Lonely Star
2 Confiança e Paixão
Notas iniciais
N: Zoe.
— Eu falei. – digo orgulhosa para a ruiva que me encarava irritada.
— Está bem! Você falou! Mas o que isso lhe custou? – ela perguntou.
A questão era: como ela sabia? É verdade que nunca fiquei mal por perder um namorado. Também é verdade que com Sam foi diferente. Fiquei tão mal quando Sam terminou comigo por culpa das minhas mentiras que até compus uma música melancólica. Principalmente no mês seguinte quando vi uma foto dele com outra. Nunca mais tive sinal dele. E lá estava eu, na sala da Torre dos Vingadores, conversando com uma X-Man.
— Jean, ele era só mais um. A fila anda.
— Zoe, por favor. Você também não teve uma razão tão aceitável para mentir dessa forma. Escondeu ser uma mutante! Conseguiu mentir até sua idade até para a S.H.I.E.L.D.! Como se você se disfarçar de agente da H.I.D.R.A. não fosse o bastante! Pra que tudo isso?! Você sempre deve ser a pessoa mais misteriosa que conhece?!
Olhei em seus olhos e disse a mesma coisa que disse ao Sam quando terminamos – Perca tudo, menos a confiança. Uma vez quebrada, nunca mais se pode restaurar.
— E queria que ele confiasse em você depois de esconder sua mutação? De esconder sua idade de 110 anos? – “111”, pensei em corrigir, mas melhor não – Quando se conheceram, você era líder da Equipe Styiker, então a H.I.D.R.A. se revelou e então você era uma agente de alto escalão lá, ou seja, uma vilã. Então, na verdade era uma falsa agente duplo e agora, uma mutante! – Jean jogava todos os meus segredos na minha cara – Como quer que seu namorado, Sam Wilson, confie em você?
— Ex-namorado. – corrigi.
— E de quem é a culpa?
Eu não queria admitir que Jean Grey estava certa. Era uma pessoa legal, a não ser que você tenha uma certa competitividade com ela. Depois do incidente com o Ultron, eu nunca mais menti. Porém, carreguei o peso das minhas mentiras anteriores.
Flashback On:
Um dia depois do que aconteceu em Sokovia e eu estava com a mente cansada. Não a ponto de sobrecarregar, mas eu precisava dormir. Não sei quanto tempo fiquei caída na cama de uniforme e suja. Ganhei um novo do Stark mais pra frente, mas isso é outra história. Só acordei quando a campainha tocou e eu precisei atender. Era Sam. Estava mais arrumado e bem vestido. Pedi para que ele entrasse e fui tomar um banho. Voltei usando um short jeans e uma blusa tão branca quanto meus cabelos. Me sentei na frente dele e perguntei:
— Veio falar sobre o que eu acho que veio?
— Por que acha isso? Leu minha mente? – ele pergunta com sarcasmo e raiva.
— Nunca leio. Não a sua. Nem da minha irmã, nem dos meus amigos mais próximos. – respondi.
— Você mentiu! Mentiu para todos! – ele reclamou. – Por que, Zoe?!
— Perca tudo, menos a confiança. Sabe que não dá para se recuperá-la.
— E como acha que vou confiar em você depois disso?!
— Dês de que me intendo por gente, os mutantes são vítimas de mais preconceito do que os negros. – falei, mesmo ele sendo negro – Uma pessoa normal fingir ser da H.I.D.R.A. pode ter a confiança de volta, mas um mutante não. Ninguém podia saber.
— E eu estou nessa lista?
— Olha, Sam, eu...
— Não vim aqui discutir confiança. – ele disse se levantando. – Vim aqui terminar com você.
— Sam, por favor…
— Não importa o que você disser. Pra mim, já chega. Chega de mentiras, de segredos…
— Te conto todos os meus segredos. E eu nem minto mais.
— Você mente tanto que nem sente! Já chega. – ele disse indo até a porta.
— Não saia por essa porta, por favor. – falei com lágrimas.
— Ou o que? Vai controlar minha mente?
— Eu nunca faria isso com você.
— Como vou saber se não já fez?
— Não farei nada agora. Vou deixa-lo ir, se é o que quer.
Sam não me respondeu. Apenas saiu pela porta e a fechou. Voei até lá e me debrucei na porta. Chorei em silêncio, não pelo rompimento, mas pelo que ele me falou. Já estava tão habituada a mudar a cabeça das pessoas que começo a acreditar nas minhas próprias mentiras. Mentiras que não deveriam existir. Tenho princípios.
