Notas iniciais
Hey!! Vou ser breve aqui por que estou meio ocupada, então... Boa leitura.

Capítulo 04

Sentei pesadamente no sofá da sala. Descansei minha cabeça contra o encosto e fechei meus olhos. Tentava relaxar minha mente, esquecer a noite que havia tido, ao menos maioria ela. Esquecer principalmente o rosto de Oliver quando eu disse que não voltaria com ele. A expressão de decepção que se aprofundou ainda mais quando em uma nova tentativa ele pediu para que o acompanhasse ao seu hotel, para que seguíssemos conversando.

Ele estava tentando tanto. E eu queria tanto dar a resposta que ele queria.

E eu quase dei, mas antes que eu caísse na tentação de dizer um “sim”, o sim que eu tanto queria, houve uma batida hesitante na porta, fazendo-me despertar e tomar a resposta para mim antes mesmo que ela tivesse escapado. Ainda tensa disse que entrasse, quando Caitlin entrou nos analisou com certo grau de curiosidade, mas manteve qualquer comentário para si, e logo avisou que Dr. Wells havia ido e que ela e Ronnie estavam prontos para irem também. Ela queria saber se eu a acompanharia ou se eu iria com Oliver. Era minha chance novamente, de dizer sim ou não.

Eu me perguntava quantos “nãos” Oliver ainda era capaz de receber. Eu sentia que a cada nova pergunta, a cada velha resposta que eu dava, eu o estava quebrando.

Lentamente.

Foi nesse momento que eu dei minha última resposta a ambos, fitando Oliver com culpa eu disse que precisava voltar com meus amigos. E pedi mais uma vez para que ele voltasse para Starling City. Eu não podia tê-lo me perguntando novamente, então apesar de todo o discurso dele dizendo que não me deixaria ir, eu fui firme e até mesmo um pouco fria, repeti que eu não tinha qualquer interesse em voltar, que ele deveria ir sozinho, que de um jeito ou de outro era assim que terminaria. Que no final ele acabaria indo.

Sem mim.

Ele engoliu em seco e se limitou a passar por mim. Se se afastando. A mágoa em seus olhos era muito para que eu pudesse aguentar encara-lo. Eu não pude, fitei o chão imaginando que dessa vez eu havia conseguido afasta-lo, mas que eu não sentia vitória alguma vindo disso. Eu odiava ser aquela que o magoava. Eu odiava que houvesse alguém com esse poder e odiava principalmente que esse alguém fosse eu.

— Hey... – Abri meus olhos ao escutar o chamado suave de Caitlin. Ronnie estava ao seu lado. Suas mãos dentro da jaqueta de couro preta, seu rosto sério. Ambos me encaravam curiosos, mas acima de tudo era perceptível que estavam muito preocupados. – Foi uma noite e tanto, a de hoje...

— Foi. – Concordei. Eu queria ser capaz de dizer algo além, mas eu ainda sentia o peso do olhar de Oliver sobre mim. Sufocando-me.

— Como acabaram as coisas com seu namorado? – Ronnie perguntou hesitante. Suspirei analisando sua pergunta. Dei de ombros. O ato por si só sendo uma resposta. Realmente estava acabado. – Ele é seu namorado?

— Ele foi. – Respondi.

— Então... Ele não é mais. – Deduziu, assenti pesadamente. Era estranho como eu havia passado seis longos meses longe dele e ainda assim só o vi como um ex-namorado agora. – Isso significa que você não vai com ele? – Meneei a cabeça em negativa, apenas para não deixa-lo sem resposta. Eu não pensava que seria possível colocar isso em palavras, que eu jamais voltaria com Oliver. Ele me encarou por um momento, estava claro que procurava paciência, afinal mesmo não sendo de conversar muito, hoje eu estava indo muito além do que costumava ser. – Felicity, o que aconteceu hoje? — Murmurou por fim. Abri a boca para dar uma resposta vaga, mas o olhar que me dirigiu fez com que eu fechasse novamente. – Você sabe que merecemos mais do que um “nada”.

— Eu o abandonei. – Confessei. – Quando tudo parecia bom e perfeito, quando parecíamos ter um futuro, eu o deixei, sem qualquer aviso ou justificativa. Fui embora deixando apenas um bilhete vago, eu o decepcionei. E quando ele veio me encontrar, eu o magoei novamente. Não importa o quanto eu evite, eu estou sempre o magoado.

— Você ainda o ama. – Surpreendi-me por não ter sido Caitlin ao falar, mas Ronnie, ele se sentou ao meu lado. Não era uma pergunta, era uma afirmação. – Por que você o abandonou? Por que você não volta com ele? Você pode voltar com ele Felicity. Na verdade, eu acho que você devia. – Abri meus olhos surpresa com o que disse.

— É complicado Ronnie...

