Looking For Felicity
6 Capítulo 05
Notas iniciais
OLIVER QUEEN
Meu coração batia tão forte e rapidamente que eu estava quase certo que a mulher a minha frente estava me fazendo desenvolver problemas cardíacos. O quão ridículo era um homem feito como eu pensar em coisas do tipo coração acelerado? Felicity me fez ridículo assim, e a verdade era: Eu não poderia me importar menos com isso. Eu estava fodido por que eu amava loucamente essa mulher e não importa o que eu dissesse, não importa se por um minuto que seja eu decidi desistir, eu nunca levaria isso a sério, não enquanto julgasse que ainda tínhamos uma chance, não enquanto ela me amasse.
Eu não havia mentindo para Felicity mais cedo. Todas as noites, desde que eu havia chegado aqui, eu deitava em minha cama, encarava o teto acima de mim, e deixava as memórias invadirem meus pensamentos. Cada pequeno momento desde que a conheci, eu rebobinava uma e outra vez, procurava respostas para minhas perguntas, buscava encontrar nelas algo que eu havia perdido. Algo que eu ignorava e que havia feito perdê-la. E enquanto isso eu a esperava.
Todas as noites.
Assim como haviam sidos os últimos seis meses.
Eu esperava o momento em que ela voltaria para mim. Em que ela finalmente me confiaria para carregar seus problemas junto com ela, que os compartilharia. Eu esperava o momento em que ela confiaria em mim. Eu pensei que havíamos passado dessa fase, quando a impedi que fosse embora uma vez, quando ela voltou comigo e quando finalmente, mesmo que de uma forma tão conturbada e traumatizante, Ivo havia deixado nossas vidas.
Essa era mais uma razão pelo qual eu me mantinha tão paciente. Felicity é uma pessoa boa. Eu honestamente nunca conheci alguém semelhante, que havia passando por tanto e ainda não havia sucumbido. Que pensava em qualquer um que amava antes de pensar si mesma. Que exigisse tão pouco para se aproximar de alguém. E essa pessoa havia matado outra. Não importa quão merecedor eu ache, não importa que este tenha sido a razão por cada um dos seus sofrimentos e de muitas outras pessoa, eu sabia que isso havia de alguma forma a marcado. E que essa podia ser a principal razão pelo qual ela se afastou em primeiro lugar.
Então, eu não menti para Felicity sobre isso.
Mas eu havia mentindo para ela e para mim mesmo, quando disse que estava desistindo. Por que quando mais tarde após tê-la escutado uma vez mais pedindo que eu voltasse sem ela, eu deitei, desta vez no sofá da pequena sala e encarei o teto, minha mente dando voltas em nosso encontro mais cedo, menos de uma hora atrás, e mais uma vez, assim como todas as outras noites, eu a esperei.
Eu mantive minhas esperanças mesmo quando repeti em minha mente, repetidas vezes, para deixa-las de lado. Que dessa vez, eu estava errado. Que ela não voltaria.
Eu estava errado.
Eu nunca fiquei tão feliz por estar errado.
Ela voltou.
O som vago e hesitante de batidas na porta foi o ponta pé inicial para que meu coração acelerasse. Fez com eu erguesse meu tronco e encarasse a porta com hesitação, com esperança e medo. Medo de ser mais uma decepção. De não ser ela, ou que mesmo se fosse, que ela não vinha com o propósito que eu queria ou imaginava. Então demorou um pouco até que eu alcançasse a porta, e quando o fiz, mesmo após me certificar de que era sim ela, de que ela estava parada em minha frente, como tantas outras noites eu desejei, eu me controlei. Segurei minhas emoções e tentei escondê-las.
Olhar para ela naquele momento, me levava a outra noite semelhante. Uma noite em que ela também havia chegado molhada da chuva, roupa, cabelos, tudo. Nessa noite ela havia se entregado para mim, de fato se entregado. Havia contando a mim sua história, desnudado sua alma, e se apoiado em mim. Essa poderia ser como aquela noite?
Eu poderia ter essa esperança?
Minhas perguntas ficaram sem respostas por que eu não as soltei em voz alta. Eu me limitei a encara-la, e aguardar. Sua mente parecia estar cheia também, até certo ponto notei insegurança, medo. Eu estava questionando-me que tipo e por que quando ela finalmente soltou sua respiração, sua boca se abrindo para proferir as palavras que quebraram toda a minha necessidade de controle, de me proteger, todo o meu medo de uma decepção.
Tudo isso apenas se esvaiu.
— Você não pode me dizer que me ama e se afastar. – Eu não queria, e nem ousei segurar o sorriso que veio como consequência. Ela estava repetindo algo que já havia dito a ela, e isso mostrava para mim, que ela estava disposta a desempenhar nessa relação o mesmo papel que eu fazia. O de nunca desistir. – Não é assim que funciona amor.
