Notas iniciais
Hey!! Então, vamos por partes!! ❖ Eu quero me desculpar por ter falado que ia postar essa fic ontem e não ter postado. Teve alguns fatores que causaram isso, eu já tinha boa parte do capítulo e tinha muita certeza de que terminaria na segunda, mas um pouco de preguiça somado a passar o dia inteiro sem internet colaborou para que não rolasse. Eu tentei, mas eu pensei "Eu não quero ter um capítulo e ficar chateada por que não posso posta-lo Então, quando a internet voltou a noite eu já não estava mais no humor para terminar o capítulo. :( ❖ Eu queria agradecer a "Tayná Brito" por ter recomendado essa fic, uma surpresa muito agradável, pois eu temi que como muitas pessoas já haviam recomendado FS e como essa é uma continuação de FS, que elas atribuiriam a mesma recomendação para as duas, ou julgariam que nessa não precisaria independente de terem recomendado ou não em FS. Então, eu fiquei muito feliz quando vi. Eu amei a recomeção, flor. Eu espero que goste desse capítulo. Um Xoxo especial para você. ❖ Postarei Problem amanhã. BOA LEITURA!!

FELICITY SMOAK

Observei a cena a minha frente enquanto tentava sem muito sucesso controlar as batidas do meu coração. Eu acho que nunca antes estive tão agitada, e isso dizia muito considerando a quantidade de coisas pelas quais que já havia passado. Após toda a merda que eu já havia passado nos últimos anos, era preciso Oliver para me deixar em estado de alerta, pânico. Não dele, nunca dele. Era a situação em si que me assustava, as consequências do que estava acontecendo me assustava. Tudo a minha frente representava caos. O clube. As dançarinas. Oliver.

Eu.

Minha mente no momento era um caos.

O irônico era que apesar desse caos, dessa bagunça dentro de mim. Minha mente também era capaz de registrar tudo ao mesmo tempo, e ainda assim tirar apenas uma coisa disso tudo, formular apenas uma frase. Respirando fundo e fechando meus olhos brevemente sentia as palavras tocarem minha mente uma e outra vez.

Oliver está aqui.

Oliver está aqui.

Oliver está aqui.

Oh Deus, Oliver está aqui.

Eu precisava repetir quantas vezes fosse necessário, de novo e de novo até que minha mente finalmente fixasse isso. Que parasse de argumentar consigo mesma que não passava de uma ilusão. Um desejo. Um sonho envolto em um pesadelo, tão emaranhado que não dava para decidir qual dos dois era a parte dominante. Eu desejava parar de sentir esperança e medo em iguais proporções.

Eu não perderia meu tempo me perguntando como, eu sabia como. Talvez eu ainda tentasse encontrar um por que. Mas sacudindo-me mentalmente eu percebia que este não era o momento para me fechar em minha mente e fazer questões que apenas o homem a minha frente poderia responder. O mesmo homem que estava ocupado demais atacando Ronnie.

Meu amigo.

Alguém a quem eu definitivamente deveria proteger da fúria de Oliver.

Flashes da última vez em que o vi assim vieram a minha mente. Tommy havia sofrido de seus golpes, e ele era seu melhor amigo. O que Oliver não faria com um homem que sequer conhecia? O que o fazia agir dessa forma agora?

Eu era vagamente ciente da confusão que havia se iniciado após Oliver partir para cima de Ronnie, homens bêbados tornaram-se agitados e agressivos, eles envolveram-se em suas próprias brigas. As garotas por sua vez se juntaram de forma protetora. Com medo. E Ronnie... Merda. Tão logo Oliver se endireitou deixando-o de lado e voltando-se para me encarar, Ronnie se ergueu e pulou em cima de Oliver com tudo. Eu era a idiota que não conseguia fazer outra coisa se não gritar para que os dois parassem. E é claro que eles estavam me ignorando, enquanto alguns incentivavam aquela luta ridícula, outros aproveitaram o momento para saírem sem pagar suas contas, fugindo.

— Oliver! – Gritei quando ele conseguiu afastar o corpo de Ronnie de cima do seu. Recuperando-se e sem hesitar passou a esmurrar Ronnie. – Oliver pare! – Segurei seu ombro tentando impedi-lo, mas tudo o que consegui foi irrita-lo ainda mais, desvencilhou-se do meu toque e continuou a agredi-lo. – Seu estúpido, você vai mata-lo! – Gritei antes de me virar procurando por alguém para me ajudar. – Caitlin! – Gritei seu nome quando a vi passar quase colada a parede, evitando contado com qualquer um dos homens. Ela me encarou erguendo apenas um dedo como se pedisse um minuto, sem entender assenti e voltei a encara-los, mas minha visão foi atraída por Wells que falava no celular enquanto observava tudo, olhei em volta procurando pelos outros seguranças, mas eles estavam ocupados tentando controlar os outros que começavam brigas paralelas.

