Looking For Felicity
7 Capítulo 06
Notas iniciais
FELICITY SMOAK
Observei o rosto inexpressivo de Oliver e apertei sua mão suavemente, ele me encarou e logo um sorriso estava em seu rosto. Desde o momento em que eu havia contado tudo para ele, o que foi apenas algumas horas atrás, eu já havia notado esse olhar perdido alguns pares de vezes. Eu não sabia ao certo se gostaria de perguntar o que se passava em sua cabeça, por que provavelmente eu não concordaria, e após termos nos acertados, eu não queria quebrar isso tão logo, então eu aceitava seu sorriso. Eu o beijava suavemente, e tentava guiar a conversa para algo tranquilo, que levasse aquele peso para longe, ao menos parte dele. Ainda não havíamos dormido, após sua ligação para Sara que se negou a falar comigo por telefone nós voltamos a fazer amor, e então deitada sobre seu peito, meu queixo apoiado em minhas mãos unidas e observando sua barba rala, eu o escutei falar sobre como foram os últimos meses, eu notei que ele desviava alguns tópicos, suavizava outros e ocultava completamente uma ou outra coisa, mas ainda no espírito de não querer quebrar nossa bolha, eu apenas ignorei.
Agora parados em frente ao apartamento em que eu costumava chamar de meu junto a Caitlin, ele segurava minha mão. Seu semblante fazendo-me notar que ele havia desviado seus pensamentos novamente, seu sorriso tentando me acalmar, mais uma vez me ergui parcialmente encostada em seu corpo e o beijei. Era para ser um beijo rápido, como havia sido outros. Um “Tudo vai ficar bem” em forma de carinho, mesmo não tendo certeza de que eu poderia garantir isso, mas suas mãos seguraram meu rosto, impedindo-me de me afastar. E o beijo que era para ser rápido e suave, tornou-se ríspido e possessivo. Urgente. Franzindo o cenho com sua reação ao me afastar, me vi obrigada a importuna-lo novamente com o mesmo pedido que havia feito antes de sairmos de seu quarto de hotel.
— Diga as palavras de novo. – Pedi ainda segurando sua mão, voltando a aperta-la, mas dessa vez mais para chamar sua atenção do que por encorajamento, do que por carinho. Ele exalou um suspiro impaciente, um suspiro que me dizia quão aborrecido estava por ter que passar por isso e quão ridícula eu soava no momento. Por Oliver ele teria apenas me jogado em seu carro e partido de volta a Starling City. Passar no apartamento dos meus amigos definitivamente não estava em seus planos. Na verdade eu acho que ele queria impedir isso o máximo possível, ele não disse em palavras, mas ganhei muito de suas carrancas desde o momento em que eu disse “Preciso ir”. – Diga Oliver. – Era para soar como um pedido, mas mesmo eu tinha que admitir que foi uma exigência, meu tom ríspido não pode esconder isso.
— Felicity... – Começou em tom de protesto.
— Eu não vou abrir essa porta até que você diga. – Falei com firmeza. E era verdade, as pessoas que estavam lá dentro me acolheram com muito carinho para eu exigir menos do que eu estava pedindo a ele.
— Está bem. – Assentiu concordando. Houve uma longa pausa de hesitação, na qual eu me afastei ficando em sua frente e cruzando os braços, o encarei com expectativa e outro suspiro aborrecido foi direcionado a mim. Com uma respiração profunda , rosto aborrecido, o alto e orgulho Oliver Queen murmurou: — Eu vou me comportar.
— Muito baixo. – Falei apenas para provoca-lo.
— É o máximo que você vai ganhar. – Falou altivo.
— Você pode me culpar por exigir isso? – Perguntei honesta.
— Sim, eu posso. – Murmurou teimoso. – Mas como eu disse... Eu vou me comportar. – Repetiu um pouco mais alto do que antes. — Melhor? – Perguntou entredentes.
— Melhor. – Murmurei com um sorriso divertido, voltei a beija-lo, dessa vez aquele breve beijo que eu tinha em mente. Não tinha muito tempo para prolongar isso, havíamos ficado muito tempo no corredor e era capaz do próprio Ronnie sair de seu apartamento e perguntasse o que diabos estava acontecendo. Ou do meu, nunca dava para saber quando ele se tornaria folgado. – Não me olhe azedo desse jeito, você merece isso depois de ter esmurrado Ronnie. – O lembrei.
— Ele estava literalmente se colocando entre nós dois. – Argumentou. Meneei minha cabeça enquanto já me dedicava ao ato de colocar a chave na fechadura para então abrir a porta, um pouco mais hesitante do que eu gostaria de admitir. Eu amava aqueles dois, e eu amava Oliver. Eu queria que os três tivessem uma boa relação, mas Oliver não parecia ansioso para encontrar as pessoas que haviam passado comigo os últimos meses. Então eu estava um pouco receosa de como seria esse encontro. – Caity? – Murmurei hesitante ao encontrar a sala vazia. Indiquei com um gesto mínimo de cabeça que Oliver entrasse. – Caitlin? – A chamei novamente. Mas não recebi nenhum retorno. Encarei Oliver ao meu lado e apontei para o sofá desgastado. Ele assentiu já indo em direção enquanto eu falava. — Sente-se um pouco eu vou procura-la em seu quarto, ela deve estar dormindo ainda e qua...
