Lobos.
6 Seis
Seis
Paramos de correr em algum lugar próximo à Vancouver. Mason me ofereceu um sorvete e eu aceitei. Tomamos nossa forma humana e caminhamos até a sorveteria.
– Precisa de uma foto minha.
– Ahn?
– Para o seu celular. Nos contatos, entende?
– Ahn, claro.
Peguei o celular e tirei uma foto de Mase tomando seu sorvete. Adicionei-a ao número dele e salvei.
– Ei! De preferência, me avise quando for tirar!
– Desculpe, Mase. – sorri, sedutora – Ei, isso me lembra...
– Sim?
– Uma amiga quer saber se você não teria um amigo sexy como você para apresentar-lhe.
– Sexy como eu? Whoo-hoo! – ele riu – Johnson me acha sexy! Exclusivo! Kyla Johnson admite achar Mason Stanley sexy! – ele fez voz de repórter.
Soquei o ombro dele de leve e tomei meu sorvete. Ele riu e tirou uma foto minha. Lancei-lhe meu olhar zangado e ele riu.
– É para o contato. E, respondendo à sua pergunta, tenho sim uns amigos aí. Posso apresentar à sua amiga.
– Legal. Vá à minha escola segunda-feira.
– Hum... Feito.
Afaguei sua mão de leve, fazendo ele sorrir. Era difícil dizer-lhe que parte de mim estava gostando dele. Mason aproximou o rosto do meu e tocou meus lábios de leve. Seus lábios tinham gosto de morango dessa vez.
– Ei, Mase. – um pigarreio – Então essa é a famosa Kyla?
Virei o rosto para trás e vi um garoto da altura de Mason e com pele e cabelos da mesma cor. Mason bufou.
– Ei, Andrew! Esta é Kyla. Kyla, este é Andrew.
– Oi. – ele apertou minha mão – Bom te conhecer. Mase disse que você era a garota dele.
Olhei para Mason, incrédula. Ele corou de leve e rosnou para Andrew.
– Eu já disse que você devia se calar?
– Relaxa, Mason. Aposto que Kyla já devia saber que você falava que ela era sua garota. – Andrew riu, piscando para mim.
– É, Mase. Relaxa. – disse eu, sorrindo.
– Andrew, o que faz em Vancouver?
– Vim comprar umas coisas pra minha mãe. Ela está na casa do novo namorado.
– Argh! – Mase fez uma careta – É o tal Christian, não é?
– É. Mas de boa, Mase. Já me acostumei. Eu preciso ir. Foi bom te conhecer, Kyla.
– O mesmo, Andrew. – olhei de canto de olho para Mason. Ele sorriu e assoviou.
– Andrew? Espere aí.
– Diga, Mason.
– Kyla tem uma amiga que quer conhecer você. Que tal?
– Whoo-hoo! Agora a gente está falando a mesma língua! Onde e quando?
– Segunda, passe em casa que eu te levo. Pode ser?
– Epa! Onde tem uma gatinha, eu estou dentro. Até lá, Mason.
– Até, Andrew.
Andrew correu para um carro – para ser mais exata, um Audi – prata e acenou para nós antes de entrar no carro e sumir. Olhei para Mason (ele ainda olhava para frente) e sussurrei:
– Ele sabe?
– Não. – ele entendeu sobre o quê eu falava – Não há ninguém que saiba. Nem mesmo meus pais. Não é... Seguro contar, entende? Mesmo assim, me sinto mal por esconder isso das pessoas que amo.
– Eu sinto o mesmo. – suspirei – Sabe, Mase? A única que sabe é minha avó. E você.
– Fico feliz que confie em mim para contar isso. – ele sorriu, um sorriso largo e sedutor – Apesar de não ter como esconder isso de mim.
Nós rimos e eu adorei o som de sua risada. Era tão alegre e melodiosa... Mason aproximou o rosto do meu e senti seu hálito doce em minhas bochechas.
– Ahn, com licença, garoto? São vinte dólares.
Mason bufou, afastando-se de mim, e pagou para o homem da sorveteria.
– Acho melhor eu voltar. – sussurrei.
– Tudo bem, vamos, Kyla.
