London Love
7 O problema Price
Notas iniciais
E mais uma vez o homem tentou ultrapassar os limites e me beijar, mas dessa vez o empurrei para longe irritada e caminhei em direção ao bar deixando-me cair pesadamente em um dos banquinhos. Henri estava a poucos centímetros de mim, completamente quieto e sem se mexer. Eu sei que deveria perguntar o que deu nele, mas acho que estava cansada demais.
– Só vai ficar ai parado? – perguntei tentando fazê-lo dizer algo. Ok, eu fui seca, exatamente como ele foi quando nos conhecemos, mas foi de propósito. – Não vai chamar nenhuma dessas garotas que ficam secando você a noite inteira?
Ele deu de ombros.
– Eu ia chamar uma, mas ela já arranjou um parceiro. – disse ele tomando mais um gole da bebida.
– E por que não chamou antes? – perguntei fingindo estar interessada. Espera, eu estava? Ou não?
– Não acho que ela goste de mim. – ele desviou o olhar da pista para mim por alguns segundos, estudando meu rosto. – Ela me acha um idiota.
– E por que você seria? – arqueei as sobrancelhas na direção dele entrando em seu jogo. Por algum motivo, comecei a achar alguma similaridade com o que acontecia conosco realmente. Hum, senti cheiro de indireta. Será?
– Porque ela tem um pai muito... – ele ficou bem de frente comigo sussurrando as palavras. Seu rosto na exata direção do meu. – muito , muito ciumento.
Senti sua mão esquerda tocar levemente em meu rosto, sua pele era macia e ele usava um perfume muito bom e viciante. Seus olhos azuis estavam cravados nos meus, não desviavam por nada, e seus lábios, iam se aproximando lentamente, quase que devagar demais. Eu sabia que nos beijaríamos e por alguma razão eu não desviava, como se eu quisesse isso ou o álcool estivesse fazendo efeito.
Entretanto, Noah apareceu na hora errada.
– Bom gente, acho melhor irmos. – disse ele alto demais se jogando ao banco ao meu lado fazendo com que Henri se separasse de mim bruscamente. Mas Noah não pareceu perceber nada. – Eu estou bêbado, o Will está bêbado e o meu irmão, nem preciso dizer.
Eu e Henri estávamos em silêncio, eu ainda absorvia o que havia acabado de acontecer. Quero dizer, Henri Price havia quase me beijado!
– Gente? – perguntou ele de novo com o rosto um pouco sonolento. – Vocês estão bem?
Eu me levantei de repente do banco um pouco agitada. Os dois estavam me encarando como se tentassem entender o que eu queria fazer.
– Acho melhor irmos mesmo. – murmurei de forma quase que robótica. – Hum, ahn... é, é melhor. Vamos pegar os bêbados e ir.
Sem nem olhar na direção de Henri, fui com Noah atrás de qualquer sinal de Will ou Zack com Heiley. A pista de dança já havia enchido mais, dificultando nossa passagem entre as pessoas. Em meio à aquilo, encontrei o homem com quem eu estava dançando antes, ele estava com outra garota, uma com um vestido vermelho sangue extremamente curto. Senti-me enojada vendo aquilo, por que eu dançara com alguém como ele?
Em um dos bares do outro lado da pub, encontrei Will tentando fugir de umas das garotas com quem ele estava. Claro, bem esperto ele. Ao contrário do que Noah havia falado, Will não parecia bêbado e sim muito sóbrio, acho que até um pouco mais que eu. Falei a ele que estávamos indo, então ele foi atrás do irmão de Noah, que provavelmente iria embora com a namorada, coisa que não duvido nada.
– Ei, Zack me mandou uma mensagem, está indo embora com a Heiley. – disse Noah quando conseguimos sair da pub.
Do lado de fora, fomos surpreendidos por uma onda de flashes de máquinas de fotógrafos, quem praticamente pulavam sobre os seguranças tentando tirar algumas fotos dos meninos. Fiquei cega tentando encontrar Noah ou qualquer um dos outros garotos, porém a luz dos flashes me impedia de ver direito.
Senti uma mão segurar a minha com força e me puxar para longe dos fotógrafos tapando meu rosto com alguma jaqueta que não pude distinguir. Os seguranças nos ajudaram a seguir até o carro enquanto a pessoa segurava a jaqueta contra meu rosto, e logo minha visão voltou.
– Obrigada. – murmurei esfregando os olhos sem nem ligar para a maquiagem.
– De nada. – levantei meus olhos e claro, lá estava quem eu já deveria estar esperando. Henri deu um meio sorriso tímido e fechou a porta do carro para mim quando se certificou que eu já havia entrado.
Fiquei no banco de trás dessa vez tentando me acostumar com o que havia acabado de acontecer, não apenas os fotógrafos em cima de mim, mas... o quase beijo. O que deu em Henri hoje? Pelo o que eu saiba, ele sempre foi meio chato comigo, nunca realmente foi... como ele foi essa noite, dando-me indiretas até chegar onde chegou.
Caramba, eu devo estar bêbada.