— Graças a Deus!! – Ronnie murmurou aparecendo apenas de toalha, seus cabelos e torso ainda molhados, eu podia notar que havia saído enquanto ainda passava sabonete. Observei o semblante fechado de Oliver segundos antes de Ronnie se aproximar segurando meus braços. – O que diabos você tinha na cabeça? Sair sem avisar a ninguém no clube, eu nem preciso dizer que Dr. Wells não quer mais vê-la nem pintada de ouro, Caitlin ficou louca, e eu estava terrivelmente preocupado, o que diabos você fez com o maldito celular que te dei a propósito? – Abri minha boca, mas não tive nenhuma chance de respondê-lo. — Estávamos todos pensando nas piores possibilidades, que algum cliente havia a arrastado por que eu tinha abandonado meu posto, ou que você tinha saído para tomar ar e algum fodido a encurralou em um beco. Imaginei os piores cenários até que Bruce Wayne que parecia ter saído para uma rapidinha com Selina veio nos dizer que você tinha ido atrás do seu fodido príncipe encantado. Eu tinha que saber por Bruce Wayne? Mesmo Felicity? – Franzi o cenho enquanto tentava acompanhar todas as palavras que ele vomitou sem parar para tomar uma respiração e pisquei enquanto assimilava outra coisa completamente diferente.
— Você usou meu sabonete de novo? – Reclamei sentindo o cheiro já conhecido de rosas silvestres.
— Humm. – Murmurou vagamente.
— O que você estava fazendo em meu banheiro? – Murmurei desconfiada. Desde que o banheiro de Cailtin havia sido consertado, Ronnie tinha ocasionalmente aproveitado qualquer oportunidade para alternar de um banheiro para o outro, tudo por que nossos banheiros eram consideravelmente maiores que o seu.
— Minha água acabou de novo e Caity diz que eu faço bagunça no dela. – Argumentou parecendo uma criança se explicando.
— Sei. – Murmurei estreitando os olhos em um sinal de desconfiança. – Ela está certa, você faz. – Murmurei pensando na bagunça que deveria estar o meu no momento. Ignorando isso por uns instantes deixei minha mente desviar para o que realmente me aborrecia. – Por que você não trouxe seus artigos de higiene? Céus Ronnie minha toalha!! – Murmurei encarando a bendita toalha rosa envolta de seus quadris.
— Foi uma ducha de emergência. – Deu de ombros.
— Eu pensei que sua água havia acabado. – Murmurei não comprando nada que ele dizia.
— Um pouco dos dois. – Retrucou com um sorriso esperto. Revirei os olhos com isso.
— Onde está Caitlin? – Perguntei me afastando e voltando a encarar Oliver que havia se erguido e cruzado seus braços. Nada iluminava seus olhos mais. Ronnie já havia conseguindo o irritar, e eles sequer trocaram alguma palavra ainda.
— Oh hey cara! – Ronnie o cumprimentou parecendo finalmente notar sua presença. Então me encarou brevemente. – Você realmente estava com seu príncipe encantado. – Seu olhar voltou para Oliver, a forma como ele falava definitivamente não era um elogio. O que eu não conseguia entender, afinal foi ele que me aconselhou a ir atrás de Oliver no dia em que Oliver invadiu o clube. – O que você está fazendo aqui? – Seu tom não era mais descontraído, ele parecia bem desconfiado na verdade.
— Me comportando. – Oliver murmurou simplesmente. Seu tom nada amigável também.
Deus, eu não podia ter os dois se esmurrando na minha sala.
— Ronnie, onde está Caitlin? – Repeti tentando desviar a atenção dos dois grandes machos que estavam prestes a bater no peito em algum ritual de luta por território. O que era ridículo desde que Ronnie usava apenas uma toalha rosa.
— Ohh, ela está...
— Cailtin está tentando dormir. – Caity murmurou entrando na sala. – O que infelizmente eu não consigo fazer com vocês fazendo tanto barulho. Por que vocês fazem tanto barulho? – Ela coçou seu olho em uma reação típica de quem havia acabado de acordar e encarou Ronnie. — Ronnie, quando você vai assumir que deseja vestir as roupas de Felicity? – Sorriu o provocando. – Você ficaria uma linda mulher sabia?
— Minha masculinidade não é frágil ao ponto de uma cor coloca-la em dúvida. – Respondeu piscando, em seu já conhecido ar de flerte. Que ela sempre ignorava completamente.
— Se você quer uma toalha rosa, eu compro uma para você, apenas pare de usar a da minha namorada. – Oliver murmurou por mim. Meus olhos arregalaram-se no momento em que escutei isso.
— Não! – A negativa veio em conjunto, minha e de Caitlin que já conhecíamos Ronnie o suficiente para saber como seria sua reação ao comentário ácido de Oliver. Ao mesmo tempo em que reagimos a isso, Ronnie provocante como era disse “Está bem” e deixou a toalha cair.
— Pronto. – Sorriu mantendo os braços cruzados e um sorriso arrogante enquanto eu me colocava em frente a Oliver, minha mão pousando em seu peito amplo e Caitlin pegava a toalha rapidamente a enrolando em Ronnie e ficando em sua frente.
Oh merda.
— Apenas o ignore Oliver. – Murmurei notando que ele parecia pronto para avançar em Ronnie. – Lembre-se do que me prometeu. – Falei empurrando seu peito.
-Eu estou tentando, Felicity. – Falou em tom duro. – Ele faz isso sempre? Eu não deveria me comportar, ele deveria!
— Ronnie, você é um idiota. – Murmurei o encarando por sobre o ombro.
— Ele é muito ciumento, não sei se serve para você. – Murmurou impassível.
— O quê? – Oliver murmurou incrédulo. – Seu fodi...
