London Love
6 Le lune
Notas iniciais
Meu pai conseguira vir me buscar no estúdio dizendo alguma coisa sobre eu precisar de um carro para me locomover por Londres e não ter que pegar táxis ou caronas todas as horas. Eu me sentia estranha em dizer que fui bem no teste, ainda mais porque a cara dele hoje não era uma das melhores, algo me dizia que o dia na produtora não fora muito bom.
Ele continuou falando sobre carros, mas eu não conseguia prestar muita atenção, afinal, como eu contaria? Eu não tinha muita experiência em contar coisas para pais, já que meus avós sempre sabiam de tudo que estava acontecendo na minha vida.
– E então, filha, como foi? – perguntou ele de repente. Meu sangue gelou. – Você não disse nada ainda sobre o teste.
– Ahn... – resmunguei tentando arranjar palavras. – Até que... bem. Acho que meu teste foi bom, o diretor pareceu feliz.
De repente, Tom abriu um grande sorriso de orelha à orelha. Surpresa com aquela reação, apenas o observei tentando dizer algo que fosse certo.
– Isso é ótimo! Parabéns, Scar, espero que você consiga. – disse ele ainda sorridente alternando o olhar sobre mim e a rua. – Quer que eu a leve para casa ou quer ir à produtora comigo?
– Os meninos vão estar lá? – logo me arrependi ao perguntar isso. Bom, eu gostava muito dos meninos, mas como meu pai estava tendo uma crise de ciúme de pai comigo, Henri e Will, falar isso não foi nada conveniente. – Quer dizer, é que Noah me pediu para contar como eu fui. Eles estão bem curiosos.
Meu pai me encarou por alguns segundos antes de dar de ombros. Ufa, essa passou perto.
Fomos para o prédio da produtora sendo recebidos por alguns fotógrafos. Confusa, tentei cobrir meu rosto não entendendo porque estavam tirando fotos de nós, ainda mais porque a única pessoa importante no carro era meu pai, empresário e produtor de algumas bandas do Reino Unido.
Conseguimos entrar no estacionamento do prédio quando dois seguranças conseguiram impedir que os fotógrafos nos seguissem. Meu pai me levou para dentro do prédio para irmos até o andar em que funcionava a produtora e o estúdio.
– Os garotos estão no estúdio, Scar. Eu vou para meu escritório cuidar de alguns contratos, qualquer coisa pode me chamar, está bem?
– Ok, pai. – falei antes que ele se virasse e se dirigisse para o final do corredor onde estava sua sala.
Segui pelo caminho que ele me indicou e consegui chegar na sala que funcionava um grande estúdio de gravação de músicas. Entrei em silêncio mal sendo notada vendo os meninos atrás do vidro que separava os instrumentos. Eles estavam cantando alguma parte de uma música nova que eu ainda não conhecia e por isso, não perceberam que eu estava lá.
Um homem que trabalhava me viu, mas não me tirou de lá, apenas sorriu como se soubesse que sou filha de Tom. Fiquei ouvindo a gravação dos meninos me sentindo a fã mais feliz do mundo por estar ouvindo uma música inédita. Depois de alguns minutos, os garotos puderam sair da sala separada pelo vidro para ouvir como ficara a música.
E com isso, acabaram me vendo.
– Scarlet! – disseram os gêmeos, mas Zack acabou empurrando Noah porque ele não quisera me soltar.
– Hey, Scar! – disse Will tirando os gêmeos do caminho para me dar oi. – Veio nos fazer uma visita?
– Sim, se não Noah ia sentir minha falta. – brinquei vendo-o coçar a cabeça como se isso fosse verdade. – Acabei de sair do teste.
– E ai, como foi? – Henri se manifestou pela primeira vez se colocando ao lado de Will bem a minha frente. – Eu... ahn, os meninos estavam curiosos.
Will e os gêmeos se entreolharam. É, eles sabiam de alguma coisa e não queriam me contar.
– Acho que fui bem. – eu disse sem graça, mas não conseguindo contendo a felicidade. Em resposta, os meninos (exceto por Henri) começaram a pular em cima de mim gritando e fazendo um escândalo. Claro, o homem que estava ali ao lado caiu na risada, ele deveria já estar acostumado com as bobeiras dos The Blue.
Eu não conseguia parar de rir com Zack me pegando no colo e pulando comigo. Ok, não sou acostumada com essa agitação, mas tenho que admitir que foi muito engraçado.
– Vocês vão matar a garota! – disse Henri conseguindo me tirar do meio deles, mas eu ainda ria e tive que me segurar nele para não cair. – Se eles já estão assim, tenho medo quando você for aceita!
