

Uma garota que falava com armas, pensara Jayden. Mais uma vez começou a desconfiar do que vivia e a considerar aquilo tudo com um simples pesadelo do qual não conseguia acordar.

– Está pronta?- Perguntou Jordan.

– É bastante difícil ficar com mais de uma arma fora do País das Maravilhas- Respondeu Alice, visivelmente cansada- Me dê um tempo para respirar.

Ao termino da frase, a porta da garagem e todos os objetos que impediam a passagem por ela, caíram no chão.

A atenção dos cinco jovens concentrou-se nos Zuzins encobertos de sangue, que estavam ali com intenções assassinas, planejando uma carnificina.

– Acho que não vai dar- Falou Jordan com um sorriso distorcido no rosto.

Alice sussurrou algo, então correu até o quadriciclo e se sentou atrás de Jordan. Jayden apertou o botão do controle. O portão demorou alguns segundos para abrir, e nesse meio tempo um Zuzin correu em direção as suas presas.

Jayden jogou o controle na cabeça da criatura, ato que não serviu para nada mais do que irritar o monstro.

Alice iria acerta o Zuzin com seu chicote, sendo que Jordan fora mais rápido. Jayden não conseguiu ver de onde o garoto tirou a adaga, viu apenas quando ele a arremessou. Uma adaga de lâmia tão negra quando o desconhecido, tanto quanto as sombras da noite. E viu a lâmina penetrar no crânio da criatura, que caiu no chão inerte.

Jordan virou-se para Jayden e deu um sorriso de superioridade. Então se voltou para Sarah e gritou.

– Acelere, temos que sair daqui!

Sarah não precisou de mais incentivo. Ela girou o acelerador. O pneu gritou, deixando uma marca preta nos ladrilhos brancos. E os cinco jovens deixaram a garagem, assim como seus perseguidores, para trás.

Jayden teve que segurar Liem fortemente, que iria caindo diversas vezes. Naquele impulso inicial, quase se esquecera de segurar a adaga que os conectava ao quadriciclo, que servia de peso morto.

Os Zuzins corriam atrás deles. A moto era veloz, porém as criaturas não ficavam para trás.

Jayden olhou para frente, para a rua, que estranhamente estava vazia. Os Zuzins que outrora estavam se amontoando ali, haviam sumidos, assim como qualquer outro sinal de vida.

As luzes das casas estavam desligadas e um silêncio mortal exalava delas, como se nada daquilo estivesse acontecendo, como se Jayden e Liem não tivessem incendiado a própria casa, como se monstros não estivessem tentando matá-los. Talvez aquele silêncio só provasse que afinal Jayden realmente estava sonhando, mas se assim o fosse, por que ele sentia a dor em seu peito, ou o vento frio da noite gélida como se fossem tão reais?

Os pensamentos de Jayden foram interrompidos quando ele ouviu um estalo. A adaga estava rasgando, mais do que deveria, o banco da moto, tanto que já estava na beirada.

– Segure!- Gritou Jordan, que também seguia com o olhar o percurso da adaga.

Jayden, sem esperar por mais ordens, segurou com a mão esquerda, pois era canhoto, a adaga, e com a direita Liem. Por alguns instantes ficara ressentido em segurar a arma cravada no banco um pouco atrás de onde estava sentado, mas logo ficou aliviado por constatar que nada consideravelmente grave acontecera com sua mão.

Sua atenção passou da adaga para Alice, quando esta foi arranhada na perna esquerda por Zuzin.

Alice gritou e praguejou algo que Jayden não compreendeu. A garota segurava a cintura de Jordan com a mão esquerda, e coma direita brandia Lux, o chicote.

Alice golpeou com o chicote rapidamente, acertando o rosto do Zuzin. A arma, ao entrar em contato com a face da criatura, estalou. De um dos filamentos pontiagudos de Lux saíram uma grande quantidade de faíscas, que queimaram o rosto do Zuzin.

Jayden queria perguntar como aquilo tudo era possível. Além de não ser um bom momento para perguntar, sabia que reposta receberia, então ficou calado.

Mais Zuzins se aproximaram do grupo, porém Alice os aniquilava. Ela brandia o chicote com maestria e uma incrível precisão, acertando as criaturas que se acreditavam à caça o de suas presas. Os Zuzins eram atingidos por Lux ora na face, ora no peito esquerdo, transformando-se em certa gosma preta.

