Notas iniciais
Hey!! Bye!!

POV FELICITY

Procurei com afinco as chaves do clube na minha bolsa enquanto tentava em vão ignorar a pequena discussão atrás de mim.

Mas era quase inútil.

— Eu só estou dizendo que se você insiste em comer no nosso apartamento, você deve pagar. – Caitlin frisou. – Ou lavar as louças pelo menos.

— Caitlin, vocês basicamente pedem tudo o que comem. – Ronnie retrucou. – Não há louças para serem lavadas.

— Então você definitivamente deveria pagar. – Retrucou.

— Eu tento. Felicity não deixa. – Argumentou.

— Eu não deixei uma vez. – Murmurei ainda procurando as chaves. – Nós tínhamos te chamado, era o justo a se fazer, agora, nas outras vezes... Sequer sugeriu mais.

— Então é isso? – Seu tom indignado me fez levantar minha cabeça e encara-lo. – Vocês duas vão me negar comida agora?

— Não. – Murmurei no exato momento em que Caitlin disse sim.

— Regras de convivência. – Deu de ombros. – Se você não quiser pagar com dinheiro, você terá que arrumar nosso apartamento, pelo menos duas vezes na semana.

— Agora entendi. – Sorriu meneando a cabeça. – As duas bonitas, que antes nunca se incomodaram com nosso coleguismo, companheirismo ao dividir comida, agora querem me usar como escravo.

— Me tirem disso. – Falei. – Eu não tenho problemas de limpeza. – Comentei pouco antes de finalmente encontrar a chave. – Haha, finalmente!!

— Eu senti uma indireta? – Foi à vez de Caitlin assumir o tom indignado. – Você quer insinuar que eu estou tentando me livrar das minhas tarefas domésticas e empurrar nos ombros de Ronnie?

— Em nenhum momento eu disse isso. – Murmurei tentando abrir a maldita porta. – Droga! Não quer abrir. – Chutei a porta com irritação.

— Por que você sempre pega a chave errada. – Ronnie murmurou antes de tomar o chaveiro das minhas mãos e assumindo a tarefa. – E obrigado, Felicity, agora eu posso perceber qual é a real artimanha de Caitlin. – Terminou com um sorriso triunfal e abrindo a porta. Com um gesto de cavalheirismo indicou que entrássemos primeiro. – E a resposta é não, eu tenho meu próprio apartamento para cuidar.

— Então você deveria ficar mais tempo nele. – Caitlin devolveu. Eu, no entanto, estava ocupada demais, parada observando atordoada a bagunça que se encontrava em minha frente. O que diabos havia acontecido?

— Deus! O que aconteceu aqui? – Perguntei vendo vidros por toda a parte, uma mesa quebrada, cadeiras derrubadas. – Eu perdi algum furacão ou algo do tipo?

— Sim. – Caitlin murmurou ao meu lado. – O nomeamos Bruce Wayne. – Observei seu perfil, um sorriso em seu rosto, como se a visão à frente a divertisse, o nome não me era estranho, e sem demora me lembrei de como o conhecia. Na verdade quem o conhecia.

— O namorado de Selina. – Deduzi.

— Segundo ela, eles não são namorados. – Ronnie me corrigiu. – Mas sim, esse mesmo, ele veio aqui, viu que ela, contrariando o que ele queria, ainda estava dançando e bem, tirando as roupas no ato, e o cara explodiu.

— Foi um bom dia para ficar em casa devido a uma gripe. – Caitlin sorriu. – Mas você perdeu uma cena e tanto, aquele cara sabe ser o macho alfa. Tenho que admitir, foi sexy.

— Eu já vi esse show, obrigada. Dispenso. – Murmurei erguendo uma cadeira. – Não é a toa que Dr. Wells me pediu para chegar mais cedo.

— Você já viu um macho alfa em ação? – Caitlin murmurou não deixando passar.

— Já namorei um. – Murmurei a encarando brevemente. Eu estava ficando boa nisso, falar de Oliver sem me encolher ou parecer triste, estava aperfeiçoando minha casualidade em cita-lo. – Eu não sei se você gostaria de namorar um. – Brinquei. – Toda a possessividade, todo o ciúmes, às vezes até a proteção é excessiva. Sufocante. – Pisquei lembrando-me.

— Mas não deve ser de todo o mal não é mesmo? – Perguntou atenta. – Você está sorrindo. — Dei de ombros não percebendo que eu realmente havia sorrido no momento.

— Deveria haver um equilíbrio. – Falei. – Mas não, não é tão terrível assim, por que ele se importa, ele te ama, ele protege e mesmo que às vezes suas ações a irritem como o inferno, no final você não consegue odiá-lo, por que você já está ocupada demais o amando. – Caitlin me encarou com fascínio, seu olhar desviando para Ronnie apenas brevemente, já Ronnie me encarava como se não conseguisse entender sobre o que eu falava, e como eu que geralmente evitava falar sobre assuntos do tipo, havia falado tanto.

— Dr. Wells pediu para que você chegasse mais cedo por que ele está te punindo. – Ronnie explicou se sentando no balcão, sentindo a necessidade de mudar um pouco o tema de nossa conversa.