Flashback Off:
— Se serve de consolo, você disse que fez um bom trabalho despistando o Capitão quando a H.I.D.R.A. estava em sua procura. – falou Jean.
— É. Eu nunca consegui ter um relacionamento tão bom quanto o que eu tive com Ben. Não consegui nem com Clint, que durou anos!
— Mas como ficou aquela história dele ser casado? Achei que ele estivesse com Natasha!
— Bom, espero que essa seja a última mentira da minha vida.
— Como assim?
—Nosso namoro, assim como o com Natasha, foi de fachada. Fury achou que uma namorada de fachada ajudaria a esconder a família dele, sendo assim, protege-la. Quando meu pai me contou, terminei com Clint, pois não aguentei. Além do mais, quando previ a chegada de Natasha, vi que ela se sentiria confortável com isso, diferente de mim.
— Faz sentido.
— Muito. – concordei – O mundo da espionagem as vezes nos força a quebrar princípios e valores. Uma razão para eu não me arrepender de ter sido espiã por muito pouco tempo.
— Bom dia, minha flor albina! – não precisava reconhecer a voz para saber que era Julia. – Grey. – ela se debruça no sofá, entre mim e Jean.
— Bom dia, Stark! – falou Jean.
— Estrela. – falei, lhe fazendo um “toca aqui”.
— E aí, Mental?
— Vocês gostam dos seus codinomes! — falou Jean divertida.
— E como está nossa "Caça ao Hulk"? — perguntou Julia.
— Steve, Sam e eu estamos mais consentrados no amigo de Steve, o Barnes. — respondi.
— Soldado Invernal? — questionou a loirinha.
— Ele mesmo. — confirmei.
— Tenho que ir. — falou Jean se levantando — Só o professor Xavier sabe que estou aqui. A rixa entre os grupos é muito forte.
— Disso já sabemos. — confirmou Julia. — Tchau, ruiva.
— Até a próxima, Ju. — falou Jean, saindo se cena.
Sentia saudades da minha irmã mais nova. Depois de uma "aventura" em Asgard que descobrimos que ela era filha de Haimdall, Cléo estava diferente. Eu dizia: "Cléo, você é filha de um alienígena, e isso é muito legal!", mas ela respondia: "O que há de legal nisso? Ainda não passo de uma agente da S.H.I.E.L.D.!". Fiquei meses sem vê-la depois disso. Nesse tempo, esperei o desastre acontecer e tudo foi como previsto… isto é, quase tudo o que previ aconteceu, mas houveram situações que eu mal poderia imaginar que aconteceria. Como Bruce ter nos deixado.
Julia foi para a faculdade e decidi aproveitar para ir à sala de treinamento da Torre. A da Base dos Novos Vingadores era muito maior, mas mesmo sendo uma novata, já era conhecida por eles. Então, mesmo não liberada do treinamento dos "Calouros" (como eu chamo Falcão, Visão, Maquina de Combate e Feiticeira Escarlate), eu sou basicamente uma vingadora a mais tempo do que eles. Enquanto socava um saco de pancadas, senti a presença de mais alguém. Antes que ela pudesse perguntar a razão de eu estar socando um saco de pancadas se eu poderia usar meus poderes, eu respondi:
— Porque os poderes são úteis, mas é sempre bom manter a boa forma e diminuir a fama de sedentarismo dos telecinéticos.
— Bom dia, Zoe. — ela falou.
— Bom dia, Wanda. — respondi.
— Você respondeu uma pergunta antes que eu a fizesse?
— Mania minha. Sou uma pessoa apressada.
— Pra quem viveu 111 anos...
— Vai me acompanhar? Ou vai manter a fama de sedentarismo dos telecinéticos?
— Tenho coisas mais importantes para me preocupar. — ela falou, segurando um telefone celular.
— O Rogers disse que fez uma conta no Facebook para você.
— Tenho alguns convites para mandar. — ela riu.
— E o Barton? Está com a família, não é?
— Vai voltar hoje. Faz um mês que o filho mais novo, Nathaniel Pietro, — ela sorri ao pronunciar o nome — nasceu e ele está passando mais tempo com a família.
— Ele era diferente. Demorou tanto assim pro passarinho amadurecer? – pergunto zoando.