Eu não saberia dizer quem deu o primeiro passo, eu francamente não achava que isso importava. Não para mim. Eu preferia pensar que nós dois fizemos isso, mas não importava. Por que tão logo ela finalizava sua frase, estávamos envolvidos um nos braços dos outros. Meus braços envolveram sua cintura a erguendo contra meu corpo enquanto ela envolvia meus ombros com força, como se não quisesse me soltar, como se não pudesse.
Éramos dois.
Como se não houvesse sensação melhor do que estarmos perdidos um nos braços do outro.
Será que existia?
Recuei para dentro do meu quarto ainda com Felicity em meus braços, deixando apenas um braço livre me ocupei de fechar a porta, para então voltar a abraça-la totalmente. Quanto tempo durou era outra pergunta a qual eu não saberia responder. Nunca seria o suficiente, disso eu sabia, mas apesar disso, apesar de estar mais ansioso para pular de um precipício do que para solta-la, eu me obriguei a fazê-lo. Apenas parcialmente, apenas um recuo. Era tudo o que eu podia fazer.
Tomei distância e observei seu rosto, meus dedos coçando para tracejar a suavidade de sua pele. Meus olhos deslizando por cada pedacinho dela.
— Precisamos conversar. – Com a voz ainda embargada e a firmeza em seu olhar ela murmurou as palavras, mostrando-me que estava pronta para jogar tudo o que havia escondido de mim, a razão pela qual fugiu e por que havia resistido tanto em voltar comigo, para mim. Deixando meus olhos absorverem sua figura novamente, certificando-me de que ela realmente estava aqui. Ela estava me oferecendo o que eu havia tanto pedido. Sua honestidade e confiança, mas no momento tudo o que eu queria era ela.
Seus lábios. Deus como eu senti falta deles.
Seus seios. Minhas mãos coçavam por toca-los.
Sua cintura. Eu queria puxa-la contra mim.
Sua bunda. Eu queria encher minha mão com suas curvas e aperta a carne enquanto uma e outra vez eu me enterrava dentro dela.
Seu corpo. Eu queria me perder nele.
Toda ela.
O breve encontro no clube em que trabalhava não foi o suficiente, as breves olhadas roubadas durante a semana que se seguiu muito menos, encarar outros corpos quando na verdade queria encara-la, não foi o suficiente. Meu corpo sentia saudade do seu.
— Mais tarde. – Murmurei sabendo que desejo havia ganhando na batalha contra razão e antes de envolver sua cintura com um braço a aproximando firmemente de mim, sem deixar que uma maldita palavra a mais fosse dita cobri seus lábios com os meus. Sua resposta não foi mais do que um suspiro suave.
Empurrando minha língua entre seus lábios eu aprofundei o beijo. Enchendo minha mão com seus cabelos fartos e suaves eu mudei o ângulo, sorvendo cada suspiro, cada gemido, cada reação sua a este beijo. Quando nos reencontramos foi tudo sobre tê-la o quanto antes de forma rápida e furiosa. Eu estava furioso. Agora eu a queria com a mesma urgência, mas ainda assim era diferente. Agora eu não a deixaria ir para lugar algum, e eram meus braços que ela pertencia. Seu corpo se derreteu moldando-se ao meu com perfeição.
Deixando a mão que antes apertava sua cintura vagar por seu corpo esbelto e descer por sua coluna até a curva perfeita da sua bunda e empurrei o material áspero de sua saia jeans deixando minha mão por baixo, massageando a carne suave, enquanto a atraía ainda mais para mim, não deixando dúvida o quanto eu a queria. Percebi que ainda vestia as sumárias peças que usava como “uniforme” do clube e que tanto vinha me irritando. Noite após noite eu rangia meus dentes, percebendo a quantidade de olhares que sua pele descoberta atraía. Suas roupas haviam me irritado e excitado de forma iguais, mas gora, neste momento, o último ganhava.
Eu não podia estar mais agradecido por elas.
E ainda que julgasse loucura ela ter saído em plena chuva dessa maneira... A visão era um verdadeiro deleite.
— Você me olha como se fosse arrancar minhas roupas. – Murmurou notando a demora que eu estava tendo fazendo nada mais do que olha-la.
— Eu nem sei por que você ainda está as vestindo. – Murmurei de volta. Ela tomou isso como uma dica, porque suas mãos se afastaram de mim e foi até a própria blusa tirando-a em questão de segundos para então descer para o botão de sua saia. Vestindo apenas a reveladora roupa intima ela tirava todo meu ar, meu sangue ia direto para o meu pênis e minha capacidade de pensar sumia.