Esperamos a sorveteria estar invisível à nossos olhos para nos transformarmos e corrermos de volta para minha casa. Mason foi o que se transformou primeiro. Ri quando o lobo cor de chocolate colocou o focinho em minha perna e uivei – ainda sob a forma humana – antes de trocar o corpo de uma adolescente por o de uma loba adulta.
“Eu não vou deixar você ganhar dessa vez, princesa!” alertou ele.
“Há! É o que veremos! Você sabe que eu sou mais rápida!”
“Talvez seja.” ele lambeu meu rosto e correu.
“Ora, seu...” rosnei, uivando, e corri loucamente atrás dele “Volte aqui, Mason!”
“Já era, Johnson! Eu disse que ia ganhar!”
Quando chegamos em casa, voltamos à forma humana e ofegamos, cansados. Mason ganhara de mim por um descuido meu: eu parei para beber água.
– Argh! – arfei – Dessa vez, você venceu.
– Whoo-hoo! Um para Johnson, dois para Stanley!
– Como assim, dois?
– Essa valeu por duas, admita!
– Está bem, eu deixo. Odeio ver homens chorarem!
– Você está com um ótimo senso de humor hoje, princesa. – ele aproximou-se de meu ouvido – É bom ver que ensinei algo à você.
Não pude deixar de estremecer quando ele mordeu minha orelha. Agarrei-me à seu corpo e ele riu.
– Precisa resistir aos desejos de seu corpo, Kyla Johnson. – ele beijou meu rosto.
– Calado! – ordenei, rindo – Eu sei o que estou fazendo, está bem?
– Se você está dizendo... – ele separou-se de mim e sorriu – Te vejo segunda.
– Mas eu nem te disse onde estudo.
– Achei sua casa, não? Será fácil achar sua escola. O destino me guia. Agora preciso ir. Até mais, princesa.
Mason beijou minha mão e correu para sua casa. Sorri para suas costas e entrei em casa. Pode-se dizer que o ambiente estava meio tenso. Josh e tia Linda me lançaram olhares do tipo “você está encrencada, senhorita!” e vovó sorriu ao me ver.
– Kyla, querida! Que bom que chegou! – ela veio me abraçar e sussurrou – Você ouviu o chamado?
– É. – menti – Foi isso. Mas está tudo bem. Se importa se eu for me deitar? Tive um dia cansativo.
– Claro, meu bem. Pode ir.
– Obrigada, vó.
Na segunda-feira, meu corpo acordou mais excitado do que nunca de madrugada. (tudo culpa da droga dos hormônios!) Levantei-me da cama e fui até a cozinha beber água. Meu corpo estava tão quente como quando eu me transformava. Tomei uma garrafa inteira de água e mesmo assim continuei quente.
Eu não podia me transformar. Isso só pioraria tudo. Meu corpo continuaria pegando fogo e eu ia passar mal depois, pois teria de caçar (e isso significa ter que vomitar depois o que comi) e só de pensar nessa hipótese, me dava enjôo. Fui, então, para o banheiro e me despi. Fechei a porta e abri o chuveiro. A água gelada não teve efeito algum em meu corpo quente (acho até que ela começou a evaporar quando entrou em contato com meu corpo) Desliguei o chuveiro e me sequei. Enrolada na toalha, voltei para meu quarto e coloquei um pijama curto.
Deitei de novo na cama e tentei dormir. Mas isso não aconteceu. Olhei no relógio. Eram quatro da manhã. Eu ainda tinha quatro horas para dormir. O quê fazer?
Pensei em ligar para Kate, mas ela me mataria por acordá-la. “Eu poderia ligar para Mason. Ele saberá o quê fazer. E não me matará por acordá-lo, certo?” concluí, pegando meu celular e discando o número de Mason. A foto dele tomando sorvete apareceu na tela e eu sorri. Levei o telefone ao ouvido.
– Bom dia, Johnson! Ou devo dizer boa noite?
– Oi Mase. Preciso de sua ajuda.
– São os hormônios, princesa?
– Sim. O quê faço? Não consigo dormir.
– Nem eu, princesa. Mas não posso sair de casa agora. Paul poderia ajudar, mas não sei como falar com ele. Você não tem algo mais... Divertido para fazer enquanto isso?
– Se eu fugisse para a escola, estarei de castigo, então não. – mordi o lábio.
– Eu nunca ouvi isso. – ele riu – Geralmente, as pessoas não ficam de castigo por fugir da escola e não para ela?
