Loop
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Levantei da minha cama um pouco antes da minha mãe vir me chamar e quase levei um murro dela, já que abri a porta no mesmo instante em que ela ia bater novamente.
— Ah desculpa! — Ela disse, surpresa por me ver acordada. — Eu ia te chamar pra não se atrasar.
Fiz um som irreconhecível para confirmar que já estava acordada, meus olhos semicerrados pelo sono. Ela riu e foi descendo as escadas enquanto eu comecei a pentear eu cabelo com a mão e a rastejar até o banheiro. Estava prestes a abrir a porta quando meu irmão veio correndo e entrou antes de mim.
— Licensa eu preciso...! — Ele não terminou a frase e bateu a porta na minha cara.
Bufei e comecei a bater na porta com todas as minhas forças.
— Lucas eu cheguei primeiro! — Gritei pra ele e depois me virei e cruzei os braços. — Seu pau no cu. — Murmurei enfim.
Após alguns minutos o garoto saiu, me deixando um "presente" na privada, meu deus que garoto imundo.
Suspirei e fiz o que tinha que fazer até estar totalmente arrumada e de uniforme. Olhei para meu pijama, que tinha jogado em cima da pia, e franzi a testa, como diabos eu ainda usava aquilo? Havia sido me dado por um tio anos atrás, hoje estava bem velho, mas ainda cabia maravilhosamente no meu corpo. Uma das vantagens de ser um palito: As roupas duram mais.
Decidi pegar um par de óculos escuros, já que parecia estar bem ensolarado la fora, e prender meu cabelo no estilo coque antes de descer as escadas para o café da manhã. Joguei meu pijama em cima da cama bagunçada e desci com a mochila nas costas.
Eu desci as escadas, logo sentindo o cheiro de ovos e manteiga. Sorri ao ver minha mãe cozinhando com um sorriso e meu pai comendo ao lado de Lucas.
Caminhei até meu pai e lhe dei um beijo na bochecha.
— Bom dia! — Falei para todos, antes de me mover para minha mãe e lhe dar um abraço.
— Bom dia bela adormecida! — Minha mãe falou, com um tôm um pouco cômico. — Está bem carinhosa hoje, o que fez de errado?
— A confiança de você me comove – Falo com ironia, antes de mover até meu irmão e lhe dar um tapa muito bem dado na nuca, o que o fez se engasgar de rir. — Isto é pelo que você deixou na privada. — Falei emburrada antes de me virar para minha mãe. — Nada, só estou me preparando mentalmente para a volta ás aulas — enquanto arrumo um motivo para não ir. Completei mentalmente.
— Se está tão preocupada é bom começar logo a comer. — Meu pai disse, pegando um jornal que estava no canto da mesa e começando a ler. — E cuidado com a rua, tivemos dois acidentes aqui perto, estes adolescente bêbados não conhecem limites.
— Okay. — Eu e meu irmão falamos juntos.
— E relaxa pai, bebida e eu somos duas coisas que não combinam. — Falei, tentando acalmá-lo.
— Eu sei querida, mas me preocupo com outros adolescentes bêbados... — Ele deu uma olhadela para Lucas antes de continuar. — Do tipo que podem causar um acidente e vocês acabem envolvidos de alguma forma.
— Entendi... — Falei, encerrando a conversa.
Lucas me olhou com um olhar de agradecimento por eu não ter continuado, e apenas dei de ombros e comecei a comer. No mês passado, logo na primeira semana de Julho, meu irmão apareceu bêbado as quatro da manhã, depois de ter desaparecido por um tempão sem nos avisar, meu pai ficou furioso, e mesmo sendo um amor de pessoa ele ainda guarda um pouco de rancor.
Eu não conseguia guardar rancor dele, mas ao mesmo tempo também me preocupava com o meu irmão, então mantive os olhos bem abertos as férias todas.
Minha mãe se sentou a mesa enquanto franzia a testa, meu pai voltou a olhar para seu jornal, e eu engoli minha comida. Lucas se levantou antes de mim e levantou-se para pegar sua mochila, e quando eu finalmente terminei lavei os nossos pratos e corri para fazer o mesmo.