— Como? — Perguntei descrente. – Por ter faltando ontem? Ele disse que estava tudo bem.

— Por você continuar dizendo não a ele. – Explicou. – Toda vez que ele pede para que você seja uma stripper. – Continuou notando meu semblante confuso. — Você não percebeu que ele está te dando cada vez mais trabalho? Você chega mais cedo, você organiza, limpa, confere estoque, você alterna entre bartender e garçonete. Daqui a pouco você será quem irá atrás de novos talentos.

— Então eu temo que ficarei cada vez mais sobrecarregada. – Murmurei de volta. – Por que eu definitivamente não vou para os palcos.

— Por que não? – Caitlin murmurou se sentando ao lado de Ronnie. – É divertido.

— Eu só não quero estar na posição de me despir para desconhecidos. – Não novamente, mesmo que não envolva mais sexo.

— Algumas meninas estão irritadas com você. – Caitlin falou chamando minha atenção. – Elas queriam ser uma das favoritas de Wells, queriam estar no palco, mas não são, e você é, mas se nega a isso. Algumas pensam que você se acha melhor do que elas, do que nós. – A encarei estando preocupada com sua última frase.

— Você também acha isso? – Perguntei me aproximando. – Que eu me acho melhor do que vocês?

— Eu sei que não, Felicity. – Falou séria. – Eu moro com você, eu te conheço, mas aqui você assume outro nome, você parece sim altiva quando chega, eu sei que essa é sua defesa, mas elas não. Elas acham que você não quer se misturar. Não quer se sujar. – Completou.

Refleti sobre o que ela falava. Eu realmente me mantinha distante, eu sempre estava esperando o momento em que eu teria que ir embora, ainda mais depois do telefonema que eu ousei dar. Não era para eu ter cedido ao apelo de ligar para ele, era para eu ter me segurado, para eu ter devolvido o celular a Ronnie, ou a própria Caitlin, mas eu não pude fazer isso, eu apenas liguei para ele.

Alguns esperariam que eu entrasse em contato com Roy primeiro. Eu também pensava assim, pensava que se alguma vez eu quebrasse minha regra seria para saber como meu irmão estava, a saudades era tanta que mais de uma vez me vi tentada, mas não, a única vez que cedi, a única vez que estive disposta a ir contra meus instintos, foi pela necessidade pura e urgente, quase descontrolável de escutar sua voz. E eu escutei, ouvi suas palavras, seu tom esperançoso, sua promessa, sua declaração. E meu coração se encolheu por estar fazendo isso com nós dois. Então antes que eu pudesse devolver o “Eu ainda te amo” eu desliguei, me livrei do celular embora soubesse que era tarde demais, que se ele soubesse que realmente havia partido de mim, ele me encontraria. Mas já havia passado semanas e nada que provasse o contrário aconteceu, me apeguei à ideia de que no final ele havia deduzido que se tratava de um engano, ou um trote. Mas ainda assim eu me mantinha alerta, e até mesmo um pouco distante, pronta para fugir a qualquer sinal de que alguém estivesse a minha procura.

Afastando os pensamentos de minha mente, resolvi focar no que eu tinha que resolver agora. O que eu podia.

— Vocês vão ficar aí ou vão me ajudar com essa bagunça? – Perguntei assumindo meu melhor tom irritado. Eles não se alteraram, nem um pouco, me lançaram olhares irritantes, pura afronta. – Vocês realmente me acompanharam apenas para me ver trabalhar?

— Não tinha nada de legal passando na televisão. – Caity deu de ombros.

— Eu sou apenas o segurança. – Ronnie deu de ombros.

— Pois apenas segurança. – Falei enfatizando. – Pegue uma vassoura. Você vai me ajudar. – Ele me encarou com aborrecimento. – Eu estou falando sério. – Ele revirou os olhos e desceu do balcão, mas logo em seguida seu olhar recaiu em Caitlin, e tal como uma criança apontou o dedo para ela.

— Ela não vai fazer nada? – Perguntou.

— Claro que vai. – Murmurei caminhando com passos decididos, contornei o balcão e peguei uma prancheta que eu já costumava deixar acessível. Entreguei a Caity que me lançou um olhar confuso. – Confira o que precisamos renovar nas bebidas. Depois faço os pedidos.

— E você? – Perguntou descendo do balão.

— Eu vou começar pelos banheiros. – Murmurei dando de ombros.

— Ele realmente está te pressionando. – Ronnie murmurou franzindo o cenho.

— Tudo bem. – Sorri. – Honestamente não é nada. – Completei voltando a olhar ao redor. – Selina não foi despedida. Foi? – Perguntei voltando a questão, e de verdade me sentindo preocupada. Ela era uma das poucas garotas que eram legais comigo. Eu estava fora há quase seis meses, na boate pouco mais de quatro e ainda era a novata aqui.

Seis meses.

— Ela está bem. Wells gosta dela, de sua história. Ele tem uma queda por salvar gatos de rua. Que é o que somos. – Caitlin explicou alheia ao fato de que eu já não dava mais atenção a sua resposta. – Ela levou uma advertência, por hora ela ainda está garantida aqui, mas temo que ele não a aceite caso a cena de ontem se repita. Ele também fez questão de ressaltar que era válido para todos nós. Ele não vai aceitar nenhum namorado possessivo dentro do estabelecimento. – Sorriu. – Melhor manter seu macho alfa afastado. – Brincou.

