Lobo
4 Capítulo 4
Subimos as escadas devagar, minha mão deslizava pelo corrimão de madeira extremamente macio, enquanto eu olhava as inúmeras telas pequenas com apenas um desenho, era como se fosse um quebra cabeça.
Jacob abriu a terceira porta do corredor. Eu parei na porta, ficando encostada no arco da mesma. Provavelmente aquele era o quarto dele, as paredes eram azul-marinho, enquanto os móveis eram de uma madeira escura, e haviam apenas alguns quadros de desenho.
“Entra” –ele fala, enquanto joga sua mochila em um canto qualquer de seu quarto.
Dou apenas dois passos, ficando dentro do quarto e aproveitando para olhar mais em volta, era um quarto rustico, extremamente bonito e aconchegante.
“Gostou ?” –Jacob pergunta, soltando um pequeno sorriso e se sentando na ponta de sua cama.
“É bonito, e provavelmente mais organizado que o meu” –falo, fazendo com que o mesmo solte uma risada. “Então..”
Mordo o lábio inferior, enquanto Jacob balança a cabeça afirmando. Ele se levanta e caminha até sua mochila, retirando de lá um caderno de desenho, em passos firmes ele caminha até mim e segura minha mão, me puxando consigo para fora do quarto. Jacob tranca o quarto e guarda a chave no bolso de seu jeans, caminhando até o final do corredor.
“Segura” –ele ordena, jogando o caderno em minhas mãos.
Jacob fica na ponta dos pés, puxando uma corda e em seguida desce uma escada, ele sorri e começa a subir. Penso seriamente antes de subir naquilo, Jacob me estica a mão e eu entrego seu caderno de desenho e começo a subir as escadas.
“Minha mãe vem para cá, quando não nos aguenta mais” –ele fala, sorrindo e olhando os quadros não acabados.
Era uma biblioteca, com algumas telas em branco e coisas do tipo. Muitos livros, estantes, entre outras coisas, com certeza pegava a maior parte do teto da casa. E tudo na casa parecia ser muito rustico, porque até mesmo a biblioteca era de tal modo.
“Eu fazia esses desenhos antes” –ele fala, me mostrando algumas telas.
A primeira tela havia um lobo branco, o pelo bem desenhado, todos os detalhes de um verdadeiro lobo estava desenhado, até mesmo o fundo azul-marinho mostrando algumas estrelas pequenas e a lua cheia. Parecia tão real, como se aquele lobo pudesse sair da tela e simplesmente te atacar. A segunda tela era um rio, estilo uma cachoeira cheia de pedras, árvores e alguns vultos parados na mesma. E a terceira tela era algumas pessoas em um campo jogando baseball, com roupas iguais apenas números diferentes.
“E por que não consegue mais ?” –pergunto, passando meus dedos na tela do lobo.
“Sofri um acidente, morava em Atlanta quando isso aconteceu” –ele explica. “Acordei sem lembrar de muita coisa” –ele acrescenta.
“Sinto muito” –murmuro.
Jacob dá de ombros. Ele arruma algumas coisas em uma mesa e eu solto minha mochila ao lado de uma cadeira, me sento ao lado de Jacob e ele abre seu caderno de desenho, haviam algumas caricaturas que provavelmente era a irmã dele.
“É a única coisa que eu consigo fazer agora” –ele resmunga.
“É por aí que começamos, você pode fazer o desenho de alguém, da sua irmã por exemplo” –proponho. “Aprimoramos essa parte e depois partimos para as outras, o que acha ?”
“Uma ótima ideia” –ele sorri. “Eu vou tentar aqui” –Jacob fala, como se estivesse me expulsando de seu lado.
Ergo as mãos em rendição e caminho até uma poltrona, sento-me quase de frente para ele. Abri meu caderno de desenho e voltei a fazer o desenho de mais cedo. Fecho os olhos por um tempo e em seguida o rosto de Jacob está completo, as linhas em seu rosto formaram-se as cordas as quais ele segurava, e em seguida o resto de seu corpo estava sendo desenhado com calma.
[...]
“Eu acabei” –Jacob resmunga.
Solto meu lápis e fecho meu caderno, deixando-os no braço da poltrona. Caminho até o lado de Jacob e ele me mostra o desenho, estreito meus olhos e olho com atenção o desenho, aquela era eu. Eu estava sentada na poltrona, com a cabeça baixa e concentrada no caderno em minhas pernas.
“Ficou bom” –falo, um pouco envergonhada.
Ele sorriu, fechou o caderno e olhou para o meu em cima do braço da poltrona. Antes que eu possa raciocinar Jacob havia corrido até meu caderno e estava folhando o mesmo, em um ato rápido eu corri até ele e fiquei tentando tirar o caderno dele.
“Não, não, não, não !”
Eu repetia enquanto tentava pegar o caderno da mão dele, e o mesmo erguia o caderno, enquanto ria da minha cara. Ele se desiquilibrou e acabou caindo sentado na poltrona, mas ainda com a mão para o alto com o meu caderno, eu desiquilibrei junto e acabei caindo no colo dele, com uma perna de cada lado, por dois segundos eu ignorei a posição em que estávamos, porque foi o tempo que eu escutei a risada de Jacob. Ele tinha uma mão em minha cintura, e a outra estava descendo o caderno devagar, uma de minhas mãos estava em seu ombro enquanto a outra queria alcançar o caderno a todo custo.
“Pode ver” –falo, saindo do colo dele rapidamente.
Jacob ficou estático por alguns instantes, enquanto eu me virava de costas para ele e caminhava lentamente até a janela que pegava uma parede inteira. Por algum motivo desconhecido, eu acabei não notando que estava realmente tarde e muito menos que havia começado a chover.
“Droga, eu preciso ir” –falo, indo até minha mochila e guardando tudo. “Pode me devolver agora ?” –pergunto, fazendo ele rir.
Jacob me entregou o caderno. Joguei ele dentro da mochila e joguei a mochila em minhas costas, ele desceu a escada e começou a descer devagar, e eu logo em seguida.
“Ele tá fazendo isso para olhar tua bunda, tá ?” –Seth gritou enquanto abria a porta de algum cômodo, que provavelmente era do quarto dele.
“Deixa de ser ridículo, Seth” –Jacob rosna.
“Uh, tá brabinho ? Sabe o que é isso ? Falta de sexo, os hormônios a flor da pele !” –Seth debochou.
Jacob empurrou ele para dentro do carro e desce um tapa na cabeça do irmão, batendo a porta em seguida. Ele fechou a porta e em seguida arrumou o cabelo, e eu pude ver suas bochechas um pouco rosadas.
“Eu ia chamar vocês para jantar” –Mara fala, parada no topo da escada.
“E ai, vai ficar para jantar ?” –Jacob perguntou, virando-se devagar para mim.
“Não, obrigada. Tá tarde, e até Koreatown é uns trinta minutos” –falo, ajeitando a alça da mochila em meu ombro.
Antes que alguém respondesse algum coisa, um estrondo e um clarão fizeram as luzes piscar e com isso eu cravei minhas unhas no braço de Jacob, fazendo o mesmo rir. Me afastei dele devagar, e cruzei os braços, sentindo minhas bochechas queimarem.
“É uma pena que não queira ficar, quem sabe uma próxima” –Mara falava enquanto desci a as escadas em minha frente.
“Claro” –limito-me a dizer.
“Saiba que ela com certeza vai fazer ter uma próxima” —Jacob sussurrou, enquanto descia logo atrás de mim.
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