Long History
3 Cupidos, amigas e beijos.
Notas iniciais
-Eles querem fazer uma entrevista comigo pessoalmente amanhã às dez da manhã.
- Você conseguiu meus parabéns.
-Ainda não, vou fazer a entrevista amanhã e só depois vou saber.
-Temos que comemorar. – Naquele momento percebi o que estava acontecendo e que eu tinha uma chance real e próxima de ter uma carreira. Ele estava certo eu precisava comemorar, e eu conhecia o lugar perfeito pra isso. Levantei puxando ele pelo braço.
-Vem.
-O que, pra onde? – Disse ele se levantando confuso.
-Vamos temos que descer na próxima estação.
Descemos e caminhamos por alguns minutos. Eu sempre tentando fazer ele andar mais rápido. Horas a gente corria como crianças um atrás do outro e horas eu tinha que empurrá-lo, parecia que éramos amigos de infância. Chegamos a uma pequena lanchonete que eu costumava ir com a minha colega de quarto que era também minha melhor amiga.
-Eles têm um chocolate quente muito maravilhoso. – Falei enquanto nos sentávamos.
- Achei que íamos tomar uma cerveja para comemorar.
-Bom, eu não bebo e tenho certeza que esse rostinho angelical não tem mais dezessete anos. Além de que, não sei você, mas eu estou com muito frio, então um chocolate quente é de longe a melhor opção.
- Sério que você acha que eu sou tão novo?
-Olha pra você carinha de bebe, tenho certeza que você é bem novo sim.
-Pois você esta enganada, eu tenho dezenove anos quase vinte.
-Sério, cadê sua identidade me deixa ver. – Ele mexeu num bolso e depois no outro, então olhou pra mim com uma cara assustada e disse:
-Deixei a carteira no hotel. – E abriu um enorme sorriso que quase me fez esquecer que ele tinha que mostrar a identidade. Segurou a minha mão olhando nos meus olhos.
-Você é linda. Tem uma jovialidade que me espanta e fascina. – O rosto dele foi se aproximando. E o momento foi quebrado pela garçonete que me conhece e chegou falando sobre o ultimo assunto que havíamos conversado.
-Então você conseguiu o telefone do seu colega pra mim?
-Oi Anne. – Falei já pegando a bolsa, mexi um pouco nela até achar um pequeno papel azul com um numero de telefone anotado em preto. – Aqui esta. – Entreguei a ela, que parecia uma criança que acaba de receber o presente de natalque tinha pedido.
-Muito obrigada, nem sei como agradecer. Obrigada mesmo, você é maravilhosa.
-Imagine não foi nada. Você pode nos trazer dois chocolates quentes com cubinhos de mashimelow?
-Claro, é pra já. – Respondeu ela se virando e saindo apressadamente. Ficamos olhando ela se afastar e quando ela passou para o outro lado do balcão ele me olhou e disse:
-Hey cupido, a sua amiga não tem muito time né? Interrompeu o momento sem nenhum costragimento.
-Eu não sou cupido.
-Não, então me explica.
-Na verdade eu nem conheço o cara.
-Como assim, ela disse que era seu colega.
-Ele vem bastante aqui, e ela o viu com um casaco da universidade então me mostrou o cara e perguntou se eu conhecia, porque ela acha ele lindo, mas apesar da troca de olhares ela não tinha coragem de falar com ele. Depois de um tempo ela descobriu que o nome dele é Tim, falei pra ela que talvez ele fosse da minha turma e que eu ia tentar falar com ele.
-Por que você falou isso se você não o conhecia?
- Porque ela estava desesperada para saber sobre ele e como amiga eu me senti na obrigação de ajudar. Minha colega de quarto e eu sempre viemos aqui e com o tempo ficamos amigas da Anne. Então ontem quando finalmente vi o Tim na universidade fui falar com ele.
-E o que você disse? Hey tenho uma amiga que é obcecada por você?
- Claro que não, eu disse que já tinha visto ele aqui algumas vezes e perguntei a ele se lembrava da garçonete, quando ele disse que sim contei que ela podia estar afim dele.
-E ele?
-Disse que já tinha pensado em convida-la pra sair, mas tinha medo de ela dizer não ou já ter namorado. Aí anotou o numero no papel, me entregou e disse para eu pedir pra Anne ligar pra ele.
-Ela tem razão você é mesmo maravilhosa. –Ele falou sorrindo, deixando as covinhas aparecerem novamente. Senti o chão fugir de debaixo dos meus pés, e de novo quando a aproximação era inevitável fomos interrompidos pela Anne que trazia os chocolates.
-Aqui estão. E obrigada outra vez, você é uma amiga maravilhosa mesmo, conte comigo quando precisar.
-Tudo bem Anne, não foi nada. Pode contar comigo sempre afinal é pra isso que servem as amigas. –Então ela saiu nos deixando finalmente a sós. No entanto ele não parecia disposto a continuar tentando.