— É tão complicado quanto você deixa que seja. – Falou me interrompendo. – Simplifique. Você pode me contar qualquer coisa, a nós dois. – Murmurou encarando Caitlin que assentiu e sentou-se a minha esquerda. – Se você está em problemas, esse é o momento em que você precisa nos dizer, e a Oliver. Eu não acredito que um homem que fez isso... – Apontou para o seu rosto. – Não será capaz de ajuda-la com o que quer que a fez ir embora.

— Eu... – Comecei quase deixando-me levar e contando todos o meus problemas, principalmente por que eu deixei todos que eu amava apesar de tudo. Eu me vi tentada a contar absolutamente tudo sobre mim, sobre o que aconteceu. Entretanto meneei a cabeça negativa. – Eu não posso. – Eles me encararam decepcionados. – E não é por que não confio em vocês. Eu confio. Mas não seria justo contar algo a vocês, quando me neguei firmemente a contar a Oliver, e se há alguém que deveria escutar isso. É ele. – Ronnie assentiu compreendendo. – Se um dia eu for contar o que se passou, tem que ser a ele.

— Então conte. – Caitlin falou por fim. – É óbvio que você quer voltar com ele, para ele. Aproveite essa segunda chance, volte para ele Felicity. Divida com ele seus problemas, não os tome todos para si. – Sua mão alcançou a minha dando um leve aperto. – Quando se ama alguém, você não pode apenas dar as costas quando se vê diante um obstáculo. É preciso segurar a mão daquele que ama e juntos tentar ultrapassar aquele obstáculo. Volte com Oliver.

— Eu...

— Caitlin está certa. – Ronnie murmurou me interrompendo. – Você sempre será bem vinda aqui, conosco. Mas é aqui que você realmente deveria estar? Que você quer estar? Não seja estúpida. Seja qual forem os motivos que a impedem de contar a verdade a ele, esqueça-os, dê a Oliver o que ele vem constantemente dando a você. Uma chance. A verdade.

Respirei fundo analisando suas palavras, a tentação de fazer exatamente o que ele dizia era grande. Eles não conheciam muito da minha história, principalmente da minha história com Oliver. Eles ao longo dos meses aprenderam mais sobre mim, mas não sobre o meu passado. Ainda assim, eles confiavam em mim. Eles me apoiavam, e apesar de terem visto uma parte não muito bonita de Oliver hoje, de ter razões para ter receio e até mesmo um pouco de raiva. Eles também estavam dando suporte a ele. Eu estava tão tentada a seguir o que diziam, seus conselhos. Mas parte de mim ainda lutava contra isso.

— Eu acho que ele já deve ter ido embora. – Dei de ombros. – Depois de hoje eu tenho certeza de que ele já não irá insistir em nós. Eu me certifiquei para que assim fosse. – Ronnie me encarou com repreensão. — E eu não posso Ronnie, as coisas realmente são melhores assim, acredite.

— Eu duvido que ele tenha ido embora. – Caitlin murmurou ao meu lado. – Ele estava tão determinado.

— Você não viu seu último olhar. – Meneei a cabeça. A imagem voltando a minha mente, estremeci como se o próprio Oliver estivesse a minha frente novamente.

— Eu posso não ter visto esse olhar. – Ronnie interveio. – Mas eu vi muitos outros, e nenhum deles dizia que estaria a deixando. Muito pelo contrário, esse homem não vai embora sem você. E ele me deu isso. – Mostrou um cartão elegante. Eu conhecia, era o cartão de Oliver, com seu contato. Ele virou mostrando o verso. Reconheci a caligrafia de Oliver e toquei no cartão de forma automática. – Ele escreveu o nome do hotel onde ele está e o quarto, ele disse que se você precisasse de qualquer coisa, se eu sentisse que você está em problemas... Que ligasse para ele, ou se caso ele ainda estivesse na cidade, fosse até ele. Não me parece a atitude de alguém prestes a desistir. – Tornei a dar de ombros, ainda duvidando, ele realmente parecia muito magoado. Fechei meus dedos sobre o cartão e o segurei como se fosse parte do próprio Oliver.

Algo especial.

Eu queria desesperadamente que ele tivesse desistido, tanto quanto eu queria que ele nunca fizesse isso. Eu era egoísta, eu deveria deixa-lo ir, mas apesar de tudo o que eu dizia, apesar dos meus apelos, eu constantemente me via desejando que não. Senti o braço de Ronnie envolver meus ombros e me aconcheguei contra ele, minha cabeça descansando em seu ombro, Caitlin fez o mesmo comigo, e por um longo tempo tudo o que fizemos foi ficarmos calados, juntos. Cada um preso em sua própria mente, seus próprios desejos, talvez até mesmo em seus próprios segredos. Quando por fim decidimos ir para cada qual sua cama, o cansaço era evidente no olhar de cada um, com um sorriso forçado me despedi dos dois e deitei em minha cama após uma breve ida ao banheiro e trocado minhas roupas por um pijama leve. O cartão em cima da pequena mesinha ao lado da minha cama, ao alcance do meu olhar. Minha mente precisando de um descanso, mas se recusando a tê-lo. Eu me perguntava uma e outra vez se Ronnie estava certo, e se ele estivesse certo, se Oliver ainda estava na cidade, como eu poderia voltar com ele para Starling City e não despertar a atenção de Blood? Meneei a cabeça, afastando os pensamentos e voltando a pedir apenas que apesar de doer, e de tornar tudo mais difícil outra vez, que Oliver apenas tivesse acatado meu pedido e voltado para casa.