E ele também, eu espero.
Will era quem estava dirigindo já que era o único sóbrio o suficiente para pegar o volante e não nos fazer sofrer um acidente. Eu estava com Noah no banco de trás respirando fundo e tentando controlar os pensamentos que ficavam me rondando sobre a noite.
Eles me deixaram em casa perguntando se eu havia gostado da noite. Bom, eu disse que sim quando na verdade minha cabeça estava explodindo e eu me sentia confusa em apenas olhar para Henri.
– Por que vocês estão tão quietos? – perguntou Noah de repente quando ele foi comigo até a porta de minha casa.
– Ahn?
– Você e Henri. – ele levantou uma sobrancelha. – Não falaram nada no carro desde que saímos da pub! O que aconteceu?
Mordi os lábios tentando arrumar o que dizer a Noah. Eu iria contar a ele, afinal ele é meu melhor amigo aqui em Londres até agora. Mas não agora, eu preferia contar um dia que estivessem apenas nós dois.
– Nada. – dei de ombros. – Acho que é o sono.
Ele me encarou por mais alguns segundos, ele não parecia nada satisfeito com aquela resposta, entretanto, acabou dando de ombros e me deu um abraço antes de correr para o carro. Will acenou para mim enquanto dirigia para fora da casa e a pessoa ao seu lado, nem sequer olhou em minha direção.
Entrei na casa vendo que apenas algumas luzes estavam acesas, claro, era quase uma hora da madrugada, meu pai e nem a Sra. Godwing deveriam estar acordados. Peguei meu celular para verificar chamadas e acabei levando um susto com alguém limpando a garganta num som alto.
– Pai?! – perguntei com a respiração descompassada.
– Você chegou tarde. – disse ele sentado de costas a mim no sofá da sala. – Soube que estava com os garotos.
Engoli um seco.
– É... – falei sem me mexer. – Eles inventaram de comemorar meu teste. Fomos a uma pub no centro da cidade.
Meu pai ficou em silêncio, olhando para alguma coisa na tela de seu laptop em seu colo. Desviei os olhos para a tela e encontrei o que não queria ver – havia fotos minhas e dos garotos saindo da pub alguns minutos atrás. Em uma das fotos, Henri segurava minha mão e em outra, tapava meu rosto com sua jaqueta.
Vish.
– Os gêmeos já devem tê-la avisado sobre o que eu penso de Henri e Will. – voltou ele a dizer. – Você é minha filha, Scar, e eles são os mais vistos com garotas. Eu sei que Will não faria nada, pois ele sabe como eu ficaria, mas Henri... Henri é inconsequente! Ele não percebe o que seus atos podem gerar, as consequências para alguém famoso são...
– Pai, não acho que Henri seja tão inconsequente assim. – falei o interrompendo. – Quando ele me conheceu, foi super seco e mal falava comigo direito! Ele estava tentando me ignorar para você não dizer exatamente isso que está tentando me dizer. Mas não temos nada, entendeu? Somos apenas amigos, eu não quero nada com ele ou com qualquer um dos garotos. Só quero a amizade deles.
Meu pai se virou para estudar meu rosto, ele estava sério com as sobrancelhas franzidas e o olhos um pouco severos. Eu tive que me manter firme, fazê-lo pensar que a verdade era essa e apenas essa.
Entretanto, por que eu estava defendendo Henri? Eu tinha motivos para defende-lo?
– Eu só quero ver você feliz. – sussurrou Tom de repente. – Você é minha única filha e já errei com você uma vez, não quero errar novamente. Eu não impedirei que se envolva com ninguém, Scarlet, mas com Henri... eu tenho meu trabalho de pai, não consigo deixa-la com ele.
Eu senti uma coisa que nunca achei que sentiria. Eu estava com dó dele, foi como se ouvi-lo dizer aquilo mudasse completamente todos meus pensamentos ruins sobre pais.
– Está tudo bem, pai. – falei tentando sorrir. – Eu não vou me envolver com Henri, prometo.
Ele sorriu parecendo aliviado com aquela informação. Ok, eu entendo ele, se eu fosse pai, também não gostaria de ver minha filha com um dos maiores “arrasa corações” da banda The Blue. Por isso, ele dizendo aquilo não parecia um completo absurdo.
– Ótimo. – disse ele sorrindo. – E a propósito, você está linda, Scar.
Eu sorri mostrando a ele o quanto gostei do elogio. Pela primeira vez, eu e meu pai parecíamos estar nos entendendo mais do que eu achei. Quando vim para Londres, tinha quase certeza que eu não conseguiria suportá-lo.
– Ah, e pai. – chamei-o antes de subir as escadas. – Você está fazendo um ótimo trabalho como pai.
O sorrido dele aumentou mais ao ouvir isso, acho que essa noite ele dormiria em paz e eu também. Era bom me entender com ele, como se todos os anos que passamos separados não fossem nada.
Subi para meu quarto me sentindo melhor, apesar do grande problema Price. Essa noite eu poderia dormir sem nenhum pensamento negativo, apenas um sorriso no rosto.
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