Lobo

3 Capítulo 3


Adentramos o Starbucks e ele apontou para uma mesa perto da janela, onde poderíamos ver todo o movimento na rua. Jacob sentou em minha frente, eu sentei e puxei minha cadeira para mais perto da mesa. Segundos depois, uma garçonete com peitos grandes, coxas grossas e bunda gigante parou em nosso lado, jogando-se para cima de Jacob.

“O que vão querer ?” – ela pergunta, olhando diretamente para Jacob.

“Um Frappuccino de chocolate” – ele fala, sem nem olhá-la.

“E você ?” – ela se vira para mim.

“O mesmo” – falo, virando meu rosto para a janela.

“Em dez minutos eu trago” – ela responde, retirando-se em seguida.

As ruas estavam úmidas, embora o sol ainda reinasse e não houvesse caído nenhuma gotícula de chuva. As nuvens acinzentadas se aproximavam vagarosamente, e com elas o vento gélido. Algumas pessoas estavam usando cachecóis e moletons, enquanto outras ainda estavam de roupas curtas ignorando o vento.

“Então, você pode me ajudar ?” – Jacob questiona, passando a mão em seus cabelos desgrenhados.

Solto um suspiro, depois de soltar meus cabelos.

“Olha, Jacob, eu não sou nenhuma psicóloga ou algo que possa fazer isso por você” – pauso, puxando o ar. “Eu posso tentar, mas você tem que ter paciência comigo, eu não sou nenhuma professora” – explico, mordendo meu lábio inferior em seguida.

“Eu aceito qualquer condição” – ele resmunga.

“O que faz com que você acredite que eu posso fazer isso, Jacob ?” – pergunto, fazendo o mesmo erguer seu olhar para mim.

Ele sorriu. Seu sorriso era verdadeiramente bonito. Seus olhos diminuíram o tamanho, sua testa se franziu, seus lábios se abriram devagar deixando a mostra seus dentes brancos e perfeitos, tendo seus caninos bem mais pontiagudos do que o normal.

“Eu vi seus desenhos no mural que os professores tem” – ele fixou seu olhar no meu. “Não tem seu nome, mas eu sei que são seus. São desenhos incríveis, fotos incríveis. Você é algo como o Picasso só que menos atraente que as dele” – ele tenta explicar. “Embora, seja extremamente.. incrível”

Sinto minhas bochechas aquecerem. Costumava receber elogios de meu padrasto, meus irmãos, Dave e Nick, nunca recebi de qualquer outra pessoa do sexo oposto, mesmo sendo das minhas pinturas ou fotografias e também recebi dos professores.. fora isso..

“Obrigada” – resmungo.

Ele me analisa de cima a baixo, desgrudando seus lábios devagar. Brinco com meus dedos que estavam em cima de minhas coxas, enquanto olhava para as pessoas em volta.

“Jacob, eu vou te ajudar” – suspiro. “Mas tem que me prometer que vai se entregar cem por cento nisso” – falo, pousando minhas mãos em cima da mesa de vidro.

Jacob tinha uma postura ereta. Seus ombros largos estavam retos, sua coluna estava reta, suas antebraços estavam apoiados na mesa no lugar de seus cotovelos e suas mãos estavam entrelaçadas.

“Me chama de Jake” – ele pede.

A garçonete apareceu novamente. Nossos frappuccinos foram deixados em nossa frente e em seguida ela lançou um olhar malicioso, sendo ignorada novamente.

“Tudo bem, Jake” – falo, tomando o primeiro gole de meu frappuccino.

“Então, como vamos fazer isso ?” – ele pergunta, depois de dar o primeiro gole no seu frappuccino.

“O que quer primeiro ? Os desenhos para mim são mais fáceis te ensinar, então pode ser sempre depois das aulas, antes das oito” – falo, olhando para meu canudo verde.

Trabalho em um bar, para ganhar um dinheiro a mais, embora meu pai me mande sempre uma mesada no final do mês, fingindo ser um pai maravilhoso o qual ele não era. Mas, era apenas três vezes na semana, sendo quinta, sexta e sábado.

“Tudo bem” – ele olha para a mesa, mordendo o lábio inferior. “Na minha casa ? Minha mãe tem um ateliê” – ele propõe.

“Por mim, tudo bem” – falo, dando de ombros em seguida.

“Domingo, segunda, terça e quarta eu posso depois das sete e meia” – ele fala, passando a mão na nuca.

“Eu posso. Quinta, sexta e sábado eu posso só antes dessa hora” – falo, levando meus cotovelos até a mesa.

“Combinado” – ele sorri. “Então.. me espera no ginásio nos outros dias ou a gente se encontra ?”