— Você perde a paciência muito rápido, é ciumento e tende a ser violento. – Observou, calmo suas mãos segurando os ombros de Caitlin. Ela olhava de um outro tentando entender o que se passava.
— Muito rápido? – Oliver murmurou dando um passo a frente. – Você está nu!
— Oh, Deus. – Caitlin murmurou impaciente. A curiosidade se esvaindo. Estava apenas cansada da cena que se desenrolava. – Eu posso voltar a dormir?
— Como vou ter certeza de que isso não vai virar contra ela um dia? – Ronnie perguntou sério. Oliver parou de mexer tão logo suas palavras caíram em seus ouvidos, eu me virei encarando completamente Ronnie. Caitlin deu passo para trás, notando finalmente que seguia tocando-o.
Ele era um idiota, um palhaço, mas mais do que tudo isso, ele era incrivelmente doce.
— Ronnie... – Murmurei.
— Você vai embora, certo? – Ele perguntou, ele já sabia a resposta, queria apenas uma afirmação. – Você nunca nos disse por que o deixou. Então, eu não confio nele, ele não pode aparecer como um fodido príncipe encantado e achar que vamos deixa-la partir com ele sem ter certeza que você estará bem.
— Você disse para eu voltar para ele. – O lembrei. – Você disse que eu devia voltar para ele, por quê você está tão...
— Cauteloso? — Sugeriu. – Você é minha amiga, eu vi que você queria voltar com ele, o certo é deixa-la ir atrás do que realmente deseja, mas isso não me impede de dizer para que tome cuidado. Agora que vocês estão juntos novamente, vão para outra cidade, eu não posso garantir sua segurança. E eu não gosto de caras que vão direto para briga.
— Eu nunca, nunca, a machucaria. – Oliver murmurou sério. Parecendo mais calmo, e ainda assim ofendido. Eu entendia isso, mas precisava entender que Ronnie não o conhecia como eu o conheço. – Eu fico feliz que você fique de olho nela, que se preocupe com ela, e que você dois tenham sido sua família nos últimos meses, mas Felicity tem uma família a esperando, o motivo pelo qual ela foi embora não tem a ver como a tratamos. Eu a amo e eu prometo, eu cuidarei dela. – Ronnie estreitou os olhos.
— Eu ainda não gosto de você. – Murmurou inabalável.
— A recíproca é verdadeira. – Oliver devolveu.
— Bom.
— Bom.
— Você vão dar as mãos agora, ou o quê? – Caitlin murmurou revirando os olhos.
— Não. Agora eu vou voltar ao meu banho. – Falou apertando sua, ou melhor, minha toalha. Seu peito se estufando. — Depois vamos conversar melhor sobre isso. – Ronnie murmurou se afastando. Então ainda andando e sem se importar de olhar para trás, gritou. – Felicity, seu shampoo acabou!
— Imbecil. – Caitlin murmurou embora sorrisse.
— Onde é seu quarto? – Oliver perguntou me encarando. Eu estava atônita com a cena que havia ocorrido. Oliver havia pedido minha mão a Ronnie ou o quê?
— Segunda porta a direita. – Caitlin murmurou notando meu silêncio.
— Bom, eu vou juntar suas coisas. – Oliver murmurou apertando minha mão, tento atrair minha atenção.
— Talvez você gostaria de esperar Ronnie terminar. – Caity o lembrou. – Ele definitivamente voltou para o banheiro dela. – Oliver voltou a fechar a cara. — A propósito, eu sou Caitlin Snow. – Murmurou erguendo a mão. – A charmosa e sensata amiga de Felicity. Aquele era Ronnie Raymond, o imbecil e ladrão de artigos femininos.
— Oliver Queen, o namorado ciumento. – Oliver sorriu. Então acrescentou rapidamente. – Eu não costumo ser violento. E nunca com ela.
— Relaxe, eu prefiro ser a amiga boazinha, deixo o resto com Ronnie. – Brincou. – Ele não é ruim sabe, e ele definitivamente não tem interesse na sua garota.
— Ele é gay? – Oliver murmurou.
— Ele a respeita. – O cortou.
— Por que não nos sentamos? – Sugeri saindo do papel de espectadora que eu havia me colocado. Segurei o antebraço de Oliver o guiando a se sentar novamente.
— Então... – Caity murmurou encarando de um para o outro. – Vocês vão embora? Tipo, realmente embora? Por que eu preciso dizer, você perdeu um emprego ontem. – Ela falou me encarando descontente. – Nosso chefe estava furioso. – Explicou para Oliver. – Esbravejou sobre ser solteira ser uma exigência daqui por diante.
— Bom. – Oliver murmurou feliz com a notícia.
— Eu não vou poder me despedir das garotas? – Perguntei chateada. – De Selina?
— Não. – Falou parecendo chateada. –Não no clube pelo menos, quando vocês estão indo?
— Eu...
— Logo. – A resposta urgente sobressaiu a minha. O encarei aborrecida, Caitlin o encarou com um olhar semelhante ao meu, mas havia também um pouco de diversão.
— Eu sei que eu disse que seria a boazinha, e eu entendo que você tem medo que façamos sua cabeça e a impeça de ir com você. – Caity murmurou tornando-se séria. – Ela passou seis meses longe, e quando você a encontrou, bem, ela definitivamente sentiu sua falta, e ela definitivamente o ama, mas você não consegue ignorar o fato de que apesar disso, ela foi feliz. Ela teve a mim e a Ronnie, e foi feliz. Talvez não completamente, mas o suficiente, você está inseguro, eu entendo, mas tente não sair correndo com ela daqui e respeite o fato de que apesar tudo ela tem amigos aqui.