— Vou pegar os produtos de limpeza. – Murmurei me afastando dos dois assimilando apenas parte do que dizia. Pegando a última frase. A onda de tristeza que por mais que não demorasse tanto quanto antes, ainda se fazia presente, voltou.

Seis meses. Já ia fazer seis meses que eu havia me afastado de todos os que eu considerava minha família. Seis meses que havia cometido o erro de agir por impulso e fugido, eu deveria ter ficado, conversado com Oliver, devia ter tentado resolver esse novo problema com ele.

Agora é tarde demais.

— O que houve? – Escutei Caitlin perguntar a Ronnie ainda enquanto eu me afastava. Mas meus pensamentos agora estavam voltados todos para minhas velhas lembranças. Para as perguntas que sempre vinham quando eu me permitia pensar neles. Perguntas essas sem nenhuma resposta.

O que será que eles estavam fazendo agora? Sara ainda estaria com Tommy? O que aconteceu com Roy com minha saída? Teria ele voltado a se drogar? E havia Oliver.

O que Oliver estaria fazendo.

Teria ele reatado sua relação com Thea?

Sebastian cumpriu sua promessa e deixou que Connor continuasse a vê-lo?

Ainda estaria me procurando, ou finalmente cedeu? Mesmo após aquele telefonema teria ele desistido de mim?

“Por que eu te amo.”

Havia sido essa a primeira vez que o escutei dizer que me amava. Uma resposta afobada e gritada quando eu o perguntava por que ele ainda não havia desistido de mim, de nós dois. Seria a resposta a mesma?

Com um suspiro abandonei meus pensamentos e enchi um balde com os produtos que precisaria, peguei a vassoura e ao voltar joguei esta nos braços de Ronnie que havia voltado a ficar a vontade. Por um longo tempo me dediquei a limpar os banheiros, usei a atividade como minha própria terapia. Isolei meus pensamentos, ocupei minha cabeça. Apenas quando terminei com o banheiro feminino foi que percebi que o local não estava no silêncio que geralmente se encontrava no final das tardes. Franzi o cenho ao escutar uma música animada soar e me apressei a seguir a direção de onde vinha.

— Você está brincando comigo. – Murmurei encarando incrédula à figura masculina deslocar pelo de um lado para o outro “dançando” com o cabo de vassoura. – Ronnie! – Gritei o interrompendo bruscamente. Ele se virou com o olhar assustado, e ouso dizer, um pouco constrangido.

— O quê?

— O quê? – Repeti incrédula. – Você supostamente deveria estar me ajudando.

— Há ajuda melhor do que não atrapalhar? – Perguntou com o cenho franzido. Então um sorriso traquino surgiu em seus lábios de repente. – E agora eu vou te ajudar a relaxar. – Falou jogando de lado a vassoura no exato momento em que começou a tocar o tema de footloose.

Sério? Ele realmente havia parado no tempo.

— Mantenha-se afastado de mim. – Exigi erguendo meus braços em sinal claro de se afaste, ele me ignorou e começou a dançar novamente, segurei o riso o observando mover-se, ele realmente havia se entregado a música, seus braços alcançaram os meus me puxando e forçando-me a seguir seu ritmo. – Ronnie, pare. – Exigi, ele continuou forçando meus ombros a moverem-se. Meneando a cabeça e percebendo que ele não me deixaria sair dessa sem que eu fizesse um grande escândalo eu cedi. Dançamos apenas nossas mãos unidas, minha garganta estourando em uma risada quando ele me rodopiou e puxou-me contra seu corpo.

— Estão dançando sem mim? – Escutei a voz de Caitlin soar atrás de nós, Ronnie me soltou parcialmente e pude observar seu rosto, temi que ela estivesse chateada em nos ver em um momento de cumplicidade, mas este era Ronnie, que não havia me tratado de outra forma senão com respeito, Caitlin sorria e rapidamente mexeu seus quadris entrando na dança, Ronnie estendeu uma mão e ela rapidamente a alcançou, ele a fez girar ainda comigo nos braços e depois empurrou meu quadril indicando que fosse minha vez de me afastar, logo estávamos as duas girando de volta para seus braços e chocando-nos rudemente, Ronnie soltou um som de dor, mas interrompeu com uma risada juntando-se a minha e de Caitlin.

— Eu acho que não sou um cara de duas garotas. – Resmungou.

— Faltou um pouco de sincronia. – Caitlin sorriu concordando. Eu estava prestes a abrir minha boca quando escutei um pigarro soar atrás de nós, nós três viramos juntos com toda a sincronia que havia faltando antes e encaramos o olhar perspicaz de Dr.Wells.

— Eu espero não estar os interrompendo. – Murmurou ironicamente.

— Não. – Caitlin balançou a cabeça em negativa enquanto Ronnie fazia o mesmo.

— De jeito algum. – Completou.

— Nop. – Murmurei.

— Bom. – Wells sorriu. – Vejo que está dançando, Megan, isso significa que está reconsiderando talvez subir no palco?

— Apenas se precisar de uma faxina. – Respondi dando de ombros.