Mas ele não fez isso.

Ronnie estava certo. Eu descobri após ter uma longa conversa séria com Wells, que deixou claro que me daria a mesma chance que havia dado a Selina, mas que eu teria que ter cuidado daqui para frente eu voltei a minha rotina normal no clube. Ele não quis saber por que eu não lhe dei meu nome completo, ele não quis entrar no assunto, disse que provavelmente não saber era melhor para ele. E que eu ainda poderia voltar ao palco de desejasse, mas que eu era livre para desempenhar as mesmas funções de antes. Eu agradeci e recusei a primeira proposta de forma educada, e após ser dispensada voltei para o trabalho. Oliver apareceu naquela noite. E na seguinte, e na seguinte. Dia após dias ele veio, sentou-se afastado de todos, manteve seus olhos em mim apenas brevemente antes de voltar sua atenção para as dançarinas, ele me ignorou completamente, quando eu me aproximei para perguntar o que ele ainda estava fazendo aqui, ele me lançou um olhar aborrecido e altivo e pediu um whisky. Ele me tratou como uma mera garçonete, o que eu era e me ignorou. Parecia mais como um cliente qualquer que sempre esteve aqui, do que o homem que disse vir atrás de mim.

Eu decidi fazer o mesmo o que ele. Eu o ignorei, ao menos tanto quanto podia. Vê-lo tão interessado nas garotas seminuas não foi fácil, esperar seu próximo movimento muito menos. Mas noite após noite após noite, durante uma semana, eu segui seu jogo, me perguntando quando ele se cansaria. Quando Oliver voltaria a explodir. Ou apenas voltaria a conversar comigo e revelar de fato o que ele ainda fazia aqui. Por essa semana eu fiquei com essas perguntas sem ser respondidas.

Até hoje.

— Você não deveria estar sentando naquele canto escuro, bebericando sua bebida forte e agindo todo taciturno? Rabugento até? – Murmurei quando a figura masculina sentou-se em um dos bancos a frente do balcão, seu olhar caindo diretamente nos meus. Eu quase vi um sorriso se formar em seus lábios, quase. Hoje eu estava assumindo o bar novamente e era a primeira vez que eu o via escolher um lugar aqui. Ele sempre escolhia uma mesa afastada.

— Não hoje. – Bruce Wayne murmurou por fim. Sua voz rouca quase inaudível devido ao som alto. – Eu queria conversar com você.

— Comigo? – Murmurei incrédula, apoiei meus braços no balcão aproximando-me automaticamente, imaginando que eu na verdade havia escutado errado. O encarei confusa. – Sobre?

— Você é amiga de Selina. – Foi sua resposta.

— Eu acho que sim. – Dei de ombros. Após o grande fiasco que havia sido aquela noite Selina veio até mim no dia seguinte. Sentia-se culpada pela situação toda, já que eu a estava substituindo, ela também optou por jogar toda a culpa em Bruce. É Claro. De certa forma nos aproximamos mais, principalmente por que ela havia revelado uma parte importante de sua vida para mim. Mas de alguma forma eu não sabia se dizer a Bruce que éramos amigas, era o certo. – Somos todas colegas aqui, não somos exatamente uma irmandade. – Dei de ombros.

— Mas você dançou em seu lugar naquele dia. – Falou rapidamente. – Mais ou menos. – Murmurou lembrando-se como minha dança havia mal começado e já tinha acabado. – Vocês duas ao menos podem se considerar um pouco próximas.

— Sr. Wayne...

— Bruce. – Interrompeu-me. Pisquei enquanto analisava se seria certo atender ao pedido. Olhei em volta procurando por Selina, não queria discutir sua vida pessoal, e eu tinha certeza que ela não gostaria que seu namorado, ou algo do tipo, estava buscando informações sobre ela através de mim.

— Bruce. – Assenti. Finalmente acatando ao pedido feito de forma tão autoritária. – Eu não acho que Selina se considere próxima de ninguém. E se você quer algum conselho de como mudar isso, eu não acho que eu seria a pessoa certa para isso.

— Por que você mesma não é do tipo que deixa que se aproximem. – Deduziu. O encarei um pouco incomodada com sua frase. Ele assim como Oliver era uma presença constante no clube, na verdade se em algum momento eu tivesse visto os dois trocarem algumas palavras entre si, eu teria dito que este foi um plano elaborado em conjunto. Selina no momento estava o deixando louco, ela não queria ter mais nenhuma ligação com ele. Por culpa dele ela estava de castigo, ela agora era apenas uma garçonete, e nesse clube era como um rebaixamento, ela ganhava muito mais subindo ao palco do que servindo mesas, nada de danças no colo para ela, pole dance, ou algo do tipo, no momento nada que ela fazia era relacionado como striper, ela havia se tornado uma simples garçonete, como eu. E ela estava irritada com isso. Era para ela ter saído do castigo, mas a presença constante de Bruce não estava amaciando nem um pouco o humor do Dr.Wells – Desde que Selina tem me ignorado, eu a tenho observado srtª Smoak. – Pisquei novamente surpresa. E dessa vez ficando mais tensa.