— Você nunca conseguiu ser a boazinha. – Encarei Ronnie que entrava vestindo sua camisa. Ele provavelmente apenas jogou suas roupas sobre o corpo rapidamente e voltou. Continuar o banho, sei. Oliver mais uma vez apertou os lábios em irritação, mas se manteve quieto. – Eu sou o bonzinho. Você possui uma fachada doce, mas na verdade gosta de manipular os outros.
— Eu não sou manipuladora. – Cailtin o olhou indignada. Ele apenas sorriu em resposta.
— Você está com medo de que eu mude de ideia? – Perguntei diretamente a Oliver. Demorou alguns segundos até que ele assentisse confirmando.
— Sempre. – Puxei uma respiração assimilando sua resposta e segurei sua mão.
— Por que você não vai até meu quarto e me espera lá? – Sugeri. – Eu preciso conversar com Ronnie e Caitlin, está na hora deles saberem o que me trouxe aqui. – Tão logo terminei a frase ele meneou a cabeça em negativa.
— Eu não acho uma boa ideia. – Murmurou sério. Ele não os conhecia, então não confiava neles, assim como Ronnie Caitlin também tinham suas desconfianças em relação a Oliver. Era algo que só poderia ser resolvido com contato, o que eu dúvida que haveria, já que estávamos partindo. Contar a outras pessoas que eu havia assassinado alguém não era algo que Oliver iria concordar facilmente. Eu mesma não gostava da ideia, mas não pelas mesmas razões que ele.
— Eu devo isso a eles Oliver. – Murmurei convicta. – Eu confio neles, nos dois. – Murmurei notando-o encarar Ronnie com desconfiança. – Embora eles me aconselhem a voltar com você por que sabem que é isso o que eu quero, está claro que eles sempre vão se perguntar por que eu parti em primeiro lugar, se eu não o estou protegendo ou algo do tipo, então o melhor para todos nós é esclarecer isso. Eu não quero ter que ficar dividida entre vocês.
— Você tem certeza de que não me quer aqui? – Perguntou relutante. – Eu posso ficar.
— Preciso fazer isso sozinha. – Assenti. Com relutância ele assentiu de volta, se ergueu e plantou um beijo em minha testa, com um último olhar de advertência para Ronnie e Caitlin ele se afastou e foi para o meu quarto.
— Eu não sei como alguém consegue ser tão carinhoso enquanto nos manda um olhar tão mortal. – Caitlin murmurou admirada. – Ele não pertence a nenhuma organização criminal, certo? Por que eu juro, eu poderia imaginar ele sacando uma arma enquanto sorri para você.
— Engraçado você falar em armas... – Comecei tentando colocar algum humor na situação toda.
— Oh Deus, ele é procurado pela polícia. – Caitlin meneou a cabeça. – Eu o pesquisei e não vi nada do tipo, mas ele é né? Ele matou alguém...
— Na verdade...
— Felicity. – Ronnie me cortou. – O que a trouxe aqui?
— Eu... – Parei sentindo meu coração se acelerar, não era fácil fazer isso. Não fácil dizer para as pessoas que conheciam tão pouco do seu passado, mas confiavam em você, que você de fato é uma assassina. Não era fácil para eu revelar essa faceta minha, o episódio que causou tudo, a razão pela qual ambos já vieram me acordar a noite ao perceber que eu estava em meio a um pesadelo. – Deus, era mais fácil em minha mente. – Murmurei cobrindo meu rosto. Senti o sofá afundar sob o peso ao meu lado, girei meu rosto para encarar o doce olhar de Ronnie.
— Você pode nos contar qualquer coisa. – Murmurou tranquilo. – Acredite, nós também temos nossos próprios segredos sujos, você sabe disso. Mesmo nunca perguntando diretamente, você sabe que não somos feito de luz e alegria e toda essa baboseira que esses idiotas que andam despreocupados nas ruas são feitos. A gente não só viu o lado feio de uma pessoa próxima, da nossa família ou cidade, a gente vivenciou. Então, o que quer que você tenha a dizer, não será recebido com julgamento, confie em nós, o que você disser ficará apenas entre nós. – Assenti já sentindo o peso de uma lágrima descer pelo meu rosto, com delicadeza Ronnie a enxugou com seu dedo, e com um sorriso mínimo indagou. – Por que você não começa nos dizendo como conheceu Oliver?
Sorri ao me lembrar do dia, se Cailtin e Ronnie esperavam uma história linda e romântica, sobre amor à primeira vista, eles estavam mais do que enganados. Desejo a primeira vista? Sim. Dificilmente amor. Literalmente fodemos um com o outro antes de chegar ao que sentimos hoje.
— Eu estava em uma festa. – Murmurei por fim. – Eu estava entre as prostitutas que serviriam os convidados. – Murmurei em tom firme, não era essa a parte que eu temia revelar, se qualquer tivesse perguntado o que eu fazia antes, eu teria respondido de ombros erguidos. Não que eu me orgulhasse, eu apenas não viveria me desculpando pelas coisas que eu tive que fazer. — Ele me escolheu para a noite. – Acrescentei. Esperei choque nos olhares deles, mas exceto por um “oh” de Ronnie, não havia surpresa de fato.
