Os dias passavam rápido demais, como instantes. Eles eram sempre os mesmos, eu esperava John chegar do hospital e íamos jantar no mesmo restaurante de sempre.

A rotina me engolia, ser uma pessoa normal era tediante demais para mim. Todo dia John me esperava deitar e olhá-lo para desejar boa noite e sorrir pra mim, mas dessa vez foi diferente.

Estávamos deitados, apenas nos olhando sob o reflexo das luzes do lado de fora.

Eu via claramente seus olhos me fitando, pousei minha cabeça em seu peito forte e enquanto ele brincava com meu cabelo.

_ Como você acha que vamos estar daqui à 20 anos?

_ Não faço ideia.. — Respondeu ele. — E você?

_ Eu me imagino bem velha e feia.

_ Que bobagem. — Disse ele.

_ Não é bobagem, um dia vou ficar bem velha.

_ Mas nunca vai ficar feia. — Ele olhava nos meus olhos como se estivesse se declarando para eles.

_ Quanta bobagem. — Eu ri.

Me apoiei nos cotovelos para beijá-lo. Afaguei seus cabelos loiros curtos e percebi que ele olhava para cada detalhe do meu rosto enquanto o acariciava. Em movimentos rápidos botei meus joelhos em torno de sua cintura, e prendi seus braços no travesseiro. E ele me beijou.

_ Eu poderia ficar assim pelos próximos 20 anos com você. — Disse ele.

∞

_ Vamos, Fenix, desça!

_ Sem chance! — Gritei para John.

_ Confia em mim, desça!

Eu havia esquecido o quanto odiava tobogãs.

_ Quantos anos você tem, 8? Pode vir, te seguro! — Ele gritava da piscina.

Me soltei da grade de proteção e desci.

Depois dos 13 segundos mais aterrorizantes da minha vida, caí nos braços dele.

_ Te peguei, pode abrir os olhos agora.

Abri os olhos e lá estava ele, com os braços longos em torno de mim, me segurando firme.

_ Foi tão mal assim? — Perguntou ele.

_ Pior.

Ele soltou uma risada.

_ Tem algo que eu quero te dizer.

_ Diga.

Ainda estávamos abraçados na borda da piscina.

_ Ontem, eu te disse que não me imaginava daqui à 20 anos... — Ele pausou. — Mas eu me imagino...

_ Como?

_ Com você, por 20, 30 e 40 anos. Fenix... — Ele me olhava mais profundamente. — Eu te amo.

Fiquei sem reação, não havia nenhuma resposta boa para isso.

_ Você oquê?

_ Amo você.

Podia sentir nossos corações acelerados de nervosismo.

_ E-Eu sei que é meio inesperado, mas eu nunca tive uma certeza tão grande na minha vida. Eu te amo.

_ Eu também...

Eu me sentia uma idiota, "eu também" não é "eu te amo" e se for, eu menti.

Eu realmente gostava dele, mas eu não sabia se era amor. Essa é uma palavra complicada.

Ele me abraçou mais forte e me beijou a testa. Fechei os olhos e imaginei Nate. O beijei com o coração pesado.

∞

"Mais 3 assassinatos em 1 noite, esse mal se aproxima." Diziam as manchetes em todos jornais.

O telefone tocou.

_ Fenix! — Era John.

_ Oi.

_ Vou chegar mais cedo, se importa de colocar mais um prato na mesa? Vou te fazer uma surpresa hoje.

_ Tudo bem.

_ Eu te amo, tenho que desligar.

_ Ok.

As horas se arrastaram, quando o relógio marcou às 20h, do quarto, ouvi a porta se abrindo, ainda estava terminando de me arrumar.

_ Fenix, vem até aqui!

Saí pela porta e cruzei o corredor, então não pude acreditar no que meus olhos insistiam em dizer que era a verdade.

_ Você não imagina, ele me procurou e quando disse que eu era seu namorado, ele não acreditou! — Dizia John.

Meus dentes cerraram, e eu não tinha reação.

_ Então... Não vai me comprimentar?

Meus pensamentos me convenciam de ir lá e matá-lo o mais rápido possível, mas meu corpo ficou paralisado.

_ Fenix?

_ Filha.. Abrace seu velho pai.

_ Você... — Era a única coisa que saiu da minha boca.

_ Porque não sentam, e conversam, vou guardar minhas coisas.

John saiu e então aquela figura se virou para mim. Tinha a pele branca e os cabelos negros como os olhos, era mais alto que John.

_ Achei que fosse mais grata ao seu pai... — Dizia ele.

_ Vá embora, não há nada do seu interesse aqui.

_ Como não? Fenix, sempre soube que você tinha um péssimo gosto... Primeiro um nephilim repugnante, agora um humano. Pare de tentar fugir das suas obrigações. — Ele me olhava como se eu fosse sua filha preferida e ele, um pai dedicado.

_ Só vou perguntar uma vez, onde ele está?

_ Eu não sei. — Respondi.

_ Não minta para mim. — Ele parecia calmo.

_ Não estou mentindo.

Ele se embraveceu.

John voltou à sala. Ele sorriu.

_ Conversamos mais depois..

_ Gostaria de se juntar à nós no jantar, senhor...?

_ Lucios. — Completou.

_ Não, ele já vai. — Respondi por ele.

_ Sim, já vou, vamos deixar o jantar para outra oportunidade. Tenho que resolver uns problemas na cidade. Mas manterei contato. Já peguei o seu telefone filha, vamos tentar reconstruir nossos vínculos.

Ele me abraçou e sussurou.

_ Tem demônios cercando a casa, não pense em fugir, e faça o que eu mandar ou se despessa do humano.

_ Eu te odeio.

_ Adeus John, cuide da minha filha!

Ele saiu pela porta e eu nunca me senti tão mal em toda minha vida.