— Eu não estou interessada em ser observada por você. – Murmurei deixando meu tom sair ríspido.

— Não estou interessado em você dessa forma. – Esclareceu. – A cena feita pelo seu namorado...

— Ex. – Esclareci.

—... Atraiu minha atenção. – Deu de ombros. – De todo mundo.

— Então Bruce Wayne não passa de uma vizinha curiosa. – Brinquei. Ele deu de ombros. O movimento saindo tão casual. Seu semblante mostrando falsa culpa. Eu não pude evitar sorrir. O mais impressionante disso, ele correspondeu o sorriso. Eu não achava possível que o homem fosse capaz de sorrir, mas ele era. E o sorriso o deixava ainda mais atraente. Sua boca se abriu para dizer algo mais o som de um banco sendo arrastado com rudeza chamou nossa atenção.

— Eu quero outro. – Oliver murmurou sentando ao lado de Bruce, seu semblante fechado enquanto me encarava desafiante, colocou seu copo na minha frente. – Duplo. – Murmurou antes de encarar Bruce com um olhar sujo. Irritadiço. – Onde está sua namorada? – Perguntou de forma brusca, franzi o cenho diante sua postura. O homem havia passado toda a semana olhando mulheres seminuas e me ignorando completamente, e agora ele sentava-se a minha frente e tentava intimidar justamente Bruce Wayne.

— Servindo mesas e fingindo não ser minha namorada. – Bruce respondeu sem se intimidar pelo olhar de Oliver. Mais parecia que isso o divertia. – Como a sua.

Abri minha boca com o intuito de protestar, mas Oliver foi mais rápido.

— Eu não tenho namorada. – Falou me encarando. A resposta não deveria ter me machucado, mas machucou. Não querendo lhe mostrar o quanto tinha me abalado eu me virei para pegar sua bebida, infelizmente o ato apenas me impedia de encara-lo, não de ouvi-lo. – Eu achei que tinha uma, mas não sentíamos o mesmo. Ela me usou, para ter aquilo que queria, então me deixou, ela ainda é covarde para não admitir isso, enquanto diz uma e outra vez que me ama. Que tipo de pessoa afasta aquela que diz amar?

— Então... – A voz de Bruce se fez presente. – É por isso que você está aqui ainda? Para dizer que não tem mais namorada? – Tudo em seu tom era de provocação. Virei-me para encher o copo de Oliver e ansiosa para escutar sua resposta, apesar de tudo. Eu queria ver seu rosto quando ele respondesse.

— Eu não sei por que eu estou aqui. – Falou antes de levar a bebida a boca.

— Você está aqui pela mesma razão que eu. – Bruce murmurou antes de levar a própria bebida aos lábios.

— Somos tolos. – Ronnie murmurou sentando-se do lado de Oliver. Franzi meu cenho, minha atenção voltando-se totalmente para ele. Ele deveria estar lá fora, não aqui. Fora isso ele estava sério e que seu habitual humor não estava presente. A naturalidade com que conversou com os dois homens contribuiu para me deixar ainda mais confusa. – Perseguimos mulheres que insistem em fugir de nós. Elas nãos aceitam nosso amor. Não inteiramente, “Eu me importo com você, mas eu não posso estar com você”. Bobagens. Mentiras contadas, por que não querem assumir que são covardes demais... Elas aceitam nossa proteção, nos usam, mas ainda assim nos mantém afastados, somos meros instrumentos que se adequam a suas vontades, elas... – Calou-se ao notar que Oliver e Bruce o encaravam incrédulo. – O quê? Hoje eu estou do lado de vocês. – Apontou.

— O que há de errado com você hoje? – Murmurei parando em sua frente.

— Não importa. – Respondeu ríspido. – Eu quero o mesmo que ele. – Apontou para a bebida de Oliver. – Não. – Murmurou mudando de ideia. — Eu quero algo bem mais forte.

— Ronnie. Você não vai beber. –O contrariei. Cruzando meus braços, enfrentei seu olhar irritado.

— O inferno que não vou. – Retrucou. Senti o olhar pesado de Oliver em mim, mas me fixei em ignora-lo. Neste momento eu não podia lidar com suas rabugices. – Me dê à bebida. – Exigiu. – Ou eu pulo esse balcão e me sirvo sozinho. – Ameaçou.

— Não. – Repeti. – Você está trabalhando, não deveria beber. Se encher a cara eu vou ter que arrasta-lo, e eu não gosto de cuidar de bêbados, então. Não. Você não vai beber. – Dei de ombros sorrindo falsamente. – E eu posso muito bem derruba-lo se preciso.