Ela riu e respondeu: — Quando o conheci, já era um homem então.
— Ou só teve um momento de maturidade. — comentei.
Nós duas rimos. Ela não estava feliz, mas tentava parecer. Perder o irmão, para ela, foi perder tudo. Pietro era tudo o que ela tinha. Se eu perdesse minha irmã, ficaria da mesma forma. E foi como fiquei quando Wanda me "presenteou" com essa alucinação. Nela, eu estava andando por um cemitério. Muitas pessoas que eu conhecia estavam lá. Eu mesma usava preto. Perto da capela, estava Natasha. Ela corre e me abraça, dizendo que sentia muito. Todos choravam. Até o beijo de Sam em meu rosto logo depois disse era triste. Quando entrei e vi o caixão, era Cléo. Os cabelos curtos e loiros ainda no ombro e sedosos, a pele clara estava pálida e ela estava... sem vida.
Dei as costas desnorteada e logo encontrei ela de pé e de olhos abertos, mas ainda morta. Seus olhos não eram mais castanhos como quando a conheci, nem laranjas como em Asgard ou amarelos como quando usa os poderes. Estavam brancos. Saia sangue pelo canto esquerdo de seus lábios. Ela dizia que a culpa era minha. A ilusão não durou porque eu mesma a interrompi.
— Romanoff quer falar com você. — informou Wanda — Disse que é importante.
— Estou indo. — falei.
Parei de socar o saco de pancadas e peguei minha garrafinha com água. Dei um gole e me retirei, ouvindo Wanda se despedir.
— Até mais, Mental.
Devido ao sotaque, ela pronuncia meu nome de uma forma meio que engraçada. “Mentáu”, na pronúncia em português também, sendo que na verdade é “Mentôw”. É essa a pronúncia, mas eu não ligo para isso. No caminho até um dos laboratórios (porque não há só um na Torre), encontrei Julia correndo com uma bolça. Provavelmente atrasada para a faculdade. Tem 16 anos e está no último ano em engenharia aeroespacial. Disse que vai fundar uma divisão de estudos espaciais nas industrias Stark, o que não me surpreende. Cheguei e encarei uma Natasha sorridente de costas pra mim e olhando um enorme monitor.
— Zoe, entre. – ouvi ela me chamar.
Me aproximei e perguntei: — Novidades?
— Enormes. Achamos ele. — ela respondeu.
— O Barnes?
— O Banner.
Meu coração acelerou. Bruce Banner?! Cléo sabe onde ele está, tento que me ligou para dizer, mas também disse que ele estava lá porque queria ficar só. Eu o compreendia. Mas Natasha o queria a qualquer custo. Tão louca de paixão e saudades que faria de tudo pelo homem na qual ela confiou seu coração. Apoiaria os dois juntos, se Bruce não tivesse tanto medo dela. Ele a renunciou para que ela pudesse estar segura. Isso tem um nome para mim: amor.
— Onde? – perguntei.
— Madagascar. Tenho as coordenadas. Avise ao Steve que vamos o quanto antes. — falou Natasha.
— Nat, não acha que ele provavelmente fugiu de propósito? — me permiti sondar seus pensamentos por um breve momento. Não era possível que ele dois: — Pretendiam fugir juntos?
Ela se virou para mim e questionou: — Achei que não lia a mente dos seus amigos.
— Dessa vez foi diferente. Eu sabia que estava me escondendo algo.
Há um tempo que ando lendo os pensamentos de Natasha. A maioria das vezes, a mesma coisa: "Bruce, Bruce, Bruce"... nunca pensei que a veria daquela forma por causa de um homem. Agora, fico mais conformada pelo meu rompimento com Sam. Ao menos não fiquei totalmente louca como a Nat.
— Nat, você não está bem. Está obcecada. Isso não é saudável. – falei preocupada.
— O que você faria, Zoe?! Nosso amigo, Bruce Banner, sumiu há meio ano e não fazíamos ideia de onde ele esteja. Agora sabemos. Qual é a atitude mais racional?
De certa forma, ela estava certa. Eu enxergava tanto a garota apaixonada e desesperada que mal percebi que um amigo havia desaparecido. Eu me preocupei mais com a saúde mental da minha amiga do que com o nosso amigo que não fazíamos ideia de onde estava.
— Tem razão. Avisamos ao Steve?
— Sim. Vamos o quanto antes. — ela respondeu.
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