Quando estávamos ambos do lado de fora, montando nossas bicicletas, a dele sendo vermelha e a minha branca, porém ambas do mesmo modelo. Me lembro quando as ganhamos, foi em um natal, quando eu tinha 15 anos, meu irmão nunca ficou tão feliz, mas eu demorei pra aprender a andar nela. Coloquei os óculos escuros antes de me virar para a porta de casa, que ainda estava aberta, e me despedir.
— Tchau! — Gritei para meus pais quando subi na bicicleta, e amaldiçoei mentalmente meu irmão enquanto ele ia na frente sem me esperar. — Lucas isso não é uma corrida!
Fui pedalando o mais rápido que pude para alcancá-lo, droga o garoto é muito mais acostumado com exercícios do que eu, isto era injusto! Por fim ele que teve que diminuir a velocidade, mesmo assim não deixou de me chamar de lesma.
Bufei, e quase chutei a roda de sua bicicleta para poder derrubá-lo, mas ele desviou rápido e riu da minha cara.
Aproveitei o resto do caminho para sentir o vento em meu rosto, a sensação de liberdade que aquilo me trazia era muito boa, e com as árvores que encontrávamos, cujas copas cobriam tanto a calçada quanto a rua, davam uma aparência muito boa e uma sombra agradável, que me protegia do sol ardente de Agosto.
A escola estava lotada com a volta as aulas, mesmo assim não foi difícil de encontrar um lugar para prender a bike. Sorri e me despedi de Lucas, indo encontrar meus amigos. O mesmo foi logo se encontrando com Renan, um de seus amigos de infância, e começaram a falar de natação, o que não me interessava muito no momento.
Respirei fundo, sentindo o cheiro da manhã e ouvindo as árvores balançando por conta do vento. E sorri ao ver minha melhor amiga sentada nas escadas, usando um gorro na cabeça que não combinava em nada com o nosso uniforme.
— Olha só quem eu vejo bloqueando o caminho dos outros! — Gritei em um tom animado.
Alê deu um gritinho e correu em minha direção, eu ergui meus braços para ela, que pulou e me deu um abraço apertado.
— Ah meu deus! Quanto tempo! — Ela me disse e eu sorri. — Tenho tanta coisa pra te contar!
— Você quer dizer, me contar o quanto a itália é maravilhosa e os garotos são muito mais? — Eu disse e ela me mostrou um sorriso malicioso.
— Exatamente! E quanto a você? — Ela me disse curiosa. — Alguma história parecida para me contar?
Franzi a testa enquanto olhava para ela e comecei a rir, desde meu primeiro namorico de um mês quando eu estava perto dos desesseis anos eu nunca mais tinha tido qualquer relação com um garoto que não envolvesse amizade ou um tapa bem dado.
— Não, só algumas coisas que aconteceram em casa, mas nada de novo sob este sol. — Falei.
— Cuidado pra não virar um deserto. — Ela disse, revirando os olhos para mim.
— Ei! Eu não to tão seca assim. — Reclamei e ela riu.
Mas nossa felicidade durou pouco, o sino tocou nos fazendo gemer de frustração. Dei mais um abraço em minha amiga e nos despedimos, "te vejo no intervalo" ela falou. E eu fiquei ainda menos feliz ao lembrar que minha primeira aula seria de matemática. Nossa, eu até gosto da matéria, mas o professor é tão chato que me faz querer enfiar meus dedos dentro do meus olhos, até meu cérebro, e girá-los.
Quando eu estava perto da escada senti uma dor estranha no tornozelo e tive que parar para massageá-lo. Estranha mesmo, pois o local não parecia estar machucado.
Vi que a escola ficava cada vez mais vaga e me preocupei um pouco, eu iria chegar atrasada na aula se...
— Está tudo bem senhorita? Você caiu? — Uma voz rouca e cansada disse.