— Felicity... – Murmurou impaciente. Eu sequer perdi meu tempo o recriminado por chamar pelo meu primeiro nome aqui. Todo mundo já me chamava assim, depois do escândalo de Oliver era impossível ser chamada de Megan novamente.

— Está quase na hora de Caitlin se apresentar. – Murmurei dando-me conta. – É por isso? Por que você não está lá fora? — Ele me encarou culpado. Eu havia notado certo padrão. Eu não havia reparado logo, mas notei aos poucos que Ronnie nunca estava presente quando Caitlin se apresentava. Eu sempre me perguntei como ele lidava com tanta naturalidade com ela sendo uma striper. Era óbvio que ele sentia muito mais do que amizade por ela. Então, como ele conseguia encara-la subindo ao palco tendo tanta atenção masculina para si e tirando suas roupas? Acontece que ele não encarava. Ele sempre trocava com outro segurança durante a apresentação, e ficava lá fora. – Ronnie?

— Eddie está doente. – Falou por fim. – Ele não pode trocar comigo, por que nem veio hoje, Rickie está em seu lugar. E Rickie me odeia. Ele não vai trocar comigo.

— Oh... – Murmurei por fim. Agora fazia sentido. Esse pode ser um bom motivo para ele estar tão irritado. Mas não acho que seja a principal razão. Mais tarde eu o questionaria mais.

— Agora, você pode me dar à bebida? – Perguntou novamente. – Eu vou ficar aqui, bebendo, de costas para aquele palco e me lamentando por ter entrado nessa estranha relação de livre espontânea vontade.

— Não é estranha. Vocês são amigos. – Murmurei segurando seu ombro por cima de sua jaqueta. – Pode não ser o suficiente agora, mas ela te ama. Você só precisa...

— Lhe dar tempo? – Oliver interveio. Tentei escutar alguma aspereza, ou ironia em sua pergunta, mas não consegui. A pergunta parecia ser genuína.

— Ou espaço? – Bruce perguntou juntando-se a conversa. Encarei incrédula ambos, eles pareciam realmente esperar uma resposta.

Ansiosos até.

Ok. Eu acho que eu precisava me juntar a Caitlin e Selina, e juntas descobrimos por que fazíamos tão mal aos homens a nossa volta.

— Essa é uma conversa particular. – Ronnie interveio.

— Você foi o único que disse que estava do nosso lado. – Bruce respondeu.

— Sim, mas... – Começou, então meneou a cabeça como se apagasse a frase a seguir de sua mente. – Esqueça. – Virou-se completamente para eles, dando-lhes de fato sua atenção, parecendo precisar de suas opiniões. – Eu já lhe dei tempo e espaço, eu sempre lhe dou tudo e ainda assim...

— Oh não. – Meneei minha cabeça em negativa. – Deus não permita que vocês se tornem amigos.

— Você não acredita em Deus. – Ronnie retrucou apenas para voltar atenção para seus novos parceiros.

— Bem, alguma força no universo tem que impedir isso. – Falei sendo devidamente ignorada por eles.

— Você precisa de uma atitude mais brusca. – Revirei os olhos ao escutar Bruce murmurar isso de forma natural, seu semblante sério, como se estivesse elaborando um plano de ataque a um país hostil. – Uma abordagem direta. – Ocultei um sorriso quando vi Oliver assentir em concordância parecendo tão compenetrado quanto os outros, mas minha visão foi atraída para Selina que estava atrás dos três os olhando com o cenho franzindo, enquanto Bruce continuava a dizer a Ronnie como não deveria deixar sua garota se despir para desconhecidos ela saiu de sua inércia e se aproximou.

— Exato. – Selina murmurou trazendo sua bandeja vazia. – Suba no palco e faça com ela quase perca o emprego, eu tenho certeza que isso a deixará louca de amores por você. – Completou irônica. Bruce logo levantou seu rosto para encara-la, mas ela o ignorou. – Mais seis doses de tequila. – Falou voltando sua atenção para mim. – Despedida de solteiro. – Apontou a cabeça em direção ao grupo. Assenti tratando de pegar a garrafa e colocando os copos em fileira, para então enchê-los. Ronnie havia se calado e estava a observando com atenção. A estudando. Como se considerasse algo em sua mente. Ela percebeu isso e o encarou demostrando sua confusão e ele lhe deu um sorriso brilhante. Não me passava despercebido que ela seguia ignorando completamente o outro moreno. – O que você quer?

— Somo amigos. – Sorriu.

— Somos? – Murmurou fazendo com que o sorriso de Ronnie diminuísse um pouco, mas ele logo se recuperou.

— Você gosta de mim. – Falou direto.

— Ninguém gosta de você. – Retrucou. Era uma mentira, mas eu não ia tomar partido, apenas me limitaria a observar tudo isso com diversão, meu olhar pegou o de Oliver brevemente antes de voltar para os dois.

— Ouch. — Murmurei.

— Mas nós somos amigos! – Ronnie protestou.

