Notas iniciais
ignorem os sobrenomes, eu tava viciada em Gossip Girl

Cinco

– E, tipo assim, ele beija bem?

Revirei os olhos para Kate e ela soltou um gritinho. (creio que ela entendeu isso como um sinal afirmativo) Mason não era exatamente meu namorado; era só o cara com quem eu tinha perdido minha virgindade bucal. Como eu ia saber se só tinha beijado ele? (não conta os cumprimentos de Paul)

– Sim, Kate. Mase beija muuuito bem. Não tenho tanta experiência, mas ele é um dos melhores beijadores que conheço.

Kate reprimiu um gritinho e agitou-se na cadeira.

– Você chamou ele de Mase? É um apelido? Ai, que lindo... Vai me apresentar, não é?

– Talvez, Archibald.

– Whoo-hoo! Johnson tem namorado e eu vou conhecê-lo! – gritou ela.

– Ei, ele não é exatamente meu namorado, tudo bem? É só o cara que me deu o primeiro beijo. E que bateu demais em Nataniel.

– O quê? Agora eu estou curiosa! Me apresenta? Ele tem algum amigo?

– Eu ligarei para ele depois e te respondo, tudo bem?

– Ah, obrigada, Kyla! Sabe que eu te amo!

Josh – meu amado irmão – surgiu com uma expressão de “eu sei o que você está fazendo e vou contar tudo à tia Linda” e Kate sorriu para ele. Josh era apaixonado por ela.

– E aí, Josh? – disse ela – O quê foi?

– Ahn, oi Katheryn. Kyla, tia Linda quer falar com você. Agora.

– Agora? – perguntei, chateada.

– Já! – ordenou ele, querendo parecer mais velho para Kate.

Bufei, levantando-me do sofá onde estivera com Mason há menos de três dias e indo até a cozinha. Tia Linda passava roupa e me lançou um olhar materno – geralmente, o olhar que me dizia que eu estava encrencada.

– O quê foi, tia?
– Kyla Johnson, você está muito encrencada!

“Bingo!” pensei.

– Pelo quê?

– Dessa vez, por deixar um estranho entrar em casa.

– Tia, eu já lhe disse, Mase não é um estranho, é meu amigo.

– É estranho para mim. Eu não o conheço. Pelo que sei sobre os garotos de hoje, ele pode ser um pedófilo maníaco viciado em drogas que veio nos assaltar!

Ri de sua preocupação e lhe disse:

– Relaxe, tia. Mason é confiável.

– Como pode ter tanta certeza?

“Porque eu estive dentro da cabeça dele”pensei.

– Vi nos olhos dele. Confie em mim.

– Tudo bem, eu confio. E, Kyla?
– O quê foi? – virei-me para olhar em seus olhos.

– Prometa-me que terá juízo com esse garoto.

– Claro, tia. – sorri, adorável.

– Prometa pelo túmulo de sua mãe que...

– Já entendi, tia Linda. – revirei os olhos e saí dali.

Voltei para a sala e vi Josh e Kate rindo. Apesar de Josh me irritar, ele é meu irmão e eu o amo, então não queria que minha amiga magoasse os sentimentos de meu irmão fingindo gostar dele. Katheryn sorriu para mim quando parei, recostada à parede, e fitei-os, pensativa.

– Archibald, venha à meu escritório. Agora!
– Epa! Está legal. – ela parou de rir e se levantou do sofá para me seguir – O quê foi?

– Kate, eu sei que você gosta de flertar e tudo mais, mas não quero que você dê falsas esperanças à Josh.

– Ah, Kyla, é só brincadeira. Agora ligue logo para o tal Mase.

– Mason. – corrigi – O nome dele é Mason.

– Está bem, desculpe. – bufou ela.

– Kate, eu acho melhor você ir. Eu ligo pra você amanhã.

– Não está brava, está?

– Não. Preciso fazer umas coisas.

Kate pegou sua bolsa, beijou minha bochecha e saiu. Olhei para Josh – que agora estava no meu quarto (sim, ele me seguiu porque acha que estou aprontando) – e disse-lhe:

– Diga à tia Linda que precisei sair.