Como parar isso?

A vontade de dar as costas aos dois e esperar que sentissem minha falta era imensa, mas eu nunca poderia apenas dar as costas a Oliver. Não com ele aqui, e agora. Não quando meu palpite era que Wells estava conversando com seus amigos policiais no momento.

Droga.

Meu olhar voltou a ser atraído por Caitlin que se aproximava ainda vestindo seu roupão, seus saltos pretos não atrasando seus passos, mas o peso do que ela carregava sim. Foi notando a forma como andava que meu olhar se fixou ali, mais precisamente para o quê ela carregava.

Um balde preto?

Ignorando meu cenho confuso, e a pergunta em meu olhar ela se aproximou dos dois com aborrecimento em sua expressão. Meus olhos pegando rapidamente o conteúdo dentro do balde. Com um suspiro cansado ela tentou chamar a atenção de Ronnie. Após chamar seu nome por duas vezes sem sucesso, ela perdeu sua paciência.

— Odeio quando vocês garotos começam a brigar por nós. – Caitlin murmurou jogando todo o conteúdo em cima deles. Eles estavam tão envolvidos em sua briga idiota que eu não esperava uma reação imediata e útil, mas teve. Oliver se afastou com um pulo, a água gelada ainda com cubos de gelos parecia realmente ter um efeito eficaz. – Não somos seus brinquedinhos, meninos. – Acrescentou com um sorriso. Isso realmente havia sido para sua própria diversão. – Suponho que agora estão mais “frios”.

— O que diabos... Caity? – Ronnie murmurou a encarando. Eu por minha vez já ignorava aos dois e fixava minha atenção em Oliver que se erguia altivo e, apesar de tudo, pronto para uma nova briga.

— Oliver. – Murmurei colocando-me em sua frente. Temia o recomeço daquilo tudo, queria desvia sua atenção para mim, mas seu olhar seguia atento a Ronnie. – Oliver. – Espalmei minha mão em seu peito. Seu peito subia e descia de forma descontrolada. Sua mandíbula estava tensa, seus olhos estavam agressivos, e sua atenção ainda não estava em mim. – Oliver, o que você está fazendo aqui? – Isso teve o poder de atrair sua atenção para mim.

— O que eu estou fazendo aqui? – Murmurou de volta. Parecia incrédulo e revoltado com a pergunta. Respirava com dificuldade, seu rosto mostrando que havia levado sua cota de golpes também. – Você só pode estar brincando, essa é sua pergunta? O que diabos você está fazendo aqui? – Retrucou. – Por que você está aqui? Por que você partiu em primeiro lugar? – Seu olhar voltou a encarar ao redor. — O que você está fazendo em um lugar como esse, Felicity? – Gritou. – E quem diabos é esse merdinha? – Murmurou apontando para Ronnie.

— Devagar com o tom, amigo. – Ronnie murmurou com firmeza, embora muito curiosamente ele seguisse no chão, apoiado em um ombro, enquanto com a outra mão limpava o lábio. Ele teria sido mais convincente se ao menos tivesse se levantado. E quem sabe não tivesse acrescentado a frase seguinte com certo humor. – E o merdinha se chama Ronnie.

— Por que você ainda está no chão? – Caitlin perguntou se agachando em sua frente. Seu rosto mostrando que conhecendo Ronnie como conhecia, ela já sabia a resposta. Após todos os golpes e ter sido separado por uma mulher, Ronnie havia se permitido uma atitude covarde.

— Esperando que ele não seja do tipo que bate em quem já está no chão. – Exibiu seu charmoso sorriso. Ela levou uma mão até seu rosto e acariciou seu queixo.

— Hummm, nada tão ruim. – Murmurou antes de apertar seu queixo com força. – Levante-se! – Exigiu ganhando um gemido de dor como resposta.

— Quem são eles? – Oliver perguntou apontando para o dois. Sua confusão e impaciência com a cena perceptível. – Foi para isso que você nos deixou? Que você me deixou? – Notei surpresa e magoada ele afastar meu toque. Sua mão segurou a minha apenas para afasta-la de si. Esse havia sido o primeiro contato entre nossas mãos, e havia sido para afastar.

Mas o que eu esperava? E porque eu não me aproveitava disso?

— Oliver... – Murmurei sem ao menos saber o que diria, eu queria acalma-lo, mas a essa altura parecia incapaz fazê-lo. Eu queria afasta-lo, mas a essa altura eu parecia incapaz e fazê-lo. Eu não queria. Tranquiliza-lo seria impossível, ele estava agitado, havia acabado de sair de uma briga e seu sangue ainda fervia. Mais do que isso, Oliver estava machucado, e não era fisicamente. Ele estava magoado. Tornei a dar um passo em sua direção, mas ele recuou. – Oliver...

