Living amidst the fat cows.
5 Rage
Notas iniciais
Depois de 3 longas horas de uma raiva que só crescia a cada segundo, eu cansei. Estava sentada, com as costas encostadas na parede, com meu vestido preto de festa ainda, todo cagado, fedendo, impaciente.
Cansei dessa vida, vou virar um panda.
Ta, alguém me diz como é que se vira um panda por favor. Ou será que se eu virasse um unicórnio seria mais interessante? Ai eu poderia ir morar na unicorniolândia e viver minha vida perfeita lá, porque aqui tá difícil. Incrível que em apenas dois dias a minha vida conseguiu virar de cabeça pra baixo, minha vida manja plantando bananeira.
Nossa Amber, como você é idiota, começou a ficar mais retardada depois de 3 horas, presa no banheiro fedendo ovo.
Ah, já chega, Andrew vai me pagar. Eu não aguento mais gritar, e tá chovendo muito, nem tem como ele escutar, já não escutou quando não estava chovendo, imagina agora.
— AAAAAH! — Após o meu grito de guerra, chutei a porta com toda força que eu tinha, o que fez com que ela caísse, pelo visto, junto com alguém.
— Mas que merda é essa? — Andrew falou sendo esmagado pela porta do banheiro.
— É você...sendo esmagado pela porta do banheiro. Parece que nem a porta gosta de você, já aproveite e morra esmagado por favor. A humanidade agradece. Eu principalmente. Ah, minhas coisas já chegaram? — Perguntei ainda gloriosa por ter chutado a porta, e ela ter esmagado o boy mais gato da face da terra. Arrogante, não gato. Gato sim , perfeito, e ainda está sem camisa, como não pirar? Chega Amber, se concentra que ele te deixou trancada por três horas seguidas, não é o momento para admirá-lo.
— É, já chegaram sim. — Disse ele se livrando da porta com um pouco de raiva, um pouco sabe, só estava parecendo um psicopata sedento por sangue. E eu era o alvo. — Por que fez isso com a porta sua maluca?
— Porque eu gosto de chutar portas e arrancar elas. — Fiz a cara mais irônica que conseguia no momento. — Fiquei presa nessa droga por três horas! Você tá precisando limpar seus ouvidos, porque tá meio surdo! Ja estou quase sem voz, e isso é culpa sua!
— E como conseguiu ficar presa? — Perguntou meio confuso, mas querendo rir da minha desgraça.
— Porque além de gostar de chutar portas, eu gosto de jogar a chave do banheiro no ralo da pia. — Continuava com a minha cara irônica, meio misturada com raiva e burrice.
— E agora a culpa é minha se você é idiota o suficiente pra deixar a chave cair no ralo? — Falou com desdem. Como pode existir uma pessoa tão irritante no mundo Deus? Como tu deixa esse diabo vivo Senhor? Faça um meteoro cair nesse Capiroto.
— Ah que se dane, onde estão minhas coisas hein? — Perguntei já com uma voz raivosa para o Andrew que estava escorado na parede me encarando. Não vou cair no seu feitiço, sereia! Não adianta tentar me seduzir! Nem fui iludida agora! Calunia!
— Estão lá fora, na chuva. — Disse, começou a rir da minha cara, e saiu caminhando orgulhoso. Parou e virou pra mim. — Não precisa me agradecer por ter carregado suas coisas, patricinha.
— Minhas roupas, minhas coisas estão sendo todas encharcadas lá fora. Deveria agradecer por você ser um imbecil? — Sai correndo atras de minhas coisas lá fora, sentia lágrimas escorrerem em meu rosto. Dois dias aqui, e eu já não aguento mais, como sobreviver a esse inferno? Alguém me ensine! Saudade da minha vida regrada, da minha perfeita, em que eu sabia exatamente tudo que ia fazer.
Minhas malas com minhas roupas estavam completamente encharcadas. Acho bom ter um secador de roupas muito eficiente nessa casa. Depois eu vou quebrar a secadora na cabeça do Andrew, por ter feito isso. Eu posso ir pro inferno, queimar o rabo lá, mas eu ainda mato esse cara. Ele que aguente, porque agora a vingança começa.
