Living amidst the fat cows.
4 O azar me possuindo.
Notas iniciais
Acordo, e sinto que estou tendo um dejavú, acordei ontem também. Sinto que isso já aconteceu várias vezes sabe, não sei porque. Vai saber né? O importante é ter saúde.
Sento na cama, e sinto AQUELA dor nas costas! Colocaram uma pedra aqui, e vestiram ela de cama, tenho certeza.
Enfim, ontem eu desmaiei por causa daquele animal que veio do inferno me atormentar porque sou uma menina má. Ou seria Deus me castigando. Dane-se, o que importa é que eu vou sumir com aquele mini ser do demônio. Pra ajudar, eu tive um pesadelo com aquele troço essa noite. Era a gertrude (Peru de estimação altamente perigoso, se afaste ou morra. Só um aviso necessário aqui pra sociedade), e ela segurava uma faca, ai começava aquela musica de suspense “tan tan tan” e ela vinha se aproximando...aí acabou o sonho e eu comecei a sonhar com unicórnios dançantes. Eles manjavam no hula hula. Eu também manjo, porque eu manjo em tudo. Desculpa sociedade.
Voltando ao desmaio, já que mentalmente eu já mudo de saco pra mala. Depois que eu acordei do desmaio, eu estava deitada na cama, tapada (não entenda mal né, eu sou tapada, mas aquilo quer dizer que eu estava tapada com um cobertor). Aí minutos depois tentando entender a situação, meus neurônios queimaram, e eu peguei no sono. Fim de noite. Nossa que emoção Amber! Ninguém liga. Aí a pessoa gosta de se xingar. Assim que é bom, autocrítica.
Pelo menos hoje vai chegar minhas coisas! Yay! É a única coisa que salva o dia, porque minhas costas estão doendo tanto, que eu estou igual o corcunda de Notre Dame! Não consigo ficar reta. Não sei quem foi o idiota que colocou três travesseiros pra mim dormir. Acho que era pra mim não quebrar meu crânio naquela cama empedrada. Nunca pensei em quanto minha cama era importante pra mim, agora eu vejo.
Resolvi sair daquela cama metida a havaiana de pau, e descer para comer alguma coisa. Quando cheguei na cozinha, adivinha quem eu encontro logo cedo pela manhã? (cedo tipo meio dia) Isso mesmo, Andrew. Ignorei a presença dele na cozinha e fui direto fuçar na geladeira.
– Não te ensinaram a ter modos na casa dos outros? — Perguntou já cheio de arrogância. Mal acordo e sou abençoada com essa pessoa querida sendo simpática comigo como sempre! Sinta a ironia. Bom, não tem como não sentir, porque né.
– Queridinho, essa é minha casa agora também, você não é ninguém para me dar lição de moral. — Peguei um ovo que estava dentro da geladeira, junto com outros 500 mil ovos, e joguei na cara dele.
Ele parou de comer naquele mesmo momento e ficou sério.
– Ué, não gosta de ovos? São bem nutritivos. — Eu estava rindo que nem uma idiota dele.
Ele veio em direção a geladeira, e eu previ que ele pegaria ovos e jogaria em mim também. Nessa hora, me agarrei na geladeira como se fôssemos um só. Estávamos quase reproduzindo, eu a geladeira.
Na verdade, ele me tirou bem fácil da frente da geladeira. Aff, me tirou do meu agarra com a geladeira ali, estávamos num clima bem quente...na verdade bem gelado… enfim!
– Agora você vai ver, isso é por se meter comigo! — Dito isso, começou a jogar ovos em mim como se não houvesse amanhã.
– Ai que nojo! Meu cabelo! Minhas roupas! Aaaah, você acabou com a minha vida! MENTIRA! Eu já estava pensando em tomar um bom de um banho relaxante mesmo… — Comecei a rir e peguei mais ovos. E assim, começou a terceira guerra mundial entre Amber – A patricinha sem solução e Andrew – o Ser ambulante arrogante, onde a arma principal eram ovos.
Depois que aquela guerra acabou, cerca de 20 minutos. Provavelmente a guerra mais rápida da história. Andrew pegou a ração das galinhas e jogou tudo em mim, ficou grudado no ovo, ou seja, em todo meu corpo. Situação atual: Sou uma jovem corcunda, com um vestido de festa cheio de ovo e ração. To linda!
Andrew me pegou no colo, como uma princesa. Claro, no momento isso está longe de ser um conto de fadas. Ele me levou lá fora, e me jogou dentro do galinheiro, entendeu? DENTRO DO GALINHEIRO!
As galinhas começaram a me olhar macabramente como se eu fosse o alimento delas, e bom, estou coberta do alimento delas! Agora faz sentido o fato de ele ter me jogado ração, estava na hora de alimentar as galinhas, e eu seria o alimento principal.
Alguém me tire desse lugar!
– Andrew! Eu juro que vou te matar! — Gritei. Enquanto eu estava tendo um ataque de pânico correndo das galinhas loucas atrás de comida, Andrew pegava uma cadeira e colocava perto do galinheiro para ficar assistindo aquela desgraça ao vivo. Isso é muita humilhação. Esse canalha vai pagar caro.
Dei uma de ninja e pulei a cerca do galinheiro, antes que eu servisse de alimento para as galinhas.