– Mas... – ele começou, mas eu o interrompi.

– Eu pago quinze dólares à você depois.

– Mas...

– Vovó entenderá.

Peguei minha bolsa – onde eu carregava celular e dinheiro – e saí às pressas de casa; pulei o muro e corri em velocidades sobrenaturais. Em poucos minutos, atravessei a fronteira que dividia Estados Unidos e Canadá – algo me dizia que eu precisava ir lá – e senti o fogo percorrer meu corpo; um fogo que não me machucava. Logo o grande lobo branco tomara o lugar da humana dentro de mim.

“Ancestrais... Invoco a presença de minha mãe e a presença de Sara Johnson” ordenei.

Um vento bateu em meu rosto e senti a presença de minha mãe.

“Diga, filha.”

“Mãe, preciso que me mostre onde é a casa de Mason. Por favor.” gani baixo.

“Mason? O garoto que correu com você?”

“Sim” ofeguei baixo “Esse mesmo.”
O vento ficou colorido, digamos, e apontou para o oeste. Agradeci mentalmente e segui a direção ordenada.

“Você daria uma boa alfa, Kyla Johnson.”

“Mãe, eu já disse, não quero ser alfa. É muito arrogante.”

“Por que diz isso?”

“Na matilha de lobos, o único que tem... Permissão para se reproduzir é o alfa. Mas Paul mudou isso. Quero uma vida normal, entende?”

“Você está destinada para grandes coisas, filha. Está no seu sangue. Você pertence à uma linhagem rara.”

“Por que eu? Por que não Josh?” gani, triste. Ser um lobo é um grande pé no saco!

“Porque você é especial. Você já sabe fazer o chamado da alcatéia. E Josh? Ele nem sabe sobre isso.”
“Josh tem sorte...”

“Jamais repita isso, Kyla.” Disse ela, calmamente “Você tem mais sorte do que pensa.”

“Não sei onde viver uns cem anos a mais que as pessoas que amo é sorte.”
parei de correr quando perdi a direção do vento. Ofeguei, cansada, e gani baixo. “Droga!” pensei. “Se eu fosse humana, poderia ligar para Mason e descobrir onde ele mora.”

Procurei minha mãe no mundo espiritual, mas ela sumira. Sara Johnson também. (Sara é a minha ancestral mais próxima que foi uma loba) Balancei a cabeça, quase desistindo, e deitei-me na porta de uma casa branca, na beira da estrada. A porta se abre e eu dou um pulo.

– Kyla? – Mason se abaixa e afaga minha cabeça – O quê faz aqui, Johnson?

Ele me dá uns minutos de silêncio, como se realmente esperasse por uma resposta, aí ri e diz:

– Vamos dar uma corrida. Mãe, eu já venho! – grita, para alguém dentro de casa, e sai de casa – E aí, o quê vai ser? Lobo a lobo ou humano a humano?

Faço um som parecido à uma risada e ele ri junto. Faz um aceno de cabeça, querendo dizer “vamos” e uivou – ainda como humano –, inclinando a cabeça para o céu. De repente, Mason explode e em seu lugar surge um enorme lobo cor de chocolate.

“Vamos correr, princesa.” ele piscou para mim e sorri, ou tentei.

“Como quiser, camarada” rosnei, provocativa.

Cravei as unhas na terra, me aquecendo, e lancei-me para frente. Mase riu – ou emitiu som parecido – e correu ao meu lado.

“Como me achou, Johnson?”

“Não sei...” menti “Acreditaria se eu dissesse que foi o vento?”

“Provavelmente, não. Prefiro pensar em destino. E isso nos deixa com placar de um para Johnson, zero para Stanley.”

“Você é tão divertido, Mase.” disse eu, a voz mais doce.

“Isso quer dizer que prefere à mim do que o grande alfa Paul?”

“É, pode se dizer que sim” meio que menti. O fato é que eu ainda me sentia atraída por Paul, embora estivesse longe dele. “Prefiro você à Nataniel.”

“Isso é diferente. Nate é um babaca. Quero saber se prefere à mim ou à Paul.”

“É claro, Mase. Você.”

“Resposta certa.”