Lonely Star

15 Romance em meio ao conflito P: 01.


Notas iniciais
Esse será um especial romântico em duas partes, com dois Povs cada, porém ambos serão bem importantes para a trama de Lone Star em sua própria subtrama. É quase um "bônus"... quase. Espero que gostem!

N: Katrina

O quarto de hotel que o Stark pagou para mim e Kaz (como Julia chama) é bem agradável. Podemos apontar mil e um defeitos nele, mas sabemos de uma coisa: Tony até que é um bom amigo. Kaz estava comendo biscoito enquanto via um desenho animado na única cama de solteiro na suíte, que também tinha uma cama de casal. Eu estava vendo o desenho junto com ela enquanto mexia no colar que ela comprou para mim (Zoe tinha levado ela para umas compras na manhã do dia anterior, horas antes do cinema) e então a campainha tocou.

— Eu atendo! — Kazume pulou do sofá.

— Te conto o que você perdeu. — respondi.

— Dá pra ouvir daqui! — ela afirmou rindo. A porta se abre... — STEVE!

Meu coração acelerou. Olhei rapidamente para a porta, escondi o colar constrangedor e me levantei, o encarando. Deu um breve sorriso. Um pouco pequeno para o meu gosto. Depois de abraçar Kazume e rodar em uma cena quase de pai e filha, Steve veio até mim e me beijou.

— Não parece muito bem. — afirmei.

— Preocupado com uma amiga. — afirmou.

— Julia?

— Também, mas ela é um raio de sol, logo estará bem novamente. Você vai ver, Trina. Meu problema é com a Wanda. Zoe não apareceu hoje, mas é

cedo pra dizer alguma coisa. Já Wanda... eu posso ver em seus olhos que ela está muito alterada.

— Temo muito por ela dês de que soube de Natasha sobre seu irmão. E... Trina? Essa é nova pra mim. — ri.

— Tirei de uma série que a Ju gostava. — deu de ombros – Uma vez eu fiz uma visita e ela via essa série. Aliás, está ocupada?

— Eu e mamãe estamos vendo o desenho da Nat e do Clint! — afirmou Kazume, me deixando sem graça.

— É... eu posso ter dito que... a Kim Possible... parece a Romanoff. — respondi, ainda sem graça.

— Não faço ideia de quem seja. — ele respondeu rindo – Mas eu trouxe Star Wars, se preferir.

— Pode ser.

Eram três da tarde. O episódio I foi até legal, mas eu esperava mais para quem só viu o V em um natal com uma família canadense. Porém, foi esclarecedor. O II subiu o nível e o III me deixou... furiosa. Eu não sabia que Anakin se tornaria o vilão dos próximos filmes. O mesmo que arrancou a mão do próprio filho. Que vagamente me lembrava Loki... mas não posso pensar em Loki. Não com Steve. Já estava anoitecendo quando terminamos o III e ele decidiu que era melhor terminar outro dia. E eu concordei.

— Chega de ficção cientifica por hoje. — afirmo.

— É, nem sou tão nerd. — afirmou.

— Se quer parece. — me aconcheguei em seus braços.

Estávamos abraçados dês do começo do primeiro filme. Desviávamos a atenção, conversávamos, voltávamos ao filme, voltávamos a nos beijar, trocar histórias, comentar sobre o filme e eu, pelo menos, o quando Padmé Amidala parecia com Jane Foster. Era estranho. E, de tanto contato afetivo entre eu e Steve, Kazume foi para a cama mais cedo.

— Sabe alguma coisa sobre quem a Kaz era antes de ser adotada?

— Já perguntei. Ela disse apenas que não era ninguém. Não fala muito, na verdade. — respondi decepcionada.

— Há quanto tempo nos conhecemos?

— Não sei exatamente... um ano, mais ou menos.

— Parece que nos conhecemos há bem mais tempo.

— Também acho. — comentei – Quando exatamente começamos a namorar?

A pergunta pareceu o surpreender. Ele me encarou com os olhos muito arregalados e algo que quase foi um sorriso... quase.

— Não sei. — admitiu rindo – Mas gostei da sua confirmação. Seria constrangedor ter que te pedir em namoro.

— Você não sabe o que é constrangedor. — afirmei.