Olhei para cima e meus olhos praticamente escanearam a figura masculina a minha frente. O homem usava uma bata branca, que continha o símbolo da escola, e tinha um estetoscópio pendurado no pescoço. Não pude deixar de notar o quão seus olhos eram bonitos, em uma mistura de azul e castanho claro. O cabelo negro assanhado, e a barba por fazer o deixavam ainda mais... Sexy. E logo quando ele olhou para mim, senti um arrepio percorrendo minha espinha, e virei meu rosto rapidamente, sentindo minhas bochechas esquentarem e sabendo que eu estava visivelmente vermelha.
— Não. — Falei e me levantei, olhando para ele e tentando me controlar.
Ele percorreu os olhos sobre mim com um olhar... Curioso? Foi o máximo que consegui ler em seus olhos. Por fim deu um pequeno sorriso para mim e acenou com a cabeça.
— Pois bem, é melhor você ir ou vai se atrasar. — Disse, enquanto se virava e ia embora.
Coloquei minha mão sobre meu peito, e meu coração estava a mil. Me repreendi mentalmente e fui subindo as escadas com um cuidado exagerado, mesmo que eu não tivesse certeza do porquê, parecia que as escadas estavam bem mais traiçoeiras hoje.
Mesmo com toda minha demora eu milagrosamente consegui chegar antes do professor. Dei um oi para meus colegas de classe e os mesmos começaram a conversar comigo sobre as férias. Senti meu celular vibrar e quando olhei havia uma mensagem da Alê que dizia:
Alê: Urgh aula chata =.='
Eu: A minha nem começou, acho que o 'fessor se esqueceu que hoje era o 1a dia
Alê: Sortuda
Ei quer passar no Paulo mais tarde?!
Não aceito um não como resposta!
Eu: Okay! Vou falar com meus pais e te aviso, posso voltar com você?
Alê: Claaaro
Não pude conversar mais, já que o professor entrou na sala com cara de poucos amigos e pediu para todo mundo se sentar. Ele parecia bem irritado, deu um bom dia e logo começou a escrever coisas no quadro. O problema é que ele me deixou irritada, o que fez a aula ser uma tortura.
O sr. Malcom era meu professor de matemática a algum tempo, a matéria que ele mais da é geometria, mas esse ano tivemos um problema com o professor de Algebra e agora ele da as duas matérias. O homem tem aspéctos indianos, um bigode cheio e é mais baixo do que eu (tenho 1,70), além de ser bem gordo, e sempre ter cara de que vai bater em alguém.
Ao fazer a chamada estavam todos presentes, menos...
— Onde está o Paulo? — O professor perguntou.
— Ele está doente, vai faltar até se sentir melhor. — Falei em defesa do meu amigo.
Mas não adiantou muito, pude ver nos olhos sádicos daquele professor que o garoto ficaria marcado o resto do semestre. Sorry Paulo.
No intervalo eu me encontrei com a Alê e começamos a conversar enquanto comíamos algo. Ela estava muito animada e contando sobre todos os lugares que visitou e os garotos que conheceu. Não pude deixar de rir um pouco, mas eu também estava animada, afinal a Itália era meu sonho, eu conseguia imaginar perfeitamente os locais que ela descrevia para mim, e isso só me deixava ainda mais animada.
— Algum dia a gente vai pra lá Lara! É sério, vamos nós três! — Ela disse, com os olhos brilhando.
— Tudo bem, quem sabe se eu conseguir juntar dinheiro a gente não consegue ir no fim do ano? Talvez eu consiga convencer meus pais a me dar a viagem como presente de aniversário. — Falei e isso só a deixou mais empolgada.
— Sim por favor! — disse e eu sorri.
Passamos um tempo conversando até que eu notei uma figura familiar andando pela cantina. O doutor estava pedindo algo para comer, agora sem a bata e o estetoscópio, ele usava uma calça jeans escura e uma camisa social branca e listrada, funcionava bem com sua aparência, o deixando mais relaxado, mesmo assim, ainda consegui notar o cansaço nos seus movimentos.
Alexandra seguiu meu olhar e sorriu maliciosamente.
— Uuuh Lara, eu não sabia que você gostava de caras mais velhos. — Ela disse.