— Agora você. – Murmurou antes de levar as mesmas mãos impacientes sobre minha camisa branca, levantei meus braços a ajudando e quando ela foi até a calça do pijama eu a impedi, apenas um roçar de suas mãos na parte inferior do meu corpo e eu perderia todo o controle. E se eu queria que durasse, se eu queria explorar cada parte do seu corpo com calma, eu queria esse controle para mim. Então quando seus olhos encararam os meus com confusão eu apenas meneei minha cabeça antes de dar um passo em sua direção novamente e puxa-la contra meu corpo, minha boca tomando posse da sua mais uma vez, a fome que eu sentia sendo transparecida no beijo lento e profundo. Minhas mãos inquietas relembrando cada curva do corpo feminino, esgueirando-se por seu estômago e encontrando seu seio perfeito, fechei minha mão sobre ele beliscando levemente o bico entre meus dedos ainda por cima do fino tecido do sutiã, minha boca absorvendo cada som sensual que ousava sair de seus lábios em resposta a esses pequenos toques. Seu corpo ondulando contra o meu em busca de um contato maior.
Rapidamente considero minhas opções, eu podia toma-la aqui mesmo no sofá que estava tão próximo, ou com um pouco mais de paciência a erguia em meus braços e levava para o quarto onde uma cama enorme e confortável nos esperava. Assumindo a quantidade de tempo que eu queria dedicar a seu corpo rapidamente e não tão paciente quanto eu desejava eu a ergui em meus braços, com passos largos entrei no quarto e a coloquei na cama com a maior delicadeza que julguei possível no momento, o que para minha vergonha, não foi muita. Eu a queria e queria agora, meu corpo estava entrando em combustão e a espera muito provavelmente estava me levando à loucura, mas apesar de tudo hoje era sobre ela.
Acalmei minha respiração enquanto me limitava a observa-la deitada no meio da cama, seus olhos me consumindo e atraindo, seu corpo implorando por minha atenção, após ter esses pequenos e torturantes segundos em busca de controle e apenas a observando eu me aproximei da cama de todo, colocando um joelho entre suas pernas beijei seus lábios levemente, migrei para o topo de um seio e indo cada vez mais baixo, arrastei minha língua pela curva do seu umbigo sorvi de seu gosto, levantando meus olhos até encontrar os seus e sentindo seu corpo estremecer, notei que se apoiava nos cotovelos, atenta a cada movimento meu, com um sorriso de promessa deixei meus dedos engancharem-se no tecido de sua calcinha e com um movimento seu em conjunto a deslizei por suas pernas a despindo, segurando os tornozelos a puxei mais e lhe dedicando um último olhar cúmplice e cheio de significado me inclino para baixo, faminto e mais do que ansioso eu me perco em seu sabor.
FELICITY SMOAK
Sinto minha cabeça fazer voltas enquanto tento me concentrar em vão no conjunto de sensações que me transbordava agora, joguei meu corpo parar trás e fechei meus olhos, a sensação de se estar caindo me dominado. A boca de Oliver sobre minha aquecida pele, com a cabeça entre minhas pernas, seus dedos fazendo um conjunto incrível com sua língua.
Eu estava perdida.
O tipo de perdida que você ama estar, o tipo que você quer que dure o máximo possível e que você quer repetir inúmeras vezes. Eu amo este homem e as coisas que ele consegue fazer com meu corpo. Cada golpe de sua língua em minha carne inchada me leva a ruptura, meu corpo se convulsiona, meus olhos se fecham e eu sei que este é apenas o meu primeiro orgasmo da noite.
Eu já estava ansiosa por mais.
Quando ele volta a se erguer exibe um sorriso convencido, e eu não posso tirar meus olhos de sua ereção que a calça de seu pijama era incapaz de esconder. Eu queria dar-lhe o alívio que precisava, eu queria arrancar suas roupas fora, mas ele parecia determinado a fazer isso durar. Quando seus lábios voltaram a tocar os meus em um beijo surpreendente terno eu não pude me conter, deixei minha mão deslizar pelas costas largas e enquanto seu corpo se acomodava sobre o meu, seus lábios encontrando a curva do meu pescoço, movi minha pélvis contra a sua. O rosnado em resposta foi tudo o que eu precisava, empurrei seu corpo do meu com surpreendente facilidade e montei em seu corpo. Dando-lhe um pequeno sorriso enquanto ele me encarava imóvel levei minhas mãos para o fecho do meu sutiã, seus olhos já dominados pelo desejo brilharam com mais intensidade, suas pupilas dilatadas e respiração acelerada me deixando saber o quanto difícil estava sendo se controlar. Em vez de ir até ele e buscar mais contato me limitei a acariciar seu peito amplo, minhas mãos subindo e descendo pelos músculos, curvei-me sobre ele e prendi a pele entre os dentes, acalmando qualquer dor com minha língua, os ruídos que fazia deixando-me saber quão bom isso era.