— Um dia. – Murmurou já guiando sua cadeira de rodas em direção ao seu escritório. – Um dia. – Repetiu.

— Eu acho que ele realmente acredita em “vencer pelo cansaço.” – Ronnie comentou, então bateu as palmas da mão. – É isso, hora de comer. Eu vou atrás de algo para nós, e já volto.

— Você literalmente não fez nada. – Reclamei.

— E é por isso que hoje eu pagarei por tudo. – Seu sorriso veio com uma piscadela.

— Eu odeio ele. – Falei para Cailtin que voltou a se sentar em cima do balcão. – E você.

— Eu sinto muito, mas eu não acredito que você realmente seja capaz de odiar alguém. – Murmurou com sorriso amplo.

— Você poderia se surpreender. – Retruquei lembrando-me da única pessoa que eu realmente havia sentido tal sentimento tão forte. – Eu vou terminar o que comecei.

— Eu vou atrás da comida. – Falou saltando do balcão.

— De Ronnie você quer dizer. – Falei para suas costas. Ela me ignorou, o que foi o mais sábio, e saiu com pressa. Eu me mantive ocupada pelas horas seguintes, parando apenas quando os dois voltaram com a comida. Com a chegada das outras garotas eu me apressei a me trocar para assumir meu lugar atrás do bar.

Como era costume ignorei mentalmente todo o burburinho, a música alta, as cantadas dos homens sentados a minha frente e me concentrei a de forma automática fazer meu trabalho. Ergui minha cabeça apenas quando Selina que por hora servia as mesas, parou em minha frente.

— Do que precisa? – Perguntei servindo um copo com whisky ao homem ao seu lado.

— Você. – Falou sem perder tempo.

— Hum... – O homem a quem eu havia servido soltou com um sorriso. – Espaço para mais um?

— Podemos conversar? – Selina perguntou o ignorando. – Por favor.

—Claro. – Assenti após lançar um olhar azedo ao sujeito. – Eu só preciso que alguém...

— Tina já está vindo. – Apontou com a cabeça a morena que se aproximava.

— Tina mal sabe servir água. – Murmurei em tom baixo. – Não podemos...

— É apenas por alguns minutos. – Adiantou chamando-me com um movimento de cabeça. Não tendo outra alternativa a segui parando apenas quando chegamos ao local em que ela costumava se arrumar antes de ser chamada. – O que houve?

— Você já soube do que aconteceu ontem? – Perguntou parecendo apreensiva. O que me surpreendeu. Selina muitas vez passava uma fachada de durona, por que ela não parecia se alterar com nada. Eu poderia me fazer de educada e dizer que não, mas pela forma que ela havia feito à pergunta, ela já conhecia minha resposta, mesmo assim me vi assentindo em resposta. – Olhe, Megan, eu não falo muito da minha privada, por que sinceramente, não é da conta de ninguém, e estava tudo bem isso, até que aquele estúpido, brutamontes vestido em terno sofisticado resolveu trazer minha vida particular para dentro...

— Você não precisa dizer nada disso para mim. – Murmurei confusa por ela estar me contando tudo aquilo.

— Na verdade, eu preciso. – Corrigiu-me.

— Por quê? – Perguntei cada vez mais confusa.

— Por que eu preciso de um favor. – Explicou. – E pelo o que pouco que pude saber de você nesse tempo todo, é que você vai ser contra isso, muito. Eu preciso sensibiliza-la, então eu preciso contar um pouco sobre mim, por que a outra opção era chorar, e eu não sei fazer isso.

— Chorar? – Murmurei incrédula.

— Fingir. – Deu de ombros. – Eu e Bruce, é complicado, não é um relacionamento, mas não deixa de ser um, entende?

— Talvez. – Assenti. – Mas ainda não entendo o que você quer me dizendo isso.

— Deixe-me terminar. – Pediu. – Eu preciso desse emprego, eu sei, ele é rico, é o que todas as garotas falam. Eu poderia me aproveitar disso, eu não preciso mais estar subindo em um palco e tirando minhas roupas, para algum idiota de fraternidade, ou bêbado fracassado gritar obscenidades sobre o que deseja fazer com meus seios, mas eu não gosto da ideia de tê-lo me protegendo, eu não gosto da ideia de ser sustentada, e eu não tenho ideia do que somos um para o outro, talvez semana que vem ele fique com tédio, eu não sei, qualquer coisa pode acontecer. – Murmurou finalmente mostrando certa fragilidade ao dizer, eu não demorei a fazer ligações entre o affair dela com o Sr. Wayne e o meu com Oliver. Ela parecia comigo no começo daquilo tudo. – A questão é: Eu preciso muito desse emprego, eu não gosto de tirar minhas roupas para esses tarados, mas eu gosto das meninas, eu gosto de Wells, e definitivamente gosto do dinheiro. Eu preciso desse trabalho.

— Ok. Entendo. Eu me identifico e me sensibilizo, eu tenho minhas razões para estar aqui também, como todas as outras garotas. – Assenti. – Agora, eu acho que esse é o momento em que você me explica por que disse isso tudo.

— Porque eu preciso que você me substitua no palco hoje. – Falou em só uma respiração.