— Se você diz. – Deu de ombros, mas logo voltou a ficar na defensiva. – O que você quer? – Repetiu novamente.

— Quero que você convença Rickie a trocar comigo por alguns minutos. – Pediu. – Ele gosta de você.

— Ele gosta de Felicity também. – Deu de ombros. – Ela pode intervir por você. De certa forma ela tinha razão. Rickie era simpático e eu tinha certeza que poderia convencê-lo.

— Eu não vou deixar Felicity mostrar os peitos em troca disso. – Falou fazendo com que eu abrisse a boca em choque. O que exatamente ele queria que ela fizesse em troca do favor?

— Como é que é? – Oliver e Bruce perguntaram ao mesmo tempo.

— Mas eu posso? – Ela não parecia chateada com o pedido, parecia mais como curiosa. O que não deixou o humor de Bruce melhor, ele parecia prestes a se levantar de seu banco e tomar alguma atitude.

—Ninguém vai mostrar nada a ninguém, em troca de nada. – Intervi. Puxei o braço de Ronnie que recebia olhares carrancudos dos dois homens. Eu sabia que o universo não deixaria aquela camaradagem rolar por muito tempo. – Vá falar com Rickie. Diga que vão trocar de lugares apenas hoje, e que eu vou lhe dar o que ele queria semana passada. – Ele estreitou os olhos não gostando da forma que saiu. – Vá! – Repeti. – Antes que você perca a oportunidade. — Ele assentiu antes de sair. O observei se afastar e logo percebi que todos os olhares estavam em mim, eu me concentrei um em particular que parecia capaz de me congelar apenas com a intensidade com que me encarava.

— Eu não me importo se você não quer mais nada comigo. – Oliver falou. Sua voz saindo tão fria quanto seu olhar. – Eu não me importo se não se considera mais minha namorada e se não quer voltar comigo. Você continua sendo minha, e eu não vou deixar você fazer isso.

— Isso o quê? – Murmurei com raiva. Já imaginando o que se passava em sua mente.

— Você acabou de prometer sexo a aquele homem apenas para livrar seu amigo de ver algo que eu quase tive que ver semana passada. – Retrucou.

— Você é um idiota. – Selina murmurou tomando meu partido, tentei acalma-la com um aceno, mas não funcionou.

— E eu achando que você guardava esse carinho apenas para mim. – Bruce murmurou antes de voltar a beber.

— Eu não a escutei prometendo sexo a ninguém. – Ela murmurou zangada. – Você está todo magoado e fica procurando formas de magoa-la também. Você não pode trata-la como uma prostituta.

— Meta-se em seus assuntos. – Oliver murmurou irritado.

— Selina. – Bruce murmurou tentando chamar sua atenção. Ela o encarou brevemente antes de voltar sua atenção para Oliver. Eu poderia pedir para que ela se calasse, mas eu sabia que essas palavras não eram apenas para Oliver, na verdade eu sabia que ela estava deixando que sua irritação com a forma com que Oliver falou, guiar suas palavras até Bruce.

— Ela não é sua. – Continuou. – Não é um brinquedo ou propriedade. Ela é uma pessoa e pode tomar suas próprias decisões, você não é seu dono. – Observei Bruce ficar tenso. – Você não sabe respeita-la ou suas decisões. Vocês dois só estão aqui por que possuem dinheiro o suficiente para contornar qualquer merda que façam, mas nós? Nós precisamos disso, e não. Não queremos sua proteção, não estamos no século XVIII, não somos amantes de ninguém, não precisamos de um homem tomando conta de cada aspecto em nossa vida, inclusive o financeiro. – Ela respirou fundo enquanto dava-se conta que a medida que havia falado seu olhar havia caído no de Bruce. Arrependida voltou a encarar Oliver. — E quer saber? Se fosse eu que tivesse que observar o cara que diz me amar vir aqui todos os dias e ficar babando pelos peitos das outras dançarinas, eu já teria chutado seu traseiro. – Oliver franziu o cenho enquanto recebia suas últimas palavras.

— Sr. Wayne vem aqui todos os dias. – Retrucou.

— Ele ao menos tem a decência de olhar apenas para mim. – Deu de ombros e contornou o balcão ficando ao meu lado. Seu semblante fechado diante o desabafo.

— Você não devia servir as tequilas? – A lembrei procurando uma alternativa de acalma-la.

— Merda. – Murmurou saindo novamente e levando as bebidas. Respirando fundo notei que Bruce fingia ter sua atenção total para sua bebida e Oliver olhava para baixo. Meneando a cabeça me permiti servi mais dois clientes antes de parar em sua frente, minha calma sendo recuperada. Ele ergueu seus olhos até o meus. Tantas emoções e tanta intensidade por trás de um olhar. Entre elas arrependimento.

— Ela está certa. – Falei. – Você não pode me tratar dessa forma.

— Você...