— Entendo. – Caitlin assentiu. – Eu já esperava algo pesado, eu sempre suspeitei que você vinha do lado mais errado da sua cidade. Eu sabia que você era durona, que você precisava ser. Embora não soubesse exatamente o porquê. Desde o primeiro dia em que nos conhecemos, eu já esperava algo do tipo. – Deu de ombros. — Então o quê? Vocês tiveram um romance tórrido e perceberam que é amor? Você é uma linda mulher e ele seu Richard Gere? – Sorri com sua insinuação. — Você ficou assustada e fugiu?
— Nada tão vago e fácil assim, dizer que foi apenas medo de me apaixonar é simplificar demais. – Falei reunindo coragem. – Havia um cara, ele que mandava em tudo, selecionava as garotas, atribuía tarefas e horários, tínhamos poucos direitos e muitos deveres, eu era designada para homens como Oliver, ricos e envoltos na parte mais alta da sociedade. Eu era uma prostituta de luxo, eu era sua preferida. – Expliquei. — Ser sua preferida não era algo bom, ele era totalmente obcecado comigo. – Murmurei estremecendo ao me lembrar. – Eu fui obrigada a participar de coisas que eu prefiro não lembrar, a palavra “não”, era apenas uma palavra, chegava a ser entendida como algo de riso. Eu estava presa a ele, e embora eu nunca tenha transado com ele, ele sempre deixou claro que eu era dele. Ele queria que eu fosse até ele, por nas palavras dele, ele queria quebrar meu espírito, manchar minha aparente pureza. Sua mente não é algo que um dia entenderei, não realmente. Eu não entrei nisso por que eu quis, e não me mantive por que eu quis, eu fiquei presa, eu não tinha como fugir.
— Oliver não podia... – Ronnie começou.
— Ele era muito perigoso. – O cortei. – Ele ameaçou Oliver. A Roy, meu irmão, e a família de Oliver. Ele matou minha melhor amiga... He... Helena. – Murmurei tremente. – Ela morreu por que ele queria provar que tinha poder sobre mim.
— Você disse “Ele era”. – Caitlin frisou. – O que aconteceu com ele?
— Eu o matei. – Murmurei de vez, enquanto ainda havia coragem. Ali estava o choque em ambos os olhares. A reação que eu esperava. O engolir em seco e a troca de olhares inquietos. – Na noite em que eu repito de novo e de novo em meus pesadelos, na noite em que ele sequestrou meu irmão e atraiu a mim e a Oliver em uma armadilha. Eu o matei. Eu não planejei isso, foi tudo muito rápido, foi enquanto ele e Oliver brigavam, uma distração dele e acabei pegando sua arma e eu... Eu... – Respirei fundo em busca de controle. — Eu apenas atirei nele, uma e outra vez. Eu o matei. – Concluí. Percebi que chorava e estremeci ao sentir o peso do abraço de Ronnie. — Eu sinto muito, eu...
— Está bem. – Murmurou em tom suave. – Você fez bem. – Murmurou para minha surpresa. – Deus sabe o que eu teria feito se o encontrasse.
— Nunca peça desculpas por ter matado aquele filho da puta Felicity. – Senti Caitlin esfregar minhas costas enquanto murmurava as palavras. – Foi legítima defesa, e ele mereceu isso. O inferno é pouco para um fodido como esse.
— Eu não entendo... – Murmurei incrédula com suas reações.
— Se você esperava julgamento de nossa parte diante do que você passou... – Ronnie meneou a cabeça. – Não somos assim e você sabe disso, eu fico feliz que confie na gente agora para ter nos contado esse segredo.
— Sim. – Caitlin concordou. – Nunca a julgaremos por isso, Felicity. – Murmurou prendendo seu olhar no meu, tranquilizando-me. — Agora, eu não entendo apesar de tudo, qual é a razão de você ter deixado Oliver e sua família para trás. –Confessou. Endireitei-me ainda a encarando. – O que você ainda não nos contou? – Respirando fundo e olhei de um a o outro. Pensei em Oliver que me aguardava pacientemente em meu quarto. Ou não tão paciente assim. Eu já havia contado a pior parte, estava na hora de contar o que veio depois.
OLIVER QUEEN
Sentei pesadamente na cama e encarei o quarto que me cercava.
Era pequeno e aconchegante, havia um toque de Felicity ali. Eu me lembro nitidamente do quarto dela no Glades, eu havia estado lá apenas uma vez, quando a ofendi lhe entregando aquelas malditas notas, parecia tão distante agora, mas eu me lembrava claramente de lá. E eu percebia certa familiaridade com esse. Ela havia tentado trazer uma atmosfera que já lhe era conhecida. Um ambiente familiar.
Eu tinha vontade de esfregar meu peito tentando aliviar a pequena dor que se estabelecia ali agora. O peso que eu tanto tentava ignorar.
Era verdade que eu já vim para esse apartamento na defensiva. Aqui estavam duas pessoas que poderiam fazer Felicity hesitar em voltar para casa, ou pelo menos protelar a nossa ida. Ela havia se apegado a eles, e eu podia notar que ao seu jeito os amava.
Eu tinha medo.
Desde que ela havia dito que voltaria comigo eu estava constantemente esperando pelo momento em que ela recuaria, então eu temia que ao encarar as duas pessoas que fizeram de Gotham City um lar para ela, ela cedesse a pressão e se arrependeria. Eu tentava ocultar isso, mas ao que parece, não fui tão bem assim, já que sua amiga percebeu. A garota era perspicaz, mas nem de longe o que mais me incomodava. O tal Ronnie, este sim me incomodava, não era apenas um ciúmes bobo de tê-la perto e tão próxima a outro homem que não fosse eu ou seu irmão. Talvez fosse sim uma parte de ciúmes irracional, mas era também mágoa por ela parecer confiar tanto nele. Eu queria essa confiança cega para mim. Soltando pesadamente o ar dos meus pulmões eu me levantei e fixei em realmente assimilar as coisas ao redor.
