Living amidst the fat cows.
3 Nova casa e perus malignos enviados do inferno.
Notas iniciais
– Vamos, você vai me levar para casa. — Disse tomando a frente e procurando seu carro no estacionamento.
– Você está na sua casa, madame. — Disse me debochando.
Eu realmente desisto da ideia de seduzir esse lixo. Eu prefiro dar pra um mendigo. Nem acredito que vou ter que morar com esse resto de esterco.
– Preciso te lembrar da situação em que nos encontramos querido? — Perguntei como se fosse óbvio, e é óbvio!
– Querido? Não lembro de ter te dado essa intimidade toda comigo. — Falou o búfalo do inferno, ainda me debochando, e me diminuindo (TENTANDO me diminuir). Ah queridinho, se eu fosse você eu não entrava nessa.
– Oh, você é tão mente fechada que não intende ironias? — Perguntei claramente o desafiando para uma treta delícia.
– Eu sou mente fechada? Falou quem acha que a vida se resume a ser o centro das atenções, que faz de tudo para conseguir o que quer, só se importa consigo mesma, devo continuar? Quer fazer algo útil? Abra a mente e feche as pernas. — Disse esse canalha. Isso é demais para um dia só.
– Não fale comigo como se me conhecesse. — Não admito que falem isso de mim. Pode ser verdade, mas eu estou tentando deixar minha marca, estou tentando seguir os passos do meu pai… O que tem de errado nisso?
– Não é necessário te conhecer pra saber disso, você deixa isso bem claro para todo mundo. — Andrew, porque me trata assim? Nem me conhece.
– Quer saber? Apenas me leve para a sua casa, que também é a minha casa agora, porque você já sabe que minha mãe e sei pai vão ir direto para a lua de mel deles e tudo mais. Você pode me odiar o quanto quiser, e saiba que o sentimento é recíproco, mas eu preciso ter meu sono de beleza agora- Eu estava a ponto de chorar, mas não ia me rebaixar. Nunca me disseram isso, nunca! Todos sempre me trataram bem, simplesmente não entendo.
Papai, me diga como devo agir, porque eu não sei. Sim eu sei que meu pai está morto, e daí? Eu gosto de falar com defuntos mesmo, isso não me faz menos mulher, só menos normal, mas isso não importa.
Estou com tanta raiva, que eu acho que vou explodir a qualquer momento. Sou uma bomba, cabum! Oh god, sou tão patética, mas lembrando, SÓ EU POSSO ME XINGAR!
Andrew querido, sinto em te avisar, mas quando a mudança chegar na sua casinha, vou ter muitas armas pra te amaldiçoar pro resto da sua vida, mas saiba que essas duas semanas você comerá do pão que o diabo amassou.
Fomos até o carro dele, que na verdade era uma camionete. Dá pro gasto.
– Você tem uma toalha ou um pano? Limpo, claro — Perguntei.
– Hã? Pra que? Senta ai logo que eu pretendo ir pra casa hoje ainda. — Chato, chato, chato, chato.
– Não! Muita gente já colocou a bunda nesse banco, não quero sentar na bunda dos outros. É nojento. — Sim, eu sou paranoica e dai? Quero continuar perfeita, linda e sem bundas impregnadas no meu vestido. Ele bufou e tirou seu terno.
– Toma isso e para de reclamar. — Ele me deu seu terno e coloquei aonde eu sentaria. Pude sentir o perfume dele. Que é muito bom inclusive. Delícia. Quer dizer, é ruim, horrível. Nunca senti cheiro tão podre. — Se prepare para a viajem.
– Viajem? Quantas horas vou ser obrigada a ficar do seu lado? Isso é uma tortura, acho que vou me suicidar num pé de alface quando chegar.