– Só as pessoas normais.
– Oh, é! Esqueci que você não é normal! – ele riu de novo.
– Obrigada. – bufei.
– Não se preocupe. As melhores pessoas são anormais.
– Agora só falta você me dizer que as garotas inteligentes são burras!
– Também. – ele gargalhou – Seu senso de humor está melhor, Johnson. É a convivência comigo?
– Pois é, Stanley! – zombei – Você é meu mau caminho.
– Epa! Eu adoro quando você fala desse jeito! Ahn, só um minuto, princesa. Minha mãe acordou.
– Ta. – mordi o lábio inferior.
Ouvi uns sussurros do outro lado da linha e reprimi o riso. Não queria que Josh acordasse loucamente por meus ataques de riso. Enquanto esperava a voz de Mason voltar, considerei algumas possibilidades sobre o ataque desesperado de hormônios e tudo mais.
Primeira: o alfa precisava de nós e esse era um meio de chamar nossa atenção. Ele poderia uivar ao vento e ouviríamos. Aí me recordei que Mason e eu uivamos ontem e isso podia ser um alerta para o alfa ver o que se passava.
Segunda: a presença de outro lobo me excitara. Um lobo novo, talvez. Lobos provocam a agitação dos hormônios em outro lobo. (independentemente do sexo entre eles) Quando pensei nisso, tive de ignorar meu coração que acreditava que Paul era esse lobo que estava próximo.
Terceira: eu passara boa parte do dia anterior com Mason e isto poderia ter nos excitado. Talvez o fato de eu ligar para ele piorara. Sua voz poderia ter provocado outro ataque de hormônios. E aí percebi que Mason podia me excitar. Mais até do que estar na frente de Paul.
Quando finalmente a voz de Mason retornou, eu quase tive um ataque cardíaco. Não só por sua voz me excitar, mas também porque eu estava absorta em pensamentos.
– Princesa, preciso desligar. Adoraria conversar com você, mas não dá.
– Tudo bem. Tchau, Mase.
– Até mais, Johnson.
Kate balançou os braços várias vezes para atrair minha atenção. Pisquei várias vezes e fitei-a.
– O quê disse?
– Quando? Agora ou há duas horas? – repreendeu ela.
– Desculpe, Kate. Dormi mal hoje. Aliás, nem dormi.
– Tudo bem. Acho que te perdôo. Até porque foi impossível dormir hoje.
– Você também?
– É. Ouvi uns latidos e...
Katheryn parou de falar quando seus olhos captaram Mason e Andrew vindo em nossa direção. Ambos sem camisa. Mase mantinha o largo sorriso no rosto.
– Aquele é... – gaguejou ela.
– Sim. – disse, sabendo do que Kate dizia.
Mason e Andrew caminhavam em câmera lenta. Nem preciso dizer que meu corpo se excitou. Sorri para ele e, quando ele se aproximou, ele riu e disse:
– Oi Johnson.
– E aí, Mase?
Ele pegou meu rosto com as mãos e estava prestes a me beijar, mas Andrew pigarreou.
– Ahn, Kate, este é Andrew. – disse eu, quase ruborizando.
– Oi. – disse ela, sorrindo para ele.
Mason ia fazer um comentário, mas ouvimos – apenas nós dois – o uivo do alfa ao vento. Nos entreolhamos e virei-me para Kate.
– Ahn, eu te vejo depois. Preciso ir.
– Eu também. –disse Mason – Johnson e eu temos que resolver uns negócios.
– Ei, comprem camisinha! – alertou Andrew, mas Mason ignorou-o.
Corremos para a saída da escola e Mason pulou o portão. Ri de leve e segui-o.
– Eu estou ferrada por perder a sexta aula.
– Tudo bem. Paul escolheu uma péssima hora.
Nos transformamos em uma questão de segundos e eu uivei, avisando que estávamos a caminho. (minha avó provavelmente entenderia) Perguntei-me se as pessoas não achariam estranho dois lobos correndo por aí.
“Parece ansiosa. Quer dizer, parece louca para encontrar o resto da matilha.”
“Impressão sua, Mase!”
“Sabe, não tenho direito de me intrometer, princesa. Mas... Sei lá. Me preocupo com você.”
“Tudo bem, Mase. Só quero que os hormônios se acalmem.”
“Eu também, Kyla...”
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