— Calças fora. – Exigi. Ele assentiu em concordância, e tão logo eu lhe dei espaço para isso, ele estava nu.
Deliciosamente nu.
Agora encarando livremente sua ereção, minha mão moveu-se por vontade própria, ansiosa como estava por toca-lo, segurando-o em toda sua longitude, quente e dura. Soltei um gemido de contentamento. Eu queria-o dentro de mim, e por mais que quisesse toma-la na minha boca agora, eu precisava que ele viesse dentro de mim. Como se tivesse lido meus pensamentos, e talvez por que esses também eram os seus, seu tronco se ergueu ficando sentado, suas mãos apertando minha cintura, fazendo-me monta-lo novamente, seus lábios concentrados em mapear meu pescoço. Entreguei-me ao simples prazer de ser adorada por essa boca, suas mãos tocando meus seios de forma tão possesiva. Joguei minha cabeça para trás quando sua boca se fechou sobre um seio, sua atenção devotada a ele enquanto envolvia o outro com uma mão e então fez o processo inverso, dominada pelo erotismo do que acontecia desfrutei ainda mais de seu toque.
Com uma mão em seu pênis e a outra em seu peito o fiz se deitar novamente, guiando-o para dentro de mim me permiti que meu gemido encontrasse o seu em uníssono, quando o deslizei para dentro de mim.
Suas mãos rapidamente fecharam-se em minha cintura, guiando o ritmo, eu o sentia dentro de mim, tão profundo que cada músculo meu estava tenso. Nossos corpos moviam-se em perfeita harmonia, molhados de suor, subindo e descendo cada vez mais forte, mais intenso, mais duro. Estávamos tão perto e ainda assim prologando aquela doce e picante tortura. Ele recuou, deixando-me quase lá, mas não me entregando completamente, seu corpo girou fazendo com que eu deitasse de costas, sua mão envolveu meu pescoço, desceu por meus seios e estômago e mais uma vez encontrou meu núcleo, então espalhando minhas pernas mais ainda com as usas próprias, seu peito encostando ao meu, sua respiração quente e arfante contra meu pescoço, ele voltou a me penetrar, tão fundo e tão completamente que senti-me apertar ao seu redor, apenas aquele movimento nos levando a borda, eu me desmanchei completamente em um orgasmo. Com olhos fechados e jogando minha cabeça de lado senti meu corpo estremecer a sua volta, enquanto ele seguia saqueando meu corpo, cada impulso amplificando cada pequena onda restante de prazer, movendo-se agora de forma tão crua e quente até que eu o sinto, o calor de seu orgasmo se juntando ao meu.
— Felicity. – Meu nome sai em sua voz rouca quase como uma reverência quando ele goza. Seus movimentos tornando-se lentos até que ele para. Sua testa entre meus seios, seu corpo tão suado quanto o meu. E de alguma forma eu sei que se eu admitisse existir um, esse seria o paraíso. Movo meus dedos por sobre seu cabelo, uma leve e carinhosa carícia enquanto nossos corpos esfriam e nossas respirações chegam algo a perto do normal.
Com um último pensamento do quanto eu sentia falta desse momento, logo após o sexo, dessa intimidade eu me entrego. Fecho meus olhos e deixo que o silêncio e sensação de estar saciada me leve ao sono.
Eu sonhei. Não, sonho não. Pesadelo. O pesadelo que eu já estava tão familiarizada. Aquele que me deixa acordada por muito tempo depois. Que me deixavam fria e assustada. O pesadelo que envolvia Ivo e que algumas vezes, mais do que eu gostaria era tão real que apenas a presença de Caity e sua conversa tranquila me deixavam mais calma.
Quando acordo tudo vem de uma só vez, o quarto envolto por sombras era estranho a mim. O peso da mão masculina em minha cintura e o corpo encostado ao meu com intimidade também. O fino lençol cobria apenas minha parte inferior. Talvez tenha sido os meses desde que eu tinha sentido o corpo de um homem enroscado ao meu, o corpo de Oliver. Meses desde que eu acordei em seus braços, talvez meu inconsciente tenha tomado tudo como um sonho e como eu ainda não estava inteiramente acordada... Eu me assustei.
Eu recuei o mais rápido e o mais distante que a cama permitiu e ao fazê-lo eu o assustei também. Oliver que tinha estado dormindo tão tranquilamente abriu seus olhos em alerta e ao me perceber encolhida e afastada de si, ele ficou... Decepcionado.
