London Love

35 Primeiro tapete vermelho


Notas iniciais
Pois é, eu não morri hahaha boa leitura ^^

Eu contei tudo. Cada detalhe, cada um dos dias, cada um dos acontecimentos. Cada suspiro, cada palavra, cada briga. Tudo o que eu passara nos últimos meses contando os dias que passei ainda no Brasil, eu contei para Jordan, a garota que eu já começava a chamar de mulher-maravilha. Entenderia caso ela me chamasse de louca e dissesse para eu me internar em uma clínica psiquiátrica e entenderia caso ela desistisse de me ajudar. Porém, a garota um ano mais velha que eu permaneceu em silêncio sentada no banco do motorista com a expressão sempre séria, mas ainda assim, atenta. Ela não sorria, não suspirava e nem sequer dizia qualquer coisa que fosse, apenas permanecia ali em silêncio ouvindo cada detalhe de minha história.

E quando enfim acabou, a observei fitar-me por ainda alguns segundos até que finalmente decidiu se mover.

– Scarlet, você está fazendo uma tempestade em um copo de água. – eu mal pude evitar a encarar com total surpresa ao ouvir isso. Em resposta, Jordan riu. – É sério! Presta atenção, as coisas podem parecer estar totalmente ao contrário de você, mas se você começar a se focar mais no lado positivo de tudo, pode acabar vendo a resposta. Seu pai precisa aprender a ser menos controlador e aceitar que você ama Henri. Sobre Tyler, eu realmente acho que as coisas podem ser complicadas, mas está na hora de vocês dois pararem de querer se matar.

Pensei em responder, porém nada me veio em mente. No fundo, mas bem no fundo, eu sabia que Jordan estava mais do que correta. Eu realmente fazia uma tempestade em um copo de água, mas tudo acontecia rápido demais e começava a se misturar, por esse motivo, o lado positivo de toda aquela situação parecera desaparecer em meio a uma grande confusão.

– Olhe, pelo o que eu vi do Tyler Blackwell, ele é uma criaturinha complicada. – nós duas acabamos rindo. – E muito! Mas tente observar os atos dele, ele parece gostar ainda muito de você. Talvez seja difícil aceitar, porque vocês dois possuem um histórico de brigas bem complicadas, mas tire isso e veja só pelo o que acontece agora. Ele não aceitaria esse trato que vocês fizeram se ele não sentisse nada.

– Tyler aceitaria qualquer coisa que fosse ao favor dele. – murmurei sem conseguir não revirar os olhos. – Ele é egoísta. O mundo gira em torno dele na cabeça daquele imbecil.

Jordan sorriu.

– Bom, se é isso que você pensa... – ela deu de ombros. – Sério, pense melhor, Scar. As coisas vão acabar se resolvendo ainda mais rápido do que você pensa.

Um sorriso, o qual eu não fazia a menor ideia que conseguia exibir, surgiu em meus lábios no momento em que sua frase acabara. As palavras de Jordan foram como um enorme peso de minhas costas tivesse sido retirado e eu finalmente podia respirar. Talvez ela tivesse razão, eu estava mesmo fazendo uma tempestade em um copo de água. Talvez, eu só precisasse olhar as coisas de uma forma diferente.

– Obrigada. – seu olhar era de ternura, como o de uma amiga de muitos anos. Eu me sentia confortável o bastante com ela para pensar sobre Jordan dessa forma. – Você me ajudou muito.

– Não precisa agradecer, Scarlet. Eu gosto de ajudar as pessoas, acho que é por isso que minha mãe queria que eu fosse psicóloga e não atriz. – ela riu.

– Você quer ser atriz? – franzi o cenho. – Então por que é estagiária e não tenta um teste?

Jordan coçou a nuca de forma constrangida.

– Ah, eu bem que queria. Mas não consigo. Ser atriz é bem mais difícil e complicado do que eu pensava. – ela suspirou. – Quando vim para Londres, pensei que seria mais fácil. Mas quando soube sobre os testes para o filme de Jason, eu... eu travei. Não consegui nem ao menos entrar na sala.

Eu não respondi logo de imediato. Na verdade, uma sucessão de pensamentos tomaram conta de minha mente, jogando-me possíveis ideias do que eu poderia fazer com Jordan. Ela havia me ajudado, fora uma completa estranha que mais conseguiu me aconselhar do que ninguém jamais conseguira e por isso, eu precisava ajuda-la. Ficaríamos quites.