— Pare de dizer meu nome, e diga algo que explique tudo isso. – Exigiu, suas palavras saindo duras. – Ele é... – Respirou fundo. O encarei esperando que formulasse seus pensamentos em palavras. – Vocês dois... – Seu olhar caiu em Ronnie que havia se erguido. Ele deu as costas, mãos na cabeça, estava claro que tentava se controlar. Quando se voltou para mim seu olhar era carregado de mágoa. Pura angustia. Um olhar que me atingiu. — Você está com ele?

— O quê? – Escutei Ronnie murmurar surpreso.

— Cala a boca Ronnie. – Caitlin murmurou.

— Eles são meus amigos. – Falei percebendo que isso estava sendo tão difícil para ele quanto para mim. E entendendo por fim o que estava deixando-o tão machucado. Oliver estava com ciúmes. Não era apenas uma reação ao me encontrar dançando em um clube. O ciúme de Oliver era bastante específico. Oliver estava com ciúmes de Ronnie. – Amigos, Oliver. Os dois. Por quê você pensou...

— Eu rastreei a ligação. E ele era o dono do celular. – Respondeu. – O que esperava que eu pensasse ao encontra-la aqui, e vê-lo tão próximo a você?

— O celular era seu? – Murmurei indignada, meu olhar encontrando o de Ronnie.

— Você não disse a verdade a ela? – Caitlin perguntou a Ronnie.

— Vamos voltar para o ponto em que todos estão zangados com ele? – Ronnie perguntou apontando para Oliver.

— Não importa. – Murmurei meneando minha cabeça. Meu olhar encontrando novamente o de Oliver. — E se vamos ter uma conversa, essa conversa. Eu prefiro que não seja aqui, com todo mundo assistindo, comigo seminua. – Seu olhar recaiu em meu corpo que estava tão pouco coberto. Eu não havia de fato tirado nada quando ele subiu, não havia tido tempo, mas as roupas eram precárias. E por mais que Oliver tivesse sua mente cheia no momento, foi incapaz de não tirar seu terno tão logo eu terminei minha sentença e em seguida colocar em meus ombros em questão de segundos. Minha reação automática foi unir as lapelas do terno, meu olhar encontrando-se ao seu e por um momento desejando que isso tivesse acontecido de uma forma completamente diferente.

— Felicity. – Caitlin me chamou. Pisquei forçando-me desviar minha atenção de Oliver e atender seu chamado que havia sido de forma hesitante. A observei junto a Ronnie. Ambos exibiam um olhar preocupado.

— Você não vai sair com ele. – Ronnie murmurou em tom firme, Caitlin assentiu em concordância.

— Não se atreva. – Oliver falou entre dentes, sua calma que estava tão tênue e por um fio, ameaçando a se esvair.

— Não o conhecemos. – Caitlin explicou. Seu tom era até mesmo amigável. Conciliatório. Ela tentava argumentar. – Ela é nossa amiga, você é apenas um cara que invadiu nossa casa e provocou uma briga com um dos nossos, não conhecemos você. Você não pode apenas leva-la depois de tudo isso, é natural como amigos temermos por sua segurança. Você parece ser do tipo que se preocupa com ela, apesar de tudo. Você devia estar feliz por ela está cercada por pessoas que fazem o mesmo...

— Eu já acionei a polícia. – Observei atordoada Wells falar. Eu sequer havia notado sua aproximação. Oliver o encarou tão surpreso quanto eu. Ele estava concentrado no que Caitlin havia dito antes de ser interrompida por seu chefe. – Eu preferia não ter meu clube associado a isso, se você se comprometer a ir embora Sr...

— Queen. – Oliver falou sem se alterar. Seu nome saindo de forma arrogante até. Eu não achava que era necessário de muito para Dr. Wells notar que em sua frente havia um homem de poder. Mas Oliver estava na defensiva, e quando isso acontecia, ele atacava.

— Eu posso acalma-los e dizer que não foi mais do que um engano. – Continuou não se deixando intimidar. – Deixe a garota em paz. Vá embora. – Oliver voltou a ficar tenso. Sua mão se ergueu, seu dedo apontando.

— Eu não vou a lugar nenhum sem ela. – Falou inabalável. A convicção em sua voz nos deixando saber que não seria nada fácil convencê-lo do contrário. Então, como se para deixar ainda mais claro, ele me encarou. – Eu não vou a lugar nenhum sem você. – Contive uma respiração.

— Felicity. – Ronnie voltou a me chamar. O que irritou Oliver, o mero fato de que ele estivesse me dirigindo à palavra fazia com que suas mãos fechassem em punhos novamente. Eu tive que dar um crédito a Ronnie, que mesmo diante a postura ameaçadora de Oliver continuou. – O que você quer? Podemos apenas voltar para casa.