Franzi a testa e olhei para ela.
— Não é isso que você está pensando. — Reclamei, mas minhas bochechas queimaram, o que significava que meu rosto estava virando um tomate.
— Atá claro, você encara pessoas aleatórias para pensar no que comprar quando for ao supermercado. — Ela disse, zoando ainda mais comigo.
Fiz uma careta e passei a comer meu pão pizza mais rápido.
— Mas eu tenho que te dar crédito. — Ela disse – O cara é bem gato.
Acenti antes de começar a falar novamente.
— Ele falou comigo hoje, pensou que eu tivesse caído da escada.
— Ué, por quê ele pensaria isso? — Ela perguntou confusa.
— Sei lá, eu senti uma dor estranha no tornozelo e me sentei pra massagear, já ta bom, parece que nunca existiu. — Falei um pouco confusa. — Ai ele viu e pensou que tivesse acontecido algo, enfim, nada demais, ele só fez a obrigação dele.
— Verdade, nem se iluda, vai que ele é casado. — Ela falou. — Enfim, quando chegarmos no Paulo me lembra de entregar o presente de vocês.
— Presente?? — Meus olhos brilharam.
Eu. Adoro. Presente.
Tivemos mais algumas horas de aula e no fim nos encontramos no estacionamento e entramos juntas no K.A. vermelho dela. Almoçamos juntas na única lanchonete da cidade e fomos até a casa de Paulo.
Bem, ambas ficamos surpresas pelo estado do garoto, então Alexandra foi fazer uma sopa e eu fui forçá-lo, quer dizer, carinhosamente convencê-lo a tomar os remédios.
Quando Alê veio trazer a sopa eu tive uma sensação de dejavu desagradável e me levantei.
— Aonde vai? — Ela me perguntou.
— Fechar a janela, algum inseto pode acabar entrando. — Eu disse.
— Faz sentido. — Paulo falou com aquela voz de gripado. — Está tão frio que eles podem querer se proteger.
— Você quer dizer quente, eu to suando. — Falei.
Paulo assentiu e começou a comer feliz, acabei comendo também já que não consigo resistir a comida da Alexandra. Minha amiga cozinha desde criança e seu sonho é abrir um restaurante, bem eu não reclamo, já que essa cidade precisa de mais opções para comer fora, e ela se daria muito bem na cozinha e administração, ela tem muito futuro no ramo.
— Aprendi uma nova receita na Itália, me lembrem de usar vocês como cobáias depois! — Ela disse.
— Ah claro! — Falei animada.
— Como foi na Itália Alê? — Paulo perguntou, e a mesma começou a contar tudo bem animada.
Quando percebeu que a cor de Paulo estava voltando, mas que ele ainda estava claramente com fome, ela puxou duas caixinhas de sua mochila e entregou uma pra cada um.
— Vou buscar mais sopa pra você, eu espero que gostem do presente! — Disse e saiu do quarto.
Ao abrir a pequena caixinha, que estava embrulhada com um papel de presente vermelho, encontrei um lindo globo de neve. E ao tirá-lo da caixa o admirei com cuidado, mas... Que estranho? Eu acho que... Não, espera. Suspirei e encarei o globo com cuidado, uma mine torre Eifell com a plaquinha em baixo que dizia "com amor, da França" em inglês e francês. Sorri, e conclui que nunca havia visto uma daquelas antes, deveria ser minha mente pregando peças.
Olhei para o Paulo e o garoto estava bem animado com seu presente, um pen drive em forma de pizza, a cara de quem adora comida.
Alexandra voltou com um prato de sopa na mão e o entregou para Paulo que agradeceu e começou a comer.
— Bem o que acharam do presente? — Ela perguntou ansiosa.
— Eu adorei Alê! É lindo! Vou colocar do lado da minha cama. — Falei e ela sorriu muito feliz.
— Cara, teus presentes são geniais, você parece que lê mentes. — Paulo disse. — Eu realmente estava precisando de um pen drive! Valeu Alê.
— Ai assim vocês me deixam envergonhada. — Ela disse, colocando as mãos nas bochechas.