— Se refere ao seu colar? Eu achei legal.

Enterrei a cara em seu ombro, morrendo de vergonha. O olhei nos olhos e ele ria. Ria da minha vergonha.

— Se agradar do constrangimento dos outros não é algo de sua natureza, Capitão. — afirmei.

— Olha! A vezes você fala como uma asgardiana! — falou rindo.

— Mesmo que minha missão termine e você me deixe, não abandonaria esse lugar. É uma paixão. Livre, espontâneo... diferente de Asgard, que é formal, o povo é arrogante por natureza... sabe como é difícil achar um espírito humilde naquele lugar?

— Duas coisas; Primeiro: Asgard é o sonho da vida de Cléo, vai por mim. Nunca assumiu, mas não duvido. Segundo: eu não vou te deixar.

— Primeiro: ela gostaria de ficar perto do pai dela, só isso. Segundo: você jura? — entrei na onda dele.

— Primeiro: deixar o Nick e a Zoe aqui? Ela não é louca. Segundo: eu juro.

— Eu te amo.

Acho que a história da Cléo em Asgard se perdeu bem aí. As piadas acabaram, seu rosto estava muito próximo ao meu, meu coração dava pulos e...

— Eu também te amo, Katrina.

Minha mão apoiada em sua nuca me ajudou a aproximar seus lábios dos meus, que estavam com sede de seus beijo. Quando aquilo tinha acontecido? Quando exatamente eu me entreguei à um soldado mortal e mal tinha lembranças de um homem que tanto amei quanto desprezei, mas tanto me marcou? Loki por Steve. Melhor troca da minha vida. Os braços dele apertam minha cintura e então, desvio meu olhar para a cama de solteiro onde Kaz dormia de sapatilhas e tudo. Steve recuou. Parecia nervoso com alguma coisa.

— Vou indo.

Acho que eu entendi.

— Sim, claro.

Sem mais cerimônias, ele me deixou na sala e foi até a porta. Olhou para trás antes de sair, encarando meu rosto uma última vez. Era lindo pensar que ele fez isso porque sabia que eu tinha meus limites. Suspirei e fui para minha cama.

N: Zoe

Três horas da tarde e doze chamadas não atendidas: duas de Julia, três de Natasha, uma de Tony, uma de Sam e cinco de Cléo, que passou a noite na Base dos Vingadores fazendo contato com a S.H.I.E.L.D. escondida. E pela décima terceira vez, o telefone toca, mas cai direto na caixa postal:

"Olá! Você ligou para Zoe Michell. Por algum motivo, não posso atender, então melhor deixar um recado, senão eu não saberei quem ligou ou... ah, deixe um recado."

Piii

"Zoe, é o Steve. Está tudo bem? Ninguém tem sinal de você. O celular está fora de área ou desligado, você parece sem internet... está incomunicável, e agora caixa de mensagens?! Bem que Cléo me avisou. Só quero saber se está tudo bem, okay? Me liga... ou para qualquer outro do time."

Atender me pareceu tentador, mas não queria dar satisfações da minha vida ao Capitão ou a qualquer um. Poucos Vingadores sabem que eu era casada e tive uma filha. Se Cléo (minha filha, não minha irmã) tivesse sobrevivido por mais quatro anos, seria idêntica à ela. Os cabelos e olhos castanhos, a pele clara... o rosto dela me lembrava um pouco o meu, embora o de Cléo me lembrasse mais o de Ben. Se quer sai da cama naquele dia. Ainda estava de pijama jogada na cama.

A campainha... tocou? Ignorei. Seja lá quem for, até mesmo Cléo (irmã, dessa vez), não estou afim de ver. Mas a pessoa insiste do lado de fora! A ponto de passar da campainha e dar pancadas na porta! E então...

— ZOE, ATENDE! EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AQUI!

Tenho escolha? Me levanto e vou atender. Estou tão esgotada que abro a porta do meu quarto e a da sala com a mente.

— O que foi, Sam?

— O que foi que todos estão preocupados com você! Só quem não está tentando entrar com contato são a Wanda que nem dá as caras e o Visão, que você sabe como ele é. — deu de ombros.

— Bom, eu tô bem. Melhor você ir...

— São três horas da tarde e você ainda está de pijama. Não é a Zoe que eu conheço.