Oh Deus.

O que eu queria? Ele realmente havia me perguntado isso. Para mim não havia dúvidas sobre o que eu queria. Oliver sempre foi à única coisa que quis com afinco. Que me permitir sonhar a ter. A questão real sempre foi se eu poderia ter.

Eu poderia?

É claro que não.

Mas isso não me impediu de dizer as palavras seguintes.

— Eu quero falar com ele. – Falei voltando a encarar Oliver. Seu peito subiu e desceu. Um suspiro de alívio. Voltei-me para o que eu imaginava seria meu ex chefe em breve. – Não chame nenhum policial Dr. Wells. Por favor. – Implorei. Envolvimento com a polícia era a última coisa que qualquer um de nós queria. Inclusive Dr. Wells, mas ele tinha seus meios de contorna-los. Ele conhecia os nomes certos. Não importa a cidade, ou país. Em qualquer lugar para qual olhasse, sempre haveria um ou outro policial corrupto... – Cancele. – Continuei. — Eu só preciso conversar com ele, eu sinto muito por toda essa bagunça, eu não imaginei... Eu só...

— Ronnie. – Wells interrompeu-me. Sua voz se erguendo. – Leve-os para uma sala mais privada. – Ronnie me encarou incerto e após um breve aceno meu, a contra gosto balançou sua cabeça concordando. – Depois eu quero que venha conversar comigo, Megan, Felicity, seja qual for seu verdadeiro nome. Precisamos discutir sobre sua situação no clube.

— Certo. – Assenti. – Eu vou. – Prometi. – Obrigada.

Caitlin posicionou-se ao meu lado, e com um aperto leve em minha mão, caminhou comigo, enquanto Ronnie seguia a nossa frente. Eu podia sentir Oliver atrás de mim, o peso de seus olhar. Eu queria segurar sua mão agora, mas não sabia como ele reagiria a isso. Era tudo muito contraditório. O que eu queria fazer, e o que eu deveria fazer.

Eu podia sentir a força que seu atual silêncio trazia. Ele não havia se controlado. Eu o conhecia bem, talvez externamente ele parecesse assim, mas eu sabia que sua aparente calma era apenas sua mente raciocinando, escolhendo quais batalhas enfrentaria. No momento, em sua mente, eu era sua próxima oponente.

Ronnie nos deu passagem e me vi entrando em uma das salas que eu conhecia bem. Eu costumava limpa-as antes da noite chegar. Agora cheirava a tabaco e bebida, era uma sala privativa. Uma garota ou quem sabe mais era escolhida por algum cara com dinheiro que pagava por danças particulares, um show particular. Havia três poles distribuídos por ela e a iluminação era fraca, íntima. Todo o cenário era bastante erótico, propícia para o sexo. Claro, havia as regras. Teoricamente esse não era um clube de sexo. Mas eu não apostaria sequer uma moeda de pequeno valor que essas paredes e cadeiras acolchoadas não tiveram sua cota de sexo.

— Qualquer coisa... – Caitlin murmurou fazendo com que eu despertasse dos meus pensamentos vagos. – Nós estamos por perto. Não hesite no chamar... – Lançou um olhar sujo a Oliver. -... Gritar se necessário.

— Eu ficarei bem. – Prometi. Com um último olhar ameaçador a Oliver, eles saíram fechando a porta atrás de si. Segui encarando-a mesmo após alguns longos segundos. Protelando, evitando a conversa que de forma tão contraditória eu ansiava. Eu temia.

Reunindo certo nível de coragem me voltei para encarar Oliver. Eu esperava encontrar seus olhos em mim, esperava julgamento imediato, esperava a fúria novamente. Mas ele sequer me encarava, seus olhos estavam fixados no chão. Suas mãos nos bolsos da calça, ombros encurvados. Meu coração se quebrou quando percebi que Oliver não me encarava apenas por que ele não queria. Oliver não conseguia olhar para mim.

— Oliver...

— Por favor. – Murmurou ainda sem me encarar. – Não diga meu nome. — Engoli em seco ao escutar seu tom. Não havia repreensão. Ele não demonstrava estar irritado. Tudo nele, inclusive sua voz, trazia tristeza.

— Do que eu devo chama-lo? – Perguntei tentando entende-lo.