— Desculpe. – Murmurei voltando a me aproximar de si e o abraçando, seu braço envolveu minha cintura abraçando-me com firmeza após um primeiro segundo de hesitação, seu rosto enterrando-se em meus cabelos. – Desculpe. – Tornei a pedir. – Desculpe, desculpe. – Murmurei repetidas vezes, a cada novo pedido minha voz ficava trêmula, o tom choroso junto aos pedidos feitos quase de forma desesperada deixando cada vez mais claro que eu já não pedia desculpas apenas por tê-lo acordado daquela maneira, não apenas por tê-lo afastado quando me acordei, mas por muito antes, chorava copiosamente por tê-lo abandonado, por ter sido fraca demais, por ter fugido. Por não ter sido a mulher que ele merecia. – Desculpe.
Seus sussurros eram quase inaudíveis, seguia me abraçando enquanto dizias coisas do tipo “Está tudo bem” e “Eu estou aqui agora”. E cada vez que ele dizia isso, sua voz suave e ainda assim quase tão embargada quanto a minha, eu sentia o choro vir mais forte, o arrependimento e a certeza de que por seis meses eu havia quebrado nós dois.
Sua cabeça mudou de ângulo apoiando o queixo na minha, enquanto esperava pacientemente eu me acalmar, sua mão passando por meus cabelos, em um gesto terno. Um gesto reconfortante.
— O que aconteceu? – Perguntou após o que pareceu um longo momento.
— Um pesadelo. – Murmurei por fim. Senti sua cabeça menear em negativa. Recuei apenas o necessário, puxando minha cabeça para trás encontrei meus olhos nos seus.
— Não hoje. – Explicou. – Antes. Eu acho que já é hora de você me dizer por que partiu. O que aconteceu naquela noite que fez com que partisse, foi o fato de... – Ele hesitou como se pensasse em uma maneira de colocar suas palavras, de fazer com que eu não recuasse. Ele queria de alguma forma suavizar o que vinha a seguir. – O que aconteceu com Ivo, foi necessário, foi legítima defesa, Felicity, e ninguém irá descobrir. – Prometeu. – Se você tinha algum medo de que isso acontecesse, se ir para a cadeia a amedrontava... – Meneei a cabeça em negativa enquanto me afastava de seus braços, sentando na cama, minhas costas voltadas para ele, com meu rosto oculto de seu olhar repassei mais uma vez aquela noite. Oliver havia se calado quando eu me afastei, eu podia sentir seu olhar em mim, a intensidade dele ultrapassando uma barreira invisível. – Nós temos que falar sobre isso. – Falou decidido. – Eu não vou aceitar um relacionamento em que apenas um de nós é honesto. Eu não posso ser o único aqui sendo honesto e se você se nega a dizer o qu...
— Sebastian Blood. – Murmurei por fim. Erguendo-me da cama procurei algo que pudesse me cobrir, pegando a camisa que usou mais cedo no clube, estava jogada de forma displicente em uma poltrona próxima, eu a vesti. Quando meus olhos finalmente encontraram os seus eu pude sentir a tensão e o choque que apenas duas palavras haviam trazido. Ele me encarava perplexo, nem uma palavra saia de sua boca e eu podia até mesmo escutar seu cérebro processando a informação, as perguntas surgindo, as conjecturas erradas. Sua mente indo para um caminho completamente errado e diferente da realidade. Um caminho que apesar de saber que era natural para ele, ainda me deixava incomodada. Por seis meses eu esqueci, talvez fingi que não vivi em um mundo onde eu já fui uma prostituta. – Sebastian Blood não é, nem nunca foi meu amante, um dos meus clientes, nunca.
— Então, o quê... Por quê? – A confusão era algo a se esperar, eu sabia disso, mas ainda era difícil encontrar uma forma de esclarecer.
— Oh Deus. – Suspirei minhas mãos indo ao meu rosto, não sabendo como começar, como poderia? “Hey Oliver, você tem um irmão que te odeia completamente e quer foder sua vida por que acha que foi perfeita de mais em comparação à dele...” Como diabos eu trazia isso à tona? – Ele me chantageou. – Murmurei esclarecendo as coisas devagar. – Naquela noite, eu entrei no carro, e o motorista...
— O motorista de Tommy. – Oliver murmurou me interrompendo.
— Não. – Neguei. – Eu não sei para quem ele trabalhava antes, mas eu sei que ele naquele momento estava com Sebastian, ele me levou para o prefeito em pessoa. Ele falou comigo, o próprio, ele tinha provas sobre a morte de Ivo...
— Ele a ameaçou coloca-la na prisão? – Perguntou cada vez mais confuso. – Se vocês nunca se encontraram, o que ele poderia ter contra você? Por que ele não fez nada na hora e por que infernos Sebastian Blood tem interesse em você? No que você fez com Ivo? – Tenso e aborrecido por não chegar uma conclusão ele se levantou indo em busca da calça de seu pijama, sem perder tempo o vestiu, seus olhos me procurando mais uma vez, as mesmas perguntas lá. – Felicity?