Não havia fotos.
Havia quadros e objetos de decorações, seu toque feminino, mas nada de fotos. Demostrava que ela não queria se apegar a nada. Felicity era assim.
Não tínhamos nenhuma foto nossa também.
Nunca nos preocupamos em fazer isso, passamos por tanta coisa que o pensamento banal de parar para tirar uma foto soava ridículo, mas que agora, encarando seu quarto, soava triste. Não havia nada para lembrar o tempo conturbado que passamos juntos, haveria agora alguma chance de nossa vida se tornar algo perto de tranquila? Eu já havia confirmado com Roy que a estava levando comigo se possível hoje, o mais tardar amanhã. Ele estava ansioso para vê-la e prometeu manter as coisas tranquilas quando ela chegasse, não abordar sua saída de imediato, escuta-la quando ela mesma desse esse passo e não pressiona-la. Sara ainda estava magoada, mas eu consegui uma promessa quase semelhante, ela podia não estar tão aberta a admitir, mas ela também estava empolgada com sua volta. Ela se negou a falar com Felicity por telefone por que temia acabar censurando-a e de alguma forma ter efeito negativo em sua volta. Quando ela perguntou com quem ela morava eu desconversei, a última coisa que eu precisava era lidar com ciúmes de Sara com relação a mais nova amiga de Felicity.
E eu sabia que ela teria.
Parei em frente ao guarda roupa e o abri por mera curiosidade, ela havia ido embora sem nenhuma das suas roupas que estava em minha casa. Ainda estava lá em meu guarda roupa, eu constantemente as mandava para lavar, como se ela fosse voltar no dia seguinte e precisasse de uma muda limpa e cheirosa. Corri meus dedos pelos tecidos que eram sustentados pelos cabides, não eram muitos. Ela provavelmente não saia muito fora suas idas ao clube em que trabalhava.
Felizmente eu tinha sua demissão ao meu favor.
Procurei na parte de cima por alguma mala em que eu pudesse coloca-las, mas exceto pela mochila no canto, não havia algo viável, considerei ignorar tudo isso e apenas leva-la. Ela não precisava nada disso, suas coisas ainda estavam em casa. Mas eu não lhe negaria o direito de escolha, o que lhe era merecido, eu não podia tomar essa decisão por ela. Eu não era idiota ao ponto de pensar que eu tinha algum poder nisso. Então dando de ombros eu apenas agrupei o máximo de roupas possíveis e joguei-as sobre a cama. Caminhei até o banheiro que ainda estava úmido e peguei alguns artigos de higiene, ignorei o sabonete liquido e a toalha.
Neles eu certamente colocaria fogo.
Bastardo idiota.
Havia ousado questionar se algum dia eu seria violento com Felicity. Eu não mentiria ao ponto de dizer que eu não era um sujeito tenso e provocado com facilidade, eu tinha meu quê de violência sim, mas para os outros. Nunca para ela. Nunca com ela. Talvez sempre por ela.
Saí do banheiro com passos fortes e decididos. A mera ideia de machuca-la em um rompante de raiva meu, me deixando aflito. Fui até o criado mudo e abri a primeira gaveta, encontrar ali uma pequena caixa com brincos e colares, alguns blocos de anotações e documentos seus. Eu estava feliz por pelo menos ela nunca ter saído país. Provavelmente Ivo nunca a permitiu ter um passaporte. Passando para a segunda gaveta parei abruptamente, como se uma descarga elétrica houvesse passado por meu corpo eu recuei.
Isso não era real.
Aproximando-me com o cenho franzindo voltei a colocar minha mão dentro da gaveta, de lá tirei o boné e o encarei longamente. Era do meu time favorito, e igual ao que ela havia pegado para si no dia em que a encontrei junto com sua amiga no Glades, mas não podia ser o mesmo. Eu me lembro de tê-lo visto novamente quando ela passou a morar comigo, ela não o manteve muito tempo em minhas vistas, pois temia que eu o tomasse de volta. Não havia como ela tê-lo pego de volta.
— Não é o mesmo. – Virei-me ainda com o boné em mãos e a fitei encostada ao batente da porta. – Eu o vi em uma das paradas que fiz quando eu estava apenas vagando de cidade para cidade nos primeiros dias. – Continuou se aproximando. – Eu lamentei nos primeiros dias não ter nada seu comigo, uma camisa que seja, nem mesmo o boné que eu havia roubado um dia. Infelizmente eu não podia ter o original, mas eu vi esse na parada e não pude segurar a mim mesma. Eu o queria para mim. – Sussurrou pegando o objeto das minhas mãos, e colocando em minha cabeça o ajustando. – Eu queria algo que me lembrasse de você.
— Você deixou um monte de coisas para me lembrar de você. – Murmurei quieto. – A sensação não foi muito boa.
— Eu sei. Não é o mesmo. – Falou abraçando minha cintura. Abracei seus ombros a tomando em meus braços. – Você fez uma bagunça Sr. Queen. – Falou olhando ao redor.
— Eu não achei nenhuma mala. – Murmurei encarando as roupas jogadas em cima da cama, eu não havia mexido nas gavetas do guarda roupa, ou a bagunça estaria um pouco menor.
— Oliver? – Murmurou atraindo minha atenção de volta para si.
— Sim?