— Eu não ligo para você olhando os peitos das outras dançarinas. – Falei o interrompendo. – Não realmente, o que me irrita é a razão por trás disso, você fez deliberadamente, você quer me machucar Oliver, e eu sei que tenho magoado você, mas eu nunca fiz de propósito. E a insinuação que fez agora? Imperdoável. Eu não estava oferecendo sexo. Ele tem uma filha, ela tem apenas doze anos, ele é viúvo, ele me pediu para que conversasse com ela, sobre assuntos femininos. – Respirei fundo. – Sim, eu tenho ciúmes de você, mas não foi ciúmes que eu senti quando o vi dia após dia concentrado em outras mulheres, você me magoou, por que eu sabia que não havia interesse, apenas a vontade de me deixar magoada.

— Eu não queria magoar você. – Corrigiu-me. – Eu não quero. – Reafirmou. — Eu quero provocar algo em você, eu vim todos os dias, e você parece não se importar, você ainda me questiona por que eu estou aqui, quando é tão óbvio. É claro que estou aqui por você, e é claro que estou esperando que sua resposta mude. Felicity, você não se aproximou sequer para perguntar sobre os outros, sequer sobre Roy você perguntou, e ele é seu irmão.

Engoli em seco. A culpa sempre presente me atingindo com renovada força.

— Eu sei que eles estão bem. – Murmurei por fim. – Eu sei que você é o tipo de homem que se certificaria disso. E sei que se tivesse acontecido algo, você teria me contado, mesmo nessa briga de vontades, você teria dito algo durante a semana que se passou.

— Eles não estão bem. – Negou. – Eles sentem sua falta. Você acha que eu estou magoado? Sara está muito além disso. Ela me liga perguntando por que ainda não voltamos, por que eu não consegui coloca-la em uma ligação com ela. Por que você não pediu por isso. Ela ameaçou vir até aqui e eu disse que você precisava de tempo. Por que honestamente eu não sei do que mais você precisa, eu não sei o que fizemos para você não confiar em nós. Todos os dias eu deito em minha cama naquele quarto de hotel, esperando o momento em que você vai bater na minha porta. Esperando o momento em que você voltará a confiar em mim.

— Não se trata disso. – Murmurei inquieta. – É claro que confio em você.

— Você está mentindo. – Acusou-me. – Ou não haveria resistência. Depois de tudo o que passamos é ofensivo você esconder coisas de mim.

— Oliver...

— Eu não quero mais desculpas. – Interrompeu-me. – Eu quero... Eu preciso da verdade. Eu quero você. Por que não podemos ficar juntos?

— Eu...

— Volte comigo. – Pediu. – Vamos deixar tudo isso para trás.

— Eu não posso!

— Você pode. – Retrucou se erguendo. Raiva o dominando. – Às vezes parece querer. Então por que não? Eu sou seu Felicity, para o que quer que precise. Eu posso protegê-la do que quer que a aflija. Nós podemos ter uma vida incrível juntos, se você se permitir. Você não quer isso? – Perguntou com renovada esperança.

Abri minha boca. Eu queria dizer sim, mas meneei a cabeça em negativa e forcei a palavra feia sair.

— Não. – Seu semblante caiu. – Eu sei que é duro Oliver, mas eu não vejo mais um futuro com você nele. Eu não quero. – Ele assentiu com pesar.

— Está bem. – Murmurou derrotado. – Eu não consigo acreditar nisso, mas eu vou pegar o que você vem dizendo uma e outra vez, eu vou embora, eu vou voltar para casa. Amanhã mesmo deixarei essa cidade para trás, então essa é a última vez que eu irei lhe perguntar, e é bom que você tenha em mente que agora sua resposta será definitiva. Não precisamos estar juntos, se é isso que a impede, você precisa ao menos se encontrar com sua família, eu sei que você sente dele. Então, eu estou indo embora, você irá comigo?

Por que tudo que eu amava tinha que sempre ser tirado de mim?

Quanto mais eu perderia até que por fim me entregasse ao desespero?

— Não. – Murmurei após um longo momento. – Faça uma boa viagem Oliver. Eu espero que você encontre alguém que realmente o mereça. – Foi duro dizer tais palavras.

— Eu já encontrei. – Retrucou. – Eu não acho que sobreviveria a uma segunda vez. – Deu de ombros. – Eu te amo, Felicity. Eu espero que não se arrependa do que acabou de fazer. Por que eu te amo, mas eu não posso continuar assim, isso está me destruindo. Você está me destruindo. Tenha isso em mente. A única razão para não estarmos juntos é você. Seja qual for o motivo que a afastou de Starling City, não é ele que está nos separando, é você. Adeus, Felicity.

A palavra adeus foi incapaz de chegar a minha boca, por mais que eu tenha me esforçado para trazê-la. O observei se afastar e sair do clube. Meu coração se despedaçando com a imagem. Era difícil demais vê-lo ir embora. Uma mão interrompeu meu campo de visão e observei atônita Bruce Wayne me oferecer seu elegante lenço, fazendo-me perceber que eu estava chorando. Perceber que ele havia assistido tudo.

— Obrigada. – Murmurei fracamente.

— Você devia ir atrás dele. – Falou me surpreendendo. – Você quer ir.