Alice ofegava enquanto seguia matando mais criatura. Jayden olhou para a estrada já percorrida. A quantidade de Zuzins havia diminuído, mas ainda tinha uma quantidade considerável. Temia que Alice não fosse ter forças suficientes, não sabia dizer por quanto tempo ele conseguiria resistir. Olhou para Alice, ela ofegava mais que antes, tanto que parecia que lhe faltava ar. Seu corpo estava coberto por uma película de suor devido ao seu obvio esforço para afastar os Zuzins.

Jayden viu poças de gosma preta espalhadas pela rua. Enojado de mais para continuar a olhar, voltou-se para frente.

Jayden sentiu um puxão no braço esquerdo. Olhou para a adaga que estava se desprendendo cada vez mais. Segurou com mais força o cabo, até os nos de seus dedos ficarem brancos. À medida que a adaga se soltava do banco, mais puxões Jayden sentia no braço esquerdo. Chegou ao o ponto em que sua mão doía bastante, seus dedos estavam brancos e ele sentia puxões e fortes dores no ombro, como se todos os tecidos, nervos e veias que ligavam seu braço ao resto do corpo, fossem romper.

Jayden tentou se concentrar em outra coisa. Olhou para frente. Viu os postes de luz que seguiam até o final da rua, reconheceu as casas e prédios por qual passavam. Então soube para onde estavam indo, para o Bush`s Pasture Park

Por quê? Jayden não sabia. Àquela hora da madrugada o park estava provavelmente vazio. Talvez fosse essa a intenção, atrair os Zuzins para lá, onde seria melhor para lutar contra as criaturas. Ou talvez fosse um lugar melhor para morrer. Essa idéia o assustava. Ainda não estava preparado para morrer, ninguém estava.

Jayden já avistara os grandes pinheiros do park quando Sarah fez a curva, e a dor no ombro de Jayden era tanta que ele não suportou e acabou por soltar a adaga.

– Não!- O grito de Jayden ecoou pela rua deserta.

Jayden sentiu a culpa, medo e desespero subindo por suas entranhas enquanto visualizava o quadriciclo seguir com velocidade, para então tombar para o lado.

Jayden se deparara com a idéia de que poderia ter acabado de matar as pessoas que o salvara. Uma centelha de alegria acendeu em seu interior quando ouviu Alice gemer e Jordan praguejar alguma coisa enquanto tentava se levantar.

A pequena flama durou por pouco tempo. Ela se extinguiu quando Jayden se deparou com a visão monstruosa de dúzias de Zuzins se aproximando do veículo acidentado. De repente viu a realidade, as criaturas chegariam rápidamente ao quadriciclo e mataria Alice e Jordan, não iria dar tempo para que eles fugissem, não sem lutar. Mas será que eles iriam conseguir resistir? Jayden duvidava. Assim como era cético em relação a sobrevivência de qualquer um deles.

Sabia que deveria fazer algo, deveria ir lá e ajudar que o ajudou, mas Jayden não conseguiu. Seu corpo simplesmente não se movia. Enquanto os Zuzins se aproximavam, ele ficou lá, apenas olhando impotente.

Sarah havia parado a moto, porém ela, tanto quanto Jayden, parecia não ter controle sobre seu corpo. Surpreendidos, ficaram lá, fitando a cena que se desenrolava.

Alice e Jordan se arrastaram para trás do quadriciclo, buscando refúgio dos Zuzins que insistiam em se aproximar.

Jordan parecia relutante quando sacou uma pistola de cano longo, mirou no compartimento de gasolina do quadriciclo, e então atirou. Virou-se e abraçou Alice com o intuito de protegê-la.

A força da explosão fez com que com que Jordan e Alice fossem jogados a três metros de distância.

Alice caiu em cima de Jordan. Ela sentiu a mão úmida, quando a olhou, viu que ela estava coberta por um líquido vermelho e espesso, era sangue. Levantou-se rapidamente, apesar dos músculos protestarem. Olhou seu corpo a procura de algum corte. Não encontrara nenhum, então soubera de quem era o sangue. Alice fitou Jordan com preocupação, que levantava com dificuldade enquanto sangue escorria de seu ombro direito.