— Não sou eu Oliver. – Murmurei pacientemente. – É você, ele tem problemas com você, eu sou só uma ferramenta, e ele nunca me ameaçou me colocar na cadeia, ele está nem aí para mim. Diferente de Ivo, Sebastian poderia passar por mim na rua e sequer me dar um segundo pensamento. – O encarei dando de ombros. — Se eu não estiver envolvida com você. – Completei. Ele franziu o cenho diante disso. — Ele disse que o incriminaria. Por algo que eu fiz. Desde que eu entrei na sua vida eu não fiz outra coisa senão trazer problemas a você, e quando eu matei Ivo, eu pensei que isso tinha acabado. Eu odeio o que fiz naquela noite, eu realmente odeio, mas eu pelo menos tinha a sensação de que tudo havia se acabado, que você e todos os outros estavam a salvo. Isso me dava alívio. Mas então Sebastian aparece e deixa claro que poderia tirar tudo que você ama, sua liberdade, seu filho, você ficaria longe de sua família, quem mais sabe o que você perderia? Até mesmo sua empresa estaria em perigo. Seria mais uma consequência. Tudo isso aconteceria se eu cedesse ao capricho de ficar ao seu lado.
— Ele sabe sobre Connor. – Oliver deduziu por fim. – Os encontros quando ele não está por perto, ele sabe que eu sou o pai de Connor, ele me viu como ameaça e agiu dessa maneira por que se sentiu humilhado? Eu não sei, ele se sentiu...
— Ele sempre soube de Connor. – Falei categórica.
— O que você quer dizer? – Perguntou incrédulo. — Nem mesmo eu sabia sobre Connor, durante anos. – Meneou a cabeça. – Por que Sebastina Blood estaria tão obcecado por minha vida? Isso... Nada disso faz sentindo. Eu não entendo o que você quer dizer.
— Eu estou dizendo que o ódio que Sebastian tem por você, vai muito além do que você possa compreender. – Murmurei. – Vem de muitos anos antes e sabe-se por quanto tempo foi alimentado.
— Eu não entendo. – Repetiu.
— Você ficou com a vida que supostamente era para ser a dele. – Me aproximei dele, minha mão alcançando seu antebraço, estava tão atônito que meu toque o surpreendeu, seus olhos encaram o meu em busca de respostas, ele estava confuso e irritado, por que alguém que ele mal conhecia teve tanto poder sobre sua vida durante os últimos meses, que ainda tinha e que ele sequer sabia o por quê. – Sebastian é seu irmão. – Esclareci com hesitação. Seu rosto recuou como se eu tivesse lhe dado um tapa. Ele meneou a cabeça um riso irônico vindo de sua garganta.
— Foi isso que ele disse? – Oliver se afastou ainda com o estranho humor. – Você acreditou nisso? — Andava de um lado para o outro. – Ele te enganou, eu saberia se eu tivesse um irmão, Felicity, e eu com certeza saberia se esse por acaso fosse a droga do prefeito da minha cidade!! – Sua voz se elevou. – O mesmo homem cujo meu filho chama de pai todos os dias, o mesmo filho da puta que aparentemente afastou minha mulher de mim!
— Eu não estou errada, eu quero estar errada, mas ele mesmo admitiu...
— Ele mentiu! – Oliver avançou até a mim, seu grito fazendo-me estremecer, mas me negando a recuar. – Ele a enganou, a manipulou, ele te contou uma mentira e tudo o que você tinha que fazer era vir até mim e contar, eu lhe diria que Sebastian Blood não é meu irmão e que ele não poderia fazer nada para manda-la para longe.
— Está bem. – Concordei, cruzando meus braços eu o encarei de frente, sabia que ele se negaria a acreditar nisso no momento, então eu não insistiria. – Então, Sebastian não é seu irmão, isso não muda o fato de que ele tinha provas e evidências que poderia incrimina-lo, eu disse que falaria a verdade, falei que me entregaria...
— Você não fez isso... – Meneou a cabeça em negativa. Descrença e raiva em apenas um gesto.
— Eu fiz. – O interrompi. – E faria novamente, mas ele disse que você jamais aceitaria e que tomaria meu lugar e...
— E um estranho me conhece melhor que você. – Falou voltando se aproximar. – O que você tinha em mente? – Perguntou. — No minuto em que ele se aproximou você deveria ter fugido, corrido o mais rápido possível e ter vindo até mim. – Murmurou apontando para o seu peito.
— Eu não estou acostumada a ter os outros cuidando dos meus problemas. – O lembrei.