— Mas eu não posso. – Falei puxando um banco atrás de mim e me permitindo sentar. Só alguns minutos, prometi a mim mesma.

— Essa é uma frase irritante. – Murmurou franzindo os lábios. – Principalmente quando usada por pessoas como nós.

— Nós? – Repeti chocada.

— Eu disse que tenho a observado. – Explicou. – Nós dois somos lutadores. É o que somos, passamos por muita coisa, enfrentamos muita coisa. Eu não vou fingir que sei exatamente pelo o que você passou, mas eu sei que foi algo pesado. E eu sei que você não se deixou entregar. Você não pode desistir agora, por que se tem algo que não nos permitimos é desistir. Seja o que for que a esteja impedindo de estar com ele. Você tem que enfrentar. Por que é óbvio que a está impedindo de ser feliz.

— Eu nunca pensei em você como um conversador. – Confessei deixando um sorriso escapar, enxuguei as últimas lágrimas.

— Eu não sou. – Sorriu de volta e mais uma vez me vi surpresa com o ato. – Tem algo mais que eu quero dizer.

— Eu não posso impedi-lo. – Dei de ombros.

— Não é por que somos lutadores, que precisamos enfrentar algo, ou alguém sozinho. – Falou com a voz firme. – Às vezes, é bom ter alguém em quem se apoiar. Você não está sozinha, eu pude reparar que é bem longe disso, então pare de agir como se assim fosse. Vá atrás dele. Faça valer apena cada derrota que teve até agora, não desista.

O observei em silêncio. Suas palavras tendo um real impacto sobre mim.

— Felicity? -Selina murmurou colocando a bandeja vazia em cima do balcão, seu olhar caindo sobre o lenço e voltando para Bruce. – Você a está importunando? Ele a está importunando? – Perguntou voltando a me encarar.

— De certa forma. – Bruce murmurou estendendo sua mão quando eu estendi a minha e aceitando seu lenço de volta.

— Obrigada. – Murmurei o encarando firmemente.

— Não se atrase. – Falou fazendo com que Selina franzisse o cenho.

— O que está acontecendo? – Eu dei de ombros e sorri enquanto meneava a cabeça.

— Eu tenho que ir. – Murmurei passando por ela e deixando-a atônita.

— Felicity? – Indagou cada vez mais confusa. Quando passei por Bruce apoiei minha mão em seu ombro.

— Você também não pode desistir. – Falei.

— Eu não vou. – Prometeu. Com um último olhar para os dois eu me afastei.

Tão logo saí para a rua e senti o vento fresco em minha pela eu notei que estava cometendo uma loucura. Respirei fundo e tentei acalmar as batidas do meu coração enquanto pensava como deveria agir. Senti os primeiros pingos de chuva em meus braços, franzindo o cenho levantei minha cabeça e encarei o céu cinzento. Novos pingos e mais fortes alcançando meu rosto. Com a chegada da chuva veio um novo pensamento. Eu já havia pensando demais, todas as más escolhas que eu havia tomado haviam sido por pensar demais, por tentar decifrar cada coisa e temendo o que iria acontecer, não estava em minhas mãos. Eu já havia perdido muito por julgar está protegendo alguém. Eu sempre estive protegendo alguém, e sempre terminei sozinha. Afastando-me.

Eu não queria ficar só.

Eu não precisava ficar só.

Eu tinha Oliver, ao menos eu tinha esperanças de ainda ser possível.

Temendo ter perdido isso eu me apressei a chegar até ele antes que ele fosse embora. Quem poderia saber se ele não iria logo ou só iria amanha? Eu não podia esperar. Eu não poderia arriscar.

Quando parei diante a porta do seu quarto eu estava gelada até os ossos, molhava o elegante corredor e respirava pesadamente, temendo cada possibilidade que tinha de como essa conversa iria terminar. Com hesitação bati na porta. Demorou alguns minutos até que uma resposta viesse. Minutos nos quais cogitei que a moça da recepção estaria errada e que ele já havia ido sem que esta soubesse. Mas ele ainda estava lá. Quando a porta se abriu e seus olhos encontraram os meus eu senti uma pequena falha na minha coragem. Eles me analisavam com certa surpresa e nada em seu rosto mostrava que estava feliz com minha chegada, na verdade seu rosto era totalmente inexpressivo. Eu poderia dar meia volta e deixa isso para lá. Ele havia sido firme quando disse suas últimas palavras antes de sair do clube, mas me concentrei em tudo o que ele havia dito, todos esses dias, não apenas em uma parte. Então tomando coragem eu pude finalmente abrir minha boca e fazer algo além de apenas fita-lo.

— Você não pode dizer que me ama e se afastar. – Murmurei por fim. Observei admirada um lindo e encantador sorriso dominar seus lábios. E senti os meus próprios formarem um. – Não é assim que funciona, amor.

Notas finais
Pronto. Espero que tenham gostado!! Como sempre fico no aguardo do feedback, até mais!! Xoxo, LelahBallu.