Percebi que Andrew sentou com a cadeira bem na frente da piscina. Não pude pensar em outra coisa, além de empurrá-lo, e empurrei. Ninguém precisa saber que caiu Andrew, a cadeira, e eu junto, já que ele me puxou pra dentro.
O lado bom é que a ração das galinhas e os ovos que estavam no meu corpo me abandonaram parcialmente. Tentei com toda minha força afogar ele, mas ele é bem mais forte que eu, com certeza.
Quando vi que sua camiseta branca de manga comprida, ficou coladinha e transparente, entrei em coma de tanta lindeza, por alguns segundos. Estava babando ainda, quando percebi uma tatuagem no seu braço direito. Não dava para ver direito, mas parecia uma garota.
– Quem é a garota tatuada no seu braço? — Perguntei da forma mais gentil possível, mas já estava preparada para uma resposta fria e cruel.
– Minha irmã. — Quando ele disse isso, achei bem besta. Para que tatuar a irmã no braço? Ridículo.
– E cadê ela? Acho que ainda não a vi. — Estávamos ainda na piscina, eu encarando-o e ele encarando o céu. Ele tinha um olhar solitário enquanto fitava o céu. Se bem que, ele sempre teve esse olhar solitário desde que o vi. Posso ser burra, mas sou bem observadora.
– Nenhum lugar, venha, Vamos sair, não aguento mais esse seu cheiro de ovo. — Disse e sorriu. PARA TUDO! ANDREW SORRIU!
– amitzu – Balbuciei qualquer coisa.
– O que? — Perguntou me olhando como se eu fosse uma demente.
– Desculpa, achei que você era um Deus Grego. — Sério, por alguns segundos eu tinha certeza de que ele era um Deus Grego e estava só me escondendo isso.
– Só você mesmo. Com essa vou pro banho. — Ele sorriu, eu sorri pra ele, nos casamos e adotamos um cachorro chamado Rex. Tá, ele só sorriu e eu sorri de volta.
Presumo que ele esteja de bom humor hoje, coisas inéditas estão acontecendo.
Saí da piscina, entrei dentro de casa toda molhada e subi até o meu suposto quarto.
Entrei para pegar roupas e ir pro banho. Só tem um problema, minhas roupas ainda não chegaram com a mudança. Vou ter que dar um jeito. Se eu não achar nada aqui, vou ser obrigada a pegar uma roupa do Jason, e não, obrigada.
Abri o roupeiro que tinha no quarto, e encontrei apenas um vestido tomara que caia curtinho. Bom, da pro gasto. Sutiã não preciso porque o vestido tem bojo, mas eu preciso de uma calcinha. Fui no quarto que devia ser do pai dele e procurei por uma calcinha perdida, vai que tem roupas da mãe dele por aqui.
Resumindo, não encontrei nenhuma calcinha. O que vou fazer? Não vou colocar a que eu to de novo, é nojento. Já usei por um dia inteiro. Segunda vez na vida que vou ter que apelar, e não, isso não é nada legal. Rumo ao quarto do Andrew.
Primeiro revistei o local para ver se ele estava no quarto, pelo visto ainda está no banho. Abri sua cômoda roubei uma cueca boxer preta e sai em dois tempos de lá. Já pensou alguém me ver saindo de lá com uma cueca? Meu orgulho feminino já está sendo ferido aqui. Esse lugar está me deixando louca já. Estou virando um troço esquisito, que usa cuecas e roupas que encontra no fundo de um roupeiro. Eu só preciso esperar minhas coisas chegar, e eu já me livro disso. Juro.
Seria muito estranho dizer que eu cheirei aquela cueca? Pois é, eu tenho mania de cheirar as coisas.
Peguei as coisas que eu consegui e fui em rumo ao banheiro. Estava distraída pensando em como redecoraria aquele quarto que vou ficar, quando entrei bem feliz no banheiro. Me deparei com Andrew pelado, saindo do boxe.
Desculpa Deus, mas eu vi tudo.
– DESCULPA! — Gritei e fechei a porta com tudo. — Poderia ter chaveado a porta né? Mas não me arrependo, vou para o outro banheiro, Adios muchacho. — Saí correndo até o banheiro do andar de baixo. Me chaveei obviamente, vai que ele se vingue disso também. Peguei a chave e coloquei na pia. Liguei a torneira para lavar meu rosto e tirar os resquícios de maquiagem que ainda tinha na minha cara, e adivinha o que a Amber mosca tonta fez? Acabou batendo na chave, que caiu dentro do ralo. Meus parabéns, pra mim mesma. Vou ganhar um óscar da Garota Mais burra do ano.
Agora que eu percebi, que além dessa burrada, acabei de descobrir que eu deixei a roupa cair na frente do banheiro que o Andrew estava. Ou seja, ele vai sair e ver que a cueca preta dele estava lá na frente, e se perguntar “o Que minha cueca está fazendo aqui? Oh não, a Amber é um travesti e eu não sabia!”.
Bom, vou ter que esperar ele descer, e continuar sem banho por alguns minutos.
Pelo visto horas.
Meu Deus! Já se passou umas 2 horas! Alguém me tire daqui!
Já gritei tanto, que estou quase sem voz. Aquele inútil é um surdo arrogante.
Oh god, o jeito é morrer fedida mesmo.
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