-Então o que mais você faz além de ajudar amigas apaixonadas?
-Eu faço jornalismo e trabalho no jornal da universidade, moro com uma amiga e venho aqui sempre pra tomar chocolate quente com pedacinhos de marshmallow. E você faz o que além de cantar?
- Trabalho numa padaria perto da minha casa, mas não é um grande negocio.
- Me diz uma coisa sem brincadeiras tah, quantos anos você tem?
-Me fala a sua idade ai te digo a minha.
-Mas eu perguntei primeiro.
-Tudo bem, vejamos. Se você esta fazendo estágios na sua área é porque esta no mínimo no quarto ou quinto semestre e apesar de não acreditar muito nisso posso dizer que você tem uns vinte ou vinte e um anos.
- É tenho que admitir que você é bem esperto para um garoto de dezesseis anos.
-Espere ai por que você insiste nessa idade? Eu te apresentei um calculo lógico, mas em que você baseia a sua teoria?
- Tudo em você aparenta dezesseis anos seu sorriso, seus olhos, o jeito como está tomando esse chocolate quente e deixando um bigode de chantili pra parecer mais velho.
- Bigode onde?
- Aqui. – Disse levando a mão ao seu rosto limpando o chantili. – Olha aqui. – E mostrei pra ele. – Então ele pegou minha mão e lambeu meu dedo lenta e delicadamente. Senti um arrepio correr meu corpo e de novo eu tinha esquecido a idade dele, até que quando estávamos quase nos beijando, alguém que eu nunca tinha visto na vida praticamente se jogou em cima da mesa. Quando vi que era uma garota tive certeza que ela tinha feito de propósito. Era uma garota muito bonita que devia ter uns dezessete ou dezoito anos com um cabelo longo escuro. Ela nos olhou por alguns segundos após ter nos dado um susto.
-Assustei vocês? – Ela falou olhando para ele.
-Um pouco. Eu disse já irritada.
- Desculpe não foi a intenção.
-Imagino que não. – Falei segurando a vontade de dar um tapa nela.
- Oi Lucy. -Finalmente se manifestou, ele que parecia ter realmente se assustado com a presença daquela garota. – Que surpresa ver você aqui.
-É que eu morro aqui perto, ai te vi aqui e resolvi te fazer uma surpresa. – Eu estava quase tendo um ataque de nervos de tanta vontade de fazer aquela garota desaparecer.
- Essa é a Liz.
- Muito prazer Liz sou a Lucy. – Achei que aquela garota nunca ia ir embora. Ela começou a falar sobre as audições e então percebi que ela também estava tentado a fama no The X Factor. De repente fiquei invisível e ele parecia só lembrar dos momentos legais que tinham passado mais cedo naquele dia. Pensei em pigarrear, começar a falar de outro assunto qualquer, pedir a conta ou então simplesmente levantar e sair, mas optei pelo silencio, sempre prefiro o silencio nessas situações. Depois de uns cinco minutos alguém do lado de fora bateu no vidro, nos viramos e esse alguém fez sinal pra ela ir.
- Tenho que ir, se não meu pai vai ficar bravo. Te vejo amanhã então pra mais diversão. – Ela falou dando um beijo no rosto dele. – Até mais Liza. – Ela falou com um caminhão de ironia na voz. Eu apenas acenti com a cabeça, nunca que eu ia me rebaixar ao nível dela. Enquanto eles terminavam de se despedir eu chamei a Anne e pedi a conta, paguei e fui me levantando. Eu dei dois passos em direção a porta e ele se virou para voltar a mesa após ela ter saído.
- Aonde você vai? – Disse com uma voz confusa.
-Embora. – respondi com firmeza. Sai e ele veio atrás pensei em correr, mas eu sou uma péssima corredora ele com certeza me alcançaria, então apenas continuei caminhando só que rapidamente. Ele me segurou pelo braço.
- O que aconteceu?
- Nada, só esta tarde e amanhã tenho uma entrevista muito importante, preciso me preparar e você também deve ter que ensaiar para a diversão, quer dizer audição.
- Ah! Então foi isso.
- Isso o que?
- Você ficou com ciúmes da Lucy.
- Eu ciúmes da Lucy por que, ela é sua amiga a bem mais tempo que eu, na verdade acabamos de nos conhecer então acho que nem tenho do que ter ciúmes. – Eu falava descontroladamente parecia uma metralhadora atirando sem parar, nem lembro o que tanto eu falei, mas como eu estava tentando parecer não me importar com a garota nem percebi que ele estava se aproximando devagar, só me dei conta quando ele me puxou pra perto e me deu um beijão daqueles de filme me calando na hora. Não sei quanto tempo durou porque senti como se o tempo não tivesse passado.
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