Livros De Fenix
2 Livro I
Estávamos correndo de uns 21. Ou 36. Todos sedentos à sangue, ao meu sangue e de Nate. Ele me puxou pelo braço e me levou à um beco escuro. Então, contive minha respiração ofegante.
_ Shhh! — Gesticulava ele quando eu tentava abrir a boca.
Ele olhava sério para o outro lado da rua.
_ Pronto, se foram. — Disse ele pausadamente.
_ Haviam quantos deles atrás de nós?
_ Muitos deles... — Respondeu ele desapontado.
Suspirei, porém sem sentir alívio.
_ Confie em mim, isso vai acabar. — Ele me deu um beijo na testa e me abraçou forte, e pude ouvir seus batimentos acelerados se acalmando aos poucos. Nate conseguia me acalmar em um piscar de olhos. Nunca soube como ele conseguia fazer isso.
Saímos de lá para conseguir vagas para passar à noite. E chegamos ao motel mais próximo.
_ Só temos a suíte para noite de núpcias, para recém casados. — Disse a recepcionista com sotaque bem puxado.
Olhei para Nate, ele estava de boca aberta em direção à chuva que caía.
_ Perfeito, nós acabamos de nos casar mesmo!
_ Perfeito! Então me sigam até o quarto. — Disse ela enquanto nos conduzia ao elevador.
Puxei Nate pelo braço.
_ Essa chuva! É maravilhosa quando cai.
Depois de alguns minutos, chegamos à porta e ela entregou as chaves para Nate.
_ Divirtam-se, e parabéns, você tem uma noiva muito hermosa. — Disse ela ao se retirar.
Ele me olhou confuso, e eu apenas ri.
_ Entre, hermosa. — Disse ele ao abrir a porta.
∞
Com a garganta ardendo arfei de dor, era mais um pesadelo.
Eu gritava de dor.
_ Fenix! Acorde! — Dizia Nate enquanto tentava me despertar.
Quando abri os olhos, me enchi de lágrimas.
_ Calma, por favor, vem cá. — Nate me tomou nos braços e me deitou ao seu lado. — Vai ficar tudo bem, eu te prometo. Me conta oque houve.
_ Eles nunca vão parar, até que acabem com a gente, nunca vão parar, nunca vão... — Era o que eu dizia, aflita.
_ Ei, calma, estou aqui com você, ok? Nunca vou deixar eles fazerem mal pra você.
Ele secou minhas lágrimas e me abraçou enquanto me confortava com seu silêncio e seu olhos doces. Tais quais, eu nunca havia reparado. Seus olhos tinham cor de mel. No escuro do quarto, apenas iluminado pelo reflexo da luz da lua sob o veludo dos cobertores.
Ele me acariciou e cantarolou umas cantigas de ninar em espanhol enquanto eu adormecia sob seu peito.
∞
Ao acordar, espiei as cortinas abertas e o sol que invadia o quarto, ainda podia sentir a mão de Nate brincando com meus cabelos.
_ Por favor, pare de me olhar enquanto durmo...
_ Desculpa, assim você parece um... anjo. — Respondeu ele.
O encarei por segundos. Com a claridade das cortinas, os raios do sol estavam sob a pele bronzeada naturalmente e seu cabelo preto caía sob os seus olhos. Pude ver todos músculos de seus braços evidentes por baixo de sua camisa branca de tecido fino.
Ele me beijou a testa e se levantou.
_ Vou comprar café. — Ele vestiu seu casaco e saiu pela porta. — Vem comigo?
Coloquei meu casaco e desci com Nate. A cafeteria era grudada no hotel que estávamos, e tinha um ar bem charmoso.
_ O que vai querer, querido? — Perguntou a garçonete assim que nos sentamos.
Ela viu que eu estava ali, e não dirigiu a palavra à mim. Além de tudo estava dando em cima descaradamente de Nate, na minha frente.
Nate conseguia se virar perfeitamente em qualquer lugar do mundo, estávamos no Novo México e seu espanhol era perfeito.
_ Dois cafés, fortes. — Respondeu ele.
Ela se virou pra mim e me encarou com um ar sínico.
_ Perfeito.
Minutos depois ela voltou com o pedido.
_ Aqui está.
_ Obrigada. — Disse ele.
_ É da região? — Perguntou ela.
_ Não... seu nome é?
_ Rosário. — Respondeu ela.
Eu mal podia acreditar no que estava acontecendo, ela estava se oferecendo para Nate, e quando digo oferecendo, era bem mais do que o café que ele pedira. Ao invés de armar um escandalo, encarei Nate muito brava.
_ Mais alguma coisa? — Perguntou ela.
_ Não, obrigada, estamos de saída. — Respondi enquanto puxava Nate para a porta. Deixei o dinheiro sob o balcão e saímos.
_ Adiós, Rosario! — Foi o que ele disse quando passavamos pela porta.
_ Ei! — Disse ele. — Porque tão cedo?
_ Se quiser ficar, que fique, Don Juan. — Respondi irritada.
Eu estava morrendo de ciúmes. E isso queimava.
Ele gargalhou, alto. Eu o encarei, com a cara mais enfurecida que pude projetar. Ele me abraçou pela cintura e me encostou na parede e me beijou o pescoço.
_ Se eu soubesse que você ficava tão bonita com ciúmes, faria isso mais vezes. — Disse ele me pegando no colo pelos joelhos e colocando minhas pernas cruzadas em torno de sua cintura e me levando para o hotel. Ele me soltou na porta do elevador.
_ Tenho que resolver o preço da diária, vai subindo, eu já vou. — Disse ele enquanto me beijava.
_ Ok, nada de Rosário, se não você será um homem morto. — Respondi.
_ Pode — Me deu um beijo curto. — Deixar.
Entrei no elevador e ele segurou a porta e me puxou para mais um beijo, agora demorado.
Quando ele me soltou eu apertei o botão do quarto e puxei a porta do elevador, ele piscou pra mim pelo vidro e eu sorri. À toa.
Enquanto abria a porta do quarto tirei o casaco. O joguei na poltrona e fui para janela, ver o sol. Quando me virei, havia um homem sentado na poltrona do quarto Seus braços eram compridos e seu corpo esguio. Sabia que era um deles, mas não consegui reagir.
_ Fenix, não é? — Disse ele. — Quem diria que Nathaniel poderia violar seus princípios por... isso.
_ Quem é você? — Perguntei com os dentes trincados.
_ Fenix, da prole do demônio... o que você tem de tão especial para ele te proteger tanto? — Dizia ele enquanto se aproximava em movimentos rápidos. — Sou Ariel, irmão de Nathaniel.
Cerrei os dentes e fechei a mão em punho, mas não tinha forças. Algo naquilo me tirava as forças.
Ele deu voltas em torno de mim enquanto ria.
Então ele tocou em meu ombro e já não conseguia impedir meu corpo de cair.
Pouco antes de bater minha cabeça no chão e perder os sentidos pude ouvir a voz de Nate vindo da porta.
_ Fenix! — Gritava ele.
Pude sentir as vezes que ele tentava me sacudir, mas simplesmente não conseguia abrir os olhos nem me mover então minha mente gritava sucessivamente na esperaça de conseguir fazer com que ele escutasse "estou bem, meu amor, tudo vai ficar bem, não se preocupe, apenas não me abandone, estou bem..."
∞
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