“Podemos ver isso depois. Quando pretende começar ?” – pergunto, voltando meu olhar para seus olhos.

“Hoje ?” – ele pergunta. “Hoje é quarta, eu consegui sair cedo porque precisávamos conversar e eu quero fazer isso o mais rápido possível” – ele se explica.

“Tá, tudo bem” – respondo, um pouco desconfortável.

Quer dizer, Jacob precisava mesmo fazer tudo tão rápido ? Hoje era o dia o qual eu mais ficava cansada, pois eu ainda chegava em casa e arrumava o apartamento por completo.

“Eu pago” – ele se levanta, retirando a carteira do bolso e deixando trinta dólares em cima da mesa.

“Jacob.. não precisa” – falo, me levantando e ficando de frente para o mesmo.

“Não é nada demais, Hailey” – ele resmunga, enquanto pega seu frappuccino de cima da mesa.

Pego o meu e o sigo, enquanto ele cumprimentava alguns caras em uma mesa, a garçonete estava ainda o olhando e se atirando para o mesmo.

“Namorada nova, Jake ?” – um ruivo pergunta, fazendo os outros rirem. “É brincadeira boneca, não vejo Jacob com uma namorada faz alguns anos” – ele me olha.

“Hãn, eu.. não sou namorada dele” – falo, um pouco envergonhada.

“Meu nome e Keaton” – um garoto, ao lado do ruivo esticou a mão para mim, fazendo com que os outros dessem risada.

“Hailey” – aperto a mão dele.

“Legal, se conheceram. Agora, nós precisamos ir” – Jacob me olha.

Eu afirmo. Os amigos dele se despedem de mim e em seguida Jacob estava caminhando até seu Jeep enquanto eu caminhava até o lado do co-piloto. Sento-me e coloco o cinto de segurança, Jacob faz o mesmo em seguida.Ele ligou o carro e o rádio se ligou automaticamente, iniciando Cold Hearted – Jack And Jack, e eu comecei a batucar meus dedos livres em minha coxa, enquanto minha outra mão segurava meu frappuccino.

Durante o caminho, percebi que estávamos indo diretamente para Beverly Hills, um dos bairros mais “chiques” de Los Angeles. O que me intrigou um pouco, a maioria das pessoas ricas eram esnobes, e eu não queria lidar com mais nenhuma pessoa assim.

“Chegamos” – Jacob fala ao estacionar o carro em frente a um portão branco.

Ele retirou o cinto de segurança, retirou a chave da ignição, puxou o freio de mão e em seguida saiu do carro, pegando nossas mochilas no banco de trás. E ele ainda tinha um frappuccino em mãos, enquanto o meu estava pela metade e o dele estava quase cheio.

“Mãe !” – Jacob gritou, assim que abriu a gigante porta de madeira, revelando uma enorme sala com o estilo rustico e extremamente acolhedor. “Eu trouxe uma amiga” – ele acrescentou.

Uma cabeleira loura apareceu logo em seguida. Seus olhos eram castanhos iguais aos de Jacob, seu corpo era pouco bronzeado e seu rosto era jovial. Seu sorriso largo mostrava seus dentes perfeitamente alinhados e brancos. Em seguida, uma mulher mais jovem apareceu, seus cabelos também eram loiros, seus olhos eram verdes e sua pele clara, mas algo chamava atenção, era o tamanho de sua barriga, um pouco redonda e estava a mostra.

“Oi querida, meu nome é Mara !” – a mãe de Jacob se aproximou, me puxando para um abraço em seguida.

“Olá, meu nome é Hailey” – falo, em um tom mais baixo do que eu realmente gostaria.

“Eu sou a irmã mais velha do Jake, Caroline” – a loira de olhos verdes sorriu, oferecendo-me sua mão.

“Oi, melancia” – Jacob brinca com a irmã, enquanto acaricia a barriga da mesma.

“Olha o respeito, Jacob !” – ela bate na mão do irmão.

Eu sorri enquanto apertava a mão da irmã de Jake. As duas eram um pouco parecidas, nada que não pudesse dizer que ambas não eram mãe e filha. Mas, o mais engraçado era que Jacob não se parecia muito com eles, nem com seus irmãos e nem com sua irmã e sua mãe.

“Quando eu disse que era amiga, eu realmente quis dizer que era uma amiga” – Jacob resmunga. “Vamos ficar na biblioteca, daqui a pouco mais nós descemos” – ele fala, fazendo sinal para que eu o siga.

“Foi um prazer conhecer vocês” – falo, extremamente envergonhada.

“O prazer é nosso, Hailey” – elas falam em uníssono.