– Ótimo, tem bastante lá mesmo, dá pra escolher à vontade. 2 horas do meu lado é o máximo que vai conseguir. — Disse com uma risadinha debochada, imagina, ele quase não é debochado. Esse cara tem que ser estuprado por um hipopótamo travesti. Tem como alugar um hipopótamo e fazer ele estuprar o Andrew? Espero que sim. Se não tiver, eu mesmo estupro ele (claro Amber, ótima ideia, idiota). Eu acho que isso é macumba contra mim. Eu odeio ele, eu odeio ele, eu odeio ele… ISSO, EU ODEIO ESSE PANACA E VOU ACABAR COM ELE!
Já é madrugada e estamos viajando para minha nova casa. Minha mãe disse que ele é rico, então deve ser uma casa chique, diva, e com um quarto enorme me esperando. Se a casa for assim, diminui o horror de morar numa espécie de fazenda, com monstros, mais conhecidos como vacas! Eu tenho um troço se eu ver uma, tenho certeza que vão correr atrás de mim e me esmagar, ai eu vou virar uma panqueca de vaca, e elas vão me comer enquanto eu ainda to viva. Quase morta, mas viva. As galinhas também, e os perus. Uma vez quando eu era criança eu lembro que me perdi num zoológico, ai entrei num lugar estranho, e um monte de peru começaram a me perseguir, e começamos a correr em círculos, porque tinha um bagócio de água no meio. E foi assim até que veio os tiozinhos e me tiraram de lá. Depois quando eu andava na rua por aí, eu sentia que estava sempre sendo perseguida, mas não por pessoas, por perus. E também tinha muitos pesadelos com eles, foi traumático.
***
– Chegamos a minha humilde casa. — Disse o pedaço de linguiça podre, quando chegamos.
Ué, cade a casa chique? Só vejo uma casa rústica que precisa de várias reformas. Não pode ser essa casa, pode?
– Ta e cade a mansão? Isso é um galpão? — Perguntei.
– Bem vinda ao humilde galpão que você vai morar, não se preocupe, você vai adorar. Faz bem o seu estilo. — Disse, pegou as chaves de casa e saiu rindo da minha cara.
Alguém me diga que é zoeira que vou morar nesse lugar. Pelo menos que o meu quarto seja grande, assim eu posso reformar, e ficar no melhor lugar da casa, meu canto, meu quarto. Espero que o banheiro seja limpo, pois é onde eu medito melhor, enquanto eu cago. Pois é, meu intestino é meio solto. As vezes eu acho que meu corpo é composto de merda. Ai nossa, essa Amber nem parece uma menina, ela fica falando em cagar, meninas não cagam. Cagam sim! Peidam e arrotam também. Sabe, prisão de ventre é o meu forte. As vezes tá tão tensa a situação que eu acho que meus gases matam mais pessoas que bombas atômicas. Pois é, não sou avantajada em tudo. Tenho meus podres, literalmente.
Entrei na casa, decoração bem pobre na verdade, mas posso dar um jeito nisso.
Credo, parece casa de depressivo isso aqui, tudo escuro. Janelas empoeiradas, ou seja, não são abertas por bastante tempo. Algo está errado aqui, e vou descobrir o que é.
– Seu quarto é no segundo andar, ao lado do meu. Não me incomode, não entre no meu quarto, não chegue perto de mim, não mude nada aqui, não se meta na minha vida, é tudo que peço por enquanto. — Blá, blá blá e mais blás. Como se eu ligasse para essas regrinhas. Eu faço o que quiser.
– Imagina, ficar perto de você já é o suficiente pra me fazer querer vomitar. — Fiz a cara mais cínica que pude.
Entrei no quarto, e quase tive um ataque cardíaco.
– E-esse é meu quarto? T-tem um.. um.. peru aqui! — Meu Deus, é o diabo me testando.
– Gertrude? O que faz por aqui? Veja, esse é o meu animal de estimação, a Trude é muito carinhosa, xodó da casa. Segure ela, pra se conhecerem. — Eu estava paralisada, quando ele colocou aquele bicho nos meus braços.
Adeus vida cruel.
Senti meu corpo pesar, quando finalmente tudo ficou escuro.
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