– Hum... acho que posso fazer alguma coisa sobre isso. – um sorriso amigável escapou de meus lábios. – Você me ajudou, agora é minha vez de ajuda-la.

[...]

Eu estava parada em frente ao espelho encarando à mulher que me encarava de volta com expressão atordoada e lábios entreabertos. Noah estava do outro lado da porta de meu quarto cantarolando alguma música dos Beatles que não reconheci logo de cara esperando que eu finalmente saísse do quarto para que nos juntássemos aos outros meninos.

Mas eu havia travado. Na verdade, a mulher que me encarava de volta no reflexo do espelho havia travado. Ela tinha cabelos médios num tom de loiro escuro, os quais estavam presos em um coque acima da cabeça um pouco bagunçado de propósito. O corpo magro, mas ainda atlético se escondia atrás um vestido de comprimento médio de tecido num tom de vinho. Possuía um decote em formato de coração e sua cintura era transparente por conta da renda que delineava o corpo da mulher. Nos pés, ela usava um salto preto fechado. Não havia joias, pelo o que pude notar, exceto por um par de brincos prateados que capturaram minha atenção quando passei pelo rosto tão conhecido.

Eu estava diferente com aquela maquiagem, quase não parecia a mesma. Um esfumaçado preto tomava conta de meus olhos, destacando a cor clara e fazendo com que eu tivesse um olhar um pouco mais misterioso que o de costume. Meus lábios haviam sido contornados por um batom nude, o qual fazia a atenção de quem me olhasse fosse voltada para meus olhos.

Depois de examinar mais algumas vezes o vestido e me certificar de que aquela era realmente eu, Scarlet White, respirei fundo deixando que o terror tomasse conta de meus sentidos. Eu o veria hoje. Henri estaria com os garotos na premiação e seríamos obrigados a nos ver depois de tanto tempo.

Seria uma confusão.

– Scar, está tudo bem ai? – ouvi a voz abafada de Noah soar do outro lado da porta. Logo depois, ele bateu de leve duas vezes. – Temos só mais cinco minutos. Precisamos ir.

Mais uma vez respirei fundo. De olhos fechados, tentei me lembrar das palavras de Jordan e repassa-las mentalmente para tentar me acalmar. Ela estava certa, eu estava piorando tudo. Talvez, ver Henri naquela noite pudesse me ajudar a entender que eu estava exagerando.

Ou não.

– Já estou indo. – respondi dando uma última olhada no espelho.

E então, abri a porta finalmente vendo Noah. Ele usava um terno preto de corte elegante, quase não se parecia o mesmo Noah, o qual sempre pareceu tão despreocupado e um pouco despojado em relação às roupas e o cabelo. Hoje, ele estava elegante e seu cabelo loiro estava arrumado com gel de uma forma que ficasse parecido com o de seu irmão gêmeo Zack.

– Ual, Scar! – ele me olhou de cima a baixo exagerando na expressão surpresa. – Você está linda! Vai todo mundo invejar a banda por ter uma madrinha tão gata.

Eu ri nervosa.

– Obrigada. – o loiro estendeu o braço como vimos artistas fazerem tantas vezes em filmes de bailes. Claro, dei meu braço a ele no momento em que ambos começamos a rir. – E você não está nada mal também, Sr. Thompson.

– Muito obrigado, Srta. White. – Noah fez uma pose todo cheio de si. Novamente caímos na risada. – Agora vamos para o carro ou Will vai mandar o motorista começar a buzinar.

Juntos, seguimos em direção à limusine estacionada bem em frente à casa de Tom – o mesmo que eu não via desde o café da manhã, quando ambos ignoramos um ao outro tomando uma xicara de café na mesma mesa. Hum, não fora muito agradável. Os garotos já estavam lá dentro, pelo o que pude notar, já que Will estava com a metade do corpo para fora do teto solar com a cabeça apoiada em sua mão direita como se ele tivesse ficado esperando muito tempo.

– Só para avisar, vocês demoraram demais. Eu já estava mandando Zack ligar para a polícia dizendo que alguém morreu na casa de Tom White.

Por reflexo, eu e Noah reviramos os olhos ao mesmo tempo.