— Apenas... – Começou antes de parar bruscamente. Seus olhos erguendo-se por fim, o poço de tristeza que ali habitava fazendo meu coração encolher. -... Apenas me dê um minuto. – Pediu. Assenti temendo que até mesmo minha voz provocasse nele alguma reação negativa. Enquanto ele tomava respirações profundas, seu olhar não mais abandonava o meu. Sua mandíbula estava rígida, o movimento quase imperceptível mostrando-me que ele trincava os dentes. Observei em silêncio por quase cinco minutos, Oliver tomar controle de si. Endurecer. Seu queixo se erguendo. Implacável. Quase não havia mais resquícios de vulnerabilidade. – Eu quero gritar com você. – Falou finalmente quebrando a onda de silêncio. Seu tom tão baixo e controlado, um verdadeiro contraste com o que sentia e dizia. – Eu quero quebrar cada objeto nessa ofensiva sala, enfrentar cada homem que está lá fora. Eu quero beijar você – Murmurou deixando-me desnorteada. – Mais do que isso eu quero abraçar você. Eu quero dizer uma e outra vez que você é minha, e que devemos voltar para nossa casa. Independe de qualquer coisa. Deus, eu quero tanto gritar com você. Eu quero tanto abraçar você. – Meneou a cabeça. – Mas eu não posso fazer isso, eu não consigo fazer isso. Por que no momento eu não conheço você.

Isso machucou.

Isso machucou como inferno. Todo o tempo em que estive com Ivo eu me perdi. Perdi minha identidade, eu não conseguia mais me reconhecer, até que eu encontrei Oliver. Ele trouxe a velha Felicity, e uma nova Felicity. Ele me trouxe. Dizer que ele já não me conhecia me trazia a antiga sensação de se perder. De não saber mais quem é.

— Eu sinto muito. – Murmurei por fim. – Desculpe. – Repeti.

— Pelo o quê exatamente você está me pedindo desculpas, Felicity? – Perguntou dando de ombros. – Você terá que ser mais específica. – Mordi meu lábio enquanto procurava por mais palavras, eu tinha tanto a dizer, mas apenas essas vinham em minha mente. — Você me deixou. – Murmurou, sua voz falhando, dando-me um breve vislumbre de como ele realmente sentia. – Você deixou sua família, tudo o que fez foi escrever um maldito bilhete. Dois. Você jogou comigo. Deixou-me com esperanças, para o quê? Para eu te encontrar nesse antro? – Questionou-me abrangendo o local com um gesto de mão. – Aquele homem a chamou de Megan. Você ia tirar suas roupas para um monte de babaca com barriga cheia de álcool e mentes vazias. Você está se prostituindo novamente? – Perguntou-me com receio. Abri minha boca, mais uma reação de choque do que protesto. – É isso? Você fugiu de um filho da puta como Ivo para encontrar outro? Você não deveria pedir desculpas a mim, deveria pedir desculpas a si mesma, por que a forma com que está se tratando é ultrajante e...

— Chega! – Gritei. Ele me encarou surpreso. Ergui meu queixo, meu olhar finalmente o enfrentando, não apenas encarando-o temeroso. Ele inclinou sua cabeça me analisando, pela primeira vez desde que entramos, ele se aproximou. Invadiu meu espaço pessoal, mas não foi além, conteve-se.

— Eu conheço esse olhar. – Falou.

— Você deveria. – Falei ainda irritada com suas palavras. – Eu entendo que o magoei. Eu entendo que esteja chateado, surpreso e até mesmo decepcionado. Mas nunca novamente sugira o que você acabou de insinuar.

— Eu vim aqui e...

— E me encontrou fazendo um favor a uma colega. – Esclareci. – Não poderia ser momento pior, mas essa foi uma exceção. Eu posso jurar a você que antes dessa noite eu nunca havia subido a esse palco senão para limpa-lo. Eu trabalho no balcão, eu limpo, eu sou garçonete, eu não sou dançarina. E eu definitivamente não vendo meu corpo, não mais. Não depois de você.

— Você me prometeu certa vez que nunca me deixaria. – Retrucou. – E mais de uma vez você o fez. Eu me neguei a acreditar que você havia me usado para se livrar de Ivo, eu nunca me permiti pensar nessa possibilidade, por todo esse tempo eu acreditei que você me amava. Que apesar de tudo você me amava, mas por mais que eu invente mil desculpas, procure mil argumentos para defendê-la... Eu não consigo entender por que se abandona alguém que você ama. Por tudo o que passamos. Eu não consigo entender. Você pode me explicar?

— É complicado. – Murmurei. Como explicar que eu nunca quis partir? Que fiz julgando protege-lo? Como dizer isso sem que Oliver escavasse atrás de mais respostas, que decidisse enfrentar Sebastian Blood.

— É complicado?- Repetiu descrente. Um sorriso de escarnio surgindo nos lábios masculinos. – Eu mereço mais do que isso, você sabe disso. – Murmurou aguardando que eu dissesse algo mais, cansado do meu silêncio ele respirou fundo. – Eu vou simplificar para você. – Falou fazendo com que eu franzisse o cenho, com mais um passo ele ficou ainda próximo, perigosamente perto. Encarei seu peito por alguns bons segundos antes de ergueu meus olhos e encontrar os seus me encarando cheios de emoção. – Você me ama?