— O quê? – Murmurei incrédula. – Não. – Neguei rapidamente. – Eu não posso. De jeito algum.

— Por favor, Megan. – Insistiu. – Eu já sei que você é completamente avessa à mera ideia de estar lá em cima. Eu não pediria se fosse muito importante e necessário.

— Por que você não pode dançar hoje? – Murmurei cada vez mais confusa. Meu cérebro procurando alternativas. – Por que você não pede para outra das meninas?

— Bruce está aqui. – Falou em meio a um suspiro. – Eu não sei como ele convenceu a Wells liberar sua entrada, mas ele está sentado em uma das mesas do canto, ele me assistiu servir mesas à noite inteira, eu estava com esperança de que ele sumisse, mas já está chegando a hora de eu me apresentar, e ele ainda está lá. Se eu subir, vamos ter outra cena como a de ontem à noite, e para completar, dessa vez eu serei chutada fora. Eu não quero isso. Eu preciso de ajuda, e você é a única que pode me dar.

— Por quê? – Repeti.

— Wells não ficará feliz se eu não aparecer. – Murmurou. – Ele vai encarar como uma escolha, ele também não ficará feliz se for qualquer uma das outras garotas, e pode sobrar para uma delas. Tirando Cailtin que já vai se apresentar, há você, uma de suas favoritas mesmo não fazendo o que ele deseja, ele tenta leva-la para o palco desde que você chegou. Se eu falar que eu cedi uma noite para que você pudesse ver como era, ele ficará exultante.

— Ele vai saber que é mentira. – Retruquei. – A presença de Bruce já diz isso, que você na verdade evitou subir.

— Ele irá pouco se importar. – Deu de ombros. – Por que você finalmente cedeu a fazer parte das stripers.

— Eu não cedi. – Neguei.

— Ele não precisa saber disso até o dia seguinte. – Apontou. – Por favor, será rápido, indolor e eu estarei te devendo muito.

— Não é que eu não queira ajudar. – Meneei a cabeça. – Eu só não posso. – Afirmei. Isso me trazia lembranças que eu vivia para esquecer. – Não me peça isso.

— Eu tenho um filho. – Murmurou por fim.

— O quê?! – Perguntei chocada, eu nunca soube que ela tivesse um filho. Nada do tipo tinha chegado aos meus ouvidos. E agora ela jogava isso em cima de mim, de repente.

— Ele vive com a avó. – Continuou. – Eu adoraria ter um daqueles empregos “normais” e sustenta-lo sem sentir vergonha de como eu ganhei o dinheiro. Mas eu tenho esse emprego, o emprego que me permite mandar o dinheiro para sua avó todo final de mês, Bruce não entende por que insisto em trabalhar aqui, por que ele não tem ideia que eu tenho um filho, eu quero que continue assim, ninguém aqui sabe sobre, na verdade, apenas você. E apenas por que eu preciso desesperadamente que você faça isso por mim, por Charlie, meu filho. Você pode fazer isso?

Oh inferno.

POV OLIVER

Coloquei minha pequena bagagem dentro do porta-malas do carro e virei-me para encarar Thea, eu podia sentir seu olhar desaprovador perfurar minhas costas, eu quase podia escutar seus pensamentos hostis.

— Apenas diga. – Murmurei sentindo sua impaciência passar por mim. – Eu tenho um avião para pegar, e eu não estou nem um pouco interessado em perdê-lo, então eu preciso que você seja rápida, vamos lá, diga.

— Você está dando um tiro no escuro. – Soltou. – Você não pode pegar um voo para uma cidade desconhecida por que suspeita que Felicity vai estar lá. Já faz seis meses Ollie, ela se foi, você sequer tem certeza de que ela quer ser encontrada. Ela o abandonou, seja por qual foi o motivo, ela foi embora e não olhou para trás, eu sinto dizer isso, mas ela pode estar seguindo sua vida, ela pode estar feliz, com alguém diferente, enquanto você está aqui, preso a uma mulher que o deixou!

— Ela me ligou. – Murmurei tentando controlar meu tom. Tentado controlar o que a mera ideia dela com outra pessoa fazia comigo. – Ela não teria feito isso se tivesse seguindo com sua vida, se estivesse com outro alguém.

— Você não tem ideia se era ela. – Apontou. – O número pertencia a um tal Ronnie ou Robbie, algum assim. Eu voto em ser um trote e você estava dizendo a um idiota qualquer que o amava.

— Era ela! – Gritei a calando. Ela se encolheu diante de minha explosão. Era muito, tinha sido muito para mim. Thea me encarou com receio, seus olhos me analisando enquanto eu me afastava apenas para voltar e encara-la, meu tom diminuindo consideravelmente. – Era ela Thea.

— Se você tem tanta certeza assim. Por que não foi antes? – Perguntou cruzando os braços. – Diggle conseguiu rastrear quase que imediato essa ligação, ele te disse de onde era, quem era o dono, você poderia ter ido tão logo ele disse. Então por que demorar tanto Oliver? – Questionou-me. – Eu sei que você já viajou correndo atrás de uma pista antes, por que essa que você parece ter tanta certeza, por mais surreal que pareça, demorou tanto?