– Como você é dramático, Will. – disse Noah de forma sarcástica. – Se fosse você demorando, ia querer sair da casa como uma diva dizendo que não estava atrasado, mas que todos estavam adiantados.

Will deu de ombros e para finalizar seu momento diva, passou as mãos pelo cabelo castanho claro arrumado para trás com gel como se tivesse um pente em mãos. Claro, e ainda por cima, desceu do teto solar para dentro do carro sem perder a pose.

Normal? Imagina.

Por mais que por fora eu estivesse rindo da encenação de Will, por dentro meu coração parecia querer pular para fora de meu peito a qualquer instante só com a imagem que surgiu em minha mente imaginando como seria rever Henri. Ele estava naquele carro, eu praticamente conseguia sentir isso, tanto que no instante em que Noah abriu a porta da limusine, meu corpo travou. Durante longos segundos, eu hesitei em dar um passo para dentro do carro e reencontrar a pessoa que eu amava e magoara.

“Só faça aquilo que te deixe completamente aterrorizada.”

Lembrei-me da frase que minha avó costumava me dizer todas as noites quando eu contava a ela sobre meu dia. Aquele conselho seria útil no momento, pois eu estava completamente aterrorizada.

Estou indo, vovó, vou fazer aquilo que me deixa aterrorizada. Vou rever a pessoa que eu amo e magoei.

No instante em que me coloquei para dentro do carro, minha mente ficara um breu total. Meus olhos seguiram para o interior da limusine encontrando Will sentado no banco oposto ao do ao lado da porta, Zack e Heiley ao seu lado sorrindo como forma de me cumprimentar e então, seguiram para a pessoa sentada ao lado da porta. Ele usava um terno preto perfeitamente arrumado e ajustado ao seu corpo atlético, os fios negros de seu cabelo estavam arrumados e muito bem penteados para trás deixando apenas alguns fios caindo sobre seus olhos azuis, os quais estavam voltados para o chão do carro. Henri não olhava para mim, na verdade parecia evitar olhar para qualquer direção que não fosse suas mãos apoiadas nos joelhos e no celular que subia e descia com o movimento nervoso dos dedos.

Mas o que me chamara atenção fora exatamente o fato de seus olhos estarem voltados para a frente, pois ao contrário de nosso passado, Henri não parecia o mesmo. Seus olhos azuis sempre emanaram um brilho que apenas os dele conseguiam, um brilho que fora o que me encantou desde o início.

Agora, não havia brilho algum.

Engoli um seco e me sentei ao lado dele, porém mais para a ponta do banco para que Noah se acomodasse entre nós dois.

– Ei, gêmeo, entra logo nesse carro! — disse Zack tentando quebrar o silêncio constrangedor que tomou conta do interior do carro. – Estamos atrasados.

– Já estou indo, apressado. – Noah finalmente fechou a porta da limusine e, como eu esperava que ele fizesse, sentou-se entre mim e Henri não hesitante em dar um tapinha no garoto calado que encarava à seus próprios dedos. – Ei, cara, vai para o lado.

Por um mero segundo, meu corpo congelou por dentro na esperança de que Henri pudesse dizer alguma coisa que eu ouvisse sua voz, porém, ao contrário do que pensei, ele apenas forçou-se a se jogar no canto oposto ao banco ficando ainda mais longe de mim.

Só não tive tempo de avaliar se era um alívio para ele ou para mim.

– Motorista, pode pisar no freio, porque tem uma banda que precisa chegar em uma premiação! – berrou Will para o motorista que logo no minuto seguinte, deu a partida na limusine.

A viagem para o local onde seria a premiação fora um pouco mais longa do que eu esperava, pois minutos depois ainda não havíamos chegado à arena. O carro permaneceu em um silêncio constrangedor, com apenas os sons externos fazendo com que não ficasse completamente quieto. Zack e Heiley pareciam os únicos alheios à qualquer constrangimento, pois permaneciam virados um na direção do outro trocando sorrisos e conversando sobre coisas particulares. Will e Noah se entreolhavam a cada, pelo menos, dois segundos e sempre terminavam a troca de olhares sobre mim ou o garoto calado do outro lado do banco.