Engoli em seco diante sua pergunta, tão direta e estúpida. E ainda assim necessária, para ele. Eu poderia mentir. Eu poderia erguer meu queixo novamente e dizer uma bobagem qualquer, talvez força-lo a acreditar realmente que apenas o usei para me livrar de Ivo. Ou por outro motivo qualquer, talvez eu pudesse tentar fazê-lo acreditar que nunca o amei. Mas eu apenas tentaria, por que apesar do seu discurso, Oliver me conhecia. Eu preferia pensar que sim, tentar negar qualquer sentimento por ele era ridículo e totalmente inútil. Então me vi assentir em resposta e mais do que isso, colocar em palavras.

— Eu amo. – Murmurei consciente de que ele já esperava por essa resposta. – Você sabe que sim. – Se este fosse um roteiro de um filme, eu suponho que a pergunta seria “Então, por quê?”, mas era Oliver. Ele não seguia roteiros. Ele me surpreendia constantemente. Sua mão envolveu meu rosto, o polegar roçando meus lábios, o contato trazendo antigas memórias. Memórias eletrizantes e eróticas, fazendo com que meu corpo respondesse de imediato a uma carícia tão pequena, e que deveria ser inocente.

— Parece simples agora. – Murmurou seu rosto próximo ao meu. Meus olhos subindo pelas linhas do seu rosto, minha respiração em suspenso. – Volte para casa comigo, amor. – Seu pedido veio no tom mais humilde que jamais escutei Oliver murmurar antes. Minha boca se abriu em ofego surpreso e ele se aproveitou disso. Ele não esperou uma resposta minha, seus lábios tocaram os meus com urgência, seu braço abraçando minha cintura, sua outra mão movendo para minha nuca, firmando-me. Seu beijo era profundo e exigente, mas ainda assim suave. Era possessivo e saudoso. Era irresistível. Ergui meus braços rodeando seu pescoço e encostei-me ainda mais em seu corpo, meus dedos perdendo-se nos fios de seu cabelo. A sensação que o toque trazia me emocionando. Fazia tanto tempo que eu não o abraçava dessa maneira, lábios, braços, corpo. Fazia tanto tempo que eu era segurada dessa forma, como se eu fosse o seu bem mais precioso.

Com amor.

Sua boca se afastou da minha e tudo o que eu queria fazer era protestar, sua testa se encostou a minha, seus olhos repletos de paixão. Suas mãos movendo-se com deliberada lentidão, descendo por minhas costas, movendo-se sem cerimônia até minha bunda. – Eu senti sua falta. – Murmurou antes de me erguer em seu colo, minhas pernas o envolvendo enquanto ele recuava até a parede mais próxima, minhas costas se chocando contra ela com impacto. Seus lábios tomando posse dos meus novamente.

Não havia mais nenhum resquício de suavidade nesse novo beijo. Havia restado apenas a paixão. O calor. O erotismo. Era um beijo áspero. Sua língua entrando em contato com a minha, fazendo-me suspirar em deleite. Fazendo-me provocar a sua de volta. Minha mão voltando a enrolar os fios curtos de seu cabelo o puxando rudemente. Um som áspero retumbando em sua garganta como resposta. Sua mão desceu entre nossos corpos apenas para subir novamente. Seus lábios foram até meu pescoço sugando a pele, dando uma leve mordida, com movimentos rápidos e dominantes suas mãos ajudaram a me livrar do seu paletó, jogando-o sem qualquer cuidado, sua atenção já concentrada em me livrar do top revelador e brilhante, meus seios estavam livres agora para seu toque.

Sua mão envolveu meu seio. Torcendo o bico entre os dentes, o toque fazendo-me contorcer em seus braços, ondulando meu corpo, provocando sua ereção. Sua resposta foi rápida, sua boca desceu sobre o mamilo o envolvendo no calor úmido, sua língua provocando, seus dentes o puxando. Enquanto a outra dava o mesmo tratamento para o outro seio. Meu corpo tremeu de necessidade.

— Eu não posso esperar. – Murmurou rapidamente enquanto sua mão voltava a descer arrastando meu short curto, mais uma calcinha do que qualquer coisa, seu dedo testando minha umidade, o som vindo de sua garganta me dizendo que ele havia aprovado, seus dedos por um ligeiro momento provocando meu corpo. Seu corpo afastou-se apenas brevemente para desabotoar sua calça e cinto. Suas mãos apertaram minha cintura com força enquanto ele alinhava seu pênis contra minha entrada. Mordi meu lábio com força segurando um grito de contentamento quando ele me penetrou. A força de seu impulso chocando-me contra a parede novamente, eu estava tão molhada que o movimento veio fácil. Pressionei meu rosto contra a curva de seu pescoço, minha mente reconhecendo seu cheiro. Meus lábios pressionaram levemente ali, minha língua explorando a pele, enquanto nos permitíamos uma pequena pausa.

