Capítulo 1

–Lu- Lucas ? — Isa gaguejou indo em minha direção.

–Oi Isa ! — Disse com um sorriso em direção a ela e olhando a pequena menina com uma capa de chuva colada ao seu peito, como ela se parecia com a mãe, como eu queria que aquela fosse minha filha.

–Eu- Eu não esperava por você aqui, co- como você me achou? — Sua voz falhava a cada silaba, ela estava quase chorando, quando eu apenas aproximei meu corpo do dela e beijei sua testa.

–Quero te contar tudo ! — Sussurrei.

–Vamos para um lugar que esteja seco! — Isa disse dando um sorriso amarelo.

Andei quase que correndo ao lado dela, seu fôlego estava no fim, percebi a debilidade e o grande sacrificio de levar uma criança em seu colo, eu não sabia para onde estava indo, apenas a estava seguindo.

–Eu posso? — Perguntei estendendo os braços em direção a criança em seu colo. Isa pensou porém me entregou segundos depois, revelando seus olhos cheios de olheiras arroxeadas.

Depois de uma longa caminhada de baixo de chuva e com a pequena menina aconchegada em meus braços, avistamos uma casa simples e assim que a porta foi aberta, o cheiro dela penetrou em mim.

–Licença... — Pedi retirando meus sapatos ensopados.

–Fique a vontade, vou apenas trocar a Alice! — E aquele nome pareceu familiar, esse era o nome que ela queria colocar na filha, na nossa filha.

Sentei em uma cadeira aconchegante na cozinha e fiquei observando o ambiente ao meu redor. As paredes todas brancas e com detalhes florais nas paredes, demonstrava aquele mesmo jeito, simples e elegante que Isabelle sempre teve. Sorri involuntariamente e me deparei com uma pessoa parada ao meu lado.

– Espero que você tenha uma boa desculpa pra ter me deixado... — A voz meiga ecoou pela casa totalmente silenciosa.

–Acho que isso vai levar alguns minutos! — Disse enquanto via Isa se sentar a minha frente. Contei toda a história, desde o sequestro, até o dia em que havia sido dispensado, um longo momento de silêncio fez meu coração palpitar.

– Mesmo que você não queira, eu vou te contar — Ela disse interrompendo o silêncio — Eu transei com meio mundo, após ficar 4 anos sofrendo, depois virei uma vadia. Fiquei grávida de um empresário, se é que eu poderia chamar aquele viado de empresario. Tivemos que casar as pressas sem meus pais concordarem e ... — Uma lágrima escorreu dos seus olhos — Ele me deixou a um mês, com uma filha de 3 anos, eu não trabalho, apenas conclui o ensino médio e eu simplesmente não sei mais o que fazer.

–Isa ... eu sinto muito ! — Disse com meus olhos cheios de lágrimas, mas eu não sabia como poderia ajuda-la. Antes ela tinha tantos planos e eu havia estragado tudo.

–Não, não sente. Voce não sabe o que eu passei! — Isa gritou se levantando da cadeira.

–Eu também sofri,eu sofri ao saber que passei 10 anos naquele hospício, 10 anos sem você... — Retruquei — Eu quero você de volta Isa, eu quero que você volte a ser minha pequena por isso eu ainda estou aqui.

–Vou tentar dar alguma coisa pra Alice comer, se quiser , primeira a direita tem um quarto de hóspedes! — Abaixei a cabeça e vi seu corpo se afastar da cozinha fugindo do assunto. Eu não sabia se conseguiria aguentar vê-la sem poder sentir ela perto do meu corpo, eu precisava dela pra recomeçar a minha vida e eu queria mudar o que eu havia estragado.

Fiquei calado ate ouvir risadas de criança e passos em direção aonde eu estava. Isa sentou sua filha no cadeirao e tirou uma sopa de legumes da geladeira colocando em seguida no microondas. Era coisa pouca, apenas para Alice e rapidamente eu percebi os seus armarios e geladeira vazia, ela estava passando fome.

Sai em disparada ao quarto que Isa havia me instruido e assim que encontrei uma cama, afundei meu rosto e lágrimas rolaram involuntariamente. Eu nunca fui de chorar, mas ver aquilo, ver a pessoa que eu mais amava passar por tudo aquilo porque eu não estive presente, fez sentir como se eu fosse o pior ser humano da face da terra.

Adormeci mergulhado em pensamentos, despertei e levantei com o estomago roncando , procurei na minha bolsa algum dinheiro , a fim de encontrar algum mercado onde poderia comprar algumas coisas, eu sabia que Klain era como um pai e não me deixaria sem dinheiro.

–Achei ! — Disse estupefato ao encontrar cem reais na minha carteira. Sai em direção a porta, observando apenas a casa sendo iluminada pelo sol. Quando abri o trinco, senti alguém se aproximar de mim e me abraçar por trás.

–Não vai embora! — Ouvi a voz esganiçada de Isa atrás de mim.

–Eu não vou embora Isa, vou comprar algo pra gente comer ta?! — Disse me virando colocando minhas mãos no pequeno rosto dela.

–Você não deveria e... o que é isso no seu dedo? — Tentei desviar o olhar, mas ela segurou minha mão com força

–É isso mesmo que você está pensando! — Disse assim que vi seus olhos se arregalarem em direção a aliança prata em meu dedo.

–Voce ainda a usa... — A voz dela saiu como um sussurro e eu a abracei, como se fosse a primeira vez.

–Eu te amo ... — Sussurrei em seu ouvido ao ouvir gemidos de choro vindos do seu rosto que estava colado ao meu peito.