O corte começava na parte superior do ombro e descia em sentido adjacente até a parte inferior do ombro.

– O-o que?!- Alice gaguejou.

– Um dos fragmentos do quadriciclo me atingiu na hora da explosão- Respondera Jordan, olhando para o corte no ombro, calculando a profundidade- Não se preocupe, eu vou sobreviver

Jordan olhou para trás e Alice acompanhou seu olhar.

– Uma explosão. Ótima maneira de matar Zuzins, isso quando você não é atingido por ela- Comentou Jordan, olhando os corpos mortos de seus perseguidores.

Havia dúzias de corpos. Uns pegavam fogo e outros cheios de cortes profundos. E se arrastavam pela rua aqueles que tinham perdido algum membro do corpo ou este estava dilacerado.

Porém, de todos os Zuzins que ali se encontravam, havia algo de semelhante entre eles, seus rostos. A boca abria-se num grito silencioso. Apesar de não emitir som algum, Jayden sentia toda a dor e ouvia todos os lamentos que naquele grito continha. Dos olhos, desceu uma lágrima de sangue que banhada a luz do luar, ganhou um brilho escarlate. Juntando todos esses aspectos, as faces dos Zuzins mostravam ira, dor, culpa e lamentos que não eram ouvidos, horror e acima disso tudo, erguia-se apenas o primitivo medo.

Pena, é o que descrevia o que Jayden sentiu por aquelas criaturas. Pela milionésima vez naquela noite, se perguntou se não estava tendo apenas um terrível sonho.

Naquela noite, pairava o silêncio. Jayden viu os Zuzins irem se transformando em certo tipo de gosma preta. De uma a um, as criaturas foram desaparecendo, até que sobrou apenas um, que já começava a se transforma na gosma preta. Alice se aproximou, ajoelhou-se diante do Zuzin e sussurrou algumas palavras, que no silêncio da noite, chegou aos ouvidos de Jayden.

– Tu és pó e ao pó tornaras- Recitou Alice com a voz misteriosamente serena.

A boca do Zuzin fechou-se e já não emitia um grito silencioso de dor, e o resto do seu corpo transformou-se em pó.

Sarah, que outrora estava parada ao lado de Jayden, impotente de fazer qualquer movimento, deu o primeiro passo em direção a Alice.

Jayden apenas absorvia a tudo em choque. O que acontecia com ele aquela noite era de mais para sua compreensão, só em pensar que em algumas horas atrás ele esteve na escola, fazendo as mesmas coisas de sempre, tornava tudo aquilo pior.

Relutante, Sarah chegou até Alice, a olhou com surpresa e sussurrou algo que Jayden não conseguiu ouvir. Alice que olhava para os restos do Zuzin que se transformara em pó, voltara seu olhar para o rosto de Sarah e lentamente balançou a cabeça negativamente.

Jordan olhava o pó derivado do Zuzin que se espalhava pela rua. Em seguida focou-se em Alice com enorme surpresa, porém tinha algo mais naquele olhar. Algo que Jayden não consegue identificar.

Uma coisa ele poderia afirmar, o quê que estivesse acontecendo ali eles não sabiam explicar.

– Vamos, temos que sair daqui- A voz de Liem estava fraca e cansada, porém o silêncio na rua era tanto que foi suficiente para que todos ouvissem.

– Sim- Disse Alice ainda olhando para as cinzas do Zuzin. Por fim olhou para Liem, que estava na moto e começou a andar em direção a ele- Ele tem razão, é melhor nos apressarmos.

Sarah apenas assentiu com a cabeça e acompanhou Alice. Jordan continuou parado por alguns segundos, fitando Alice, mas logo se pôs a andar. Alice parou ao lado de Liem e o observou por alguns instantes.

– Você está bem?- Perguntou, com certa preocupação estampado no olhar.

Liem ergueu a sobrancelha e responde francamente.

– Pareço bem?

Jayden olhou seu irmão. Este suava bastante apesar da brisa gélida que corria pelo local. Em seu rosto identificava-se uma película de cinzas. Seus olhos estavam entre abertos e com um aspecto cansado. Liem ofegava em ritmo acelerado, porém o que mais preocupou Jayden era blusa que Jordan enrolara no abdômen do irmão. A camisa que outrora era cinza ganhara uma nova coloração vermelha.