— Eu não estou arrependida. – Falou em tom firme. – Eu não pretendo voltar atrás e não estou procurando uma desculpa para voltar atrás, eu quero ir com você.
— Isso é bom. – Murmurei deixando um sorriso sincero vir.
— Agora, precisamos encontrar alguma mala, eu posso comprar qualquer uma, ou eu acho que Caitlin pode me emprestar uma. – Falou considerando. – A maioria das coisas eu adquiri depois que me instalei aqui.
— Eu sinto muito, mas eu não vou poder. – Caitlin falou entrando no quarto.
— Como? – Perguntei temendo ser esse o momento em que ela tentaria convencer Felicity a ficar,mas Felicity havia acabado de informar que não voltaria atrás, eu podia respirar aliviado, certo?
— Eu vou precisar da minha mala. – Murmurou simplesmente. – Ela vai ter que comprar uma.
— Eu não entendo. – Felicity murmurou confusa. Ao mesmo tempo Ronnie entrava com um sorriso enorme nos lábios.
— Está feito. – Falou para Caitlin.
— Ele gritou? – Perguntou com um sorriso de gato.
— Muito. – Assentiu. – Disse vários nomes feios também. – Franziu o cenho.
— O que diabos está acontecendo? O que está feito Ronnie? – Felicity perguntou cada vez mais confusa.
— Eu acabei de pedir nossa demissão. –Falou contente. – Minha e de Caity. Dr. Wells nos mandou para o inferno, a você e seu namorado também.
— Oh não. – Felicity murmurou com surpresa.
— Oh inferno, não. – Falei horrorizado. Isso significava que...
— Oh sim. – Ele devolveu sem tirar aquele estúpido sorriso do rosto. – Agora nós podemos ir com vocês.
— O quê?! – Felicity e eu soltamos juntos.
— Isso mesmo que escutaram. – Caitlin murmurou cruzando os braços e mantendo um sorriso arrogante nos lábios.
— Vocês tem uma vida aqui. – Felicity murmurou me soltando e indo ficar na frente dos dois. – Vocês são apegados ao clube, as garotas...
— Besteira. – Caitlin murmurava deixando suas preocupações de lado com um gesto de descaso com sua mão. – Nunca nos apegamos a nenhum lugar, esse não é o primeiro lugar que moramos e sempre soubemos que em algum dia estaríamos partindo.
— Caity vocês não podem mudar a vida de vocês por mim. – Felicity tentou argumentar. – Vocês jogaram fora seus empregos, os apartamentos são alugados, vocês dois tem responsabilidades aqui.
— Não se preocupe conosco, Felicity. – Ronnie murmurou a acalmando. – Ficaremos bem, encontraremos um lugar lá, nos primeiros dias ficaremos em algum hotel barato e depois a gente se acerta, sempre fazemos isso. Depois do que você disse, do que você ainda tem que enfrentar voltando para Starling City, jamais deixaríamos partir sozinha...
— Ela não está sozinha. – Murmurei profundamente indignado. – Ela tem a mim, ao seu irmão, e a outras pessoas também.
— E a nós. – Caitlin murmurou em tom firme. – Eu fico feliz que ela tenha a todos vocês, por que ela precisa de todos vocês, mas ela tem a nós também. E enquanto ela precisar de nós, nós estaremos lá por ela. Agora pare de fechar sua cara e saia para comprar uma mala para sua namorada, você disse que partiriam logo, certo? No tempo em que você cuida disso, eu e Ronnie cuidaremos de nossas malas e faremos alguns telefonemas, o que não precisarmos urgentemente pode ficar no apartamento até que o senhorio encontre alguém para morar. Aproveite e nos traga um pouco de café da manhã também e Felicity?
— Hum? – Felicity murmurou atônita.
— Basta uma palavra. – Murmurou séria. – Se isso for demais para você, uma palavra e nós dois recuamos, se você não se sentir a vontade conosco em sua cidade, basta nos dizer. Você gostaria que recuássemos?
Senti o peso do olhar de Felicity em meu rosto, eu pude notar todo um caleidoscópio de emoções no seu. Eu podia classificar cada uma delas, e apontar a que mais se sobressaia, ela já tinha em mente sua resposta, mas ela não queria me deixar atrás nisso, ela precisava que eu desse minha opinião, mesmo que em um pequeno gesto, um aceno em afirmação ou negativa. Éramos um casal novamente, e não havia mais escolhas sozinhas a serem feitas.
Considerando aquela emoção em particular, aquela que sobressaia as demais, eu acenei em resposta.
CAITLIN SNOW
E lá estávamos nós novamente.
Mais uma mudança.
Mais uma cidade deixada para trás.
E pela primeira vez o sentimento de ter feito algo certo.
Observei o homem alto e bonito, seu ar elegante e ainda assim um pouco perigoso segurar a mão de Felicity. Vi que mesmo ela não o olhando de volta, seu olhar concentrada na mulher a sua frente, ela sorriu tão logo sentiu o contato da sua mão na sua. Oliver murmurou algumas palavras em seu ouvido e ela o encarou diretamente, ainda sorrindo, assentiu e voltou a falar com a atendente que ergueu sua mão murmurando um pedido. Logo Felicity entregou seus documentos e Oliver se apressou em fazer o mesmo, seu semblante voltando a ficar sério quando falou com a mulher.
Eu me perguntava se ele percebia que seus sorrisos eram apenas para Felicity.
Desviei meu olhar do casal apaixonado, sentindo certa inveja da troca de olhares e seus sorrisos cúmplices, encarei a passagem na minha mão, observando nome da cidade que agora seria meu novo lar.
