_ Meus pais vão aparecer aqui hoje.

"Ah, não, denovo não." — Pensei.

_ Eles voltam para Nova York amanhã, e minha mãe fez questão de se despedir de você.

_ Que ótimo... — Não, com certeza não é nada ótimo.

Ele sorriu.

Fiquei pensativa por uns minutos. Não era tão ruim assim.

A campainha tocou e eu me dirigi à porta.

_ Fenix, querida! — Disse Clarice vindo ao encontro de um abraço.

_ Fenix, é um prazer revê-la! — Disse Frank, sempre sorridente. — Cadê o meu garoto?

Depois dos comprimentos, Frank e John foram até o mercado.

_ Agora sim, pensou na proposta, Fenix? — Disse Clarice.

_ Sim...

_ Primeiramente quero que saiba que esse pequeno trato não é relativo aos seus princípios, e sim ao que é melhor para John... — Ela continuou. — Vocês não têm futuro, dá pra ver, minha intuição não falha...

_ Eu aceito. — Respondi engolindo à seco.

_ Como?

_ Aceito, por 100.000 dólares, eu deixo o caminho de John livre.

Ela assentiu e assinou o cheque.

Me cortava o coração aceitar, mas eu sabia melhor que ninguém que ela estava certa. John merecia muito mais do que um dia eu poderia dar, e quem sabe se daqui à 20 anos eu estaria viva? Não podia arriscar a felicidade dele. Eu sabia que acima de tudo, a vida e segurança eram prioridades minhas.

Ela sorriu sínica, e me entregou um cheque.

_ Assim que anoitecer estarei longe daqui.

_ Que bom que entendeu que era melhor assim.. — Disse ela colocando a mão sob meu ombro.

Depois que eles chegaram John pediu para que eu pegasse sua caixa de ferramentas e levasse até a varanda onde ele estava com seus pais.

_ Pronto.

_ Espera, aí dentro, tem uma chave de fenda, pega pra mim, por favor...

Quando abri a caixa de ferramentas, havia uma caixa pequena de veludo azul. Mal pude acreditar. Ele pegou a caixinha, a abriu e mostrou um anel de diamantes e se ajoelhou na minha frente.

_ Fenix Baldwin... – “Merda” pensei. — eu te peço humildemente, que você esteja comigo na felicidade, na tristeza, na fartura e na doença, até que a morte nos separe... Fenix, quer se casar comigo?

Olhei para Frank e Clair, mais surpresos que eu.

O bolso onde estava o cheque se tornou uma tonelada mais pesado. Pensei em tudo o que ele tinha feito por mim, que nunca poderia retribuir, nunca poderia amá-lo de verdade. Vi flashes de memórias de nossos momentos juntos até pronunciar qualquer palavra...

Fechei a caixa de veludo.

_ Sinto muito...

Entrei na casa, com lágrimas nos olhos, o deixei ajoelhado enquanto arrumava minhas coisas para ir embora, pensando em alguma maneira de não magoá-lo mas que ele me deixasse ir.

Ele entrou pela porta.

Peguei a bolsa e olhei para janela, lá fora chovia muito, e o céu estava escuro, mais do que o normal para o anoitecer.

_ Fenix, espera, vamos conversar, desculpa se foi cedo demais, mas eu não pude evitar...

_ Não é esse o problema, eu não posso ficar com você, não posso, é melhor assim, não faço parte do seu mundo. — Eu dizia as palavras que doíam ao sair.

_ Se você não faz parte do meu mundo, eu não quero viver nele, me leva para o seu mundo, Fenix, não vai. — Seus olhos imploravam mais do que as palavras.

Saí do quarto e passei pela sala, só pude ver a felicidade de Clarice.

A chuva só piorava.

_ Fenix, espera! — Ele gritava por mim.

Parei sem olhar seus olhos.

_ E-Eu te amo.

Eu teria que magoá-lo, por mais que doesse. Virei em sua direção e o encarei com dor.

_ Eu não te amo, John, nunca amei, nunca vou amar. Volte para sua vida perfeita, me esqueça, por favor.

Eu saí correndo pela calçada e não sentia a chuva, o que me angustiava eram minhas lágrimas. Quando não consegui mais vê-lo, me sentei na calçada com as mãos no rosto e chorei, enquanto a chuva caía, chorei como nunca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.