Rimos e continuamos conversando por horas, até que Alexandra se levantou.
— Bem... Acho que devemos ir. — Ela falou, um pouco desanimada, mas eu sabia que ela tinha razão.
Olhei para a janela e vi que estava perto de escurecer.
— Já? — Paulo falou e olhou para a hora surpreso. — Nossa, nem vi o tempo passar.
Me levantei e lhe dei um abraço, tomando cuidado para não respirar perto dele, eu não podia pegar uma gripe também, todo cuidado é pouco.
— Tchau Paulo, até quando você se sentir melhor. — Eu disse.
— Até amanhã. — Alexandra falou.
Eu sabia que Alexandra não ia parar de visitar nosso amigo, ela é extremamente maternal com o nosso trio, sempre cuidando de mim e dele. Eu sorri ao notar que ele ficou bastante feliz com o que ela disse, e então caminhamos juntas para seu carro, nos despedindo de Marcia que agradeceu por nossa visita.
— Então... Hmmm... Lara, o que você acha do Paulo? — Ela me perguntou envergonhada enquanto começava a dirigir.
— Que o nariz dele escorria mais do que a fonte da nossa escola. — Falei, e olhei para ela surpresa. — Por quê?
— Hm... Nada. — Falou. — Quer dizer, nada muito além, eu acho, não sei...
— Alê você... Você gosta dele? — Perguntei curiosa.
Ela apertou a mão no volante com mais força e engoliu em seco, acenando com a cabeça e me confirmando a situação. Eu parei um pouco para pensar no assunto e então sorri.
— Acho que vocês iriam se dar muito bem. — Conclui e ela suspirou em um alivio explicito.
— Obrigada La-
Não deu tempo de concluir a frase.
Eu nem ao menos consegui entender direito o como aconteceu.
Senti meus olhos arderem por conta da luz dos faróis de outro carro.
Em um movimento rápido meu corpo foi jogado para o lado, meu corpo solto. Tudo estava girando e o asfalto morno arranhava e rasgava a minha pele. Caí de lado no chão, sentindo meu corpo pesado e molhado, a respiração presa. Pude ver o carro mais a minha frente, que havia derrapado até um terreno abandonado.
— Lara! — Ouvi Alê gritar do carro, sua voz estava desesperada.
Eu não conseguia me mover, não conseguia respirar.
Minha visão foi embaçando cada vez mais.
Vi uma mancha, do tamanho de uma pessoa, caminhar até o carro dela.
Minha visão começou a escurecer.
— Não! Não! Sai daqui! Lara! — Ouvi Alexandra gritar, mas eu não conseguia me mover, sentia meus pulmões queimarem. — Socorro! Socorro!
Vi a mancha puxar algo de dentro do carro e sair arrastando pelo chão, pude ver que era outra pessoa, ah não, era ela.
— Não! Não! — Os gritos foram ficando cada vez mais longes, mais desesperados. — Lara! — Ela chorava e se debatia, eu ainda conseguia ver isso.
Meus olhos ficaram pesados, não sentia mais minha respiração, não me lembro de ter fechado os olhos, mas logo tudo ficou completamente escuro, e os gritos de minha melhor amiga ficaram gravados na minha mente.
Lara!
Acordei com o sol da manhã batendo em meu rosto e me esquentando.
Eu estava bem grogue e meus olhos se recusavam a abrir, meu corpo parecia estar saindo de um estado de dormência e meus musculos clamavam por mais descanso.
Eu abri meus olhos devagar e encarei o teto confusa, como se a noite tivesse sido mais cansativa do que eu tivesse percebido. Mas tudo o que me lembro é de ter ficado assistindo Gray's Anatomy na minha cama até dormir. Fiquei perdida em pensamentos até que ouvi um barulho.
— Lara levanta você vai se atrasar! — Minha mãe gritou do outro lado da porta antes de ir fazer o mesmo com o meu irmão.
Suspirei e fui tateando minha mão no centro de mesa ao lado de minha cama, até encontrar meu celular e ver que horas eram. 1 de agosto, 6:15 da manhã.
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