Eu ri me sentando no primeiro banco que encontrei para poder sentar e terminar de rir. Era impressionante como apenas um dia já fora suficiente para fazer eu e os meninos amigos. Quando que eu ia esperar tê-los tão perto de mim?
– Acho que vocês já entenderam. – disse Noah encarando os garotos com um olhar sugestivo.
– Festa! – berrou Will parecendo animado com a ideia. Claro, ele era o mais visto em festa dos meninos, ainda mais com garotas, então eu já deveria esperar por isso. – Ok, temos que escolher a pub certa para comemorar o teste da Scar.
Todos olharam para ele, esperando que o próprio que dissesse qual seria, mas Will fez uma careta parecendo ofendido conosco nos referindo a ele dessa forma. Ele e Henri pensaram em algumas, mas a maioria parecia muito “balada” para esse tipo de comemoração.
– Heiley me disse que ela estava pensando em ir uma hoje a noite. – disse Zack olhando para uma mensagem em seu celular. – Podemos ir nessa e ela quer conhecer a Scar.
Heiley Josh era namorada de Zack, os dois estavam juntos há quase um ano sendo ele o único que namorava sério da banda The Blue. Eu só a conhecia por fotos, era linda, cabelos castanhos na altura do ombro, olhos bem azuis e alta para uma modelo internacional.
– Qual é o nome? – perguntou Henri se sentando no outro banco ao meu lado.
– “Le lune”. – disse ele coçando a cabeça. – Se eu não me engano, essa é nova, abriu semana passada.
– Pode ser essa mesmo! – eu disse mais animada do que achava que estaria, coisa que surpreendeu até mesmo os garotos. – Eu preciso de uma festa para relaxar!
[...]
Por sorte eu havia trazido alguns vestidos para esse tipo de ocasião, se não teria que comprar alguma coisa para vestir. O vestido não era curto e muito menos comprido, assim eu me sentiria mais à vontade para ir à uma pub e não parecer uma piriguete ou coisa parecida. Essa é a pior imagem que eu gostaria de ter para mim mesma.
Terminei de fechar o zíper do vestido (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=88615002&.locale=pt-br) fiquei ali algum tempo me encarando no espelho à procura de qualquer falha. Tenho que admitir, quando comprei esse vestido com Ana, achei que nunca o usaria na vida. É, os tempos mudaram.
– A Srta. está linda. – fui surpreendida pela governanta, Sra. Godwing na porta do quarto me olhando com até mesmo um mini sorriso estampado no rosto. Ok, acho que são elogios demais para um dia só, mas é claro que gostei.
– Obrigada. – sorri de forma tímida. – Meu pai já chegou?
– Sim, ele está no escritório. – ela revirou os olhos numa brincadeira. – Ah, e sua carona está lá fora, Srta. White.
Carona? Caramba, os garotos já estavam aqui e eu enrolando me olhando no espelho.
Peguei meu celular e desci os lances da escada em meio círculo até a porta. Do lado de fora, encontrei mais uma vez uma Range Rover, porém dessa vez com Henri dirigindo e Noah e os meninos, no banco de trás me encarando espantados pela janela de trás. Eles assoviaram em coro brincando comigo ao ver o quão vermelha fiquei estando naquela situação.
Andei mais rápido para chegar logo ao banco da frente e não ser mais assediada por aqueles três bobões. Entrei no carro ainda morrendo de vergonha com os comentários de Will, Noah e Zack sobre eu estar completamente diferente e bonita e tal. Porém, o que me surpreendeu mesmo foi o olhar inerte de Henri sobre mim. Ele me olhava de cima a baixo não percebendo que eu estava vendo tudo.
Claro, fiquei mais vermelha que um tomate.
– Ei, Henri. – ouvi a voz de Will no banco de trás tirando a atenção de Henri sobre mim. – Limpa do lado da boca, acho que você está babando.
Os três começaram a rir como completos loucos no banco de trás enquanto eu e ele ficávamos corados. Henri me olhou de rabo de olho mais uma vez antes de resmungar entredentes:
– Quieto, Will.
Henri dirigiu pelas ruas em silêncio enquanto o banco de trás se enchia de piadinhas dos garotos sobre a “baba” de Henri e outros tipos de assuntos. Zack ligou para Heiley para saber onde ela estava, para podermos nos encontrar, mas ela disse que estaria bem a frente da pub, o que facilitava as coisas.
A rua estava lotada, a fila para entrar no local praticamente dava a volta no quarteirão inteiro, me deixando abismada. Não era aquele tipo de pub de celebridade, pois só haviam pessoas comuns, mas o fato de ser nova conseguiu atrair muitas pessoas, deixando o local lotado. Henri estacionou um pouco distante da entrada e descemos acompanhando a fila ao lado até finalmente encontrar Heiley parada ao lado de um segurança. Ela acenou para Zack, quem correu até ela e a deu um selinho lento.