Então ele puxou novamente e empurrou de volta, tornando o ato de me conter cada vez mais difícil. Fechei meus olhos enquanto me entregava ao prazer, encostei minha cabeça contra parede enquanto tudo o que eu fazia era receber seus impulsos, ele bombeava uma e outra vez sempre chegando perto, mas ainda prolongando, meus músculos internos apertando-o. Ele rosnou em resposta, e o som era tão sexy. Foi tudo o que eu precisei, com mais uma estocada meu corpo começou a se convulsionar em um orgasmo, seus lábios encontraram meu pescoço enquanto ele empurrou ainda mais fundo, uma e outra vez, seu quadril batendo contra o meu, e então estremecendo eu pude sentir seu pênis derramando dentro de mim.

Sua cabeça descansou sobre meus seios. Nossas respirações ofegantes, abracei seus ombros enquanto ambos nos recuperávamos do que havia acontecido.

CAITLIN SNOW

— O que você acha que está acontecendo lá? – Virei meu rosto para encarar Ronnie que pressionava uma bolsa de gelo improvisada contra os machucados. Nós dois estávamos sentados em bancos dispostos na frente do bar. Eu havia o convencido a se afastar da porta com a desculpa de colocar algo sobre seus machucados, falei que Felicity ficaria bem e por fim consegui afasta-lo, agora nós dois olhávamos naquela direção esperando o momento em que eles, mais precisamente ela, sairia de lá. E na verdade acreditava nisso. Felicicty não parecia querer distância do ex namorado. Ela parecia aflita, surpresa, e um pouco em choque, mas ela não parecia alguém que o temia. E ele havia dado muitos motivos essa noite para ela temer ficar sozinha com ele. – Caity?

— Sexo. – Murmurei por fim o deixando atônito. – Sem dúvida nenhuma eles estão transando. Ele deixou sua bolsa de gelo cair pesadamente contra o balcão. – O quê?

— Você percebe que eu levei uma surra tentando protegê-la dele? – Perguntou parecendo ofendido. – E agora você me diz que eles estão transando? Por que você pensa assim?

— Primeiro: Você levou uma surra por que você não consegue evitar se meter no que não é da sua conta... – Ele abriu a boca para protestar, mas eu ergui um dedo o calando. – Eu sei, você é o segurança, ela é funcionária aqui e sua amiga, você viu um cara subindo no palco e agiu, mas você poderia tê-lo contido, imobilizado, algo assim. – Dei de ombros. – Mas você levou um soco que feriu seu orgulho masculino, resolveu entrar em briga como se fosse um daqueles bêbados. E segundo: Faz muito tempo desde que eles se viram pela última vez, eles estão confusos, talvez na defensiva, mas obviamente estão apaixonados. É claro que eles estão transando. É como uma válvula de escape.

— Por quê? Ela estava fugindo dele, certo? – Perguntou confuso. – Ele parece perigoso.

— Para você, talvez. – Murmurei com um sorriso que fez com que ele me encarasse com aborrecimento. – Oh, por favor, em que momento ele tentou segura-la a força? Em que momento ele tentou agredi-la? Em que momento ela recuou? Eu tenho certeza que esse homem é capaz de violência, não me entenda errado, mas por ela, não com ela. E nós dois não somos idiotas, ela está fugindo sim, todo mundo aqui percebeu, mas eu não acho que seja dele, ele é apenas alguém a quem apesar dela amar muito, ela perdeu no caminho para fugir.

— Por que você parece gostar dele? – Perguntou estreitando os olhos.

— Por que eu gosto. – Dei de ombros. Ele endireitou-se me lançando um olhar azedo. – Não comece a ficar ciumento.

— Eu não estou...

— Ele a ama. – O interrompi. – Ele saiu sabe-se de onde ele vem e a procurou, ele veio até mesmo após tantos meses separados e sem saber o que realmente aconteceu. Ele obviamente está magoado, mas colocou esse sentimento tão pequeno de lado, para vir atrás dela e certificar que ela está bem. Aquele homem parece está pronto para enfrentar o inferno se necessário desde que possa sair de lá a carregando em seus braços. – Sorri diante a imagem. — Eu gosto dele, por isso. – Ronnie me encarou atento, seu semblante aprofundando quando eu acrescentei. — Um homem capaz de seguir a mulher que ama até o inferno? É o que todas nós mulheres desejamos. – Concluí. Sua expressão se fechou, um gesto tão atípico dele.

