Lobo
5 Capítulo 5
“Obrigada por me trazer, até amanhã” –falo, soltando o cinto de segurança e pegando minha mochila. “Bem, eu te convidaria para entrar.. você quer ?” –pergunto, abrindo levemente a porta do Jeep.
Jacob sorriu. Seus olhos passaram levemente pelo meu rosto, enquanto ele me analisava, levei meu olhar até a janela do quarto de Thereza, a qual é de frente para o prédio e quase sempre está ligada, mas hoje não estava.
“Não quero incomodar” –ele assume, enquanto escutamos um belo estrondo e em seguida de clarões.
Minha mão corre para dele e aperta a mesma, Jacob solta uma risada e eu continuo apertando a mão dele estática, como se fosse um gato apavorado.
“Acho que seria melhor se eu entrasse, não é ?” –Jacob pergunta, e em seguida eu sinto sua mão quente envolver minha mão fria.
Seus olhos correm para nossas mãos juntas, enquanto sobem levemente para meu corpo e em seguida estão em meu rosto, olhando fixamente para meus olhos.
“Acho que seria bom, nenhuma das garotas devem estar em casa e eu tenho um belo problema com temporais e também com escuro” –resmungo, torcendo o nariz em seguida.
“Posso por o Jeep no estacionamento ?” –ele pergunta, olhando para o pequeno filete o qual eu deixei aberto enquanto ainda segurava a “maçaneta” do carro.
Balancei a cabeça em sinal afirmativo, enquanto Jacob fazia uma marcha e dava uma pequena arrancada com seu Jeep, eu voltei ao meu lugar corretamente, falei com o porteiro e em seguida estávamos descendo do Jeep no estacionamento.
“Ficou frio” –Jacob fala, enquanto coloca suas mãos no bolso de seu jeans.
O vento gélido encanava das partes abertas do estacionamento, meu corpo inteiro estava arrepiado e Jacob não estava diferente, encolhido e com o pescoço sendo um pouco escondido por seus ombros largos, ele caminhava calmamente ao meu lado, enquanto eu estava abraçando-me, para que eu me proteja do frio.
“Vem aqui” –ele ordena, passando seu braço pesado por cima de meus ombros, o puxando-me para perto de seu corpo, aquecendo-me com o calor fora do normal de seu corpo.
Encolho-me em seu braço, abro a porta que leva para as escadas e olho de canto para Jacob que parece não se incomodar ao ver as escadas, agarrando a porta pesada e fazendo sinal para que eu vá em frente.
“Eu não me dou bem com elevadores e escada, mas eu ainda sim prefiro escada, algo que não pare sem luz e também não caía e me mate” –explico, subindo degrau por degrau enquanto passo minha mão pelo corrimento levemente.
“Você tem problemas com muitas coisas” –ele ri nasalado, enquanto sobe logo atrás de mim.
Olho-o por cima de meus ombros e abro um sorriso enquanto balanço a cabeça negativamente, era uma bela verdade aquilo. Algumas paranoias rondavam minha mente e eu me sentia a pior retardada do mundo.
“Qual o andar que você mora ?” –ele questiona, enquanto começa a subir mais rápido ficando ao meu lado.
“Quarto, faltam apenas mais dois lances de escada” –falo, apontando para o número grudado na parede pintada de marrom.
Subimos mais dois lances em silencio. Abri a porta pesada com um pouco de dificuldade, Jacob chegou logo atrás de mim e segurou a porta para que eu passasse, ele soltou uma risada quando viu o quão fraca eu era.
“Já ia me manifestar, você é tão fraquinha que com certeza não teria conseguido empurrar a porta com tanta facilidade” –Frances debocha, enquanto caminha em direção ao elevador.
Reviro os olhos enquanto dou um pequeno sorriso. Frances com certeza era o homem ideal para qualquer mulher, seus olhos são acinzentados, seus cabelos são ruivos e sua pele pouco bronzeada, enquanto seus músculos são definidos, desde coxas grossas até os bíceps cheios de músculos.
“Reclama mais, daqui uns dias eu vou te ligar apenas para abrir a porta para mim” –retruco, fazendo Frances rir.
“E ai, sou o Frances, é um nome ridículo mas minha mãe gosta” –ele revira os olhos, enquanto aperta a mão de Jacob.
