Londres de Sangue
3 Sobre fortes ventos
Eram umas 17h32min quando chegaram ao restaurante. Este percebe que já fora lá uma vez com seu amigo, quando ambos investigavam o sumiço de um policial. Tudo parecia bem diferente agora, o local fora reconstruído, o bairro abrigara um comércio muito ativo, as fachadas das lojas tinham um ar convidativo. Mas ele logo se recordou de quem trabalhara lá. O Sr. Ross Moore nunca parecia estar cansado, nem mesmo tendo passado de seus cinquenta e poucos anos. Ele sempre fora um homem muito educado e simpático.
Mas essa não era mais a aparência dele, não apenas dele, mas de todos os que viviam por lá. Os terríveis casos de assassinato ocorridos há quatro anos assolaram a todos, o que deixara Julian se sentindo cada vez mais atormentado.
Stephen e Louis esperavam em frente o local enquanto este se dirigia ao velho.
— Sr. Ross, como vai?
— Olá, desculpe-me, mas eu o conheço? .
—Sim, não se lembras de min.? . Ou melhor... Não ouviste falar mais a meu respeito?
— Desculpe, mas não.
— Vim aqui investigar o sumiço do policial Lewis Simpson, há uns quatro anos atrás, o qual tu me ajudaste bastante no caso.
— Ah sim, agora me lembro. Como poderias esquecer. – Diz o velho com um tom desapontado. _ Foste tu que deixastes aquele monstro fugir.
Fora como uma pancada bem forte na cabeça de Julian, o que fez com que o mesmo parasse por alguns segundos, se lembrando da terrível fatalidade. Por mais que ele já tinha se dado conta de que a população já não valorizava mais seu trabalho, não esperava; não vindo de um velho conhecido.
“É estranho... Tantos casos já resolvidos, tantas pessoas foram ajudadas por min. E quando não consigo algo, todos passam a me odiar. Até quando tudo isto vai durar?”. – Ele pensou.
— Pois bem, ache o que quiseres; senhor. Tenha uma boa tarde. – Diz o detetive, com um semblante de raiva em seu rosto.
— Conseguiste alguma informação? . – Murmura Stephen.
— Não, ele não pode nos ajudar, não mais.
Ao entrarem no estabelecimento, estes se dirigiam a um dos empregados do local.
Era um homem de aparência jovem, não muito forte, barba por fazer e olhos bem claros, do qual Daisy costumava sair.
— Boa tarde, jovem.
— Olá, algum problema? . – Diz o rapaz, já tendo se dado conta de quem se tratavam.
— Poderias me dizer se um homem chamado Peter Wright trabalha ou já trabalhou aqui? – Pergunta o detetive, com certa esperança de que seja ele o rapaz mencionado.
— Sim, é um amigo meu, não o vejo há uns dois dias. O quê houve?
— Estamos apenas o procurando. Sabe onde moras? . – Pergunta Louis.
— Ele está morando em um apartamento, na South Kensington. – Diz o jovem.
— Sabe se ele andou saindo com alguém nos últimos dias, quero dizer... Uma mulher? . – Pergunta Julian.
— Uma vez ele me disse ter conhecido uma garota, um pouco mais nova que ele, mas não disse mais nada. Por que estão me fazendo estas perguntas? , Ele fez algo errado? . – Murmura o jovem.
— É isso o que estamos tentando descobrir.
Ele então logo partira junto a seus dois parceiros. Este local já não era mais uma boa lembrança, não mais.
Durante o trajeto, Julian questionou-se se devia ou não mostrar a carta que encontrastes no local do crime a seus companheiros. Mas ele sabia que, se quisesse descobrir do que ela se tratara e quem a escrevera; não poderia confiar em ninguém, até mesmo em seus amigos.
Já estava escuro quando chegaram, estava muito frio e dava indícios de que uma forte chuva estará prestes a cair sobre suas cabeças. Poucas pessoas passavam. Tudo estava quieto e o vento soprava como se quisesse os derrubar da carruagem. Julian estava cansado, não fora um dia fácil para ele. No caminho se lembrara de que devias ir a sua casa, falar com a Srta. Catherine Scott, que seu casamento seria mais uma vez interrompido. Mas sua vontade de pegar o culpado era grande demais para que pudesse se dar a o luxo de descansar. O assassino poderia ter fugido e isso era o que ele menos desejaria que acontecesse.
Eles procuraram em todos os bairros de Kensington, até que finalmente conseguiram informações com o criado de um dos apartamentos, o qual pode confirmar a identidade do sujeito.
— Ele mora no quarto 36, senhor.
— Muito bem, nesse caso gostaríamos de visitar seus aposentos.
— Desculpe-me, mas, vocês não podem subir até que eu o informe de que o procuram; senhor.
— É melhor eu lhe dizer quem é este senhor. Este é o inspetor Julian, da Scotland Yard, precisamos falar com Peter Wright o mais depressa possível. – Diz seu amigo Stephen, com um tom de pressa em seu olhar.
O rosto do homem iluminou-se num clarão de repulsiva surpresa.
— Tens o visto ultimamente? . — Pergunta Louis.
— Agora que me lembro, faz um tempo que não o vejo. Os três então rapidamente subiram até o local. A porta estava trancada, tudo estava muito quieto e ninguém passava no corredor.
— Pode ser que ele não esteja. – Diz Louis.
— Só vamos descobrir quando entrarmos, meu caro. – Murmura Julian.
O inspetor então bate na porta, mas sem sucesso. Por baixo dela, podes perceber que estava tudo escuro, ele então rapidamente puxara sua colt que estava em seu casaco, o mesmo faz seus dois amigos. Ele sempre evitou usar armas, só as usava em casos extremamente necessários, como hoje.
Ele chutara a porta com demasiada força até que esta se abra. Aparentemente não havia ninguém, a sala parecia estar suja, via-se um armário repleto de bebidas e talheres de prata, o qual parecia não ter sido usado a um tempo. O quarto estava vazio, porém os aposentos deixavam ver claramente que pouco antes haviam sido vasculhados.
Por um momento, eles puderam ouvir um barulho, parecia a voz de uma pessoa. Não dava para distinguir ao certo se tratava-se de um homem ou uma mulher. O som não vinha da sala, nem nos corredores da casa, mas no banheiro.
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