Londres de Sangue
1 A carta
Londres, 1892
Julian Wiltgen, Inspetor detetive da policia metropolitana de Londres, Scotland Yard. Junto com seu parceiro Christopher, ambos já solucionaram os mais diversos casos como o desaparecimento da Madame Amy Powell, o assassinato do Duque Escocês Effie Maclntyre e o assassino de King Cross.
O que fez com que ambos se tornassem os melhores detetives do país.
Atualmente, Julian tenta resolver três dos casos mais complexos e inesperados de sua gloriosa carreira. Sua desavença com seu antigo amigo e seu casamento com a Srta. Catherine Scott.
— Você sabe amor, não é tão simples assim quanto pensas.
— É claro que é. Nós nos conhecemos há quatro anos e já moramos juntos há tanto tempo. – Murmura a Srta. Scott
— Há um ano e pouco, você quer dizer. – Retruca Julian.
— Tu sabes que não é de costume morarmos juntos sem nos casarmos, certo? , e além-disso, garanto que não é tão complicado quanto o seu trabalho.
— De fato, apesar de achar ambos difíceis, meu trabalho não é lá tão agradável e interessante assim como em um romance de Edgar Allan Poe ou em um estudo em vermelho. É como Christopher vivia me dizendo: "Quando você começa a olhar ao redor, tudo parece tão inóspito. O céu tão cinza e vazio. É como se ele estivesse refletindo todos nós". Ás vezes, até eu me pego se perguntando do porquê de ter me tornado um detetive. Se nem menos posso me casar. – Ele conclui.
— E tu és o melhor nisto, amor. Só acho que o chato do Christopher andou enchendo sua cabeça com coisas deverás despretensiosas.
— Ele não era tão chato quanto pensas, querida, apesar de não estarmos mais trabalhando juntos. além-disso, sem ele, eu jamais poderia ser quem sou hoje. _ Ele fumava descontroladamente, é prepotente e demasiado arrogante. Tem razão, ele não é chato, é insuportável! . Tenho certeza que vocês fizeram certo em se separarem. – Exclama a Srta. Scott.
— Querida, esqueça isto. Tu sabes que eu a amo e que nos casaremos em breve. Amanhã falamos mais a respeito disto.
— Tudo bem, querido.
No mesmo instante em que encerravam a conversa, á Srta. Scott desligara ás luzes do quarto e deita-se sobre o corpo de Julian onde esta o beijava intensamente. Quando ele finalmente a interrompe por um instante.
— Querida, sabe o que podemos fazer antes de nos casar?
— Não imagino.
— Podemos ter um filho. – Diz Julian com um sorriso sarcástico em quanto olha nos olhos de Catherine.
— Você é tão bobinho, amor. Disseste-me isso alguns dias depois de nos conhecermos. – Diz ela, sorridente.
— A, esqueça aquilo, pois eu já havia feito isto. – Ele diz, constrangido.
Por volta das 05h38min da manhã, Julian desperta ao ouvir alguém batendo em sua porta de maneira incessantemente.
— Está chovendo muito forte lá fora. Quem poderia ser? .
Ele então lembra ter dispensado sua empregada na noite anterior, o que faz com que desça para atender o inoportuno sujeito. Ao abrir a porta, este observa seu colega e também policial Mitchell Turner, completamente encharcado.
— Sinto muito tê-lo chamado a está hora, Mr. Julian.
— O que o trazes aqui? . – Ele diz com uma cara de quem quer voltar a deitar-se o mais rápido possível.
— Senhor... É sobre sua irmã Daisy.
— O que houve com ela? .
— Eu peço que venha conosco neste exato momento.
— Como assim? . Não estou entendendo.
— É que não sabemos exatamente o que houve. Por isso o chamamos.
Julian então veste seu casaco e rapidamente coloca os sapatos enquanto seu colega o esperava.