— Você está suspirando por um tipo de homem, que na verdade você já tem. – Falou se erguendo e me deixando surpresa. – Avise-me quando eles saírem e caso ela precise da gente. – Terminou antes de se afastar bruscamente.

— Ronnie... –Murmurei tentando impedi-lo. Eu era bem ciente de que eu já tinha esse tipo de homem bem ao meu lado, mas eu não podia fazer nada em relação, por que por mais que eu soubesse que eu era incapaz de lhe dar aquilo que desejava, um relacionamento seguro, uma relação limpa. Eu não conseguia. Eu não conseguia me envolver assim com ninguém. E a parte mais egoísta em mim, em vez de apenas libertá-lo, não conseguia deixa-lo ir.

Eu me perguntava se era assim que Felicity se sentia também.

OLIVER QUEEN

Afivelei meu cinto enquanto Felicity vestia-se novamente, observei de esguelha ela tornar a vestir meu, paletó dessa vez vestindo as mangas e alisa-lo em um ato puramente mecânico e nervoso. Suspirei diante seu desconforto, ciente de observa-la em silêncio era uma das razões que a estava deixando tão nervosa. Eu sabia que ainda estávamos tensos, de que minha raiva, minha mágoa ainda não havia ido embora, e talvez não fosse tão facilmente mesmo quando ela me disse por quê fugiu, mas ainda assim vê-la desconfortável em minha presença não me agradava, não era para ser assim.

— Hey. – Murmurei suavemente. – Felicity. – A chamei quando ela ainda assim não me encarou, continuava a alisar desnecessariamente as mãos por cima da roupa, como se quisesse tirar alguma sujeira. – Felicity. – Voltei a chama-la enquanto avançava e cobria sua mão com a minha, levando uma mão até seu rosto atraindo-o até que se tornasse impossível ela não me encarar. – Vai ficar tudo bem. – Prometi. Ela assentiu como resposta, mas eu sabia que esse assim como qualquer outro gesto desde que havíamos transando, havia sido um gesto automático, sem pode me conter e não conseguindo mais vê-la tão aflita puxei-a para mim. Fiz o que queria ter feito desde que a havia encontrado, a abracei fortemente, meu rosto caindo em seu pescoço, meu olfato assimilando seu cheiro, todo o meu corpo reconhecendo seu abraço. Seus braços me apertaram com força e pude senti-la tremer. – Nós ficaremos bem. – Murmurei contra seu ouvido. – Assim que voltarmos para casa, tudo ficará bem, teremos um ao outro e isso será o bastante, qualquer que seja o problema, nós iremos enfrenta-lo. Quando chegarmos em cas...

— Não. – Murmurou me surpreendendo. Seus braços me soltaram. Surpreso e confuso deixei meus braços caírem.

— O que você está dizendo? – Perguntei pensando ter ouvido errado e me perguntando como uma palavra tão pequena podia ter machucado tanto.

— Nós não vamos voltar para casa. – Esclareceu dando um passo para trás. – Ao menos eu não vou. Você devia.

— Felicity, o que está acontecendo? – Perguntei sentindo-me gelar novamente. – O que afinal você quer de mim?

— Eu quero que você vá embora. – Murmurou levantando o queixo. – Eu sei que o que aconteceu aqui pode tê-lo confundido. Me confundido. Mas eu ainda sou a mesma pessoa que o deixou meses atrás, eu não vou voltar com você. Você tem que ir embora. – Observei seu rosto analisando sua expressão a cada palavra dita, se eu apenas escutasse suas palavras, eu poderia ir embora. Eu poderia lhe dar as costas, sair desse clube maldito e por uma vez pensar apenas em mim. Ir embora. Mas eu podia ver seu rosto, eu podia perceber que essas palavras não representavam realmente o que queria. Então eu não estava pensando apenas em mim, eu não estava pensando apenas em nós.

— Temos um impasse. – Falei por fim, minhas mãos indo até meus bolsos enquanto mais calmo observava ela morder o lábio em sinal de insegurança. – Eu acredito que já disse uma vez, e que o que aconteceu aqui nada mudou. Eu ainda sou o mesmo que a seguiu até aqui. Eu vou voltar. – Assenti. — Mas isso é desde que seja com você. – Ela respirou fundo assimilando o que eu dizia. — E se você planeja levar isso adiante, eu devo dizer que esses vão ser dias interessantes. Eu continuo a dizer, você não pode dizer que me ama e esperar que eu me afaste, amor.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e como sempre, fico no aguardo do feedback de vocês. ps: Esse capítulo teve menos revisões do que eu costumo dar, embora como sempre, antes de postar a Luna Lovegood chegou a betar. De qualquer forma, peço já desculpas por qualquer erro. Xoxo, LelahBallu.