London Love

34 Um possível fim do trato


Notas iniciais
Oii Então, vocês devem estar querendo me matar enforcada pela minha demora. Eu não culparia vocês já que fiquei uns meses ai sem postar absolutamente nada no site. Gente, me desculpem, eu tenho bons motivos para ter sumido. Bom, acho que vocês devem ter notado que eu to começando (ou já tinha e não sabia) a ter depressão e as coisas ficaram bem complicadas pra mim nessas últimas semanas. Eu tinha melhorado muito comparado ao começo do ano, mas ai umas coisas aconteceram mês passado e eu comecei a ter recaídas. Eu não vou poder fazer o curso que eu sempre quis na faculdade, tudo deu errado e eu não faço a menor ideia do que o menino que eu amo sente... então, vocês podem ter uma ideia de como minha cabeça anda numa bela merda. Desculpem de coração, eu juro que volto a escrever. Alguém aqui lê "Imortal"? Se sim, queria avisar que vou abandonar a história. Não consigo me focar nela e tem muuuuitos detalhes, por isso eu precisaria escrever só essa fic e mais nada. Então sorry, mas Imortal já era, amores :( Beleza, dei meu aviso, espero que gostem do cap. Eu não gostei, mas foi o que minha cabeça conseguiu desenvolver. Boa leitura :)

Aquele beijo não deveria ter durado nem sequer dois segundos, porém, contra minha vontade acabou por durar mais do que deveria. Passaram-se segundos intermináveis de inconsciência minha até que finalmente percebi o quão errado aquilo estava sendo. Eu não poderia beijar Tyler. Eu não poderia ter sentimentos por ele, não depois do que aconteceu entre nós alguns anos atrás.

E acima de tudo, eu não poderia deixar que aquele beijo continuasse.

Tudo aconteceu rápido demais, tanto que só me dei conta do que havia feito quando Tyler se contorceu afastando-se de mim. Ele tinha as mãos pousadas em algum ponto do rosto e gemia como se estivesse sentido algum tipo de dor.

– Scarlet!! – reclamou ele alto demais considerando que estávamos em meu camarim com um filme sendo gravado do lado de fora. – Mas que... Ergh, droga! Você me deu um tapa!

Ainda em estado de choque, olhei para minhas mãos, as quais pareciam um pouco avermelhadas e ardiam. Apenas quando Tyler finalmente se virou para mim e eu tive a visão completa da marca de meus dedos em sua bochecha esquerda indicando que eu realmente havia dado um tapa em seu rosto.

– O que você queria que eu fizesse?! – o choque já se dissipara. – Merda, Tyler, por que me beijou?!

Seus olhos castanhos me estudaram por longos segundos como se ele procurasse no fundo de sua mente uma resposta que não parecesse uma completa loucura. Na verdade, qualquer coisa que ele pudesse dizer agora soaria como uma loucura, afinal, ele me beijara depois que minha vida se tornou completamente louca.

– Por que eu te beijei?! – Tyler se aproximou até que estivesse a centímetros de mim. – Você é burra ou o que, White? Pelo visto você já deve ter se esquecido do dia em que eu disse que estava apaixonado por você! Estou pouco ligando se você não sente o mesmo, o que eu duvido considerando que resolveu me ajudar de bom grado apesar de dizer me odiar, mas eu não posso parar. Eu sempre fui apaixonado por você, White. Só fui muito burro de só perceber isso agora!

Por extinto, dei um passo para trás. Não apenas porque estava apavorada com toda aquela situação, mas também porque precisava respirar. Não conseguia absorver todas aquelas informações com clareza sem que eu endoidasse por estar ouvindo que Tyler Blackwell ainda era apaixonado por mim. Justamente aquele maldito ator com pinta de bad boy que havia feito eu me apaixonar anos atrás.

Só podia ser uma brincadeira.

É, o destino tem um sendo de humor afinal.

– Você está confundindo as coisas.

Tyler riu, porém com uma risada carregada de sarcasmo.

– Não, eu não estou confundindo nada, White. Eu estava me jogando em drogas, álcool e todo o tipo de merda apenas para não pensar que isso estava acontecendo. Pode até ser que eu estava me matando, porque sou um idiota, mas em parte foi tudo culpa sua. Eu queria tirar você da minha cabeça e não importa o que eu fazia, você continuava me perseguindo. – ele estava furioso, tanto que não me surpreendi ao socar a parede com uma força exagerada. Agora, estava de costas para mim com a testa encostada de leve em sua mão pousada sobre a parede que socara. – Eu finalmente esquecia e você aparecia sorrindo em algum programa de fofoca. Lá estava ela, Scarlet White saindo com um daqueles garotos mimados da banda que você sempre gostou. Sorrindo como se a vida fosse a coisa mais maravilhosa do mundo.