– Não, sinto muito- Respondera Alice avaliando a blusa encharcada de sangue.

– Não sinta. Eu já estou sentindo o suficiente por nos dois.

Esboçou-se um leve sorriso no rosto de Alice, que na opinião de Jayden, só a deixava mais bonita.

– Acho melhor tirarmos essa blusa daí- Alice apontou para o abdômen de Liem- Ela não está adiantando de muita coisa.

Vagarosamente, as pupilas dos lhos de Liem se moveram até encontrar a camisa.

– Acho que você tem razão. Alguém pode me ajudar a tirá-la?- Pediu Liem com a voz arrastada.

– Eu ajudo- Sarah se ofereceu rapidamente. Ela se aproximou da moto e começou a fazer o trabalho. Enquanto ela tirava a camisa, Liem fechou os olhos cansados e quando Sarah terminou o serviço, com pesar, tornou a abri-los.

– Aqui- Disse Sarah, estendendo a blusa para que Jordan a pegasse.

Com relutância, pegou a blusa com a ponta dos e a olhou com repulsa.

– Uma blusa encharcada de sangue. Tentador, mas não obrigado- Dito isto, Jordan jogou a peça de roupa na rua.

Alice estendeu a mão para Jayden, que confuso, não entendeu o que eu ela queria.

– O que?- Perguntou.

– Sua blusa- Respondera a garota.

– Ah, sim- Jayden tirou sua blusa, agora trajava apenas uma calça Jens. Seus pés nus tocavam o frio asfalto. Seu abdômen bem esculpido, não tanto quando o de Jordan, fora o suficiente para Sarah se admirar, que mostrou claramente seu interesse ao erguer uma sobrancelha e sorrir maliciosamente- Aqui.

Alice pegou a blusa e foi até Liem.

– Isso vai doer- Ela avisou.

– Mais do que já estava doendo?

Alice se aproximou bastante de Liem, enrolou a camisa no abdômen e deu um nó forte. Liem deixou com que escapasse um grito de dor.

– Sempre existe uma dor maior- Respondeu Alice.

– Nunca mais duvido disso- Liem olhava a blusa em seu abdômen, que gradualmente foi ganhando manchas vermelhas.

Jayden sentiu uma brisa fria passar pela pele recém exposta, ou talvez fosse apenas o olhar que Sarah lançava, fazendo-o ter calafrios, vergonha e incomodo.

– Vamos logo- Falou Jordan com impaciência.

– Vamos. Vocês dois vão à moto- Disse Alice a Liem e Jayden.

– E vocês?- Perguntara Jayden.

– Vamos logo atrás de vocês.

– A pé?

– Escuta aqui criança- Falou Jordan com a paciência já perdida- Ainda não entro na sua cabeça que tem monstros tentando nos matar, e seria bem mais fácil sairmos daqui se você parasse de fazer perguntas?!

Jayden assustou-se com a súbita reação de Jordan. A cada minuto que passava gostava cada vez menos dele.

– Cara, você é muito chato- Jayden informou a verdade em que acreditava.

– Ah que pena, vou chorar se você disser isso.

– Além de chato é dramático- Bufou Jayden.

– Você esperava o que?!- Gritou Jordan- Que o Super- homem e o Batiman viessem para salva-lo? Ou talvez o Harry Potter?

Jayden nada falou então Jordan continuou a gritar.

– Viemos aqui arriscando a nossa pele para salvar a sua então pare de reclamar e obedeça!

Silenciosamente e de cabeça baixa, Jayden foi para perto da moto e nada falou. Jordan não estava errado, isso Jayden tinha que admitir, porém não estava completamente certo. Não tinha como não fazer perguntas em uma situação como aquela, embora soubesse que elas não seriam bem-vianda, ainda as fazia. Não era todos os dias que acordava com sua casa sendo destruída por criaturas por criaturas que não deviam existir e que pareciam ter saído do inferno. Não eram todos os dias que incendiava a sua própria casa e muito menos ser quase morto. Então toda essa coisa que Jayden nunca esperava vivenciar acontecera em apenas algumas horas. Como não fazer perguntas?