— Essa discussão já é velha demais. – Murmurou impaciente. – Eu estou aqui, eu estou aqui por você, sempre. Você deveria correr até mim, por que eu sempre estarei pronto para vir ao seu socorro. Eu não sou os outros, eu sou Oliver, seu Oliver. Se alguém te ameaça, você vem até em mim. Se alguém a machuca eu vou sou aquele que irá atrás dele com tudo o que há de pior em mim. E se um filho da puta qualquer diz para você se afastar de mim, você não aceita, você me diz e espera que eu traga o inferno até ele.
— Eu amo quando você fica todo macho alfa Oliver, é sexy. – Balancei a cabeça em afirmativa. – Mas ele é o prefeito. Ele não é qualquer um. – Argumentei. – Quem vai saber quantas pessoas no departamento de polícia faz o que ele quer sem questionar? Quem vai saber quantas pessoas estão na folha de pagamento por serviços sujos? Eu sei de um que estava: Ivo. Eu posso afirmar que eles dois eram próximos assim. E Ivo? Ele era peixe pequeno, Sebastian Blood deve trazer o inferno de problemas que nenhum de nós dois poderá lidar.
— Se você acha que Sebastian é pior que Ivo, eu entendo por que ficou assustada. – Assentiu, sua mão alcançando a minha. – Eu entendo que mais uma vez estava pensando nos outros, em mim. Você fez algo que julgou iria nos proteger, mas entenda, eu não aceito isso. Sebastian pode ser o prefeito da cidade, mas eu também tenho minha cota de influência, ele não pode me incriminar, não sem fazer isso a si mesmo também. Ele tinha essas “provas” por todo esse tempo, e nada surgiu. Ele segurou por seis meses, e mesmo que ele fizesse aparecer aos poucos, minha palavra tem certo peso nessa cidade, eu sou o filho de Robert Queen, assim como sua empresa eu herdei sua posição social, sua influência e se eu levantar qualquer suspeita sobre o nobre prefeito, vai valer de algo, pode não dar em nada a primeiro momento, mas chamará atenção, terão que correr atrás, e uma vez que sua confiança seja abalada? Isso apenas o prejudicará, ele deseja subir mais e mais na política, ele não conseguirá comigo puxando-o para baixo. Você entende? Atrair atenção sobre Ivo, é atrair atenção sobre si, e se ele fazer isso com você, comigo, eu vou colocar um holofote em sua cabeça.
— Você tem certeza disso? – Murmurei por fim deixando minha apreensão transparecer. – Oliver, você tem que considerar Connor. Eu não vejo como Sebastian deixará que você continue vendo Connor, não após o minuto que ele souber que eu estou de volta, mais do que isso, que eu estou com você. – Concluí com pesar. A ideia de que pai e filho se separassem por minha culpa me afligia, a imagem dos dois juntos eram algo que me apeguei, Oliver ajeitando o boné de Connor no Glades, Connor orgulho de si por ter Oliver o ensinando. Eu não queria intervir nisso, eu não podia. Eu tinha que pensar em uma forma disso dar certo. Franzi o cenho ao notar que apesar de toda sua agitação anterior, Oliver sorria agora, nem sequer era um sorriso pequeno.
— O quê? – Murmurei confusa. Eu estava preocupada o nosso futuro e ele sorria?
— Você está comigo. – Murmurou por fim. – Você disse que voltaria. – Esbocei um sorriso menor e mais tímido, o abracei pela cintura e fixei meu olhar no seu.
— Eu sei que é pedir muito. – Confessei. – Eu sei que eu sou muito. Muita bagagem, muitos problemas. Tenho também minha cota de drama, e que meu senso de independência foi e ainda vai ser um dos motivos que sempre estaremos brigando, eventualmente, mas eu estive sozinha nesses últimos meses, você esteve sozinho, e nenhum de nós estava felize. Eu não sei se posso continuar com isso, e mesmo soando egoísta, eu não quero continuar assim, então eu estou voltando, mesmo sabendo que é muito, que é pedir muito.
— Felicity, não há nada que eu não faria por você. Eu iria ao inferno por você se preciso. –Desabafou. – E se de fato há um, eu tenho certeza que foi lá que eu estive nos últimos meses. – Respirei fundo assimilando suas palavras. – Você disse que ele ameaçou tirar de mim tudo o que eu amava, você foi embora e foi exatamente o que ele fez. Eu estou pedindo a você, quando se sentir sozinha, amedrontada, venha até mim. Não fuja.
— Desculpe. – Murmurei erguendo-me e encaixando meu queixo sobre seu ombro. – Por não ser corajosa o suficiente para ficar.
— Você é a mulher mais corajosa que eu conheço. – Murmurou em meu ouvido. – A única coisa que você teme é que alguém que você ame se machuque.