Eu deveria ter falado alguma coisa. Sei lá, qualquer coisa. Mas continuei ali encarando à silhueta de Tyler Blackwell como se ele fosse algum tipo de estátua de milhões de anos em um museu. Por um momento, eu realmente admirei ele por estar dizendo aquelas coisas, pois o Tyler que eu conhecia nunca seria capaz de pelo menos parecer sentimental. Porém ali estava ele dizendo que tentou me esquecer e que estava apaixonado por mim.

– Mas sabe o que é pior disso tudo? – agora ele estava voltado para mim. Sua expressão era carregada de ódio, arrependimento, dor. – Você não seria capaz de sentir o mesmo que eu, porque já sente isso por outro. E não tente negar, White, você está completamente caída por aquele cantor. Qualquer um que seja esperto o suficiente pode perceber isso só de olhar para a sua cara!

Eu deveria me sentir ultrajada? Talvez irritada ou completamente indignada? Pois deveria, porém por mais que a sensação que me pesava o peito fossem com esses sentimentos, eu não conseguia dizer nada. E o porquê estava óbvio, afinal, ele estava certo. Eu estava além de apaixonada por Henri Price e qualquer um com olhos poderia facilmente enxergar isso.

Mas ainda assim, apesar de ter a completa noção do que sentia ou deveria deixar de sentir, eu ainda preferia que Tyler não jogasse isso na minha cara. Pelo menos não naquele momento. Estávamos em meu camarim no estúdio de gravação de um filme com certa importância pelo simples fato do diretor ser muito bem conhecido. Então, aquele não deveria ser o melhor lugar para discutir quem estava apaixonado por quem.

O que de longe já bastava para me causar náuseas.

– Eu não quero resolver isso aqui.

Droga, agora já era. Minha voz saíra baixa demais, meus olhos não o encaravam de volta e para completar, eu cutucava minhas unhas como uma forma de não olhá-lo nos olhos. Eu parecia uma criança ou talvez uma adolescente tímida que acabara de descobrir que um cara gostava de mim.

Bom, tecnicamente era o que estava acontecendo.

Ah, inferno, como eu queria Ana comigo agora.

– Ah, não quer resolver isso aqui? – ele me atacava com o simples movimento de seus ombros voltados em minha direção. Ele estava próximo demais, o bastante para que eu sentisse sua respiração quente em meu rosto à medida que falava. – Bom, Scarlet, sinto muito, mas eu quero resolver isso aqui e agora.

Por mais que toda a timidez que eu ao tivera por meses estivesse atacando de uma só vez, eu me vi encarando-o de forma furiosa e empurrando Tyler para longe de mim. Talvez tenha sido uma crise, mas isso eu jamais saberia, a única coisa que me se passava em minha mente era o fato de eu estar furiosa.

– Sério?! Bom, e eu sinto em informar que não quero resolver isso. – Tyler me fitava de forma confusa enquanto seus dedos tocavam a parte sensível em seu peito onde eu o empurrara com força. – Estou cansada disso, Blackwell, se não quer me ajudar a ajudar você mesmo, vou falar com Jason e acabar com nosso acordo. Trate de lidar com essa situação feito um homem, porque se continuar aprontando, eu juro que conto para alguma revista que você se afoga em álcool e drogas quase todos os dias.

Minhas palavras saíram duras, maldosas e frias, porém eu não ligava. Já não dava a mínima se ele ficara decepcionado ou triste comigo, tudo o que eu queria era paz.

Ele não se moveu imediatamente. Na verdade, permaneceu encostado na parede para onde eu o empurrava e me fitava com certa... curiosidade e até mesmo um pouco de decepção. Eu não era nenhuma especialista no ramo de quebrar corações, porém conseguia ver um de longe, não apenas porque ele me encarava como se isso o queimasse por dentro, mas porque mal conseguia disfarçar a raiva que começara a sentir de mim.

– Acha mesmo que seria capaz de dizer isso para alguma revista? – eu o ouvi dizer finalmente se movendo, mas um riso abafado escapou de seus lábios. – Amor, isso acabaria com seus planos. Como você mesmo disse, isso traria uma imagem negativa para o filme, pois ele teria no elenco um drogado alcóolatra. Mas vamos fazer do seu jeito, White. Eu vou me controlar, só não espere que eu seja um completo anjo com você quando estivermos sozinhos. – ele se aproximou novamente de mim fitando-me com olhos perigosos. – Você conseguiu o que queria, White. Eu vou deixa-la em paz.

