Lobo

2 Capítulo 2


Naquele mesmo dia, eu estava parada em frente a porta do ginásio as quatro horas da tarde em ponto, eu escutava o som dos socos e alguns grunhidos e até mesmo aplausos. Sem fazer barulho algum, eu adentrei e o ginásio e fui para uma parte um pouco afastada das arquibancadas.

Em silencio, subo até o quinto degrau das arquibancadas. Passo meus olhos pelo ginásio e encontro Jacob com seu treinador, com seus punhos em frente ao rosto e cobertos por luvas azuis, uma regata cinza com as letras da universidade em azul-marinho.

Seus cabelos estavam grudados em sua testa, enquanto o suor molhava sua camisa, seus golpes eram rápidos e faziam o treinador ir para trás com o baque de seus punhos nas mãos do treinador.

"Jacob, você faz melhor que isso" – o treinador quase gritou, enquanto fazia o mesmo desviar de seus golpes, em direção a sua cabeça. "Quer sair mais cedo, não quer ? Então me finaliza e você sai" – ele propõe.

"Qual é, Morgan. Eu tô cansado !" – Jacob resmunga, soltando um suspiro pesado.

"A noite foi boa, Jacob ?" – Morgan retrucou, fazendo os outros caras rirem.

Jacob os encara. Seus olhos pousam nos amigos que ainda riam e ele balançou a cabeça negativamente, revirando os olhos em seguida. Ele sempre teve a fama de pegador e também de bom lutador, talvez seja por isso que nenhum cara inventa de brigar com ele por nada.

Ele caminhou até as grades que na verdade eram redes que cobriam a volta da quadra. Ele se agarrou e parou em minha frente, me senti constrangida quando todos pararam de rir e olhar fixamente para mim, e depois deram um sorriso e acenaram, e eu apenas sacudi meus dedos, fazendo Jacob olhar para trás.

"Não liga para eles !" – ele se volta para mim. "Me espera por mais quinze minutos ?" – ele pergunta.

Sua respiração descompassada o impediam de falar corretamente, o que chegava a ser um pouco engraçado. Mas, eu continuei olhando para cada detalhe de seu rosto, por algum motivo meu cérebro queria guardar aquela imagem.

"Tudo bem" – resmungo, retirando meu celular do bolso.

Ele soltou as cordas devagar, dando alguns passos para o lado e depois correndo até o banheiro rapidamente. Os caras olharam para mim por alguns instantes, o treinador também me olhou e depois eles se entreolharam.

Abri minha mochila preta da Jansport. Retiro meu caderno de desenho de dentro da mochila, pego um dos meus lápis de desenho e começo a desenhar alguns traços o qual eu não sabia decifrar o que era, ou quem era. Lembro-me até hoje de todas as vezes que desenhei Dave, meu melhor amigo, todos os anos eu fazia um desenho do rosto dele e do corpo por completo.

Depois de terminar os dois olhos, negros e puxados como os de um lobo, sei exatamente quem eu estou desenhando e paro no mesmo instante. Eu não sabia controlar, meu cérebro simplesmente ordenava e eu começa a fazer sem nem saber o que era.

“Esse sou eu ?” – Jacob perguntou, me dando um susto e me fazendo derrubar minha mochila no degrau abaixo.

Envergonhada, eu acabei fechando o caderno sem deixa-lo ver mais nada. Seus olhos estavam atentos no caderno e quando eu fechei ele torceu o nariz de uma forma engraçada.

“Não sei, eu tenho algumas manias que do nada eu acabo fazendo um desenho” – falo, mordendo o lábio inferior e guardando tudo dentro da mochila.

Jacob cheirava à sabonete e desodorante. Em seus braços era possível ver o vapor saindo de seu corpo, os cabelos estavam molhados e por isso seu boné estava em cima de sua coxa direita, que era coberta por uma calça jeans preta.

“Você.. quer comer alguma coisa ?” – ele pergunta, apertando a aba do boné, enquanto alternava o olhar entre a quadra do ginásio e no caderno de desenho com a capa preta com o símbolo da Nike.

“Se você quiser” – murmuro.

Guardo tudo dentro da minha mochila, fico de pé e jogo a mochila em minhas costas, ajeitando em seguida a jaqueta jeans preta que cobria meu corpo. Jacob se levantou e parou ao meu lado, carregando o boné em uma mão e a jaqueta jeans estava enrolada na alça da mochila.

Descemos das arquibancadas e ele se despediu de todos com um aceno, e os mesmos falaram algo para mim como “até mais boneca” ou “boneca, o que acha de vir aqui mais vezes ?” . Não achei ofensivo. E, eu apenas sorri como resposta.

Caminhamos devagar para fora da Universidade, e em total silencio. Ainda haviam algumas pessoas pelos arredores e eles estavam nos olhando de uma forma estranha.

“Eu vim de carro” – ele fala, segurando a barra da minha jaqueta jeans e me puxando em direção ao estacionamento que havia perto da universidade.

Caminhamos até a entrada do estacionamento e em seguida ele parou e conversou com o cara que cuida dos carros. Ele me olhou dos pés a cabeça a eu me senti desconfortável, e Jacob pareceu notar.

“Perdeu alguma coisa, Tyler ?” – Jacob questionou, agarrando a barra de minha jaqueta novamente e me puxando com ele.

Isso já está começando a me irritar. Será que Jacob sabe que eu sei andar sozinha ?! Tipo, sem ajuda alguma ?!

Ele para em frente a um Jeep Grand Cherokee 2015. Analisei o veiculo com cuidado e pude chegar a conclusão que os pais de Jacob são ricos até o talo. O quê, me faz virar uma 3,2 perto dele.

“Você vem ?” – Jacob pergunta, quando percebe que havia travado.

Afirmo. Abro a porta do co-piloto e sento no banco de couro. Jacob coloca a mochila dele no banco de trás e em seguida ele pediu a minha para fazer o mesmo. Jacob colocou o cinto de segurança e eu fiz o mesmo logo em seguida.

“Posso ligar o rádio ?” – ele pergunta, depois de girar a chave na ignição.

“O carro é seu” – resmungo, olhando minhas mãos.

“Eu sei, mas talvez você prefira o silencio” – Jacob retruca.

Pillow Talk ecoou pelo carro. O Jeep começou a se movimentar e em seguida estávamos fora do estacionamento, ele dobrava pelas ruas e em seguida estava em uma rua movimentada.

“Qual o seu problema com fotos ?” – pergunto, quebrando o quase silencio.

Ele me olhou de canto e deu um sorriso torto. Seus olhos continuaram fixados na estrada em seguida, seus dedos apertaram o volante com mais força e eu queria entender o porque de tanta tensão.

“Bem, digamos que eu perdi totalmente o gosto disso” – ele semicerrou os olhos. “Não sou mais o mesmo” – ele estalou a língua e em seguida deu de ombros. “Perdi meu dom de desenhar, eu perdi a vontade de desenhar. Eu quero a sua ajuda, eu quero ter isso de novo” – Jacob me olha, estacionando o carro em seguida.

Notas finais
Pessoal, comentem ! Isso é muito importante para todos os escritores, principalmente para mim !