— Eu não sou... – Neguei. Pensei em todas as vezes que recuei quando eu deveria ter ficado. Eu fugi, mais de uma vez, e de alguma forma, não importando se eu voltei ou não, eu sabia que isso sempre ficaria entre nós.
— Sim, você é. – Murmurou em tom firme.
— Oliver... – Comecei em tom de protesto, recuei sem deixar de abraça-lo, meus olhos buscando os seus. – Nós dois sabemos que não sou.
— Então seja agora. – Pediu. – Fique. – Franzi o cenho com a forma que falou.
— Eu já estou indo com você. – O lembrei.
— Eu sei. – Assentiu. – Eu estou pedindo que vá comigo e que fique, eu estou pedindo que fique uma e outra vez. Todos os dias. Por todos os anos, eu quero que seja minha, como eu sou seu. Eu quero dividir com você tudo o que é meu, meu dinheiro, minha vida, meu nome. Eu estou pedindo que aceite isso e que fique.
— Oliver...
— Eu estou pedindo para que se case comigo. — O encarei perplexa. Meu coração bateu descompassado, como em um daqueles filmes bobos que eu e Helena assistíamos para xingar aquelas tolas mulheres de vida perfeita. Eu queria levar minha mão sobre meu peito e me certificar que meu coração ainda estava ali. Eu me vi presa em uma linda e frágil bolha, eu quis ser uma daquelas mulheres que a maior preocupação era se o Sr. Perfeito a chamaria para sair, eu queria gritar sim, e sentir os braços do homem que eu amava me abraçar e rodopiar, quem sabe o que viria dali em diante? Filhos e felizes para sempre? Era doce e irresistível, mas a bolha era frágil demais, tão brilhante que contrastava com as cores sombrias que vivíamos. Então eu vi a esperança morrer nos olhos de Oliver e soube que foi porque ele também a viu morrer nos meus. – Você vai dizer que não.
— Eu preciso dizer que não. – Levei minhas mãos ao seu rosto o cercando. – Isso não é um pedido de casamento Oliver, é um meio de segurança. Você tem medo que eu fuja novamente, e acha que eu me casando com você seja a resposta. Se eu disser “sim” um anel me prenderá com você, certo? – Seus olhos baixaram, desviando do meu. – Eu sinto muito se quebrei sua confiança ao ponto de que precise de uma garantia, eu não posso garantir, mesmo se eu estivesse casada, eu não poderia, a única coisa que posso afirmar é que eu não quero mais fugir, que eu me arrependi do que fiz e que estou ciente que tornou tudo pior, eu te amo, e eu quero casar com você, um dia, hoje a resposta é não, assim como foi no passado, por que a situação não é muito melhor do que quando você me pediu da primeira vez. Um dia. – Prometi. – Me peça isso outro dia.
Ele recuou e eu temi que isso tivesse quebrado um pouco mais o que existia entre nós dois, nossa relação já estava tão quebrada. Ele assentiu pesadamente, suas mãos seguraram as minhas, as envolvendo-as com seu calor, olhei para nossas mãos unidas e senti um nó de emoção preso em minha garganta, eu queria por um momento, não ter rompido aquela bolha. Quando tomei coragem para erguer meus olhos e voltar a encara-lo, ele sorria.
Seu sorriso era lindo, e teve o poder de tirar aquele peso que havia se instalado em meu peito.
— Por que você está sorrindo? – Perguntei desconfiada.
— Eu estou pensando nas várias maneiras que eu terei que pedi-la em casamento. – Murmurou sem alterar. – Até que você diga sim. – Meneei minha cabeça com certo divertimento, ele por sua vez levou os lábios a minha testa. Fechei meus olhos abraçando a sensação.
— Eu vou ligar para Sara. – Murmurou fazendo com que eu abrisse meus olhos novamente e o encarasse incrédula. – Avisar que você está voltando comigo.
— Oliver, ainda nem amanheceu. – Protestou.
— Não importa. – Deu de ombros seu sorriso ainda ali. – Ela me fez prometer. – Relutante eu o deixei se afastar, fazendo seu caminho primeiro até o banheiro.
— Oliver. – O chamei. Ele parou no meio da porta seu olhar trazendo uma interrogação. – Você me prometeu seu dinheiro. Eu não o quero. Você me prometeu seu nome, honestamente isso importa mais a você do que a mim, todas essas coisas, não me importam, eu só quero você. E a única coisa que eu quero de você é seu coração. E você não o mencionou. – O lembrei. – Por quê? – Com uma respiração profunda, e ar sério, seus olhos intensos e prendendo-me a ele, ele respondeu.
— Eu não posso dividir algo que já lhe entreguei por inteiro.
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