— Por que eu precisava desse tempo. – Murmurei. – Eu precisava acertar minha vida, eu precisava ter algo a oferecer.

— Isso é ridículo. – Meneou a cabeça. – Toda essa esperança? Essa vontade de correr até ela? Não deveria existir. Ela te deixou. Você deveria estar chateado, no mínimo. Você deveria cogitar a possibilidade de que ela te usou e então descartou.

—Eu estou chateado. – Afirmei mais calmo. – Eu estou muito chateado, Thea. – Ela me encarou absorvendo o que eu dizia. – A questão é que eu prefiro ficar chateado com ela ao meu lado. Passaram-se seis meses, é tempo demais para mim. O suficiente. Eu preciso encontra-la. – A outra opção, a possibilidade de que ela havia me usado, eu constantemente chutava para fora da minha mente, isso não combinava com Felicity. Eu a conhecia, não Thea ou Tommy, os dois pareciam ansiosos em tentar me convencer do contrário. Eu não podia culpa-los, se eu não estivesse tão envolvido, talvez eu pensaria da mesma forma. – Você acha que eu realmente escolheria perseguir uma garota que me abandonou? Você acha que eu gosto de estar tão vulnerável? Você acha que eu gosto do fantasma que ela me transformou? Eu não quero ser assim, mas eu não posso evita-lo, por que eu a amo, e por mais que eu odeie no que isso me transformou nos últimos meses, eu realmente gosto do que me transformou quando ela estava por perto.

— Quando ela estava por perto, sua amiga sofreu um ataque, a melhor amiga dela morreu. – Esclareceu. – Você foi ameaçado por um psicopata, todos nós na verdade, eu gosto de Felicity, mas eu não posso deixar de associa-la a desastres, em grandes proporções.

— E ainda assim ela foi à única que mesmo em meio a esses “desastres”, me fez feliz. – Dei de ombros. – Eu agradeceria se você e Tommy me poupassem de todos esses sermões, que não estão me ajudando em nada, apenas me fazendo sentir um idiota.

— Por que dessa vez você não está levando Diggle consigo? – Perguntou parecendo finalmente ceder ao fato de que nada, nem mesmo o fato de me sentir ridículo, mudaria minha cabeça. Suspirei diante sua última pergunta.

— Por que não descarto a possibilidade de estar errado. – Confessei. – E se eu estiver, eu não quero ninguém por perto quando eu descobrir. Agora deixe-me ir. – Pedi. Ela exalou um suspiro pesado e me abraçou. — Eu preciso ir atrás do meu próprio desastre.

— Eu espero que você a encontre. – Murmurou. – Senão for para trazê-la, pelo menos para dar um ponto final a isso, você dois precisam encerrar isso da forma certa.

— Eu não vejo dessa forma. – Falei a soltando. Ela me lançou um olhar de desaprovação que eu devolvi com um sorriso enquanto entrava no carro. – Um dia Thea, você terá que chama-la de cunhada, vamos ver como isso será.

Ela meneou a cabeça ocultando um sorriso diante da minha atitude positiva, eu sabia que estava sendo exagerado diante de tudo o que eu tinha, que era apenas um telefonema rastreado até Gotham City e um nome masculino, mas eu não podia tirar da minha cabeça que encontrando esse suposto “Ronnie” eu a encontraria. Eu não podia desistir, eu não queria.

Diggle havia ido além de rastrear um mero telefonema, ele havia conseguido o nome, e o endereço desse Ronnie, era um tiro no escuro, realmente era, mas eu estava disposto a isso, a possível decepção não ter nada relacionado a Felicity, a decepção de estar relacionado a Felicity, dele ser realmente algo mais para ela, de eu ter sido tão pouco.

Eu estava disposto a arriscar.

E era por isso que meu ponto de partida ao chegar em Gotham City foi o endereço que Diggle havia encontrado, infelizmente não havia ninguém no apartamento, e quando conversei com um dos moradores, ele não sabia dizer quando o tal Ronnie, que realmente existia, voltaria. Ele comentou que ele e as duas garotas bonitas saiam pela tarde e voltavam apenas pouco antes do amanhecer. A essa altura eu já me sentia apreensivo, por considerar que Felicity estivesse entre as garotas, e apreensivo que não estivesse também, quando insisti em saber para onde eles iam, tudo o que ela havia me dito era que achava que eles trabalhavam em algum clube, mas que não sabia o nome, ele foi muito prestativo após eu oferecer algumas notas, e apressou-se em fazer uma pequena lista dos clubes mais perto, afinal eles sempre saiam a pé.

E foi assim que após algumas tentativas frustradas eu me vi diante o último clube da lista, o que não era tão perto assim, mas que tinha que ser ele. Ela tinha que estar aqui. Eu não queria estar errado sobre isso, sobre ela.

Sobre nós.

Depois de tanto erros, e dúvidas. Eu nunca duvidei de fato que seja qualquer que fosse a razão pela qual ela se afastou, isso não significava que ela havia mentindo sobre o que sentia, ou havia se esquecido. Ela me amava.

Eu não podia estar errado sobre isso.

Então, o que ela estava fazendo aqui?

Por que ela não estava comigo?