“Jacob” –ele limita-se a dizer.
Depois das apresentações, a porta de meu apartamento se abre e eu adentro o mesmo, as luzes estavam apagadas e nenhum vestígio das meninas por aqui. Cocei a cabeça enquanto pensava em algum lugar que ambas pudessem estar.
“Posso ?” –Jacob pergunta, depois que eu acendo a luz.
“Claro” – resmungo, jogando minha mochila em cima do sofá.
Ele fechou a porta atrás de si e caminhou até ficar ao lado do sofá. Caminhei até a cozinha e peguei uma garrafa de água, o moreno ficou parado escorado no arco da porta, enquanto analisava tudo o que eu fazia com cautela.
“Quer alguma coisa ?" –pergunto, antes de dar outro pulo por conta dos estrondos vindos do céu.
Jacob não se controlou e soltou uma gargalhada. Eu revirei os olhos enquanto prendia um riso, ofereci um pouco de água e o mesmo aceitou, pegando um copo e tomando toda a água do mesmo em segundos.
“Teu apartamento é bem aconchegante” –ele olhou em volta, inclinado um pouco a cabeça para o lado quando percebeu que eu estava sentada no balcão da pia.
“E com isso você quis dizer pequeno” –debocho.
“Não, eu quis dizer aconchegante !” –ele se embola. “Eu queria morar em um lugar pequeno, mas minha mãe disse que eu não me afastaria nunca mais dela, depois do acidente em Atlanta” –Jacob explica, observando um ponto invisível e se distanciando em seus pensamentos.
“Foi algo horrível, pelo modo que me conta algumas coisas” –falo, tomando um gole da água em meu copo.
Jacob afirma.
“Não me lembro de muita coisa, isso é quase óbvio. Mas, eu sei que em um momento eu estava dirigindo devagar e passando pelo sinal verde, uma criança correu para o meio da rua e eu só senti o carro derrapar e em seguida ele se bater contra um poste” –Jacob resmunga, passando a mão em seus cabelos.
“Sinto muito” –resmungo, largando o copo na pia e descendo do balcão rapidamente.
“Eu também” –ele começa a fazer desenhos na mesa.
Passei por Jacob e agarrei o mesmo pela barra da camisa. Puxei-o até a sala e liguei a televisão. O mesmo se jogou no sofá e mexeu em seu celular por alguns segundos, soltando-o em seguida.
“Vou fazer alguma coisa para comer, mas antes eu vou tomar um banho” –falo, retirando a jaqueta jeans preta de meu corpo e pegando minha mochila.
Ele afirma. Esfregando a mão uma nas outras, enquanto deixava seus cotovelos apoiados em suas coxas e olhava para a televisão.
Adentrei meu quarto e me despi rapidamente. Agarrei um conjunto de calcinha e sutiã da Calvin Klein preto, um short de abrigo cinza e uma regata branca, adentrei o chuveiro e me lavei rapidamente. Sequei-me com uma rapidez, vesti-me e em seguida sequei meus cabelos.
Ao terminar de me arrumar, desliguei as luzes de meu quarto e caminhei devagar até a sala, vendo Jacob mexendo em seu celular novamente. Embora ele tivesse se assustado quando me apoiei nas costas do sofá e me inclinei para frente, o mesmo sorriu.
“O que quer comer ?” – pergunto, me jogando ao lado dele no sofá e deixando meus pés encostarem em sua coxa, o que fez com que o mesmo agarrasse meu pé e puxasse meus dedos para estalá-los em seguida. “Jacob !” –rosno, tentando retirar meu pé de sua mão.
“Me chama de Jake !” –ele ordena, ameaçando me fazer cócegas.
Bati em seu ombro, Jacob gargalhou enquanto puxava minha perna para seu colo, as mãos quentes passavam pela minha pele com hidratante, enquanto ele olhava para meu rosto com um sorriso de lado.
“Não vou te chamar de Jake, porque você não é meu amigo” –cruzo os braços, fazendo birra.
Ele leva a mão ao peito, fingindo estar chocado com o que acabo de dizer. Estreito os olhos e viro o rosto, enquanto me levanto rapidamente do sofá e vou até a cozinha.
Jake vem atrás de mim em seguida.
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