Henri não havia soltado uma palavra sequer, tanto que para lembrar que ele ainda estava ali, eu teria que olhar para baixo e ver seus pés balançando de forma ansiosa ao lado dos de Noah. Ele parecia nervoso e eu não o culpava por isso, afinal, eu estava da mesma forma.

Só quando enfim sentimos o carro estacionar e a porta bem ao lado de Hei e Zack se abrir, o silêncio constrangedor terminou. Agora, os sons de gritos histéricos de fãs, flashes de câmeras fotográficas e conversas alheias eram o que nos deixavam quase desnorteados ao descer do carro. Eu deixei com que o casal e Will fossem os primeiros à deixar a limusine e só sai quando chegara a minha vez. No instante em que meus pés tocaram o lado de fora, fui inundada por uma onda de flashes, as imagens moviam-se rápido demais e por um instante, achei que fosse desmaiar.

Bem a minha frente, se estendia um enorme tapete vermelho com pessoas vestidas de forma elegante caminhando de um lado para o outro. Do meu lado esquerdo, fãs se aglomeravam de forma desesperada atrás de “muros” que os separavam do tapete vermelho.

Eu estava desnorteada e não fazia a menor ideia de como agir, tanto que pareci uma louca parada em frente ao carro com os olhos fixos sobre as milhões de coisas acontecendo ao meu redor.

– Não solta a minha mão. – ouvi alguém dizendo em meu ouvido no mesmo instante em que uma das mãos de Noah se entrelaçou a minha. – Agora é uma confusão.

Assenti ainda que de forma confusa enquanto era guiada gentilmente pela mão entrelaçada de Noah a minha por entre as pessoas do tapete vermelho. De longe, reconheci os integrantes de outras bandas, cantores famosos que sempre vi pela televisão ou em revistas e inclusive alguns atores que posavam para fotos. Para os fotógrafos, aquele era um verdadeiro buffet de fotos de pessoas reconhecidas pela mídia.

Juntos, seguimos para onde estavam posando para as fotos, porém minha atenção se alternava entre segurar a mão de Noah e procurar por uma única pessoa entre os garotos a minha frente. Henri não estava ao lado de Zack ou Will, ele estava bem atrás de mim e Noah sem dizer nada, apenas caminhava logo atrás de nós não se importando com os gritos histéricos de fãs chamando-o para uma foto ou simplesmente dizendo “seu gostoso!”. Se isso fosse em outro momento, eu teria gargalhado muito.

Guiando-nos por entre os figurantes e artistas, uma mulher responsável pela organização nos levou para onde posavam para fotos. Logo, entre as pessoas famosas encontrei Tom sorrindo para os fotógrafos parecendo alheio ao fato de que sua banda se aproximava. Meu pai quase não parecia o mesmo – usava um terno preto parecido com o dos meninos que se ajustava muito bem ao seu corpo, o cabelo grisalho fora arrumado de forma que o fazia me lembrar de galãs de hollywood dos anos 50. Por conta do sorriso, seu rosto exibia muitas rugas e apenas daquela forma eu pude notar como meu pai envelhecera. Quando cheguei em Londres, ele parecera tão jovem e agora... parecia que a idade o atingira de uma só vez.

– Meninos, Tom já disse como quer as fotos, certo? — reconheci Nathalie, a responsável por marketing que trabalhava na gravadora. Ao contrário das outras pessoas, ela usava um terninho vintage creme e um crachá de identificação no pescoço. – Scarlet, você fica na ponta com Noah logo ao lado, Will, Henri, Zack e Heiley. Ok? As garotas ficam na ponta por não serem da banda.

Nós todos assentimos e quando enfim Tom deixou o tapete, era nossa vez.

– Primeiro tapete vermelho, Scar! – disse Will brincando. Ele fingiu pular de alegria, algo que me fez rir. – Mentira, agora começa o inferno. Lembre-se de olhar para todos os lados, todos querem uma foto nossa. Só cuidado para não sair vesga!

Bom, Will, acho que esse é um de meus menores problemas nesse momento.

Notas finais
A partir desse capítulo, as coisas vão mudar drasticamente. Sério, muita coisa vai mudar e a história vai ficar mais cheia de suspense e mistério já que esses são os estilos que eu mais gosto de escrever hehe fiquem de olho no Tyler, ele vai ser peça importante no mistério do final de LL. Espero que gostem, beijocas :) x