Eu quase queria que ela não estivesse aqui. Eu quase queria uma nova caçada, mas antes de julgar qualquer coisa, antes de fazer isso, eu precisava entrar e checar por mim mesmo. Quando o fiz foi com um medo que eu não havia deixado Thea perceber. Passei pelo segurança na entrada deixando de lado os pensamentos sombrios enquanto assimilava tudo ao mesmo tempo. Inclusive o fato de que se tratava de um clube de stripers

O lugar fedia.

O odor de cigarro mesclado ao de álcool invadia minhas narinas fazendo com que eu resistisse à vontade de torcer o nariz em desaprovação. Thea riria de minha atitude, provavelmente me taxaria de mesquinho e arrogante, eu não me importava. Eu havia passado um inferno para encontrar esse lugar situado no meio do nada, próximo à terra de ninguém.

Eu tinha apenas um objetivo em mente quando entrei no clube de stripers e não era pagar por uma dança no colo. Deixei meus olhos acompanharem o lugar com falso interesse, passando pelas mulheres vestidas com mínimo de roupas que se ocupavam entretendo seus clientes, as únicas que vestiam algo menos revelador eram as garçonetes que exibiam suas curvas vestidas de saia de couro e blusa curtas, o cumprimento indo apenas a pouco baixo dos seios. Sem dúvida nenhuma a frase que continha nelas era uma brincadeira irônica, "Você pode olhar, mas não pode tocar." Eu estava surpreso por terem conseguido espaço o suficiente para a pequena brincadeira.

— Vai querer algo, bonito? — A morena perguntou no momento em que parei em frente ao balcão. Forcei um sorriso pretendendo usar seu flerte ao meu favor. Seus olhos brilharam com expectativa reagindo ao meu aparente interesse.

— Eu estou procurando por uma garota. — Murmurei me apoiando ao balcão, assimilando uma vez mais o forte cheiro de bebida. Ela inclinou a cabeça com um sorriso divertido.

— Olhe ao redor. — Falou apontando com o queixo, tomei meu tempo fazendo o que pedia, alguns homens disputavam a atenção de uma dançarina que exibia os seios nus. Outras dançavam em poles, uma ou outra passeavam livremente despidas de qualquer constrangimento por estarem praticamente nuas, e garçonetes iam e vinha atendendo aos pedidos dos homens que estavam ansiosos por sua atenção mais do que pelas bebidas, senti uma onda de desgosto passar por mim e deixar um gosto amargo em minha boca, era aqui que ela estava? Foi por isso que ela me abandonou? Eu não queria acreditar que depois de tudo o que passamos, tão pouco eu importava. — O que não falta é garotas. — Continuou alheia aos meus pensamentos sombrios. — Mas eu preciso alertar, essa frase... — Apontou para os seios. — Não é apenas uma piada interna, você realmente pode olhar, mas para tocar a garota tem que estar a fim, temos seguranças para garantir que isso seja seguido. — Seu tom agora era um pouco ameaçador. Mas logo seu rosto exibiu o costumeiro ar de flerte. — Mas eu duvido que com um rosto e corpo como esse você teria problemas de encontrar uma garota disposta. — Piscou deixando-me saber que ela estava incluída.

— Não se trata de uma garota. — Neguei a surpreendo e deixando-a ligeiramente confusa. — Mas sim da minha garota. — Sua expressão se fechou, e entendi errado sua reação. — Não se preocupe que ela nunca rejeitou meu toque.- Ela comprimiu os lábios com irritação.

— Droga! — Praguejou irritada. — O chefe cansou de pedir para nenhuma trazer seus homens aqui. — Recriminou. Franzi o cenho pensando em quem seria esse chefe, eu estava cansado de homens como Ivo ditando a vida de garotas como Felicity. — Vocês machos alfa tendem a ser possessivos. — Ela não podia ter ideia do quanto estava certa, só o pensamento de mais alguém vendo o corpo de Felicity me deixava furioso. A palavra "minha" vinha em minha mente quase com um rosnado, o pensamento possessivo era antigo e incapaz de ser mudado com o tempo. — Quem é a garota? — Perguntou com um suspiro perdendo o interesse por mim. — Eu vou chama-la para poder se livrar de você o quanto antes.

— Eu procuro por Felicity. — Murmurei segurando a respiração e resistindo a vontade de uma vez mais olhar ao redor em sua busca, era inútil, eu não tinha visto nada que me fizesse acreditar que ela estaria aqui, mas ela tinha que está. Foram meses a procurando, quase imediatamente que ela havia partido, aguardei a resposta da mulher enquanto imaginava se nossa busca realmente tinha me trazido para o lugar certo e cogitando se ela realmente estava nesse fodido lugar, porém ela franziu o cenho mostrando não reconhecer o nome e deixando-me apreensivo, eu não queria encontrar Felicity aqui, eu odiava a ideia dela trabalhando dessa forma, algo tão perto do que ela já fez, ela não estava segura assim, e por mais machucado e decepcionado eu estivesse por ela ter me abandonado, eu sempre me preocuparia com sua segurança, eu repudiava a ideia dela aqui, mas ela não estar aqui significava voltar à estaca zero e o começo de uma nova caçada. Observei a bartender balançar a cabeça em negativa e me apressei a interrompê-la no ato. — Talvez vocês a conheçam por Megan. — Sugeri.


