Ser preso e sequer saber onde está, em que ano está e não ver a luz do dia durante anos é assustador. Não sei ao certo porque eu fui o escolhido, eu vivia uma vida tão normal. Eu tinha planos, eu tinha um futuro pela frente, mas graças a uma grande empresa fantasma, se assim posso chamar, me sequestrou e me manteve sobre cativeiro. Tentei de todas as formas escapar daquele lugar, mas nem a força do meu corpo podia detê-los.

Fiquei anestesiado durante toda a pesquisa, só acordava com fortes dores no corpo e vendo o quanto ele mudava sem necessitar de uma academia. Lembrei do Capitão América, lembrei do filme que havia assistido tantas vezes, mas não seria possível, e seria muito infantil aquilo acontecer.

O lugar em que estava era claro, luzes brancas e paredes totalmente lacradas me cercavam todos os dias. A comida não era das piores, meu quarto parecia hotel de luxo, mas eu não estava feliz, não estava satisfeito.

Marcas nas paredes me faziam lembrar de cada soco de raiva que eu dava. Eu queria sair daquele lugar, mas eu não sabia como. Eu me recordo do dia que estava sentado na minha cama em frente ao espelho, meu corpo havia mudado drasticamente desde que entrei naquele hospício, palavra perfeita para descrever aquele lugar.

Eu me sentia frio, me sentia esquecido, será que ninguém se deu conta de que havia sumido? Será que ninguém sentiu minha falta? E minha família? E ... Isa?

Mergulhado nos meus pensamentos assustei com um cara branco na porta, era Dr. Klain novamente.

-Como você se sente?

-Ótimo! — Disse sarcastiscamente me levantando da cama.

-Tenho boas notícias — Klain disse com um sorriso estampado no rosto — Você está liberado, a pesquisa foi um sucesso.

-Finalmente vou poder sair desse hospicio. — Um alivio em meu peito surgiu. — E quanto tempo eu fiquei preso aqui?

-10 anos Lucas! — Klain disse exitando um pouco sobre a pergunta que havia feito a ele. Arregalei os olhos e me perguntava, como fiquei 10 anos em um lugar, trancado?!

-Quanto tempo eu ficava sedado quando injetavam aquele troço no meu braço? — Fuzilei o doutor e praticamente voei pra cima dele.

-Você ficava um ano desacordado, por isso pra você, não parece tanto tempo, veja como você cresceu, amadureceu e ainda continua jovem, a pesquisa foi um sucesso! — Klain com sua voz mansa que me irritou ainda mais ao ve-lo me tratar como um simples rato de laboratorio.

-Quero sair daqui agora! — Berrei fazendo eco pelo quarto.

-Fique à vontade ! — No mesmo instante, peguei umas roupas que havia na prateleira e enfiei em uma mochila, quando ia saindo pela porta do meu quarto, vi algo brilhando na mão do doutor. — Isso é seu! — Exitei e um aperto no meu coraçao fez com que suspirasse.

-Obrigado por guardar isso! — Coloquei o anel dentro do bolso e fui guiado até a porta da frente. Assim que sai para fora, a claridade me fez forçar meus olhos, era um país diferente porém o mesmo, mas não havia carros voando nem nada do tipo, apenas era diferente de 10 anos atrás.

Andei sem direção e um carro estava me esperando depois dos portões altos da clínica. Tentei avistar de longe mas percebi que ela havia sumido, me perguntei se aquilo realmente era possivel. Após algumas horas no total escuro, senti o carro parar e quando abri a porta, estava em frente a minha antiga casa. Não havia ninguém ali, disso eu tinha certeza.

Agradeci ao motorista e retirei minha bolsa de dentro do veiculo, andando pela rua sem direção. Peguei o primeiro onibus que vi, ia para algum parque, "Talvez eu precisse de um pouco de natureza", pensei comigo dando sinal para o onibus.

Fiquei perdido em meus pensamentos durante todo o percurso, como os onibus mudaram, como as cidades,as pessoas mudaram. Eu tinha que começar minha vida do zero, tinha que saber o que eu realmente queria dali em diante e isso me pertubava.

Assim que cheguei no ponto final, o motorista do onibus abriu a porta e avistei um banquinho em meio as árvores. Sentei ali mesmo e observei o céu escurecer, coloquei a mão no bolso e vi que a aliança de namoro ainda estava exatamente como estava a 10 anos atrás. Encaixei no meu dedo com um pouco de dificuldade e encarei aquela aliança.

Eu a amava tanto, eu adorava o perfume dela, o jeito como ela me tocava, me acariciava, me beijava, me abraçava. Ela era a mulher perfeita, que todo homem gostaria de ter, e a culpa de te-la perdido nao foi minha. Ouvi o som do trovão e gotas de agua cairam sobre mim, me ensopando. "Ela adorava esse tempo e o barulho da chuva", pensei comigo enquanto ainda fitava a aliança em meu dedo. Suspirei e me coloquei de pé, então vi uma mulher correndo com uma mochila de criança e uma menina de 3 anos no colo. Meu coraçao quase saiu pela boca,eu tinha certeza, era ela.

Corri atrás daquela mulher e da criança, eu não podia negar, aquele corpo me deixava excitado, aquele corpo era perfeitamente escultural, eu queria ela de volta.

- Isa! — Gritei em meio ao barulho da chuva e do trovão. Gritei novamente mantendo o ritmo do passo. Vi dois olhos virar em minha direção depois de um tempo correndo atrás dela e o olhar de espanto nao negava: ela havia me reconhecido e Isabelle estava bem na minha frente, mais velha, com uma aliança de ouro no dedo esquerdo e com uma pequena menina em seus braços.