Não era o Harry Potter ou quem quer que seja que esperava encontrar aquela noite, era apenas a dura e fria morte. Mas Jayden fora salvo e estava eternamente grato a todos que estavam ali, inclusive a Jordan, mas tinha algo nele que não lhe agradava, que o fazia ficar com um pé atrás. Não sabia bem o que ou se era penas sua imaginação. O que quer que fosse não gostava da sensação.

Jayden notou que todos os olhavam, esperando alguma reação.

– Então vamos logo- Disse por fim.

Jordan sorriu satisfeito.

– Você deveria me ouvir mais vezes.

– Vou me lembrar disso- Falou Jayden com a voz dura. Voltou-se para Liem- Eu vou dirigindo. Você consegue segurar-se a mim?

– Não tenho alternativa, tenho? Ou eu seguro ou caio, e como eu prefiro me manter inteiro, vou me segurar, ou ao menos tentar- Respondeu Liem, embora não tão confiante quanto queria demonstrar.

– Então vamos parar de perder tempo e acabar logo com isso- Falou Jordan, ainda com aquele meio sorriso no rosto.

Jayden subiu na moto, segurou no acelerador e Liem agarrou-se ao irmão. Alice aproximou-se de Jayden e lhe deu as coordenadas de onde deveria ir.

– Vá para o Bush`s Pasture Park e nos espere na Entrada da rua Church St. SE. Não está muito longe daqui.

Jayden assentiu com a cabeça. Olhou para Sarah, ela o fitava, porém sem nenhuma malícia no olhar Olhou para Jordan, este, sem abandonar o meio sorriso que ostentava no rosto, fitava Alice. Jayden se deparou com o corte no ombro de Jordan, quase perguntou o que havia ocorrido, mas dessa vez teve a consciência de que não deveria. Perguntava-se como Jordan conseguiria correr atrás deles com o ombro naquele estado. Da ferida jorrava sangue, o corte era profundo pegaria uma infecção se não fosse logo tratado. As feições de Jordan expressavam claramente que ele não se importava com aquele corte.

– Já podemos ir?- Perguntou Jayden á Alice.

– Já deveriam ter ido.

Jayden não queria adiar aquele momento, então acelerou a moto e seguiu em frente sem olhar para trás.

O vento frio batia em seu peitoral num, mas não sentia frio, tinha outras preocupações na mente, como por exemplo, ficar vivo. Vez ou outra sentia os braços de Liem se afrouxarem ao seu redor, então como alguém que acabara de acordar, sentia os braços do irmão se firmar ao seu redor. Nesse ritmo percorrerão alguns poucos quilômetros até chegarem ao Bush´s Pasture Park pela Church St. SE, como Alice havia indicado.

Estacionando a moto, Jayden ajudou Liem a descer. Seu irmão vagarosamente encaminhou-se a um dos diversos pinheiros, escorou-se nele e escorregou em seu grosso e firme tronco até estar sentado na terra, com a cabeça repousando no tronco da mesma árvore de conífera.

Jayden estava dirigindo-se a um pinheiro o posto a do irmão, quando viu os olhos de Liem esbugalhar-se e o mesmo tentar disser algo que Jayden não compreendeu, mas já era tarde de mais.

Jayden só entendeu que o irmão estava tentando alertá-lo quando sentiu uma forte pancada no lado direito do seu corpo. Fora Jogado a alguns metros das árvores. Não entendia o que estava acontecendo, mas sentia. Sentia a dor e a sentiu mais quando bateu fortemente a cabeça em um tronco de um pinheiro e caiu no chão.

O impacto o deixou momentaneamente sem ar. Enquanto lutava para empurrar o ar a seus pulmões adentro, travava outra batalha, em que lutava para não perder a consciência.

Jayden não conseguia pensar, não sentia, tudo estava confuso. Sabia apenas que precisava sair dali, mas não conseguia se mover, apenas observar as imagens confusas que passavam diante dos seus olhos. Sua visão estava turva e embasada, pequenas manchas pretas se espalhavam por sua visão. A única coisa que via era alguns borrões se movendo muito rapidamente. Escutou um grito distante antes de suas pálpebras ficarem pesadas e tudo ficar escuro.

Notas finais
por favor pessoal comentem, isso é muito importante :)