E pisando duro e não dando a mínima para o estrondo que a porta fizera ao bater, Tyler deixou meu camarim sem nem ao menos olhar para trás.

Mas apesar de ele afirmar que me deixaria em paz, eu não acreditava naquilo nem ao menos um pouco.

[...]

Passaram-se horas até que eu me recuperasse mentalmente do que acabara de acontecer, tanto que quando deixei o camarim, tudo o que vi do lado de fora foram pouquíssimas pessoas ainda trabalhando. Grande parte do elenco já havia ido para casa, agora só restavam alguns técnicos e estagiários contratados há pouco tempo. Ainda atordoada, deixei a pequena sala incomodada com o peso de minha pousa, apesar de terem poucos objetos dentro dela. Meus pés pareciam movimentar-se de forma automática, como um verdadeiro robô.

Talvez eu fosse isso, um robô. Eu possuía os sentimentos controlados por meu pai, era manipulada por meu ex namorado e colega de trabalho e bom, era instruída a seguir um roteiro de um filme todos os dias. Eu podia ser facilmente confundida com um robô.

– Ahn... Scarlet? – uma voz feminina vinda de trás de mim chamou minha atenção, fazendo com que eu virasse para trás e encontrasse uma mulher.

Ela deveria ser apenas um ou dois anos mais velha, bem mais baixa que eu com 1,60 metro no máximo, longos cabelos negros caindo em cascatas de ondulações pelas costas. Tinha feições suaves e parecia uma típica estudante de faculdade ou coisa parecida.

Foi só quando observei a câmera em sua mão que me lembrei dela.

– Você é Jordan... certo? – eu ainda estava um pouco atordoada. Bom, a primeira impressão que ela teria de mim seria que eu era totalmente doida. – A estagiária do Jason.

– Sim, sou eu mesma! – ela sorriu brandamente como se tivesse recebido a melhor notícia do mundo. – Ahn... desculpe atrapalhar, mas eu a vi saindo de seu camarim e parecia um pouco confusa. Está tudo bem?

A pergunta me pareceu uma constatação de que ninguém ouvira a gritaria da briga que tive com Tyler, mas também ela poderia muito bem estar perguntando por educação, algo que eu esperaria muito bem dos britânicos.

– Sim. – resmunguei novamente repetindo o mesmo ato que fiz quando Tyler tentou me enfrentar. – É que... minha vida já foi um pouco mais fácil.

Jordan me fitou de forma confusa. Bom, eu não a culpava por isso, afinal, uma atriz consideravelmente famosa e melhor amiga e madrinha de uma banda conhecida mundialmente não deveria ter uma vida lá tão difícil. Porém, ali estava eu quase desabafando com uma completa desconhecida depois de discutir com o ex namorado e colega de elenco.

O quão estranho isso pode ser?

– Olha, eu não sei se posso ser a melhor pessoa para você conversar já que não nos conhecemos, mas... posso tentar. Se você quiser, claro. – ela sorriu de forma gentil. – Você parece precisar de alguém para desabafar.

Um suspiro escapou de meus lábios.

– Eu acho que uma pessoa de fora pode acabar ajudando mais agora que uma pessoa que me conhece bem. – meus olhos fitaram ao nosso redor pausando entre as poucas pessoas que ainda estavam no estúdio. Ao que parecia, todos estavam prontos para ir embora. – Mas acho que aqui não é uma boa ideia, todos estão saindo.

– Isso é mesmo, já está meio tarde. – seus olhos abaixados indicavam que ela pensava em algo. Mas então, seu olhar se iluminou como se ela tivesse tido uma ideia. – Ei, quer uma carona, Scarlet? Podemos ir conversando até lá.

Devo ter ficado fitando Jordan por alguns segundos, pois minha mente vagou sem minha permissão. Eu encarei a garota à minha frente tentando entender como, por coincidência, ela surgira exatamente no momento que eu mais precisava de uma amiga, porém uma amiga que não me conhecesse e não estivesse a parte de tudo o que ocorria em minha vida. Sua opinião seria diferente de Ana, por exemplo, pois ela sabia de tudo e sua visão não seria geral e sim, em relação ao que ela já vira.

A verdade era que eu precisava de Jordan, apesar de não saber nada além de seu nome e o que estava fazendo naquele estúdio.

– Tudo bem, acho essa uma ótima ideia, Jordan.

Notas finais
Tylerzito, não gosto mais de você u.u Espero que vocês comentem, margaridas, beijocas xx