— Achei que você tivesse terminado comigo porque não me conhecia!

— Parcialmente. — ele entra na minha casa.

— Não pedi para você entrar. — falei, fechando a porta.

— Você precisa de companhia.

— Não preciso. — afirmei.

— Seu piano ainda fica no "estúdio" no seu porão?

Não acreditei no que ele queria. Quando namorávamos, a gente sentava no piano e eu tocava minha música favorita, que também era a favorita dele. Until The Last Moment, de Yanni. Metade da música era violino, a outra era piano, e a parte do piano eu sempre tocava com a alma... e com a paixão que dividíamos. Mas essa paixão chegara ao seu fim.

— Sim, por quê?

— Acho que é tudo o que você precisa.

— Eu já teria ido para o piano há horas se fosse o caso.

Sam me ignorou e foi até a porta que dava em uma escada para baixo que dava no meu estúdio particular. Caminhei devagar até o estúdio. Sento-me no banco a frente do piano e Sam se sentou ao meu lado. Toco em algumas teclas.

— Sabe, eu estava em julgo desigual. Foi até bom terminar com você.

— Depois que a gente terminou, eu voltei naquela igreja que você me levava umas... cinco vezes eu acho. Mas você tem razão.

Começo a tocar a música que mais gostava de tocar com ele. Acho que no fundo queríamos voltar um para o outro. Nós dois buscávamos caminhos de volta. Os outros instrumentos tocam em minha imaginação. Principalmente o violino, que me fazia pensar em Miranda. Parei de tocar antes do fim da música. Ficava penando naquele violino que sempre me fazia chorar. Sem enxugou uma lágrima.

— Está se sentindo melhor?

— Um pouco. — respondi, voltando a música no começo.

— Viu, eu falei.

— Essa música tem uma versão cantada. Mas metade dela é em espanhol. O nome até muda para Mi Todo Eres Tu.

— Interessante. Mas você está bem? O que aconteceu? A Nat falou que você e Julia ficaram bem comovidas com o que houve ontem a noite. Julia é uma criança, eu entendo, mas...

— Julia não é uma criança. E eu... tenho uma história. Um trauma.

— Fatos de seus 110 anos que eu não sei?

— 111, na verdade, e perto dos 112. Mas é, eu tenho um passado. Fui casada, tinha uma filha... uma família linda.

— Envelheceram e morreram? Os perdeu graças a sua imortalidade?

— Benjamim foi herói de guerra. Morreu em combate. Perdi Cléo em um bombardeio.

— Cléo? — perguntou confuso.

— O nome verdadeiro de minha irmã não é Cléo. Deixei assim porque ela já se adaptou e se chamar pelo nome Annie seria negar ser minha irmã.

— Eu não acho. Mas é opinião. Vocês duas são muito unidas.

— É.

O silêncio teria se instalado se eu não estivesse tocando ainda.

— Como você vivia de música? Era professora ou tocava em algum lugar, fazia apresentações? — ele perguntou.

— Normalmente, eu dava aulas particulares. Ainda dou, na verdade. Mas a Juilliard me chama todos os anos para um recital anual no Central Park.

— Então você tem status lá dentro. — ele falou – E merecido. Você é maravilhosa.

Aos poucos, de tecla em tecla, parei de tocar e comecei a aproximar meu rosto do dele, sem se quer me dar conta do que estava acontecendo. Eu não iria fazer isso, não queria! Ou queria? Mas impedi.

— Ela se foi. Minha filha hoje seria velha, a não ser que tivesse minha mutação, então teria uns 84 anos. Mas eu a perdi tão cedo. — não consigo e nem tento evitar que eu chore – Eu nem pude aproveitar o tempo que eu tinha com ela.

Me aconchego em seu abraço. É forte e seguro. Não gosto e nunca gostei de me lembrar do meu passado. Só me lembro dele ter beijado minha testa e eu ter correspondido um ou dois beijos dele. Depois o forcei a ir embora. Mas uma hora eu precisaria me recuperar.

Então eu tive uma visão totalmente destruidora.

Era só o que me faltava, não é?

Notas finais
A "visão destruidora" só será mencionada no final, okay? Não é relevante para essa temporada, e sim para a próxima. Espero que tenham gostado!