– Heiley, essa é a Scar que eu falei. – disse Zack apontando para mim. – Ela é filha do Tom.
– Ah! Eu sei quem é você! – disse ela toda animada dando-me um abraço. – Você apareceu em umas fotos com seu pai ontem!
Lembrei rapidamente do episódio com os fotógrafos em frente à gravadora. Claro, agora tudo fazia sentido. Todos queriam saber quem era a filha Tom White.
Heiley nos entregou pulseiras florescentes dizendo que assim poderíamos ter entrada VIP e não precisar enfrentar a fila gigantesca. Logo conseguimos entrar no local, fiquei boquiaberta – era um local grande, com uma pista de dança bem no centro, alguns pequenos bares espalhados pelos cantos com várias mesas. Ao alto, havia a cabine de um DJ que dizia que tocaria a noite inteira.
Heiley passou a nossa frente puxando Zack pelas mãos até o centro da pista de dança, deixando-nos para trás sem nem sequer olhar. Noah e Will se entreolharam e depois saíram por ai, também nos deixando para trás como se tudo fosse um combinado. Assim, restou apenas eu e Henri na entrada da pub sem saber exatamente o que fazer.
Uma música agitada tocava na pista, deixando o lugar muito animado, eu queria ir até lá e me divertir, porém me senti um pouco perdida, sem rumo. Olhei rapidamente para Henri, quem olhava em volta à procura de alguma coisa. Ele estava bonito hoje – uma camiseta branca de gola v, calça jeans escura e ajustada ao corpo e os cabelos negros bagunçados charmosamente.
É, como Ana disse, Henri Price é uma sedução eminente.
– Ahn... quer beber alguma coisa? – perguntou ele um pouco tímido.
– Claro. – sorri tentando parecer não estar da mesma forma que ele. Peguei uma de suas mãos e comecei a puxá-lo, o guiando entre a multidão. – Vamos, podemos tentar encontrar Noah.
Sem protestar, Henri me deixou guia-lo pelo tumulto de pessoas até um dos bares mais próximos da entrada, onde duas mulheres pediam bebidas. Ele chamou pelo garçom e pediu duas bebidas desconhecidas por mim.
Ouvi uma voz conhecida atrás de mim e quando virei, acabei dando de cara com Noah reclamando sobre Will.
– Ei, você fugiu de mim! – protestei fingindo estar indignada. Nesse meio tempo, Henri me entregou o copo da tal bebida e quando ingeri, acabei gostando. – O que aconteceu?
– Fomos atrás de umas bebidas no outro bar e Will já estava agarrando uma garota! – disse ele me fazendo rir ao imaginar a cena. – Tive que sair de lá, se não ia segurar vela.
– Ah, deixa o Will, sabe como ele é. – brinquei. Ofereci um gole da bebida que eu tomava e Noah aceitou, tomando um pouco, mas tossindo logo depois, o que me fez rir mais.
– Normal ele fazer isso. – Noah revirou os olhos. – Vem, vamos dançar.
Noah me puxou pelas mãos em direção à multidão na pista de dança e nem tive tempo de protestar , pois quando percebi, estava tomada pela batida da música. Tive que olhar para trás e acabei encontrando Henri nos encarando sem reação nenhuma. Achei aquilo estranho, mas estava ocupada demais dançando e me divertindo com um Noah quase bêbado.
Dançamos por não sei quanto tempo, rindo de Zack e Heiley e suas piadinhas, Noah imitando um cara sem noção nenhuma e uma quase discussão entre um casal. Eu já estava saindo de tanto cansaço quando um homem me puxou de volta dançando muito perto de mim.
Ok, eu tenho direito de me divertir e dançar com um cara bonito como aquele, ainda mais depois de tudo que acontecera em minha última vida amorosa. Mas essa é outra história, agora eu quero me concentrar no presente.
O cara me enlaçou a cintura, puxando-me contra ele enquanto dançávamos. Seus lábios chegaram perigosamente perto dos meus algumas vezes, porém eu desviava achando que ele estava indo longe demais. Ele me girou de repente apenas alguns graus rindo da minha expressão assustada.
Mas então, meus olhos miraram em algo fora do comum – Henri estava parado no bar ainda no mesmo lugar com um copo de alguma bebida em mãos. Seus olhos acompanhavam cada movimento meu dançando com o homem, porém, havia algo naqueles olhos. A forma com que franziu o cenho ou mordeu os lábios irritado.
Eu conhecia bem aquele tipo de olhar.
E por mais estranho que fosse, era ciúme.
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