E de Ronnie.
Sempre com Ronnie.
Sempre fugindo do meu passado com ele ao meu lado, sempre o amando sem nunca de fato fazê-lo. Sempre esperando o momento em que deixarei meus medos e receios para trás e poderei aceitar seu amor.
Nunca mudando de fato.
Nunca deixando os medos para trás.
Nunca cedendo.
— Aqui está. – Levantei meus olhos encontrando o sorriso de Ronnie e aceitando automaticamente a embalagem de café que ele me entregava. – Preto, forte e vai acalmar seus ânimos.
— Eu não estou nervosa. – Neguei.
— Você sempre fica nervosa com mudanças. – Murmurou descartando minha negativa de imediato. – Fica pensando no que vai acontecer e nas possibilidades que a nova cidade vai trazer. Apenas não esqueça, não importa quão sua vida mude, cidade, cenário, empregos e pessoas, eu sempre serei uma constante. – Não pude deixar de sorrir com o que disse. Ele era bom demais para mim, ele era um idiota, estúpido, e imbecil. Era um palhaço, mas era doce, gentil e carinho, era minha constante. Ele nunca tentou esconder como se sentia em relação a mim, e nunca me pressionou a sentir o mesmo, e mesmo sabendo que eu sinto. Não me pressionou a ficar com ele. Ele podia não saber ou entender o que me mantinha hesitante e afastada, mas ele estava lá por mim.
Ele era meu grande amor, mas mais do que isso era meu melhor amigo.
— Obrigada. – Murmurei por fim.
-Não por isso. – Sorriu levando o próprio café aos lábios para um gole. Ele virou-se observando o casal. – Ele foi rápido não é? Algumas horas e rapidamente coordenou para que nossas coisas fossem guardadas, conversou com nosso senhorio e conseguiu que nos despedíssemos de todos no clube. Ter dinheiro tem suas vantagens.
— Ele fez isso por Felicity. – Murmurei simplesmente.
— Caity. – Ronnie murmurou apreensivo. — Você sabe que estamos entrando em algo que pode nos ferrar junto, certo? – Perguntou preocupado. – Pelo o que Felicity falou, são pessoas perigosas.
— Eu sei. – Assenti.
— Então, não importa o que aconteça. – Murmurou em tom de alerta. – Você não pode sair das minhas vistas.
— Você sabe que eu vou quebrar essa regra na primeira oportunidade? – Perguntei descrente.
— Eu sei. – Assentiu com um sorriso divertido.
— Ótimo. – Sorri de volta. Ele deu um passo se aproximando quando notou Oliver e Felicity se afastando do balcão e vindo em nossa direção. – E então? – Perguntou quando Oliver nos encarou não se importando em esconder que nossa presença ainda o irritava. – Tudo certo?
— Sim. – Felicity respondeu com um sorriso genuíno. – Tudo certo, nosso voo logo será chamado.
— Ótimo. – Murmurei contente. – Eu espero que Starling City seja um pouco mais animada que Gotham, por que honestamente? Todos aqueles becos escuros e prédios sombrios estavam me dando nos nervos.
— Oh se vocês estão procurando algum lugar alegre tente Smallville. – Felicity sugeriu. – Ou Central City.
— Eu ainda posso trocar a passagem de vocês. – Oliver murmurou prestativo. Sorri diante sua tentativa frustrante de se livrar de nós dois.
— Não hoje, Sr. Queen. – Murmurei batendo em seu ombro.
— Quantas cidades exatamente você visitou? – Ronnie perguntou a Felicity com curiosidade.
— O suficiente. – Ela respondeu deixando seu olhar cair em Oliver que seguia a abraçando pela cintura. Mais uma vez observei admirada o grande sujeito carrancudo sorrir. Seu rosto se transformando ao fazê-lo. Oliver obviamente era lindo, mas seu sorriso, este sorriso devia ser sua característica mais atraente.
— Nossa chamada. – Ronnie murmurou erguendo um dedo, das caixas de som de fato saía a chamada do nosso voo. Senti aquele gélido nervosismo novamente, antes da mão de Ronnie se ficar na parte baixa das minhas costas me tranquilizando.
— Oh... – Felicity murmurou parecendo também está nervosa. Seu olhar varreu nossos rostos antes de encontrar o de Oliver. –Vamos? – Ele assentiu parecendo feliz e ansioso com isso, porém quando dei um passo pronta para deixar Gotham para trás sua voz fez com que eu parasse surpresa.
— Espere, Caitlin. – Oliver murmurou colocando a mão em seu bolso. – Eu preciso de um favor.
— O que você está fazendo? – Felicity murmurou confusa.
— Apenas consertando algo. – Murmurou antes de me entregar um objeto, olhei para baixo para perceber que se tratava de um celular. Seu celular.
— O quê?
— Você poderia tirar uma foto nossa? – Perguntou parecendo pela primeira vez desde que eu havia o conhecido, tímido. Então eu entendi. Oliver entrou no quarto de Felicity, ele percebeu a falta de porta retratos, e agora queria mudar isso. Deixando que esse gesto amolecesse minha opinião sobre ele eu assenti e sorri. Felicity parecia hesitante em fazer o que ele pedia, então ignorando seus protestos ele a beijou. E foi nesse exato momento, nesse precioso instante em que ambos estavam envolvidos demais no que sentiam um pelo outro que eu tirei a foto.
E eu sabia que seria essa foto que ela escolheria para por em um porta retrato.
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