— O que tem dentro dessa caixa? — Perguntei pra mim mesma abaixo do céu que estava caindo de tanta chuva. Abri a caixa e quase tive um troço. — M-meus livros! Estão completamente molhados! — Avá que estão molhados Amber, esqueceu que um idiota jogou todas suas coisas aqui fora? Mas não era o suficiente, tinha que começar a chover! Seja lá qual for o índio que fez a dança da chuva, eu vou achar ele, e jogar todos meus livros na cara dele! É assim que chove né? Quando os índios fazem a dança da chuva...ainda existe índio? Meus neurônios que restavam tiveram um curto circuito, só acho.
— Tenho que levar essas coisas pra dentro, espero que eu consiga… — Continuava falando comigo mesma tentando resolver como levaria minhas coisas pra dentro, e depois levaria para o meu novo quarto com cheiro de mofo. É… não obrigada, acho que eu vou desmontar se eu levar essas coisas.
— Precisa de ajuda? — Havia um boymagia , tá mais pra boycaipira, esse estilinho aí entrega. Dei uma boa observada dos pés a cabeça e devo dizer, é um gato, tem cabelos castanhos e olhos verdes. Eu diria que somos almas gêmeas, diria também que você vai ser meu marido e teremos dois filhos e um cachorro. O nome dele será Fredismundo. Esse seu jeito e estilo caipira a gente da um jeito. Chegue aqui, vou lhe usar... — Oi? Você está me olhando a alguns minutos… tem algo errado em mim?
— N-não, só sua roupa, o resto está perfeito. Você é perfeito. — Eu provavelmente estava olhando com aquele cara de boba apaixonada, e sei lá, babando em cima dele. Espera aí, eu estava planejando casar com ele? Volte a realidade Amber! — Quer dizer… quem é você? -Ele deu uma risadinha.
— Sou Jacob, prazer em conhecê-la uai. Precisa de ajuda com isso moça? — Disse o caipira e eu desisti de achar ele bonito. Caipira uma vez, caipira sempre. Tudo que eu tenho que fazer é não olhar pro seu rosto lindo.
— Acabou o amor. — Pensei alto, o suficiente pro caipira gatinho escutar. — Quer dizer… leve minhas coisas para o meu quarto… por favor. To pedindo porque sou educada, é você quem cuida das vacas? Quer dizer, daqueles animais nojentos e gordos. Como chama mesmo? Fazendeiro? Algo assim.
— Por que eu levaria suas coisas? Não sou seu empregado uai. Meu primo tá la dentro sô? — Oh Santo Brigadeiro, o que há com essas pessoas desse fim de mundo?
— Só podia ser, primo de imbecil, imbecil é. Essa coisa é de família? — Apesar de que eu nem precisava perguntar, tenho certeza que é de família. Eu não vou sobreviver a esse inferno por muito tempo.
— Cale a boca patricinha, aliás, belo vestido. — Disse e saiu rindo.
— Seu caipira inútil, vou arrancar seus órgãos e vender no mercado negro! — Gritei. Ele parou e se virou pra mim.
— Ansioso por isso. — Disse e voltou a andar.
Comecei a empilhar algumas caixas que eram mais leve. Por que eu tenho que levar essas coisas? Talvez porque sejam minhas e só tem um bando de idiotas aqui que não fazem nada pra mim.
Levei algumas coisas para o meu quarto, e outras para o lixo. Agora Andrew me tirou realmente do sério.
Estava no quarto tirando as roupas encharcadas da mala quando escutei alguns gritos, uma discussão alta, porém graças a querida chuva não consegui entender o que diziam. Obrigada mesmo hein índios!
— Meus livros, adeus meus lindos… vou ter que comprar novos… quer saber? Vou por tudo fora. Amanha eu entro nessa casa com roupas novas e um quarto mobiliado do MEU jeito. Nada que um bom chá de shopping não resolva! — Sim eu falo sozinha, e daí? Já to na merda mesmo, ser retardada é um bônus.
Ouvi a porta do quarto do Jason bater forte, e ele ligar uma música extremamente alta. Saí pra fora do meu lindo quarto mofado pra ir pegar o resto das coisas lá fora quando Jacob me segurou com força. Desde quando ele estava aqui? Além de tudo estou ficando cega também?
— O que tá fazendo? Me solta seu caipira inútil! — Ele levou a sua mão a minha boca como se dissesse “shhh”. — O que? QUER QUE EU FIQUE QUIETA? — Disse gritando obviamente o provocando.
— Não sabe com quem se meteu garotinha. — Depois disso só lembro ter sido jogada com força na parede.
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