Mais uma vez ela me encarou com surpresa, mas agora seu olhar vinha acompanhado com reconhecimento. Ela estava aqui, eu não precisava de nenhuma palavra a mais para ter certeza disso, apenas o conhecimento de que em pouco tempo eu a encontraria me manteve tranquilo, eu vinha mantendo essa fachada por um longo tempo, eu precisava de apenas uns momentos continuando com minha postura indiferente. Ela estava aqui. Isso era tudo o que importava agora.

— Onde ela está? — Perguntei tentando conter minha ansiedade, a morena abriu a boca para proferir alguma reposta, talvez não a que eu queria, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa o som de leves pancadas em um microfone teve o poder de me atrair atenção, eu sequer sabia o porquê, provavelmente pelo olhar aflito da bartender ter se direcionado de imediato para o palco à frente, eu já havia frequentado lugares como esse o suficiente para saber que esse era o momento da atração principal, eu não tinha nenhum interesse de ser um dos homens ávidos por assistir a uma dançarina exótica exibir suas curvas enquanto movia-se em uma dança sexy, mas eu continuei encarando o palco enquanto o homem falava coisas do qual eu não me importava em assimilar, tudo o que conseguia encarar era a beleza loira entrar no palco ganhado gritos e assobios excitados, ela estava protegida por uma máscara, mas eu seria capaz de reconhece-la de qualquer maneira, meus pensamentos estavam em meio a uma tempestade, estavam uma bagunça. Sem dúvida nenhuma eu exibia uma expressão de perplexidade, eu estava incrédulo, em choque, mas por cima de toda a confusão que estava minha cabeça apenas um pensamento lúcido se formava:

Eu a havia encontrado.

Era interessante que no nosso primeiro encontro, aquele do qual ela era ciente, havia sido em uma festa onde todos exibiam máscaras. É claro que quando eu a reencontrasse ela estaria com uma. Muitas coisas haviam mudado desde então, mas havia algo que não mudaria, tal como aquela noite eu a seguiria e a tomaria para mim, e depois de tê-la comigo o inferno congelaria antes que ela tivesse a oportunidade de me deixar novamente.

— Eu acho que você já reconheceu sua garota. – Escutei a voz feminina soar atrás de mim. – Seria muito pedir para não fazer um escândalo? – Surpreso comigo mesmo eu estava prestes a assentir em concordância, eu já estava até mesmo no ato, eu não queria começar nosso reencontro com confusão, com briga, com julgamento, eu queria tentar ficar calmo e conversar com ela, eu queria ser racional.

Mas foram seis fodidos meses.

E ela estava tirando as roupas, para um grupo de homens sedentos que gritavam palavras obscenas para ela. Então não, antes que eu pudesse me conter eu havia me afastado do bar.

— Vai ser o inferno de uma noite. – Ainda escutei a mulher sussurrar, eu já não estava mais dando atenção a ninguém, senão a figura no palco, eu estava passando por entre mesas e homens até que me encontrei em frente ao palco e em questão de segundos saltei ficando em sua frente. A surpresa do ato fez com que vozes fossem caladas e que por alguns momentos o silêncio fosse ouvido em meio ao som estridente da música tocando. Ela me encarava perplexa, seus olhos piscando como se duvidasse do que via.

Éramos dois.

— Oliver? – Sua voz mal havia saído, não mais que um sussurro, seus olhos por trás da máscara brilhando intensamente, quase como o brilho de lágrimas não derramadas.

— Eu finalmente te encontrei, amor. — Dei apenas um passo em sua direção antes do tumulto se instalar.

— Alguém tire esse palhaço daí. –A voz de um desconhecido se fez ouvida. – Onde estão os malditos seguranças?

— Venha comigo. – Murmurei. – Precisamos conversar. – Ela limitou-se a me encarar ainda incrédula, ergui minha mão para segurar seu braço quando um corpo masculino se colocou entre nós.

— Afaste-se. – Exigiu o moreno. – Eu não sei quem diabos você é, mas as regras são claras, não pode tocar nas dançarinas.

— Afaste-se você. – Exigi percebendo que ele havia alcançando a mão de Felicity atrás de si.

— Desça e podemos esquecer isso. – Retrucou.

— Solte-a. – Exigi.

— Não me faça usar a violência, cara. – Falou dando um passo ameaçador. Felicity voltou a alcançar sua mão o impedindo, finalmente reagindo.

— Está bem, Ronnie. – Murmurou tentando acalma-lo. Ela abriu a boca para falar algo para mim, mas eu estava fixado demais na aproximação dois, na intimidade, e no nome dele.

— Você é Ronnie? – Murmurei incrédulo e enfurecido. Ele franziu o cenho estando confuso com a pergunta. Ele assentiu em confirmação.

— Oliver...

— Bom. – Assenti ao mesmo tempo em que ela chamava meu nome com receio, mas já era tarde de mais, em um ato impulsivo eu já fechava minha mão em punho e atingia seu rosto.

Com Ronnie no chão e Felicity me encarando entre receio e choque, o inferno começou.

Notas finais
Espero que tenham gostado, conversarei com vocês no próximo capítulo. Xoxo, LelahBallu.