Eles saíram por volta dás 05h49min da estação de Farringdon, passamos pela King Cross, em seguida á York Road até chegarmos a Caledonian Road ás 06h07min.
Há essa hora, já havia amanhecido, porém a chuva continuava a pairar sobre a cidade.
A carruagem parou em frente a um local utilizado para peças de teatro, onde Daisy costumava atuar. Ao entrar no local, ele se depara com inúmeros policiais e também alguns membros do teatro e amigos dela.
Um dos membros do teatro para sobre ele com uma expressão de pânico.
— Nós... Não sabemos o que aconteceu, ela estava tão contente há uns dias atrás.
Ele decide então perguntar a ele sobre sua irmã quando um dos policiais o interrompe.
— É por aqui, Mr. Julian.
Ao chegarem aos fundos do local, ele se depara com aquilo que, apesar de extremamente doloroso, já parecia inevitável.
O corpo de sua irmã já sem vida, uma corda presa a uma viga e a outra em seu pescoço. O corpo estava de costas para todos. Apesar de já ter visto inúmeros casos assim, não imaginava que isto fosse acontecer, não com sua irmã. Eles já não se falavam a um tempo, mas ele a conhecia bem, ambos tinham tantas recordações um do outro, sua irmã sempre fora uma garota tão alegre e sorridente. O que fez com que Julian logo suspeitasse de algo.
Um de seus amigos e também detetive Louis Murray logo chegara ao local. Quando o mesmo se dirigia a seu colega.
— Lamento muito por isto, amigo. Se você quiser, pode deixar isto comigo. – Ele diz com certo tom de tristeza.
— Não tem problema. Eu ficarei com o caso.
Louis sempre fora um bom rapaz, se tornou um detetive logo após os crimes cessarem. Sua determinação em pegar criminosos era grande, porém sua capacidade em analisar mínimos detalhes não se equiparava com as de Julian.
— Entendo. Você já falou com Christopher? . Ela também era uma conhecida dele, certo? .
— Não, não falei com ele desde a última vez que brigamos.
— Sabemos a hora em que o suicídio ocorreu? -Pergunta Louis.
— Acreditamos que tenha acontecido por volta das 2h35min. – Diz um dos policiais.
— Não, não foi suicídio. – Afirma Mr. Julian.
— Amigo, sei que você a conhecia como ninguém, mas tudo indica que ela cometeu tal ato. – Diz Louis.
— Nem tudo. O corpo dela está muito limpo. Geralmente mortos por enforcamento contém fluidos e detritos como urina e defecação. Ela fora trazida para cá já sem vida. – Ele diz.
— Geralmente, não sempre, você quer dizer. – Refuta Louis.
— Olhe para o chão, amigo. A marcas de sapatos, como se algum homem tivesse a arrastado.
— Como podes ter certeza de que é um homem? – Diz um dos amigos e companheiro de peça de Daisy.
— Uma mulher dificilmente teria feito isto e além-disso, pelo que vi muitos dos que trabalham aqui são homens, não? .
— Sim, a maioria. – Diz o rapaz.
— Pois bem. Quero que vocês encontrem um por um e os levem até a Scotland para interrogá-los o mais rápido possível. – Ele diz aos policiais.
— Podemos retirar o corpo daqui, Mr. Julian? .
— Podem sim. Assim que eu terminar de examiná-lo. Por hora quero que vocês saiam. – Ele diz.
Assim que os investigadores se retiraram, ele então começara a investigar todo o local. Ele vai até onde sua irmã ensaiava, entra no palco e por um instante, começa a imaginar Daisy atuando em um burlesco, do qual seu amigo Chris adorava chama-lo para assistir quando mais jovens. De volta ao corpo de sua irmã, este procura pistas em suas roupas, onde encontra uma carta no bolso esquerdo da calça. Ao abri-la, ele logo percebe que a carta esta com marcas de mãos. No entanto, não é isto que o intriga, mas algo bem mais sinistro esta presente nela.
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